segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Encerrando novembro
Novembro termina com registro de falecimento na minha família, doença em casa, susto grave entre amigos e, mesmo assim, com um saldo positivo. Poderia ter sido pior!
Peço licença, porque há mais provas no caminho que me separa de minha cama.
Boa noite e feliz dezembro.
Política de segurança pública


Isolamento
Com isso, um feito raro: deixei de acessar a Internet por dois dias inteiros. Por causa disso, quase fiquei sem saber do mensalão de Brasília. Aí, Democratas! Cestão de natal, não?*
Na medida do possível, as postagens virão. Uma boa semana para todos.
*Outro dia explico o que significa "cestão", se é que será necessário.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Gente finíssima
Encontrei, casualmente, um contador de um tal de Usuário Compulsivo, cujo link propositalmente não forneço, até porque não precisa. Quem quiser encontrar, acha facilmente. Facílimo de instalar, gratuito, eficiente, atendeu o meu interesse. Adorei.
Há alguns dias, porém, os meus mais de 7 mil comentários apareceram reduzidos a mil oitocentos e qualquer coisa. Esperei alguns dias para ver se o problema se resolvia de forma espontânea. Como não, acessei o blog do fornecedor. Havia um monte de gente pedindo socorro lá. E sabe qual foi a resposta do blogueiro? Ei-la:
OH GOD!!! Ó PÓI Celeste! dai-me paciência...
Gente, eu já respondi a solicitação de vocês ali em cima... Calminha, ninguém perdeu nenhum comentário caramba! É só o contador que ficou maluco.
Eu até removi, tinha quase 10.000 comentários e estava mostrando mil e poucos... Infelizmente não há nada que eu possa fazer, vou explicar porque:
Este contador funciona da seguinte forma: Há um script hospedado no próprio Blogger, que é responsável pela contagem com base nos feeds de comentários. Das duas uma: ou o problema é no feed de comentários ou é neste script.
Como ambos estão hospedados e são de responsabilidade do Blogger / Google. Não há nada que possamos fazer para corrigir o problema. A não ser, é claro, esperar ou contar os comentários manualmente. Mas isso já é coisa de doente...
Eu acredito que seja um problema temporário, que em breve pode estar resolvido sem que ninguém perceba. Se isto é um problema muito sério para você sugiro que retire o widget do seu blog, assim como eu fiz, e não me encha mais o saco!
Cordialmente,
Compulsivo
Diante da finesse do cara, fui à carga:
Quando incluí o seu widget em meu blog, vim aqui elogiá-lo (1º.7.2009). Agora, lendo a sua resposta - aliás, as suas respostas -, só posso tranquilizá-lo: com certeza, retirarei o seu widget de lá, porque não tenho mais o menor interesse em fazer publicidade sua. Não me importa que o problema seja resolvido. E, com certeza, nunca mais encherei o seu saco.
Lamento que seja essa a sua forma de lidar com o público. Você não cobra, como gentilmente nos lançou na cara, mas se ofereceu o widget ao público, devia saber que algo assim poderia ocorrer. Mas você tem razão: não deve nada a ninguém.
Além de agir como a generalidade dos profissionais das assistências técnicas de informática, que normalmente não sabem resolver os problemas, você deu um show de educação.
Até nunca mais.
Acho engraçado esse pessoal que inventa um troço, disponibiliza-o amplamente e depois se enche de dedos. Coisa de nerd, mesmo, que não sabe lidar com seres humanos. Deve se achar o máximo só porque domina as tranqueiras informáticas. Sabe-se lá se consegue fritar um ovo...
Se você é blogueiro e anda à caça de badulaques para colocar em seu blog, anote aí: Usuário Compulsivo. Nunca vá lá.
Quem diria... o funk
icadores sociais com trabalho honesto.quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Revival
Último dia do 2º semestre letivo de 1996, na Universidade Federal do Pará - um calendário abalado por uma longa greve ocorrida naquele último ano do curso de Direito. Era o último dia para o lançamento das notas, com vistas à integralização curricular. Confirmando a nossa trajetória, tivemos que sofrer até o último minuto.
A disciplina Filosofia do Direito II, que pertencia ao nono período, fora adiada para o décimo, devido à falta de professor. Cursamos o último período letivo com uma disciplina a mais, em horário diverso do nosso (nossa turma era da manhã). Nosso professor, o figuraça Egídio Salles Filho, naquele momento estava às voltas com a eleição de Edmilson Rodrigues para o seu primeiro mandato como prefeito de Belém. Tornou-se seu Secretário de Assuntos Jurídicos - não sem ônus para nós. Ficamos o semestre inteiro sem nota alguma e só fomos recebê-las na tarde daquele 9 de março. Estávamos, portanto, sem a menor noção de desempenho. Podíamos estar no céu ou no inferno. Era tudo uma questão de tomar conhecimento.
No final das contas, apenas dois alunos precisaram da prova final. Os demais saíram de sala já comemorando. Eu tive uma reação curiosa: perplexidade. Parei no final do corredor olhando o vazio e na minha cabeça rolava apenas uma palavra: "Acabou..." Senti-me meio perdido, porque estava no limiar de uma vida que não conhecia. Não sabia o que esperar.
Felizmente, meu amigo João Marcelo me tirou de minha catatonia. Começou a azáfama: íamos comemorar!
Uma gritaria se instalou. Alunos que faziam prova em mais de uma sala exigiam silêncio, aborrecidos, a que alguns concluintes respondiam gritando "Eu terminei o curso!"
Até caixa de som apareceu. Foi divertido. Na verdade, foi maravilhoso.
25 de novembro de 2009.
Eu passava prova quando uma gritaria eclodiu no corredor. Alguém brincou dizendo que o fenômeno Uniban tinha chegado até nós. Uma brincadeira, claro, já que aqui nós gostamos de mulher (apropriação de piada alheia).
Abri a porta para ver o que acontecia. Os concluintes da turma noturna caminhavam de sua sala para a escada. Estavam eufóricos: haviam deixado de ser concluintes para ser o que chamo de concluídos: aquele estado límbico, no qual você já não é mais acadêmico porém ainda não é bacharel. Sorriam, abraçavam-se, exultavam. Foi bonito de se ver. Apesar do barulho, foram ordeiros. Eu até os aplaudi.
Fui professor deles por dois semestres e tive orientações de trabalho de curso nessa turma.
Uma despedida sempre provoca emoções fortes, mas essa garotada conseguiu me transportar ao meu passado, um passado do qual guardo uma memória extremamente feliz.
E a vida segue. Boa sorte, meus queridos. Uma feliz vida para vocês.
