Meu mundo acabou de ruir. Boa parte dele, ao menos. Uma pesquisa divulgada pela Association for Psychological Science apontou técnicas de estudo consideradas pouco eficientes. Quer saber quais são? As que você usa, provavelmente. As que eu uso, inclusive por recomendação dos meus professores de ontem e de hoje, em alguns casos até com certo grau de exigência.
Grifar o texto e fazer resumos foram consideradas técnicas ineficazes. Tenho utilizado ambas de maneira sistemática e acredito que me sejam úteis. Grifar facilita encontrar informações importantes, que serão posteriormente utilizadas para preparar aulas, responder questionários, montar seminários, etc. E os resumos são especialmente úteis se você tem um trabalho importante para fazer, tais como monografias, dissertações e teses. Como lemos muita coisa e das mais variadas origens, os resumos, se devidamente indexados, ajudam a catalogar informações e podem ser usados para a redação final do texto, sem a necessidade de consultar novamente a obra original, o que pode fazer toda a diferença se se trata de uma obra que precisamos devolver.
Fazer exercícios práticos e estudar aos poucos, mas de forma constante, foram indicadas como técnicas mais adequadas. Com efeito, a prática sempre ajudou a melhor fixação de conteúdos, porém isso esbarra nas áreas excessivamente abstratas. Já o estudo gradativo chega a ser uma obviedade, que a generalidade dos alunos só não aplica por preguiça, mesmo. Um pouco a cada dia é bem melhor do que se trancar em casa e maltratar o cérebro por horas a fio, inclusive deixando de dormir, na véspera da prova ou do prazo.
Em suma, entendi que técnicas menos eficientes não implica em inutilidade; apenas que elas não surtem tanto resultado quanto gostaríamos e que poderíamos aprender melhor de outras formas.
No mais, não adianta tentar fazer formas de bolo: todo mundo tem o seu modo e o seu tempo de aprender. O melhor rendimento escolar ou acadêmico passará pela compreensão de nossas necessidades e aptidões. Com base nessa percepção, podemos montar um programa de estudo realista.
Matéria no Brasil: http://educacao.uol.com.br/noticias/2013/05/15/grifar-e-forma-de-estudo-pouco-eficiente-confira-melhores-tecnicas.htm
Matéria original (em inglês): http://psi.sagepub.com/content/14/1/4.full?ijkey=Z10jaVH/60XQM&keytype=ref&siteid=sppsi
Mostrando postagens com marcador pesquisa. Mostrar todas as postagens
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quinta-feira, 16 de maio de 2013
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Estado da arte
Mais de uma vez comentei o fato, inclusive em sala de aula; a última vez nem faz muito tempo. Mas agora um estudo realizado por cientistas britânicos afirma que a crença de que é possível saber se uma pessoa fala a verdade ou mente de acordo com o movimento dos seus olhos não passa de mito.
Segundo esta reportagem, a teoria, criada na década de 1970, nunca fora comprovada e, agora, mediante novos estudos, percebeu-se a inexistência de evidências quanto a sua veracidade. Portanto, investigadores amadores, o estudo da linguagem corporal ajuda. Mas os espelhos da alma não são assim tão fieis, como se pensava.
Segundo esta reportagem, a teoria, criada na década de 1970, nunca fora comprovada e, agora, mediante novos estudos, percebeu-se a inexistência de evidências quanto a sua veracidade. Portanto, investigadores amadores, o estudo da linguagem corporal ajuda. Mas os espelhos da alma não são assim tão fieis, como se pensava.
sexta-feira, 16 de março de 2012
Gente como a gente
Acabo de descobrir que as moscas-das-frutas são mais parecidas com os seres humanos do que pensávamos.
Para entender o lado científico sério da coisa, leia aqui. Mas quanto à aplicabilidade prática da pesquisa, acho que posso afirmar o nosso conhecimento prévio acerca de que, para evitar dependência química e se manter em forma, a atividade sexual é uma forte (senão a melhor) estratégia.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Segredo por no máximo 32 minutos
Na coluna "Ciência Maluca" da revista SuperInteressante deste mês (edição n. 300, p. 18):
Segredo dura no máximo 32 minutos
Esse é o tempo máximo que a maioria das mulheres aguenta manter um segredo, segundo um levantamento feito com 3 mil inglesas. 87% das entrevistadas disseram que não têm a intenção de fofocar, mas acabam soltando a língua sem querer. A pesquisa não avaliou o grau de mexeriquice dos homens.
