segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Problema ético
Não sei se os responsáveis técnicos pelo Centro de Reprodução Nascer forneceram algum faz-me rir para o rapaz falar bem deles em sua coluna (nem sempre essas notas são espontâneas, certo?). Mas, se forneceram, devem estar fulos. Veja o que o jornalista publicou ontem:
Reprodução
O congelamento de óvulos já é uma realidade em Belém, assim como a escolha de sexo de bebê. O Centro de Reprodução Nascer tem proporcionado o acesso de tecnologia de ponta em reprodução. (destaquei)
Alguém deveria informar ao colunista que manipulação genética de embriões, para definição de quaisquer de suas características, viola um dos mais elementares princípios da reprodução assistida. E a principal característica que os candidatos a pais gostam de definir é o sexo, mas mesmo nesse caso estamos diante de uma violação ética.
Nem o leigo pode alegar ignorância: devido ao escândalo Roger Abdelmassih, maciçamente explorado pela imprensa, quem não sabia ficou sabendo, há poucos dias, que além da ação criminal a que o médico responde por 60 estupros, um segundo inquérito já foi instaurado, justamente para investigar acusações de procedimentos antiéticos, tais como a escolha de sexo dos bebês. Ou seja, o país inteiro já sabe da proibição. Menos o nosso colunista.
Os profissionais que ele tentou homenagear terão apreciado a nota?
O melhor TCC de Comunicação Social

Revisitando o terceiro ano
Contra as mulheres: um ensaio sobre a forma como a mulher era retratada na música popular brasileira, em outras épocas, em cotejo com as referências atuais. Rendeu 21 comentários.
Lendas urbanas: uma brincadeira sobre ideias que tentam enfiar em nossas cabeças - e às vezes o povo acredita.
Videocassetada: uma bola fora do senador José Agripino Maia, mostrando que o Democratas se comportava de modo sem noção. Exatamente como hoje.
Perfil psicopático: um adolescente de 16 anos, autor confesso de 12 homicídios, disparou manifestações a favor da pena de morte.
Forma e conteúdo: o depósito recursal cobrado na Justiça do Trabalho acalorou a discussão sobre o que é mais importante no processo.
Teste seus conhecimentos: um pouco de cultura geral foi bem recebido por alguns leitores.
Fogo amigo: uma briga intestina na Igreja Católica também mobilizou alguns comentaristas.
Mas o assunto de maior sucesso no blog foi, sem dúvida e disparado, a chegada de minha filha Júlia. As postagens sobre o desenvolvimento da gestação e, depois, do bebê, renderam as manifestações mais carinhosas que já recebi. Textos alusivos aos momentos mais marcantes foram campeões de comentários, os quais guardo com o maior carinho até hoje.
3 anos do blog

Homens de preto
Vejo quase que diariamente militares correndo pelas ruas, como hoje mesmo, minutos antes. Atrapalham o trânsito, mas usam no máximo umas bandeirolas vermelhas. Nunca vira ninguém armado. Fico me perguntando se há real necessidade de passar pelas ruas com essas armas de tão grande poder de fogo. Será que o crime organizado em Belém está monitorando o quartel do Comando Geral da Polícia Militar, só esperando os pretinhos saírem para um fuzilamento coletivo?
Fala sério...
domingo, 30 de agosto de 2009
Manhã de 29 de agosto
Direto de Sucupira
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Uma grande inauguração!
E que obras seriam essas? O recapeamento asfáltico do conjunto (realizado um ano atrás), a instalação de lombadas supostamente pedidas por moradores e sinalização horizontal, além de uma limpezinha de última hora, que não deixou um pedacinho de capim nas ranhuras das calçadas rachadas. Gastaram também meio quilo de concreto para fazer dois metros de passarela no que deveria ser uma praça e é apenas uma área ociosa, que agora ostenta até flores!
Deve ter sido um investimento milionário, que fará os otários da FIFA se arrependerem de não ter escolhido Belém como sub-sede da Copa de 2014.
Portanto, amanhã é dia dos cidadãos de bem darem de cara com o prefeito, talvez em campanha para nos convencer de que ele não é mais odiosa e ausente figura que já passou pelo Palácio Antônio Lemos. Esta noite, portanto, façam suas necessidades fisiológicas em saquinhos plásticos frágeis e deixem prontos. Amanhã tem caminhada!
Ranking nacional do Exame de Ordem

Divulgado o ranking do último Exame de Ordem, que permite uma análise comparativa sobre o desempenho dos candidatos por ser unificado nacionalmente. E vejam só: a elite cultural jurídica do Brasil está em último lugar, com pífios 15,77% de aprovação. O vexame fica ainda pior quando se observa o número de candidatos - 18.616 -, quase três vezes mais do que o segundo colocado em número de inscritos, Rio de Janeiro.
Seja como for, os resultados estão longe do desejável, considerando que o Estado de maior êxito, Ceará, teve 37,61% de aprovação. É muito pouco. Para que não nos sentíssemos tão aflitos com a qualidade da formação jurídica no Brasil, penso que o índice de aprovação deveria ser de, no mínimo, 50% - para ser altamente econômico. Não me darei ao trabalho de falar sobre o ideal...
Mais informações aqui.
Essa foi ótima

Infelizmente, seria engraçado se não fosse trágico.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
No semáforo
Sem dúvida, o brasileiro - e não apenas o sertanejo - é, antes de tudo, um forte. Faz de tudo para defender o pão de cada dia. Inclusive vender o medicamento mais famoso do momento.
Quanto à confiabilidade do remédio, não me arrisco a comentar.
Mãos limpas
Com o pânico disseminado pela gripe suína, os ambientes de grande afluxo de público estão ganhando dispensadores de álcool em gel. Adorei. Se passo perto de um, quase sempre aproveito. Não é medo de me contaminar, e sim um inocente prazer. Afinal, para prevenir a gripe dos porquinhos, considerando que ela é provocada por um vírus livre, não há muito que se possa fazer. Podemos nos prevenir das situações de risco mais evidente, porém não de contato com pessoas infectadas, mormente se em período de incubação.