Mais uma finalização se avizinha
Dentro de pouco mais de duas semanas, mais um semestre letivo estará terminado. E desta vez estou com uma boa expectativa de que os resultados serão bem melhores do que a rotina. Ou o histórico. O nível de aprovações sem etapa final será maior. E o de reprovações, menor. Acima de tudo, quero crer que isto espelha maior rendimento individual, maior dedicação, maior feedback, como se diz hoje para tudo. Amém!
Quando tiver mais tempo, escreverei algumas impressões sobre o debate desta tarde, tratando sobre o polêmico tema da criminalização dos movimentos sociais.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Treinamento

Sem comentários
Documentos do programa Pró-Paz que estão em poder da Comissão Parlamentar Inquérito (CPI) que apura abuso sexual contra crianças e adolescentes revelam um dado estarrecedor. No ano passado, foram registrados em Belém 62 casos de violência sexual contra crianças com idade entre zero e dois anos. Em 30 casos, os atos foram tão violentos que os meninos e meninas tiveram que passar por cirurgia para recomposição dos órgãos genitais.
“Visitei uma criança de um ano e oito meses na Santa Casa que estava na terceira cirurgia. Esse é um dano irreversível. Não apenas físico, mas psicológico. Não há como apagar essa violência”, diz o deputado Arnaldo Jordy (PPS), relator da CPI.
No mesmo período, foram registrados 144 casos entre crianças com idade de dois a cinco anos. O que chama a atenção é que esses números se referem apenas a Belém, onde existe uma rede maior de proteção às crianças. Como na maioria dos municípios não há atendimento especializado, estima-se que os números da violência são muito maiores.
De acordo com o Pró-Paz, ao todo, foram registrados em Belém 950 crimes de abuso sexual contra crianças e adolescentes em 2008, números que farão parte do relatório final da CPI. Jordy informou que deve adiar a divulgação do documento para janeiro, em função “do volume e complexidade dos casos que estão sob análise.”
Os números levantados até agora pela CPI mostram que, em cinco anos, foram registrados 20 mil casos de abuso contra crianças no Pará. Estima-se que para cada caso registrado existam outras cinco ocorrências, o que elevaria essa estatística para 100 mil casos.
No relatório final, Jordy promete apontar as falhas no sistema público de atendimento às crianças abusadas e sugerir medidas como a criação de núcleos do Pró-Paz e de delegacias especializadas, pelo menos nos municípios polos do Estado. O deputado já propôs a criação de uma subcomissão dentro da Comissão de Direitos Humanos da AL exclusivamente para tratar desses casos.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Assombração
Casa assombrada, onde andam penitentes
Sombras e ecos de amor, e em que perdura
A saudade, presença dos ausentes.
Evadidos da paz da sepultura,
Num tatalar de tíbias e de dentes,
Revivem os fantasmas da ternura,
Arrastando sudários e correntes.
Rangem os gonzos no bater das portas,
E os corredores enchem-se de prantos...
Um mundo de avejões do chão se eleva,
Ressuscitado pelas horas mortas:
Frios abraços gemem pelos cantos,
Beijos defuntos fogem pela treva.
Desencanto
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa. remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.
Twitterítica VIII
Você me entende se leu “As brumas de Avalon”.
Emmy para produção brasileira
lhor do que a Globo. Queira ou goste você disso ou não.A qualidade das produções brasileiras foi reconhecida ontem à noite, em Nova York, quando a novela Caminho das Índias recebeu o Emmy Internacional 2009 como melhor telenovela. O Emmy é um dos prêmios mais importantes do mundo para a televisão.
Na imagem, Juliana Paes (atriz protagonista), Marcos Schechtman (diretor geral) e Glória Perez (autora) comemoram a premiação.
A novela foi criticada, antes mesmo de começar, pelo teledramaturgo Benedito Ruy Barbosa, que - num arroubo de frustração, talvez, porque suas condições de saúde não lhe permitem mais escrever - declarou que o Brasil possui muita coisa para mostar, não se justificando uma novela sobre a Índia. Além disso, cuspiu no prato em que comeu dizendo que as novelas da Globo só mostram "viado" e "puta" e isso estaria incomodando o telespectador.
O fato é que a novela de Glória Perez, com todos os defeitos que possa ter tido (não acompanhei, então não sei), foi um estrondoso sucesso, reforçou a já excelente imagem de Juliana Paes perante o público e projetou atores como Rodrigo Lombardi e a nossa Dira Paes, que já pode listar a sua "Norminha" entre os tipos inesquecíveis da TV brasileira.
Pessoalmente, considero a premiação valiosa. Como disse acima, teledramaturgia é uma indústria e, como toda indústria, emprega uma grande quantidade de pessoas. Além do glamour das celebridades, é um mercado de trabalho permanente para pedreiros, eletricistas, marceneiros, pintores, copeiros, motoristas, porteiros, costureiros, técnicos de todo tipo, operadores de máquinas e mais um mundo de gente.
Já imaginou se nem uma TV bem sucedida o Brasil tivesse? Além dos impactos sociais, seria muito chato.
Sou cidadão e moreno!!!
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Insanidade
Castração voluntária
Com a intenção de resolver o problema da reincidência de crimes de abuso sexual, o governador da província de Mendoza, na Argentina, Celso Jaque, pretende implementar a castração química voluntária Segundo ele, não há sequer necessidade de mudar o Código Processual da província, já que é um tratamento que se pretende oferecer e não uma punição a ser aplicada. As informações são do Tucumán Noticias.
Em outubro, quando o governador anunciou a iniciativa, havia especulação sobre a necessidade de se reformar o Código Processual. Para o governo da província, apenas se pretendesse tornar a prática obrigatória é que seria necessário modificar não apenas o Código Penal, como também a Constituição do país.
O governador explicou que o tratamento médico não vai refletir na pena dos condenados, já que não haverá progressão de regime nem se aplicará penas menos rigorosas. Os detentos, que aceitassem se submeter ao tratamento, poderiam obter o benefício, já que, lá, a última palavra sobre o assunto é do governador.
A comissão, criada pelo governador de Mendoza e que formulou as propostas sobre o tema, também sugeriu que se desse mais proteção à vítima ou testemunha de crime sexual. O ministro do governo, Mario Adaro, disse que os condenados que já possam sair temporariamente da prisão usarão pulseiras magnéticas para que o Judiciário tenha mais controle sobre eles.
O governador recebeu as propostas de um conselho formado por psiquiatras, psicólogos, endocrinologistas, entre outros. O conselho foi convocado em outubro para estabelecer um tratamento médico para reincidentes em crimes de abuso sexual. O governador estima que o programa começará a ser aplicado no meio de 2010.