Suspeito que, no Brasil, os segredos duram mais tempo. Afinal, as operadoras de telefonia são uma porcaria por aqui.
Segredo dura no máximo 32 minutos
Esse é o tempo máximo que a maioria das mulheres aguenta manter um segredo, segundo um levantamento feito com 3 mil inglesas. 87% das entrevistadas disseram que não têm a intenção de fofocar, mas acabam soltando a língua sem querer. A pesquisa não avaliou o grau de mexeriquice dos homens.
Suspeito que, no Brasil, os segredos duram mais tempo. Afinal, as operadoras de telefonia são uma porcaria por aqui.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Lavando a minha alma
Todo mundo já mandou você reduzir a quantidade de sal na sua alimentação? Pois saiba que, talvez, não seja uma boa ideia. Entenda a razão.
Finalmente uma boa notícia.
Finalmente uma boa notícia.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
sexta-feira, 25 de março de 2011
Quem faz uma pesquisa dessas?
O mapa abaixo está tão pequeno que você não conseguirá ler as informações que mostra. Foi proposital, para aguçar a sua curiosidade.
Clique aqui para descobrir qual é o assunto pesquisado.
No mais, fiquei curioso para saber como foi a metodologia da pesquisa de campo. Afinal, não se pode confiar nas informações dos próprios pesquisados...
Clique aqui para descobrir qual é o assunto pesquisado.
No mais, fiquei curioso para saber como foi a metodologia da pesquisa de campo. Afinal, não se pode confiar nas informações dos próprios pesquisados...
sexta-feira, 4 de março de 2011
Empatia canina
Se você já prestou atenção aos marcadores do blog, deve ter reparado que um deles é "cachorro". Não deixa de ser curioso que um blogueiro que se preocupa em concentrar seus temas no menor número possível de rubricas abra espaço para uma aparentemente deslocada das pautas habituais. Mas lá está o marcador, com 18 postagens.
A conclusão óbvia é que cachorros são algo importante para mim. Tenho muitas razões para considerar essas criaturas como dignas da maior admiração e respeito. E acabo de ganhar mais uma. Não chega a ser novidade, mas a empatia dos cachorros em relação às emoções humanas foi objeto de um estudo, realizado em Portugal.
É como sempre digo: cachorro é terapia. Que bom que estão por perto.
A conclusão óbvia é que cachorros são algo importante para mim. Tenho muitas razões para considerar essas criaturas como dignas da maior admiração e respeito. E acabo de ganhar mais uma. Não chega a ser novidade, mas a empatia dos cachorros em relação às emoções humanas foi objeto de um estudo, realizado em Portugal.
É como sempre digo: cachorro é terapia. Que bom que estão por perto.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
A culpa é dos genes...
Mais uma pesquisa científica. E esta pode fazer a alegria de muitos e trazer desespero a outros tantos. Segundo ela, o gene DRD4 determina uma propensão maior à infidelidade. Em bom português, ele é o gene da traição.
Pense em si mesmo escutando: "Querido(a), não tive culpa: foram os meus genes!!!"
Pense em si mesmo escutando: "Querido(a), não tive culpa: foram os meus genes!!!"
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Sigam os suecos!
Sinceramente, não botei muita fé nos argumentos desta pesquisa. Mas gostaria muito que suas conclusões fossem seguidas no Brasil. E não por interesse pessoal, já que não pretendo ter outro filho.
Mas porque devemos lutar pela qualidade de vida dos brasileiros. Dos que estão aí e dos que ainda virão.
Mas porque devemos lutar pela qualidade de vida dos brasileiros. Dos que estão aí e dos que ainda virão.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Depois não querem que a gente fale...
Achar vaga para estacionar pode ser mais irritante que TPM para as mulheres! Segundo uma pesquisa recente, as moças ficam mais ansiosas que os marmanjos estacionando o carro, e 75% delas (contra 47% dos homens) disseram ser mais difícil manobrar quando observadas por outras pessoas. As mulheres também sofrem mais quando alguém está esperando que elas desocupem a vaga: 81% acham essa situação estressante, contra 56% dos machos. No volante, a mulherada evita fazer baliza sempre que possível: 35% das mulheres evitam esse tipo de manobra, contra 9% dos homens.