Portanto, limpe as mãos, relaxe e siga sua vida. Isso também passa.
Concepções filosóficas e políticas sobre a mulher
Às mulheres, meu respeito e solidariedade. A Bia, um abraço especial.

A mulher deve adorar o homem como a um deus. Toda manhã, por nove vezes consecutivas, deve ajoelhar-se aos pés do marido e, de braços cruzados, perguntar-lhe: Senhor, que desejais que eu faça?
Todas as mulheres que seduzirem e levarem ao casamento os súditos de Sua Majestade mediante o uso de perfumes, pinturas, dentes postiços, perucas e recheio nos quadris incorrem em delito de bruxaria e o casamento fica automaticamente anulado.
Mesmo que a conduta do marido seja censurável, mesmo que este se dê a outros amores, a mulher virtuosa deve reverenciá-lo como a um deus. Durante a infância, uma mulher deve depender de seu pai; ao se casar, de seu marido; se este morrer, de seus filhos e se não os tiver, de seu soberano. Uma mulher nunca deve governar a si própria.
Quando um homem for repreendido em público por uma mulher, cabe-lhe o direito de derrubá-la com um soco, desferir-lhe um pontapé e quebrar-lhe o nariz para que assim, desfigurada, não se deixe ver, envergonhada de sua face. E é bem merecido, por dirigir-se ao homem com maldade de linguajar ousado.
As crianças, os idiotas, os lunáticos e as mulheres não podem e não têm capacidade para efetuar negócios.
Quando uma mulher tiver conduta desordenada e deixar de cumprir suas obrigações do lar, o marido pode submetê-la à escravidão. Esta servidão pode, inclusive, ser exercida na casa de um credor do seu marido e, durante o período em que durar, é licito a ele contrair novo matrimônio.
Os homens são superiores às mulheres porque Alá outorgou-lhes a primazia sobre elas. Portanto, dai aos varões o dobro do que dais às mulheres. Os maridos que sofrerem desobediência de suas mulheres podem castigá-las: deixá-las sós em seus leitos e até bater nelas. Não se legou ao homem maior calamidade que a mulher.
Que as mulheres estejam caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar. Se quiserem ser instruídas sobre algum ponto, interroguem em casa os seus maridos.
A natureza só faz mulheres quando não pode fazer homens. A mulher é, portanto, um homem inferior.
Dobra o número de presos no Brasil
ais determinante.Aquele que nunca está certo
Enquanto isso, a secretaria de administração do TJ tomou uma medida mitigadora e baixou uma portaria disciplinando o acesso ao estacionamento, que continua franqueado apenas aos "magistrados, servidores, advogados e jurisdicionados". O problema é que jurisdicionados somos todos nós, ou seja, ao pé da letra, toda e qualquer pessoa pode, em tese, acessar o estacionamento. Qual o sentido, então, da norma restritiva? Para entender, basta prosseguir na leitura. Assim descobrimos que, na verdade, os únicos que não podem mais estacionar no TJ são os estagiários, expressamente citados como alvo da vedação.
Antes que façam as piadinhas, devo lembrar que os estagiários são nossos colaboradores e, a par de estarem aqui para aprender (o que é interesse precípuo deles), também nos ajudam a dar vencimento do serviço (o que é interesse público). Numa sessão em que o Tribunal Pleno decidiu reduzir o valor da bolsa de estágio, uma desembargadora que se opôs a essa medida destacou a relevância do apoio que os estagiários nos prestam. E isso é fato: se o estagiário for bem orientado e corretamente cobrado, ele pode fazer muita coisa - e muita coisa boa.
Além do mais, embora a efetiva restrição de acesso tenha de fato o poder de liberar espaço físico, não resolve o problema. Algo maior e mais definitivo deveria ser pensado, lembrando que no entorno do TJ - avenidas Almirante Barroso, Júlio César e Dr. Freitas - é proibido estacionar.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Atipicidade do porte de maconha para uso pessoal - na Argentina
O texto acima foi extraído do art. 19 da Constituição da Nação Argentina, de 22.8.1994, e serviu de fundamento para que a Suprema Corte de Justiça do país vizinho, na tarde de ontem, ao julgar um processo no qual cinco rapazes haviam sido presos portando três baseados, decidisse pela inexistência de crime no porte de pequena quantidade de maconha, desde que o indivíduo seja adulto e a droga se destine a seu consumo pessoal, em ambiente privado.
A decisão privilegiou a liberdade individual de pessoas dotadas de discernimento. É possível notar que a corte andou, mas com o freio de mão altamente puxado. Decidiu com inúmeras limitações e nem assim se livrou das críticas.
O veredito não deve causar espécie. Há décadas que setores abolicionistas defendem a inexistência de crime em condutas relacionadas a consumo pessoal de entorpecentes. O vício deve ser tratado como questão de saúde pública, não como questão criminal, pois a ingerência punitiva do contexto não apenas é ineficiente como pode produzir efeitos contrários. No plano dogmático, a deliberação se sustenta no princípio da lesividade: não se pode considerar crime uma conduta que não afete uma pessoa distinta do agente.
Detalhe final: algumas notícias estão sendo publicadas com a afirmação de que o Judiciário argentinou "descriminalizou" o porte de maconha. Isso está errado. Descriminalizar pressupõe a vigência de uma nova lei, abolindo tipos penais até então existentes. O que a Suprema Corte argentina fez foi, interpretando a lei penal à luz da constituição, concluir que o porte de pequenas quantidades de maconha, para uso próprio, não se enquadra à norma incriminadora. Ou seja, o crime continua existindo, mas esse fato específico não pode ser enquadrado como tal.