Uma pergunta continua no ar: e o acompanhamento posterior do indivíduo? Se possuidor de transtornos sexuais, a impossibilidade física quanto ao ato sexual não eliminará os impulsos agressivos, com o detalhe de que a violência pode ser canalizada para outras condutas, notadamente o homicídio.
Não é assim que queremos resolver o problema, certo?
Lá e cá

sábado, 21 de novembro de 2009
Instituições e instituições
Recordo-me do caso daquela débil mental ridícula chamada Paris Hilton (que finalmente saiu um pouco da mídia). Flagrada dirigindo embriagada, foi presa e condenada. A pena foi de alguns dias de prisão - não se pode dizer que baixa, porque condizente com as leis aplicáveis à infração cometida. O fato de ser bilionária pesou: ela teve regalias na prisão - a maior delas, ser posta em liberdade condicional, em circunstâncias indevidas, segundo especialistas ouvidos à época. Seus pais podiam ingressar na penitenciária para visitá-la por uma entrada privativa, sem se expor à curiosidade dos reles mortais. Estes fatos chegaram ao conhecimento da sociedade e a opinião pública protestou: a lei tinha que ser igual para todos!
Os pais bilionários perderam a entrada secreta e a condenada bilionária voltou à prisão, por violação da condicional, para cumpri-la até o último dia. Até a estátua que a debiloide possui no Museu de Cera Madame Tussauds (unidade Nova York) foi adequada a sua situação do momento e teve o figurino trocado para um traje listrado de presidiária.
Mas isso foi nos Estados Unidos, país em cujos muitos defeitos não se inscreve o menosprezo pela autoridade das instituições.
Enquanto isso, no Brasil, a prisão de um certo indivíduo, motivada por sentença condenatória transitada em julgado, é uma gritante demonstração de como dinheiro, advogados diligentes e alguns amigos no mercado (notadamente certos políticos) podem ridicularizar ao mais baixo nível as instituições públicas. Após anos foragido, foi preso em condições que denotavam a sua despreocupação em ser alcançado pela Justiça. Desde que iniciou o cumprimento da pena, a velha técnica do estou-doente-pobre-de-mim-sou-um-coitadinho foi aplicada à exaustão, o mais das vezes com sucesso. Neste momento, é considerado foragido da Justiça. Para seus defensores, o pobrezinho está hospitalizado. Para setores da imprensa, estava tratando há poucos dias, todo serelepe, dos interesses de seus amigos.
Certeza, mesmo, só temos uma: cadeia, neste país, sempre foi e continuará a ser para pretos, pobres e putas. Sem meio termo.
Direito de recusar transfusão de sangue
Fiquei surpreso porque o discurso do direito à vida como bem jurídico inalienável e irrenunciável é por demais arraigado em nossa tradição jurídica, que o acolhe e reproduz de modo inflexível, sem pensar em suas implicações. Tem a ver com isso uma das questões mais tormentosas da Bioética, o chamado letting die.
Sem querer ser desrespeitoso com qualquer orientação religiosa, pessoalmente penso que nosso mundo não se coaduna mais com religiões restritivas da liberdade humana. Não à toa, professo uma - o Espiritismo - que se baseia no senso de responsabilidade individual e na consciência de que toda ação, boa ou má, tem consequências - a lei de causa e efeito. Doutrinas orientais também são bastante simpáticas por pensamento semelhante, vendo a virtude como uma escolha do indivíduo e não como uma imposição de Deus, de homens ou de teorias.
Daí resulta que sou veementemente contra pessoas que, por convicções religiosas próprias, impõem negativas de tratamento ou sacrifícios a seus filhos, p. ex. Eles têm o poder diretivo sobre a educação das crianças - e só. Mas justamente porque isso é uma questão de liberdade, se a decisão da pessoa incide sobre si mesmo, tão somente, então ela deve ser respeitada.
Enfim, acho que sofrer e até mesmo morrer devem ser reconhecidas como direitos inalienáveis da pessoa, desde que limitadas a ela própria.
Os testemunhas de Jeová se recusam a receber transfusões de sangue pela interpretação que fazem de certas passagens bíblicas, notadamente Gênesis, 9: 3-4; Levítico, 17: 10; e Atos, 15: 19-21. É uma questão de escolha. Por isso, dou meus parabéns, entusiasmados, ao juiz Marco Antônio. Embora eu suspeite que sua decisão não vá durar muito tempo. O discurso da vida como bem supremo chega a ser irracional.
PS - Há uma análise interessante sobre o tema neste artigo.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Moradora nova

História: garantias de liberdade
Com a rubrica do Principe Regente.
Conde dos Arcos.
Debate sobre obras públicas
Respeito seu opinião, mas olhe à nossa volta: estamos repletos de obras pela metade. Posso citar alguns casos para refrescar a cuca: Viaduto Mariguela DEVERIA ter um túnel por baixo da Alm. Barroso. O entroncamento DEVERIA ter uns dois elevados para acabar com o inferno que está. A 1º de Dezembro DEVERIA ir até Marituba. A av. Perimetral DEVERIA ser duplicada até a Alm. Barroso... e por vai. É por isso que digo no blog que só acredito vendo, porque de promessa estou cansado! E discordo de você (tenho direito, certo?) que quando diz "porque só assim as coisas saem do papel". Pelo contrário: é assim mesmo, acreditando neles, é que as coisas não saem do papel. É isso que eles querem. Nada mais. Olha, Toninho, o estado está quebrado. A desGovernadora está pedindo dinheiro para todo lado, pois é péssima administradora. Você sabe que ela quer vender o Banpará para o Banco do Brasil, mesmo depois de ter se tornado um banco forte? Pois é. Ela é funcionária do BB. Minha esposa é funcionária concursada da SEDUC e sofremos por isso. Não sei se tem idéia disso. Os salários do policiais civis e militares estão lá embaixo e, consequentemente, vemos todos os dias nos jornais notícias que a violência está aumentando. Todos os dias.Portanto, meu caro amigo, não quero que pense que estou contra essas obras, realmente grandiosas e necessárias para nossa combalida cidade. Muito pelo contrário. Torço junto com você para que se concretizem, mas, sinceramente, isso tudo PARA MIM é puro marketing eleitoreiro, pois ano que vem (falta menos de dois meses para 2009 acabar) tem eleição pesada (presidente e Cia). E como já disse, esse filme eu já vi. Ela definitivamente não tem dinheiro para concluir TODA a obra do Projeto Metrópole. E quando digo todo, não me refiro somente ao elevado da Júlio César, porque sei que ao menos isso ela terminará. Me refiro a todo o projeto, que engloba o prolongamento da av. Independência, a posta do meio da BR-316 para somente ônibus. Augusto Montengro, enfim, veja o projeto todo neste link: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=739040
E eu trepliquei nos seguintes termos:
Meu caro, gostaria de deixar algumas impressões sobre sua réplica:
1. Antes de mais nada, por considerar um dever ético, esclareço que votei em Ana Júlia, mas considero péssimo o seu governo.