Enfim, os argentinos avançaram? O tempo dirá. Afinal, segundo consta, com menos de quarto da população brasileira, a Argentina é a maior consumidora de cocaína da América Latina. Portanto, é melhor levarem a sério uma política nacional antidrogas.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Ele, o médico
não esperem de mim nenhum libelo furioso contra Roger Abdelmassih. Na verdade, eu lamento profundamente que exista esta situação. Não por pena dele, não. Se for culpado, que pague por seus crimes. O que lamento é que a maior autoridade em reprodução assistida do Brasil não seja o modelo de conduta e honorabilidade que, natural e até ingenuamente, todos esperamos.Lamento que os tantos casais que precisam desse serviço percam o referencial. Lamento que os trabalhadores da renomada clínica fiquem em situação profissional e financeira arriscada.
Prudências acusatórias à parte, uma coisa é uma acusação feita por uma ou duas mulheres. Outra, completamente distinta, é uma acusação formulada, a esta altura, por 60 mulheres, algumas das quais deram a cara a tapa, expondo a própria imagem para a imprensa, conscientes de que seriam vistas em cadeia nacional. Tratar de algo tão vexatório em público sugere que a mulher tem um objetivo muito claro. Difícil concluir que, um belo dia, pessoas sem vínculos entre si resolveram montar uma conspiração espontânea contra Abdelmassih, para arrancar dinheiro dele.
O que mais impressiona é que um homem desses simplesmente não precisa de nenhum tipo de fraude ou violência para conseguir mulher. Nos últimos dias, tenho escutado mulheres (assim mesmo, no plural) dizerem que a mulherada anda tão "fácil" que conseguir uma não exige talento nem tampouco experiência. Nem dinheiro. Mas quem tiver estes itens, sobretudo o último, faz a festa. Então qual o sentido de molestar inocentes, se seria tão fácil conseguir levas e levas de parceiras, espontânea e apaixonadamente?
Duvido que haja alguma explicação que não seja doença. Mas uma doença daquelas que não afetam a imputabilidade penal.
Resumo da ópera: o médico está preso há uma semana, o STJ não deu a mínima para ele e, ontem, a Ministra Ellen Gracie, do STF, deu mais uma canetada nele. Até a ONU está contra o cara.
A situação não está nada fácil para Abdelmassih. Pelo andar da carruagem, logo será preciso ficar doente, como de praxe, quando um sujeito abastado cai nas garras do sistema de justiça criminal.
Um carinho para a pele
Já comprei camisas de algodão egípcio. Deliciosas de vestir. Minha filha tem um body feito com ele, que usa para dormir e só não é tão bom de acariciar quanto a dona. Mas aí vem o detalhe: qualquer coisa feita de algodão egípcio é cara.segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Punição para cyberstalking
Por José Antonio Milagre
Você já se deparou com um usuário na rede que acessa sempre a sala de chat em que você está e lá faz questão de insistentemente enviar mensagens provocativas a você? E aquela pessoa que bisbilhota todo o santo dia seu perfil no Orkut? Ou com aquele que lhe dá “Boa Noite, durma com meus anjos!” toda a noite no Twitter? Tudo isso gera uma certa insegurança e incomoda? Lógico que sim! Mas o que é isso a final?
Diferente do CyberBulling onde se tem uma ação ativa do agente, que provoca, ridiculariza, ofende e difama a vítima, por escritos, publicação de vídeos ou fotos, estamos a falar do Stalking, onde a violência é “sutil”, e muitas vezes só perceptível à própria vítima. Algo em comum? Ambas as práticas almejam abalar o “psicológico” da pessoa.
CyberStalking, nada mais é do que a versão digital do Stalking (caçada, do inglês), uma forma de violência suave, que atua à margem da Lei e na linha tênue que separa um elogio, aproximação ou manifestação com segundas intenções difamatórias e de abalo ao subconsciente e paz interior da pessoa, a chamada “marcação serrada”.
Imagine aquela pessoa que segue seus passos na rua mas não lhe agride nem lhe ofende, só lhe segue...Imagine que ela sempre faz questão de cruzar por seu caminho, onde um simples “olhar” pode danificar mais do que qualquer palavra ou ato. O problema é que “olhar” não é crime! Ou seja, ao buscar a ajuda de alguém é comum que ouça “Mas ele está apenas sendo gentil...”, ou seja, somente a vítima sabe mensurar os danos que o stalker provoca.
Este é o Stalking, e ele tem se potencializado na Internet graças a falsa ideia de anonimato. Muitas vezes a vítima desconhece a imagem de seu perseguidor, chega até o escritório e quer processar um nickname, sem mais nenhum dado, o que de fato é impossível.
Conquanto a maioria das condutas não possam ser punidas, temos modalidades, porém, que passam a ser criminosas, como por exemplo, ligações noturnas ou e-mails enviados ou mensagens SMS e recados na secretária eletrônica. Aqui, as mensagens são em sua maioria subliminares ou com termos que só a vitima entende (como por exemplo, termos comuns entre um casal que namorou durante anos), e isto dificulta a atuação ou o interesse da Polícia. As motivações? Ciúme patológico, amor, desamor, ódio, vingança, inveja, ou até mesmo brincadeira.
Nos Estados Unidos, um Projeto de Lei em trâmite no Comitê Judiciário da Assembléia de New Jersey traz uma punição interessante aos Stalkers que forem condenados: Além da clássica “ordem de distância permanente com a vítima”, também não mais poderão enviar e-mails a esta pessoa! Criou-se a “Ordem de distância virtual”. Outra proposta, ainda, sugere a criação de um “cadastro” de e-mails de Stalkers.
No Brasil, esta brincadeira pode sair caro, onde já tivemos casos de processos por Stalking. A Lei de Contravenções Penais prevê o delito de perturbação de tranquilidade, em seu artigo 65, prevendo uma pena de 15 dias a dois meses, sem prejuízo da indenização cível correpondente por danos morais. Logicamente, que os casos devem ser analisados em seu contexto, pois muitas denúncias, efetivamente, não passam de infundado temor.
Como se percebe, muitas pessoas são vítimas desta violência sem mesmo saberem ou conhecerem que a Lei as protege. Fique atento, converse com seus filhos, e em caso de violência psicológica pela Internet, registre os arquivos digitais, procure um especialista para apuração da autoria e registre a ocorrência.
O autor do texto me parece um pouco confiante demais. Afinal, as contravenções penais são infrações bastante desprestigiadas, havendo mesmo quem proponha a sua completa eliminação. Ou o fato é grave o suficiente para constituir crime ou não deveria sofrer consequências penais, em respeito ao princípio da lesividade — tese de que comungo. Teses à parte, o fato é que o cotidiano forense não mostra muitos casos de contravenções. O sistema de justiça criminal já é tão ineficiente para dar cabo dos crimes graves que pouca ou nenhuma atenção dá às infrações de menor monta — exceto, agora, se cometidas contra crianças ou mulheres.
Experimente ir a uma delegacia se queixar que um anônimo o perturba no Orkut. Se o delegado apenas o mandar embora, agradeça. Obviamente, esta é uma crítica a um sistema que discrimina o cidadão-contribuinte, mas tapar o sol com a peneira não dá.
Conclusão: precisamos de mecanismos penais mais eficientes para coibir as psicopatias alheias. Por enquanto, o mecanismo mais útil ainda é cível: indenização. Proteja os arquivos, rastreie o delinquente e tire dinheiro dele (legalmente, eu disse!). E, em autodefesa, exponha-o.
Explicação indignada
Um amigo comentou, meio que ao acaso, ter passado pelas obras do "Ação Metrópole" e se impressionado com a rapidez delas. Outro replicou que essa é a única obra do governo Ana Júlia. Implantado o dissenso, o primeiro disse que Ana Júlia faz um governo medíocre (importante: votou nela e está decepcionado com o resultado). Foi quando uma terceira pessoa começou a explicar, séria e serenamente, que votará em Jáder Barbalho, Priante ou quem quer que seja o candidato do PMDB ao governo do Estado, pois tem contatos nesse partido e assim pode obter algum cargo. Indignei-me. Reclamei da atitude de votar numa pessoa, sem se interessar por quem seja, por seu histórico e seus objetivos, apenas para tirar um proveito pessoal.
A coisa piorou: aventada a possibilidade de vitória de um candidato do PSDB, foi sugerido ao dito cujo que se aproxime de contatos tucanos, para ter uma outra alternativa. O cara pensou um pouco e se lembrou de que a namorada de um amigo dele é filha de não sei quem do PSDB e que, talvez, por esse caminho, conseguisse uma posição. Para tanto, sondaria esse contato. Eu, que não costumo debater política — a menos que esteja junto a pessoas dispostas a tratá-la de modo algo científico, para não entrar em futricos de botequim —, perdi a paciência:
— E depois reclamam do Sarney, do Congresso, do governo! Se um cidadão que estudou, formou-se, trabalha e tem acesso a todas as comodidades da vida escolhe um candidato dessa forma, como esperar que este país tenha jeito?
Entrou em cena, então, um último personagem, visivelmente aborrecido com a minha repreensão, ponderando que o nosso companheiro “precisava trabalhar para sustentar-se”.
— E? — indaguei, já sabendo por onde a coisa ia.
Em suma, foi dada razão ao vendedor de voto, porque ele precisa cuidar dos próprios interesses. É um jovem que precisa conquistar um lugar no mercado e, enquanto não passar num concurso público, pode ir se virando dessa forma. Já conhecedor das opiniões classe média dessa pessoa, soltei uma última increpação e saí da conversa. Sabia que estaria sozinho. Eu é que seria o otário.
É assim que se faz o Brasil: os ricos votam em quem vai deixá-los mais ricos; os de classe média votam em quem lhes dará uma casquinha tacanha das benesses, numa análise egocêntrica e sem visão de futuro, muito menos de conjunto; e os pobres votam em quem tem maior apelo perante a mídia. E depois todos reclamam do Sarney!
Independência que nada! O Brasil pode ser livre, mas o brasileiro é o típico colonizado. E o pior é que gosta disso.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Congestionamento iminente
Consumidor poder
á relatar problemas com SAC no portal do MJBrasília, 20/08/09 (MJ) – Consumidores de todo o país ganharam mais uma ferramenta para discutir e relatar problemas dos serviços de atendimento ao consumidor (SACs) das empresas reguladas pelo Decreto nº 6.523/08. Entrará no ar nesta sexta-feira (21) um novo espaço no portal do Ministério da Justiça para avaliar a qualidade do SAC. O acesso poderá ser feito na página principal do ministério.Na página, o consumidor poderá dizer se o atendimento foi adequado, se o atendente resolveu as pendências e se o tempo de espera foi respeitado, entre outras possibilidades. “Será um termômetro, mais um instrumento de monitoramento dos SACs”, disse a secretária de Direito Econômico do Ministério da Justiça, Mariana Tavares. Os registros vão colaborar para a formulação de políticas públicas sobre o assunto pelo Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC). A secretária esclarece que o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), vinculado à Secretaria de Direito Econômico (SDE), não irá funcionar como um Procon em função do novo serviço. “As reclamações devem continuar a ser feitas nos Procons. Ele será um espaço para o consumidor nos dizer como tem sido o atendimento das empresas, para que possamos ter uma melhor compreensão do que funciona, do que precisa ser feito”, completou.
Caso o consumidor tenha interesse em apresentar uma reclamação para solução individual, poderá procurar diretamente um dos órgãos do SNDC, como Procons, Defensorias Públicas, Ministérios Públicos e Entidades Civis de Defesa do Consumidor.
“A nova ferramenta é uma forma de dizer para o consumidor: ‘ajude a gente’. E também para incentivar as empresas a terem uma conduta razoável”, salientou a secretária.
Para registrar sua visão sobre o assunto, é obrigatório que o internauta diga seu nome, CPF e número do serviço de call center que ligou. Além do portal do MJ, um link para a ferrramenta também estará disponível nos sítios de parceiros do órgão, como Procons estaduais, municipais e Ministérios Públicos.
Já estou na fila.
Twitterítica IV
Vá morar com o Diabo que é imortal

quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Numa manhã de 20 de agosto
Todo dia 20 de agosto penso na data como um segundo aniversário. Continuamos por aqui. Vamos adiante.