2. É verdade que as obras por você citadas estão inacabadas e que essa tem sido uma tônica no Pará (aliás, no Brasil). Mas não podemos generalizar e esquecer que há conjunturas a serem observadas, tais como:
- a administração de Edmilson Rodrigues bem que etentou executar na íntegra o seu projeto para a Dr. Freitas, mas dentre outros fatores sofreu com o boicote do governo Almir Gabriel, usando covardemente o problema da adutora da COSANPA, que passa por baixo da Almirante Barroso;
- o Entroncamento de fato é um desastre;
- a João Paulo II envolve uma engenharia delicada, pois a execução do projeto envolve a conjugação de interesses de três Municípios, como apoio do governo federal;
- sobre a Perimetral, não vejo justificativa para que não esteja duplicada, considerando que isso fazia parte das obras previstas para o Fórum Mundial de janeiro deste ano que, por sinal, incluíam a passagem de nível da Dr. Freitas. Esse foi um retumbante fracasso.
3. Já que você está citando obras inacabadas de todas as responsabilidades, inclua a piada do "Pórtico Metrópole" e o "Porrrrrrrrrtal da Amazônia". E acrescente que as obras que ficam prontas, como a Catedral da Sé, demoram o triplo do tempo que poderiam.
4. Sim, temos visto Ana Júlia requisitar sucessivos pedidos de empréstimo. Mas, por força de lei, um empréstimo só pode ser tomado se o ente federativo comprovar capacidade de endividamento. Por isso, tomar empréstimo prova, técnica e legal, que o Estado não está quebrado - ao menos ainda não.
5. Meu amigo, por favor, não acredite nos jornais! Eles são a pior fonte de informação existente. Se eles dizem que a violência está aumentando, é porque têm interesse na notícia, seja ela verdadeira ou fabricada. Obviamente, a violência em Belém está pelo teto, mas conversando com policiais - que estão na linha de frente dessa batalha - fiquei sabendo algo previsível: alguns tipos de crimes aumentam porque outros diminuem e, por incrível que pareça, alguns delitos aumentam justamente quando a polícia está nas ruas, trabalhando. Quer um exemplo: assalto com reféns e sequestro-relâmpago.
6. No mais, passo pelo cruzamento da Júlio César com a Pedro Álvares Cabral todo dia e posso assegurar que as obras estão em ritmo acelerado. Veja bem: eu disse "acelerado" e não "normal". Quanto à Av. Independência e ao elevado que a unirá à Júlio César, confesso que não sei.
E você, tem alguma opinião sobre o tema?
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Pior que cabelo de freira e cabeça de bacalhau
Entendeu ou quer que eu desenhe?
PS - No Estado de São Paulo, elas são ainda mais improváveis.
Homenagem a Esther
Conheci a Profa. Esther nas aulas do mestrado na UFPA, quando fizemos algumas disciplinas em comum. Posteriormente nos tornamos colegas de docência, na mesma instituição, e acabei sendo professor de sua filha, vinculada a uma turma especialmente querida. Sempre foi um prazer tê-la por perto, com sua tranquilidade, sua distinção, sua generosidade.
Prestei minha homenagem participando do evento com uma palestra e, depois, assistindo a uma solenidade de mútuo reconhecimento, dos alunos à mestra e vice-versa, em palavras emocionadas, que no dia a dia da docência sabemos ser sinceras.
Um abraço imenso a nossa querida Profa. Esther. Que possa cuidar de seus assuntos e, quem sabe, como sugeriu, volte mais à frente.
O que vale é o coração
O Judiciário do Mato Grosso do Sul, em primeira e segunda instâncias, acolheram a pretensão e mandaram anular o registro, sob argumentos de segurança jurídica. Mas a 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, felizmente, colocando o conteúdo sobre a forma, o amor sobre a autoridade e o utilitarismo, reconheceram que não se pode falar em falsidade ideológica num ato realizado de livre e espontânea vontade.
Com isso, a paternidade socioafetiva foi reconhecida.
“Em casos como o presente, o termo de nascimento fundado numa paternidade socioafetiva, sob autêntica posse de estado de filho, com proteção em recentes reformas do direito contemporâneo, por denotar uma verdadeira filiação registral, portanto, jurídica, conquanto respaldada pela livre e consciente intenção do reconhecimento voluntário, não se mostra capaz de afetar o ato de registro da filiação, dar ensejo a sua revogação, por força do que dispõem os artigos 1609 e 1610 do Código Civil de 2002”.
PS - Sim, eu sei que o título da postagem é brega de doer, mas não precisamos ser assim tão obtusos, precisamos?
Bancada ...ista
Bancada ruralista
Na política do Brasil, a bancada ruralista constitui uma frente parlamentar que atua na defesa dos interesses dos grandes proprietários rurais, embora, por razões estratégicas, às vezes se coloque ao lado das reivindicações dos pequenos produtores.
Apesar de atuar presentemente sob a forma de sociedade civil regularmente constituída, não costuma fazer muita publicidade de sua atuação. Chegou a ter um sítio na Internet, mas depois o desativou.
Até o número de votos de que dispõe não é exatamente conhecido. Na 51ª legislatura (1999-2003), 89 deputados se declaravam ruralistas nos seus currículos publicados no sítio da Câmara dos Deputados. Mas é certo que outros, mesmo sendo ruralistas, preferem se identificar pela profissão que lhes confere seu diploma universitário. Outros, ainda, têm interesses familiares na agricultura e na pecuária ou são patrocinados por grupos ligados a essas atividades.
Por essa razão, as estimativas quanto ao poder desta bancada variam entre 120 e 200 votos. Dificulta a contagem o fato de os ruralistas só votarem em bloco quando a matéria é de seu específico interesse.
Por outro lado, dentro da bancada ruralista, existem frentes parlamentares para defender setores agrícolas específicos como o setor sucro-alcooleiro a fruticultura, por exemplo.
A bancada ruralista é particularmente atuante na hora de contrapor-se a projetos de lei com o objetivo de promover a reforma agrária. Aliás, foi para barrar as normas constitucionais nesse sentido que ela se constituiu, na Assembléia Nacional Constituinte, sob a inspiração da UDR.