DNA liberta inocente
Não existe, no Brasil, nada semelhante a essa organização. Muito menos o hábito de usar os recursos tecnológicos e científicos hoje disponíveis para elucidar crimes. Sequer os atuais, com investigações em andamento. Que dirá desencavar dramas antigos! Ireland é um homem de sorte: num país como o Brasil, ele se teria degenerado na prisão e, talvez, virado o bandido que não era. E teria poucas chances numa ação de indenização.
Nessas horas, constatamos que o nosso país está a anos-luz da civilização.
Revisão histórica

quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Cursos de Direito defasados quanto às novas tecnologias
Por Alexandre Atheniense
O ambiente eletrônico, ao longo desta década, vem gradativamente se consolidando como um novo cenário para a prática de manifestação de vontades e celebração de atos jurídicos. Ele vem em substituição ao comparecimento presencial ajustado entre as partes com a ajuda do papel.
Por conseqüência, diversas implicações jurídicas têm surgido destas atividades, demandando a necessidade de uma adequação do ensino jurídico praticado nas mais de mil faculdades de Direito em nosso país. As grades curriculares dos cursos de graduação não estão acompanhando a tendência de inserir o estudo das novas tecnologias e das novas mídias que já se incorporaram ao nosso cotidiano.
Até meados da década passada, a utilização de computadores na área jurídica estava vinculada apenas a utilização do equipamento como uma ferramenta de propiciar produtividade. Com o advento da internet nos lares brasileiros, a partir de 1996, este cenário começou a mudar.
Na segunda metade da década passada, começamos a acessar apenas um conteúdo meramente informativo na internet e somente na virada do século, com a chegada ao Brasil dos provedores gratuitos, foi gerado um mercado consumidor que atraiu prestadores de serviço e comerciantes para dar início às primeiras atividades de comércio eletrônico. Com a formação deste mercado consumidor e a expansão dos negócios online logo em seguida começaram a surgir os primeiros problemas jurídicos.
Cada serviço ou programa aplicativo que surge e alcança popularidade entre os internautas, como é o caso das redes sociais. Nelas ocorrem simultaneamente inúmeros problemas jurídicos correlacionados como responsabilidade civil, crimes contra a honra, privacidade, propriedade intelectual, uso indevido de imagem dentre outros.
Em 2006, já convivíamos com diversos problemas gerados a partir do meio eletrônico, o que demandou a necessidade e a visão para que surgisse o primeiro curso de especialização latu sensu de Direito de Informática na Escola de Advocacia da OAB-SP. Este projeto teve um enfoque nitidamente multidisciplinar voltado para o estudo circunstanciado das conseqüências jurídicas destas controvérsias e seu impacto nas tradicionais disciplinas do curso de Direito.
Este curso foi o primeiro a descortinar a necessidade do estudo de dezesseis temas relacionados entre o Direito e a tecnologia da informação, dentre eles alguns inéditos em termos de projetos acadêmicos nas faculdades de Direito do Brasil como as práticas processuais por meio eletrônico, os crimes cibernéticos, as provas eletrônicas e a propaganda eleitoral na internet.
Deparamos com a necessidade inequívoca de desenvolver projetos acadêmicos visando a capacitação acadêmica para formar profissionais especializados nessa área.
Precisamos adequar o ensino do Direito em nosso país, para que não haja um aumento da defasagem entre as demandas geradas pela tecnologia da informação no nosso dia a dia.
Não restam dúvidas que na sociedade atual a informação adquiriu valor próprio e requer uma regulamentação que a proteja. A legislação brasileira tradicionalmente derivada do Direito Romano, com suas características próprias, lastreada na celebração de atos presenciais e vinculada a regulamentação apenas de bens tangíveis, está passando por uma necessária adequação para proteger os bens incorpóreos, seja pela tipificação de condutas ilícitas como acesso não autorizado aos sistemas, roubos de senhas e inserção de vírus.
As leis brasileiras precisam ser adaptadas, principalmente na área penal quanto a privacidade eletrônica, para que haja regulamentação para combate aos ilícitos praticados nas mídias digitais.
A prática da advocacia pela internet é um caminho sem volta. Os autos judiciais estão sendo digitalizados e estas mudanças exigem capacitação de todos atores processuais.
Os advogados não estão percebendo que com a digitalização na íntegra dos autos pelo site de um tribunal há uma tendência de facilitar o cumprimento de prazos.
O ensino jurídico brasileiro não percebeu essa mudança. Atualmente, o aluno chega à faculdade acreditando que o mercado de trabalho está saturado e que não há campo de atuação em crescimento na área. Isto por que há uma dificuldade em enxergar quais são as novos setores que estão surgindo. É necessário que as faculdades incentivem os estudantes a identificar estas oportunidades.
A advocacia não está alheia às mudanças econômicas, políticas e sociais, pois qualquer impacto causado por essas mudanças, influencia diretamente no trabalho dos advogados, que precisam se manter atualizados às novidades para não cometer erros e prejudicar os clientes. A prática da advocacia vai mudar radicalmente nos próximos anos com a internet, gerando várias opções de interação social e profissional.
É inegável que existe uma tendência no mercado de trabalho orientando os profissionais para buscarem segmentos nas áreas de atuação específicos. A demanda nas áreas relacionadas ao Direito e as novas tecnologias é inequívoca. Portanto, é dever das entidades de ensino mostrar estes caminhos aos alunos de Direito em busca de uma educação mais contextualizada.
E não é que o autor tem razão?
Lei antifumo em Belém: enquete

Estou começando a gostar dessas enquetes do Diário do Pará. A de hoje, confesso, me surpreendeu um pouco. Mas muito positivamente.
A propósito, o Estado do Rio de Janeiro acabou de ganhar a sua lei antifumo, já devidamente sancionado pelo governador Sérgio Cabral, com vacatio legis de 90 dias. Confirma-se, assim, uma tendência progressiva.