Em 2005, na Comissão Parlamentar de Inquérito da Terra, conseguiu derrotar o relatório final apresentado pelo relator da CPI e aprovar outro de acordo com os seus interesses.
O relator oficial da comissão, deputado federal João Alfredo (PSOL/CE), elaborou um relatório que fazia um diagnóstico da questão agrária no Brasil e apontava a reforma agrária como solução para o quadro de violência no campo. O documento também apresentava sugestões para que a Constituição Federal fosse cumprida e a terra democratizada.
A bancada ruralista, maioria na comissão, reagiu ao relatório de João Alfredo e aprovou o texto alternativo, que criminaliza a luta dos camponeses, preserva a UDR e classifica a ocupação de terra improdutiva como "ato terrorista".
A bancada ruralista, por pressões junto ao Poder Executivo, vêm conseguindo sucessivas concessões para o pagamento das dívidas rurais, com alongamento de prazos, redução ou dispensa de juros e linhas de crédito favorecidas nos bancos oficiais.
Também tem tido êxito na defesa dos alimentos transgênicos, contra os quais se colocam as entidades de proteção ao meio ambiente.
Dentre as atividades da bancada destaca-se sua permanente atuação para impedir o efetivo o combate ao trabalho escravo nas fazendas, e sua feroz oposição a quaisquer medidas de preservação da ecologia e do meio ambiente, bem como o patrocínio de um projeto de lei em tramitação no Congresso e já aprovado no Senado, que aumenta em 150% o limite legal para desmatamentos nas fazendas da Amazônia e dá anistia aos fazendeiros que já desmataram, ilegalmente, suas propriedades nos últimos sete anos.
Uma tese de doutorado defendida na USP pelo cientista político Leonardo Sakamotto vê uma relação entre a morosidade na apreciação dos projetos anti-escravagistas e as doações de campanha eleitoral. Segundo ele, empresas agropecuárias acusadas de utilizar trabalho escravo, seus donos e parentes fizeram doações nas eleições de 2002 e 2004 que ajudaram a eleger dois governadores, cinco deputados federais, três deputados estaduais, três prefeitos e um vereador. Ele apontou ainda três deputados federais, um estadual e três prefeitos entre proprietários ou parentes de donos de fazendas autuadas por suposto trabalho escravo.
A bancada interfere na nomeação do Ministro da Agricultura e de diretores da área agrícola do Banco do Brasil, tendo vetado com êxito o nome de pessoas não ligadas ao agronegócio.
Após anos observando a movimentação desse grupo no Congresso Nacional, penso ver exemplos de ervas daninhas, verdadeiras pragas que deveriam ser exterminadas o quanto antes, mas que, como toda praga, sempre resiste.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Habeas corpus eletrônico
Fez história. Mas uma história efêmera.
O fim da privacidade

Falta do que fazer?
Remontemos ao ano de 1993: dois shoppings em construção na cidade (ou não exatamente, porque dizem as más línguas que o Castanheira estava em Ananindeua, mas uma posterior revisão nos limites entre os dois Municípios teria empurrado a fronteira um pouco, assegurando que o grande pagador de impostos ficasse na capital). O então Iguatemi, hoje Pátio, acelerou as obras de seu complexo mal ajambrado (um terreno irregular, que obrigou os arquitetos a projetar um prédio todo cheio de recortes, o que hoje está suavizado pela ampliação para áreas adquiridas posteriormente) e inaugurou um mês antes do rival. Queria ser o primeiro da cidade e foi. Mas isso lhe custou a gana de um povo que jamais vira um shopping center, acabando em reportagens de âmbito nacional que me mataram de vergonha: confusão, vitrines depredadas e saques na inauguração do primeiro shopping de Belém...
Na inauguração do Castanheira não houve o mesmo problema, mas ele sofreu desde o primeiro instante, e até hoje, a pecha de shopping de pobre, por causa de sua localização.
E agora chegamos ao Boulevard, que vem para atender às classes mais abastadas da cidade, cansadas de esbarrar em suburbanos e favelados quando saem às compras. Continuarão esbarrando, contudo. Eles já estavam lá antes mesmo da abertura das portas. Como disse um amigo, cuja esposa fora a trabalho ver o empreendimento em seu primeiro dia e constatara o tamanho da confusão, Belém não oferece lazer a seus filhos. Principalmente aos que dependem de lazer barato ou gratuito. Não dizem que shopping é a praia dos paulistas? Eu acho que é a praia dos desesperados por lazer.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Outro caso de censura a blog
O juiz Pedro Sakamoto, da 13ª Vara Cível de Cuiabá, sustentou que "O direito constitucional de livre expressão não autoriza os réus a denegrirem a dignidade do autor em público, imputando a este a pecha de criminoso".
Dependendo da imprensa para tomar conhecimento de casos assim, limito-me a observar uma frase da blogueira Adriana Vandoni, citada na reportagem que li: ela escreveu que Riva "coleciona vitórias eleitorais com a mesma destreza que coleciona processos". Que o deputado tenha vencido diversos pleitos e seja réu em diversas ações é fato. E ninguém pode ser punido por narrar fatos, exceto pelos juízos de valor ofensivos que eventualmente faça. E a frase transcrita não me parece ofensiva. Ela é ferina, claro, mas a própria lei assegura o direito de crítica contundente, direito esse que se avulta em se tratando de pessoas públicas.
A menos que haja mais coisa a saber, a decisão judicial me parecem, prima facie, infeliz, porque verdadeiramente uma censura. E olha que, como vocês podem constatar pela leitura deste blog, sou altamente comedido quanto ao exercício de certas liberdades, que frequentemente ocultam apenas bandalhas e interesses particulares.
De solteira a viúva. Sem escalas
O pitoresco nem é o caso em si, mas o fato de o Código Civil francês permitir expressamente o casamento de pessoas mortas, desde que o passamento se tenha dado após o início do processo formal de habilitação.A história é triste, sem dúvida, mormente considerando que se trata de duas pessoas tão jovens, já pais de duas crianças. A fotografia bem revela que a noiva não estava nada feliz.
Antes que algum aloprado esculhambe os franceses, reduzindo tudo a um sentimentalismo inútil, lembro que o que está em jogo é a proteção dos direitos inerentes à família, para fins patrimoniais e previdenciários, principalmente. Ser viúva pode assegurar a Jaskiewicz direitos que, talvez, ela não tivesse de outra forma.
Afora isso, quem poderá dizer quão fundo calam na alma certas pretensões morais?