Uma salutar tendência.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Otoió tês
À medida que o tempo passa e ela cresce, nossa relação se intensifica. Isto também é previsível, mas não poderia deixar de registrar o quão graciosa e adorável é a atual fase. No próximo domingo, ela completará 13 meses. Agora, mantém conosco uma relação muito mais consciente, que nos permite os rudimentos de uma conversa. Antes, externava suas vontades materiais apontando na direção da geladeira ou do brinquedo. Agora, balbucia sons e responde perguntas primárias. Se perguntamos se ela quer comer, p. ex., responde "té" em caso afirmativo, ou fica em silêncio, se negativo. Aprendeu, portanto, a se comunicar de maneira eficiente, para questões objetivas.
Tagarela que só ela - como convem a uma menina -, passa um longo tempo matraqueando sons ininteligíveis. Mas hoje observei que são sons coerentes para ela. Em meio a suas "frases", ela disse duas vezes algo parecido com "otoió tês". Minutos mais tarde, em outro cômodo da casa, repetiu a expressão, falando com aquela carinha séria de quem está, de fato, expressando uma ideia.
Sabemos que "tês" corresponde ao número "três", que para ela parece significar qualquer número. Se perguntamos sua idade, a resposta é "tês". Quantos dedos tem na mão, "tês". Quantas figuras na página do livro, "tês". Tudo porque fizemos a maior festa quando ela disse "tês" pela primeira vez. E crianças são movidas pelo desejo de agradar. Como os adultos, por sinal.
Enfim, nunca saberemos o que significa esse "otoió tês". Mas que é uma delícia escutar aquela voz doce, compenetrada, falando conosco, ah isso é!
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Lei antifumo em Belém. Amém!

O projeto do vereador Carlos Augusto (DEM) é um aditamento aos projetos já existentes sobre o assunto, tornando mais severa a proibição do cigarro em estabelecimentos públicos. O projeto já tramitava há um ano na Câmara.
A lei define multas a quem descumprir a determinação.
Crimes sexuais: a nova legislação brasileira (parte 7)
A primeira, sobre ação penal.
A segunda, sobre retroatividade benéfica.
As questões palpitantes começam a proliferar. Em sala de aula, elas começarão a ser exploradas, oxigenando as discussões. Isso é bom. Mesmo quando a lei possui os seus senões.
Mulheres punidas por falta de sexo
da BBC Brasil
Uma nova lei afegã vem provocando polêmica ao permitir aos homens xiitas negar comida às suas mulheres se elas se recusarem a manter relações sexuais com eles.
A lei, que também estabelece que as mulheres casadas precisam da permissão dos maridos para trabalhar e dá aos homens e aos avôs a custódia exclusiva dos filhos, foi promulgada e publicada apesar dos protestos da comunidade internacional.
O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, já havia sido obrigado anteriormente a vetar uma versão original da lei após a pressão de organizações internacionais.
Mas os críticos dizem que a nova versão da lei é igualmente repressiva e acusam Karzai de ter cedido em troca do apoio dos xiitas conservadores nas eleições presidenciais desta semana.
A nova lei, aplicada apenas para a minoria xiita, estabelece normas para a vida familiar.
A versão original da lei obrigava as mulheres xiitas a manter relações sexuais com seus maridos no mínimo a cada quatro dias e, na prática, aceitava o estupro ao remover a necessidade de consentimento para o sexo dentro do casamento.
Líderes ocidentais e grupos de defesa dos direitos das mulheres afegãs se uniram para condenar a aparente reversão de direitos conquistados pelas mulheres do país após a queda do regime radical islâmico do Talebã, derrubado em 2001.
Agora a versão atualizada da mesma lei foi aprovada sem estardalhaço e transformada em lei com a aparente aprovação de Karzai.
"Houve um processo de revisão e Karzai sofreu pressão de todas as partes do mundo para mudar essa lei, mas muitas das normas repressivas permanecem", disse Rachel Reid, representante em Cabul da organização internacional Human Rights Watch.
"O que importa mais para Karzai é o apoio dos fundamentalistas e dos linha-dura aqui no Afeganistão, de cujo apoio ele acha que precisa para as eleições", diz.
Grupos de defesa dos direitos das mulheres afirmam que a formulação da nova lei viola o princípio de igualdade que está garantido pela Constituição afegã.
Jurisfight
No recurso, o MPF sustenta que na ação proposta em 27 de abril, além de pedido de liminar para garantir que formandos do curso de direito pudessem se inscrever no Exame de Ordem com início previsto para o dia 17 de maio, que a Justiça determinasse que a OAB se abstivesse de exigir a comprovação de colação de grau em futuros exames.
Gostou da notícia, concluinte? Então leia na íntegra.
Resultado previsível

Retomada
Pois bem, estamos de volta. Uma boa semana a todos.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Twitterítica III
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Plocosfera

infinito. É um aparelhinho com oito botões, ruidosos quando apertados. A cada cem apertadas, emite um sonzinho diferente. Vendido em forma de chaveiro, com um cordão para pendurar e cinco opções de cores. O inteligente que criou o produto foi sagaz no marketing e criou toda uma comunidade para empolgar os interessados em apertar bolhinhas até desenvolver uma LER. O sítio oficial é este.Abortamento & violência
Das ações sobre aborto no Brasil, 31% julgam violência contra gestantes
Estudo analisou quase 800 decisões de tribunais estaduais, STJ e STF.
67% dos casos ocorrem no Sudeste; 63% são de homicídio.
Pesquisa inédita constatou que 31% das ações judicias que tratam de aborto no Brasil referem-se a interrupções de gravidez causadas por violência contra gestantes. As autoras, a advogada Tamara Amoroso Gonçalves e a socióloga Thais de Souza Lapa, analisaram durante cerca de um ano em torno de 800 processos julgados pelos Tribunais de Justiça de todos os estados, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF) entre 2001 e 2006.
Apoiadas pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), as pesquisadoras iniciaram a leitura dos acórdãos interessadas em avaliar a influência de conceitos religiosos nas decisões do Poder Judiciário. Em 2004, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS) entrou com ação no STF pedindo que a interrupção de gravidez de fetos anencéfalos – ou portadores de qualquer outra malformação que torne inviável a vida extrauterina – fosse dispensada de autorização judicial. Desde então, a questão mobiliza grupos religiosos que pregam a sacralidade da vida desde a concepção e entidades que defendem o direito de escolha da mulher. (Cinco anos depois, o Supremo ainda não tomou uma decisão na Arguição de Preceito Constitucional nº 54.)
No entanto, além do debate jurídico e filosófico em torno do aborto de feto anencéfalo, as pesquisadores acabaram se deparando com muito mais. “Atiramos no que vimos e acertamos no que não vimos”, disse Tamara ao G1. “Ao iniciar-se este trabalho não se pensou que haveria correlação tão significativa entre os temas ‘aborto’ e ‘violência’”, escrevem. No processo de coleta dos dados, elas verificaram que, na maior parte dos casos, as agressões eram praticadas pelo próprio companheiro ou por ex-companheiro. As razões variavam: da indignação de um ex-namorado, por exemplo, por não conseguir reatar, até o cálculo de quem mata a ex-mulher grávida porque já está em outro relacionamento e “não quer haver-se com a ex-companheira gestante de um filho seu”.
Do total de processos vinculando aborto à violência, 67% eram da Região Sudeste, 20% da Sul, 7% da Centro-Oeste, 4% da Nordeste e 2% da Norte. Essa predominância reflete, é claro, o relativo maior acesso ao Judiciário nos estados mais desenvolvidos do país. Quanto à tipificação penal, 63% tratavam de “homicídio e aborto não consentido”. Em segundo lugar destacavam-se casos de “violência sexual de criança ou adolescente até 14 anos e aborto”, com 10%.
Tamara e Thais verificaram ainda que a interferência de argumentação de teor religioso em processos que tratavam de violência e aborto foi ínfima: só 1 acórdão (0,42% do total), do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, citava um versículo da Bíblia e reproduzia um provérbio sobre como “as tantas vezes em que Deus não quer dar aos juízes o esclarecimento de um crime é prova manifesta de que o reserva para o augusto tribunal de sua Divina Justiça”.
“Isso demonstra que talvez temas com maior destaque social, como a anencefalia, insuflem mais posicionamentos religiosos por parte dos magistrados”, escrevem as pesquisadoras.
Muito interessante a pesquisa, que nos fornece um diagnóstico útil para pensar em políticas públicas relacionadas ao abortamento. Pessoalmente, gosto muito de pesquisas do gênero. Só que exigem uma infraestrutura especial. Penso em fazer uma sobre fundamentação de decisões judiciais no que tange à fixação de penas - o que também tem um grande interesse prático. Mas isso ficará para quando Deus der bom tempo.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Consumidor de serviço de telefonia
Sou usuário de telefone celular desde junho de 1997. Na época, existia uma única provedora do serviço: a Telepará Celular. No ano seguinte, com o presidente Fernando Henrique Cardoso privatizando até a mãe, as estatais telefônicas entraram no bolo. A meta era fundir as companhias estaduais para surgimento das regionais. Assim, da fusão das companhias do Amazonas, Roraima, Pará, Amapá e Maranhão surgiu a Amazônia Celular, que manteve o monopólio do serviço em nossa região por mais seis meses, quando surgiu a NBT (Norte Brasil Telecom). Lembram
-se da loja no finado Doca Boulevard?Mais uns anos, foram surgindo novas empresas, cada uma prometendo seus mundos e fundos e eu lá, quieto no meu canto. Todos malhavam a Amazônia, considerando seus serviços caros e inferiores aos das concorrentes. Contudo, justiça seja feita, a Amazônia nunca me causou nenhum problema. Nunca.
Eu pagava caro, sim. Mas um dia um funcionário da Amazônia, na loja, exercendo o seu papel, recomendou-me uma troca de plano. Minha conta despencou. Até hoje pago valores razoáveis. Quanto ao serviço, nunca fiquei fora do ar. Quando viajava, entrava em roaming e continuava usando o telefone sem problemas. Que me lembre, jamais perdi uma chamada ou uma mensagem, seja originando, seja recebendo, por causa da Amazônia Celular. Quando fui trabalhar no prédio novo do tribunal de justiça - uma caixa de concreto que bloqueia os celulares - o único que funcionava era o meu. Meus colegas voltaram ao tempo em que fazíamos mandinga para conseguir sinal e eu, numa boa.
Para não dizer que não tenho queixas, reclamo da falta de promoções e bonificações para os clientes.
Eis que veio a venda para a Vivo - empresa que eu já odiava, por motivos bast
ante concretos ligados a duas pessoas de minha família, clientes dessa empresa. Temi as consequências. Mas o que é ruim sempre pode ficar pior: uma segunda venda e acabamos nas mãos da famigerada Oi. Eu sabia que ia dar m... problema. E deu, claro.Agora, vez em quando, estamos fora do ar. É o que ocorre desde a última sexta-feira. Segundo me informaram, no ineficiente e desencontrado call center, um problema na rede tornou os celulares de vários usuários - eu no meio - estranhos ao sistema. Já "estavam trabalhando" e até o dia 10 o problema seria resolvido. Liguei ontem e não havia novidades. Apenas a promessa de solução ontem mesmo.
Pois bem, hoje é dia 11 e não há o menor indício de que poderei voltar a fazer ligações. E isso concretamente me atrapalhou muito ontem. De que me adianta um celular se não posso ser um ligador, mas apenas um recebedor?
Felizmente, o sistema continua funcionando: a fatura deste mês já chegou.
Acréscimo em 3.8.2009:
Somente hoje, após quase uma semana inteira fora do ar, consegui fazer uma ligação. Finalmente.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Crimes sexuais: nova legislação brasileira em vigor
Houve três vetos pontuais - por sinal, bastante oportunos -, que pouco alteram o mérito da nova lei, cujo conteúdo definitivo é este.