Se é pública, apenas uma vaga
Não era. Mas agora é. A Lei n. 12.089, de 11.11.2009, que entrará em vigor em 13 de dezembro, proíbe expressamente a ocupação simultânea de duas vagas em instituições públicas de ensino, em cursos de graduação, na condição de estudante. Seu art. 3º determina que a instituição que descubra a irregularidade deve notificar o acadêmico, a fim de que ele, no prazo de cinco dias, faça sua opção. Em caso de omissão, a consequência é o cancelamento da matrícula mais antiga, "na hipótese de a duplicidade ocorrer em instituições diferentes", ou da mais recente, se "a duplicidade ocorrer na mesma instituição".
Mas o art. 4º da lei faz uma concessão ao princípio do fato consumado: "O aluno que ocupar, na data de início de vigência desta Lei, 2 (duas) vagas simultaneamente poderá concluir o curso regularmente."
Por conseguinte, quem ingressar em uma IES pública no próximo processo seletivo já será atingido pela vedação.
Decerto que a medida não será bem vista por muitos, mas ela se explica pela necessidade de assegurar maior acesso às vagas, por parte de quem precisa delas. Se uma mesma pessoa faz dois cursos, é porque alguém ficou de fora. Alguém que, talvez, não pudesse dar continuidade aos seus estudos de outra forma.
Espiral rodoviária

Advogados novos e outros nem tanto
Gosto e respeito muito Jarbas e, não fosse o meu licenciamento compulsório por incompatibilidade funcional, teria votado nele. Mas confesso que me angustia ver que os cenários à esquerda, neste país, seja em que nível for, aparentemente só chegam ao poder quando se inclinam à direita. Isso me aflige profundamente.
Presto minhas homenagens a todos os componentes da chapa vencedora, mas a verdade é que estou aqui para dar um abraço muito mais caloroso na querida garotada que, segundo divulgação feita ontem, passará a integrar os quadros da advocacia paraense. Uma festa especial para:
1 Ontem mesmo tirando um 10 na defesa do trabalho de curso. Dupla parabenização.
2 O meu caríssimo "delegado Pina". Terá sido uma profecia?
3 Que ninguém segura!
Desejo todo o sucesso aos novos advogados, com os habituais pedidos de desculpas por nomes eventualmente omitidos. E não se esqueçam: há uma ética pessoal superior e prévia à profissional. Nunca se esqueçam disso.
Dia da inauguração
is pujantes.Poluição sonora - de novo
Por isso, minha sugestão continua valendo.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Brutalidade em Assis

Com calma e com jeito
É a conjugação da safadeza com a omissão. Você espera que a poeira baixe e, quando o burburinho em torno da polêmica decisão judicial acabou (o papo furado da liberdade de imprensa versus a dignidade da pessoa humana), você simplesmente volta a publicar o material proibido. Não todo dia, não na capa, não as imagens mais chocantes. Mas volta. Porque acredita na impunidade, já que o Ministério Público - autor da ação - e o Judiciário provavelmente nada farão. Medidas moralizadoras, no Brasil, acontecem com estardalhaço, mas não têm continuidade.
O fato é: até o momento, ninguém fez nada, efetivamente, contra a malinagem da imprensa do diabo.
Acréscimo em 17.11.2009:
A afirmação do último parágrafo não pode mais ser feita, considerando a informação prestada pelo Francisco (na caixa de comentários) e a movimentação processual informada por Franssinete Florenzano.
Pequenas alegrias de domingo
sábado, 14 de novembro de 2009
Rápida e fulminante
A postagem já rendera um interessante comentário de Wilson Barros, sustentando que o advogado deve fazer tudo para defender os interesses de seu constituinte, opinião que compreendo, claro, mas da qual discordo sob certos aspectos, notadamente porque não me parece ético, mesmo sob o ponto de vista dos deveres profissionais do advogado, intentar manobras inúteis ou procrastinatórias, sob o argumento de que o réu merece defesa. Merece, sim, mas não a que implique em falsear, enganar, atrasar inutilmente. Compreendo, contudo, que neste ponto me aproximo do cidadão comum e me afasto dos colegas advogados, que provavelmente veriam com maus olhos minhas opiniões.
Ontem, recebi um comentário anônimo, de alguém que se diz advogado do réu no processo em apreço. Eis o texto:
O meu cliente André Luiz Rodrigues dos Santos foi condenado a 136 anos, 08 meses e 15 dias no regime fechado.
Apelei da sentença exorbitante e o TJMG reduzia para 17 anos, 29 dias, reconhecendo a continuidade delitiva entre todos os crimes praticados contra todas as vítimas, mas não satisfeito com a redução o MP recorreu da decisão do tribunal por meio de Recurso Especial alegando que a regra seria o concurso material de crimes. Fez-se justiça!
Peço desculpas aos leigos, para os quais esta discussão soará obscura, mas crime continuado e concurso material são termos técnicos do Direito Penal, que influenciam a aplicação da pena. Não dispondo de informações sobre o caso específico, não posso emitir opiniões sobre qual duas duas hipóteses é a correta, mas posso dizer, muito genericamente, que a tese do advogado é plausível. A depender de como se deram os fatos, a redução da pena espetacular pode ter sido a decisão mais correta.
Decidi fazer esta postagem porque, sendo a original antiga, ninguém tomaria conhecimento do que se passou na caixa de comentários. Devido à falta de dados, acessei o sítio do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e lá confirmei a existência de um recurso de apelação, tendo como recorrente o nome informado pelo advogado e originário do Município correto (Malacacheta). Com efeito, esse processo se encontra em grau de recurso para o STJ. Até aqui, as informações conferem.
Tentei então obter o acórdão, para conhecer melhor os fatos e a tese jurídica. A despeito dos meus esforços, isso não foi possível. Ignoro se o acórdão ainda não foi disponibilizado no sistema do tribunal ou se há outra explicação. Por isso, se o advogado quiser, agradeceria a gentileza de me enviar um documento eletrônico com o acórdão, que permitiria um interessante estudo de caso, ainda mais porque ministrei aula sobre o tema concurso de crimes há poucos dias, para uma de minhas turmas.
Assalto às seis da matina
Foi avistada por dois moleques que, de bicicleta, deram algumas voltas, fazendo sondagens até se sentirem seguros para o bote. Abordaram minutos depois. Na ocasião, ela estava acompanhada de uma sobrinha e de um vigilante da rua, que se dispusera a acompanhá-las justamente por ter visto a movimentação.
Já na abordagem, os dois mandaram o vigilante ficar quieto, se não o matariam. Aos gritos, exigiram o dinheiro de minha mãe e ainda se atreveram a meter a mão em suas roupas, para ver se não escondia nada. O cara da garupa - um moleque franzino que não aguentaria uma cachuleta - gritou três vezes ao outro que atirasse nela, deixando-a aterrorizada. Mas esse outro, que tinha um volume na cintura, disse que não atiraria.
A esta altura, já estou irritado o bastante. Os assaltantes de hoje são muito violentos e audaciosos. Se estão armados, já chegam exibindo o trabuco. Se a arma não é vista, pode contar que não existe nenhuma. Por isso mesmo, os caras escolheram não um dos homens que caminhavam pela rua ao alvorecer, e sim uma senhora, mais frágil e apavorada, que não ofereceria resistência, como de fato. Um homem poderia baixar o braço no assaltante supostamente armado e a casa cairia. Irrita-me o vigilante nada ter feito, o que me sugere inclusive maus pensamentos.
No final das contas, os caras fugiram levando uma quantia pequena, mas deixando um susto enorme. Minha mãe voltou para casa aos prantos e me telefonou dizendo que entregou o dinheiro porque na hora só pensava na neta (que ela deseja ver crescer). São essas coisas que machucam as vítimas e pessoas próximas.
Depois fomos à delegacia do bairro. Delegacia é aquilo mesmo. O atendente do dia simplesmente faltou, para variar. Conseguimos registrar uma ocorrência com um investigador, pois de lá telefonei para um amigo delegado pedindo ajuda. Ou seja, para um cidadão ver seus direitos atendidos, só na base da amizade. Sem amigos na polícia, como os que chegaram depois de mim, resta-lhes o encaminhamento a outra unidade, de onde provavelmente também serão despachados.
E a ocorrência, adiantará de alguma coisa? Pouco provável. Minha mãe sequer sabe descrever os ladrões com os detalhes necessários. Mas fizemos o nosso papel. Além disso, tenho certeza que eles moram pelas redondezas e podem ser avistados de novo, sobretudo porque continuarão agindo do mesmo jeito. Quem sabe um dia não acabem presos e possamos reconhecê-los?
O lado bom é que hoje, na hora do almoço, a família estará reunida, todos ilesos, e a avó poderá alimentar a neta, em mais um dia de sua fase de crescimento.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Nem em sonho

Impagável!
Alívio de muitos
O cúmplice de adultério, ou seja, o amante, não tem obrigação de indenizar o marido traído por dano moral. No entendimento da 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, nem a doutrina abalizada, nem tampouco a jurisprudência, cogitaram de responsabilidade civil de um amante.
Um homem ajuizou ação de indenização por danos morais contra o amante de sua mulher. Da relação, nasceu uma menina que o homem registrou como dele. O casal divorciou-se em outubro de 1999. Na ação, o homem sustentou que, diante da infidelidade, bem como da falsa paternidade na qual acreditava, sofreu dano moral passível de indenização, pois “anda cabisbaixo, desconsolado e triste”.
Para o ministro Luís Felipe Salomão, relator do recurso, não há como o Judiciário impor um “não fazer” ao amante, decorrendo disso a impossibilidade de se indenizar o ato por inexistência de norma posta (legal e não moral) que assim determine. “É certo que não se obriga a amar por via legislativa ou judicial e não se paga o desamor com indenizações”, afirmou.
O juízo de Direito da 2ª Vara Cível da Comarca de Patos de Minas (MG) havia condenado o amante ao pagamento de R$ 3,5 mil para o marido traído, a título de compensação pelos danos morais por ele experimentados. Na apelação, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais afirmou que, embora reprovável a conduta do amante, não houve “culpa jurídica” a ensejar sua responsabilidade solidária, quando em verdade foi a mulher quem descumpriu os deveres impostos pelo matrimônio.
No STJ, o marido sustentou que estão presentes os requisitos autorizadores da responsabilidade civil do amante, tendo em vista que o ilícito foi praticado por ambos, amante e sua mulher, sendo solidariamente responsáveis pela reparação do dano. Segundo o ministro Salomão, o amante é estranho à relação jurídica existente entre o casal, relação da qual se origina o dever de fidelidade mencionado no artigo 1.566, inciso I, do Código Civil de 2002. “O casamento, se examinado tanto como uma instituição, quanto contrato sui generis, somente produz efeitos em relação aos celebrantes e seus familiares; não beneficiando nem prejudicando terceiros”, destacou.
Com informações da Assessoria de Imprensa do Superior Tribunal de Justiça.
É o caso de alguém que você conhece?
Apagão monotemático
Rolou de tudo. Até materiazinhas sobre gente presa em elevador que ficou com medinho. Fala sério...
Ao chegar em casa e ligar a TV, quando me deparei com a enésima reportagem sobre o que fazer quanto a eletrodomésticos queimados, desliguei na hora. Já encheu o saco.
Sem querer aderir à velha mania de perseguição dos paraenses, devo perguntar: se o apagão tivesse ocorrido por estas bandas, teria sido assim tão importante?
Capa preta
Deu até medo. Confesso que, vendo o jornal, senti até um mal estar. Depois me lembrei que a aliança entre o PT e o PMDB sempre foi terrivelmente instável. Por fim, concentrei-me no fato de que a manchete, como está redigida, sugere que a intervenção começará imediatamente, o que está longe de ser verdade.
Mas a boa e correta informação é a missão da imprensa, certo?
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Twitterítica VII
Só a minha filha não deve saber disso (ao menos por enquanto).
Universidade Federal do Oeste do Pará
Dispõe sobre a criação da Universidade Federal do Oeste do Pará - UFOPA, por desmembramento da Universidade Federal do Pará - UFPA e da Universidade Federal Rural da Amazônia - UFRA, e dá outras providências.
O VICE–PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no exercício do cargo de PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º Fica criada a Universidade Federal do Oeste do Pará - UFOPA, por desmembramento da Universidade Federal do Pará - UFPA, criada pela Lei nº 3.191, de 2 de julho de 1957, e da Universidade Federal Rural da Amazônia - UFRA, criada pela Lei nº 10.611, de 23 de dezembro de 2002.
Parágrafo único. A UFOPA, com natureza jurídica autárquica, vinculada ao Ministério da Educação, terá sede e foro no Município de Santarém, Estado do Pará.
Art. 2º A UFOPA terá por objetivo ministrar ensino superior, desenvolver pesquisa nas diversas áreas do conhecimento e promover a extensão universitária.
Art. 3º A estrutura organizacional e a forma de funcionamento da UFOPA, observado o princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, serão definidas nos termos desta Lei, no seu estatuto e nas demais normas pertinentes.