Tudo novo em um delicado assunto. Atualize-se.
Caso de abortamento eugênico
Em texto de Fernando Porfírio para o Consultor Jurídico, tomamos conhecimento da recente decisão da 6ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, que autorizou uma mulher, no quinto mês de gestação, a abortar os fetos xifópagos que carrega. Consta que os bebês compartilhavam órgãos vitais, como coração e fígado, além do cordão umbilical. Consoante perícias realizadas, não havia nenhuma chance de correção cirúrgica do problema, nem possibilidade de vida extrauterina.
Os argumentos supratranscritos, adotados pela corte, são os mesmos que baseiam a longa discussão acerca do abortamento de fetos anencéfalos. Nem poderia ser diferente. O que está em jogo é a inviabilidade de vida extrauterina. Vamos aguardar se, quanto a esse caso isolado - a xifopagia é bem mais rara do que a anencefalia e por isso gera muito menor pressão sobre o sistema de saúde -, a Igreja vai despertar de sua habitual sonolência para se meter onde, que me conste, não foi chamada.
O caso jurídico ainda não acabou.
E ontem foi o dia dos pais
Felicitações aos pais. Que continuem a merecer o título, a cada novo dia.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Twitterítica II
Mudaram minha vida. De novo
(7), a combinação de hora e data em relógios e calendários resultou em uma sequência curiosa: 123456789. O momento "histórico" aconteceu às 12h34m56s - o dia 7, o mês 8 e o ano terminado em 09 se encarregaram de completar a sequência.Escolas: informem!
É o que determina a Lei n. 12.013, de 6.8.2009, ao mudar a redação do art. 12 da Lei n. 9.394, de 20.12.1996 - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
Note-se que a medida não aumenta a fiscalização apenas sobre o aluno (frequência e rendimento). Acima de tudo, aumenta a fiscalização sobre o funcionamento e a eficiência da própria escola, que fica obrigada a documentar se está, ou não, cumprindo a sua proposta pedagógica.
Naturalmente, a medida - muito salutar - de nada adiantará se as famílias desconhecerem a tal proposta pedagógica ou, pior, se não derem a mínima para ela. Abstraindo-se as pessoas que não dispõem de condições (inclusive econômicas) para matricular seus filhos onde preferem, se as famílias continuarem escolhendo escolas com base em critérios menores ou utilitaristas, sem se preocupar com a atividade-fim, leis e pedagogias de nada adiantarão. E a educação brasileira continuará afundando.
Trata-se de uma obviedade que nunca deixa de ser verdadeira: educação começa em casa.
Novo crime
Art. 349-A. Ingressar, promover, intermediar, auxiliar ou facilitar a entrada de aparelho telefônico de comunicação móvel, de rádio ou similar, sem autorização legal, em estabelecimento prisional.
Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.
Ajusta-se a lei, assim, a uma situação sobejamente conhecida no sistema penitenciário brasileiro. Espero que surta algum efeito positivo.
Pertencimento
Se sim, espero que esse lugar esteja geograficamente perto. E espero, acima de tudo, que ele não esteja pragmaticamente distante, parecendo inacessível. Porque essa segunda parte é realmente muito ruim.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Para os médicos veterinários não

Essa orientação não implica desmerecimento à relevante missão exercida pelos Conselhos Profissionais na fiscalização do exercício da profissão.
Correspondência e encomendas
a compra que fiz através do comércio eletrônico. Quando me tornei adepto desse tipo de comércio, as entregas eram feitas em bonitas vans amarelas dos Correios (nem precisava ser SEDEX). Depois vieram as Kombis, de empresas terceirizadas - veículos cada vez mais maltratados. Mas ontem a entrega foi feita por uma jovem, que chegou de bicicleta, com alguns pacotes pequenos numa cestinha instalada na magrela. Estava vestida de um jeito que sugeria ter saído de casa do jeito que se encontrava.Sentimentos paternos
odo, entre o jantar e o banho, em que ela parece sempre tão feliz.quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Pensata - Eça de Queiroz
Revisitando o passado do blog
Como todos sabem, em Belém há dois jornais. O primeiro pertence a uma família e está firmemente atrelado a certos grupos políticos e econômicos, sendo seu fiel porta-voz. O segundo, também, só mudando os envolvidos. Um deles, só fala bem do governo estadual. O outro, desce o malho.(1)
Pois bem, o jornal que só fala mal do governo noticiou ontem que serão comprados silenciadores para pistolas .40, para entregar à polícia. Hoje, uma segunda nota afirma haver insurgência entre os oficiais da Polícia Militar, pois silenciador em arma é coisa de bandido. Engraçado, ao ler a notícia ontem, foi exatamente o primeiro pensamento que me ocorreu. Afinal, como agente público que é e estando dentro da legalidade, o policial não precisa, segundo penso, silenciar seus disparos, pois poderá demonstrar que estava no estrito cumprimento do dever. Já o bandido precisa atacar e fugir sem chamar muito a atenção. Até pensei em operações especiais e sigilosas, mas ainda não entendi qual é a necessidade de a polícia possuir esses artefatos. Deve ser porque, assim como os Secretários de Segurança Pública (pelo menos os do Pará e São Paulo), eu também não entendo nada do métier.
Prossegue a nota de hoje dizendo que há reclamação quanto ao fato de que tal compra é apenas para passar à sociedade a impressão de que se investe na polícia, quando na verdade falta o investimento essencial, que é humano. Juro para vocês que essa foi a segunda coisa em que pensei. Afinal, homem pobre e endividado + estressado pelo trabalho + sem perspectivas de crescimento + arma na mão = conseqüências funestas.(2)
Esse é o nosso Pará, levantando a bandeira da segurança pública!!(3)
(1) Esta introdução, explicativa, me soou tão ingênua, agora. Note-se que o contexto político, à época, era muito diferente.
(2) Honestamente, mudou alguma coisa? Acho que mudou para mim: conheci umas pessoas interessantes, que entendem desse riscado.
(3) Ironizando o slogan governamental da época.