Art. 4º Passam a integrar a UFOPA, independentemente de qualquer formalidade, os cursos de todos os níveis, integrantes do campus de Santarém e da Unidade Descentralizada da UFRA/Tapajós.
Parágrafo único. Os alunos regularmente matriculados nos cursos ora transferidos passam automaticamente, independentemente de qualquer outra exigência, a integrar o corpo discente da UFOPA.
Art. 5º Ficam redistribuídos para a UFOPA os cargos ocupados e vagos do Quadro de Pessoal da UFPA, disponibilizados para funcionamento do campus de Santarém e dos Núcleos em Itaituba e Oriximiná e da Unidade Descentralizada da UFRA/Tapajós, na data de publicação desta Lei.
Art. 6º Ficam criados, para compor o quadro de pessoal da UFOPA:
I - 432 (quatrocentos e trinta e dois) cargos efetivos de professor da carreira de magistério superior;
II - 120 (cento e vinte) cargos efetivos técnico-administrativos de nível superior, na forma do Anexo; e
III - 212 (duzentos e doze) cargos efetivos técnico-administrativos de nível médio, na forma do Anexo.
Parágrafo único. Aplicam-se aos cargos a que se refere o caput as disposições do Plano Único de Classificação e Retribuição de Cargos e Empregos, de que tratam as Leis nº 7.596, de 10 de abril de 1987, 10.302, de 31 de outubro de 2001, e 11.091, de 12 de janeiro de 2005, bem como o regime jurídico instituído pela Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990.
Art. 7º O ingresso nos cargos do Quadro de Pessoal efetivo da UFOPA dar-se-á por meio de concurso público de provas ou de provas e títulos.
Art. 8º Ficam criados, no âmbito do Poder Executivo Federal, os seguintes cargos e funções para compor a estrutura regimental da UFOPA:
I - 41 (quarenta e um) Cargos de Direção - CD, sendo 1 (um) CD-1, 1 (um) CD-2, 15 (quinze) CD-3 e 24 (vinte e quatro) CD-4; e
II - 170 (cento e setenta) Funções Gratificadas - FG, sendo 49 (quarenta e nove) FG-1, 24 (vinte e quatro) FG-2, 33 (trinta e três) FG-4, 15 (quinze) FG-5, 4 (quatro) FG-6 e 45 (quarenta e cinco) FG-7.
Art. 9º O provimento dos cargos efetivos e em comissão criados por esta Lei fica condicionado à comprovação da existência de prévia dotação orçamentária suficiente para atender às projeções de despesa de pessoal e aos acréscimos dela decorrentes, conforme disposto no § 1º do art. 169 da Constituição Federal.
Art. 10. Ficam criados os cargos de Reitor e Vice-Reitor da UFOPA.
Art. 11. A administração superior da UFOPA será exercida pelo Reitor, nomeado de acordo com o disposto na Lei nº 5.540, de 28 de novembro de 1968, e pelo Conselho Universitário, no limite das respectivas competências, a serem definidas no estatuto e no regimento interno.
§ 1º A presidência do Conselho Universitário será exercida pelo Reitor da UFOPA.
§ 2º O Vice-Reitor, nomeado de acordo com o disposto na Lei nº 5.540, de 28 de novembro de 1968, substituirá o Reitor em suas ausências e impedimentos legais.
§ 3º O estatuto da UFOPA disporá sobre a composição e as competências do Conselho Universitário, de acordo com a legislação pertinente.
Art. 12. O patrimônio da UFOPA será constituído por:
I - bens da UFPA e da UFRA, disponibilizados para o funcionamento do campus de Santarém e dos Núcleos em Itaituba e Oriximiná e da Unidade Descentralizada da UFRA/Tapajós na data de publicação desta Lei, formalizando-se a transferência nos termos da legislação e procedimentos pertinentes;
II - bens e direitos que a UFOPA vier a adquirir ou incorporar;
III - doações ou legados que receber; e
IV - incorporações que resultem de serviços realizados pela UFOPA, observados os limites da legislação pertinente.
Parágrafo único. Os bens e os direitos da UFOPA serão utilizados ou aplicados exclusivamente para consecução de seus objetivos, não podendo ser alienados, a não ser nos casos e nas condições permitidos em lei.
Art. 13. Os recursos financeiros da UFOPA serão provenientes de:
I - dotações consignadas no Orçamento Geral da União, créditos adicionais, transferências e repasses que lhe forem conferidos;
II - doações, auxílios e subvenções que venham a ser concedidos pela União, Estados e Municípios ou por quaisquer entidades públicas ou privadas;
III - recursos provenientes de convênios, acordos e contratos celebrados com entidades ou organismos nacionais e internacionais, observada a regulamentação a respeito;
IV - resultados de operações de crédito e juros bancários, nos termos da lei;
V - receitas eventuais, a título de retribuição por serviços prestados a terceiros, compatíveis com a finalidade da UFOPA, nos termos do estatuto e do regimento interno; e
VI - taxas, anuidades e emolumentos que forem cobrados pela prestação de serviços educacionais, com observância à legislação pertinente.
Parágrafo único. A implantação da UFOPA fica sujeita à existência de dotação específica no Orçamento Geral da União.
Art. 14. A implantação das atividades e o consequente início do exercício contábil e fiscal da UFOPA deverão coincidir com o primeiro dia útil do ano civil subsequente ao da publicação desta Lei.
Art. 15. Fica o Poder Executivo autorizado a:
I - transferir saldos orçamentários da UFPA e UFRA para a UFOPA, observadas as mesmas atividades, projetos e operações especiais, com as respectivas categorias econômicas e grupos de despesas previstos na lei orçamentária, nos exercícios em que esta não tenha sido incluída como unidade orçamentária naquele instrumento legal; e
II - praticar os atos e adotar as medidas que se fizerem necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei.
Art. 16. Enquanto não se efetivar a implantação da estrutura organizacional da UFOPA, na forma de seu estatuto, os cargos de Reitor e Vice-Reitor serão providos, pro tempore, pelo Ministro de Estado da Educação.
Art. 17. A UFOPA encaminhará sua proposta estatutária ao Ministério da Educação para aprovação pelas instâncias competentes, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da publicação desta Lei.
Art. 18. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 5 de novembro de 2009; 188º da Independência e 121º da República.
JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA
Fernando Haddad
Paulo Bernardo Silva
A lei em questão foi publicada no Diário Oficial da União do dia 6.11.2009.
Parabéns à região oeste do Pará. Sucesso à nova instituição.