Revista Mundo Estranho, ano 8, n. 12 (dezembro de 2009),
seção "Contando ninguém acredita", p. 74
terça-feira, 10 de março de 2009
"Não tenho paciência pra televisão / Eu não sou audiência para a solidão"
Os versos da canção mais famosa dos Tribalistas parecem ganhar um reforço de onde, com certeza, ninguém esperava: segundo uma pesquisa realizada com 25 mil estudantes em sete países, crianças se sentem solitárias quando veem televisão.
Nem vou comentar. Leia.
PS — Sim, sou defensor de rígidas restrições quantitativas e qualitativas ao acesso de crianças à TV.
Nem vou comentar. Leia.
PS — Sim, sou defensor de rígidas restrições quantitativas e qualitativas ao acesso de crianças à TV.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Pedra já cantada
Música estimula vida sexual dos jovensUm estudo conduzido por pesquisadores americanos sugere que adolescentes que escutam músicas de conteúdo sexual depreciativo têm uma vida sexual mais ativa.
A equipe da Universidade de Pittsburgh entrevistou 711 jovens dos 13 aos 18 anos de idade sobre suas vidas sexuais e hábitos musicais.
Eles perceberam que os que ouviam músicas com versos sobre sexo explícito e agressivo regularmente, cerca de 17 horas por semana, tinham o dobro das chances de fazer mais sexo do que os que ouviam músicas apenas 2,7 horas no mesmo período.
Os especialistas classificaram como letras vulgares as que descrevem o sexo como um ato puramente físico e relacionado a relações de poder, diz o estudo divulgado na publicação especializada "American Journal of Preventive Medicine".
Papel dos pais
Os pesquisadores se recusaram, no entanto, a nomear as canções que consideraram depreciativas, dizendo apenas que versos como I'm gonna beat that pussy up ("Eu vou bater naquela vulva", em tradução livre), são comuns nas letras.
O coordenador da pesquisa, Brian Primack, disse que apesar de a pesquisa ter encontrado um elo entre música e sexo, "é difícil afirmar que canções de sexo contribuam diretamente para que os jovens façam sexo mais cedo".
"Eu acredito, no entanto, que os pais devam considerar os resultados. É tentador dizer que música é só 'coisa de jovem'".
"Eu não estou dizendo que os pais devam tentar banir este tipo de música. Isso não vai ajudar. Mas eles devem falar com seus filhos sobre sexo e colocar este tipo de música no contexto correto", completou.
(BBC Brasil)
Basicamente, o mesmo que se dá aqui no Brasil. Mas suspeito de que os pesquisadores americanos ficariam corados de vergonha se escutassem o que o mercado fonográfico brasileiro tem a oferecer.
Aos pais: não é por falta de aviso.
A equipe da Universidade de Pittsburgh entrevistou 711 jovens dos 13 aos 18 anos de idade sobre suas vidas sexuais e hábitos musicais.
Eles perceberam que os que ouviam músicas com versos sobre sexo explícito e agressivo regularmente, cerca de 17 horas por semana, tinham o dobro das chances de fazer mais sexo do que os que ouviam músicas apenas 2,7 horas no mesmo período.
Os especialistas classificaram como letras vulgares as que descrevem o sexo como um ato puramente físico e relacionado a relações de poder, diz o estudo divulgado na publicação especializada "American Journal of Preventive Medicine".
Papel dos pais
Os pesquisadores se recusaram, no entanto, a nomear as canções que consideraram depreciativas, dizendo apenas que versos como I'm gonna beat that pussy up ("Eu vou bater naquela vulva", em tradução livre), são comuns nas letras.
O coordenador da pesquisa, Brian Primack, disse que apesar de a pesquisa ter encontrado um elo entre música e sexo, "é difícil afirmar que canções de sexo contribuam diretamente para que os jovens façam sexo mais cedo".
"Eu acredito, no entanto, que os pais devam considerar os resultados. É tentador dizer que música é só 'coisa de jovem'".
"Eu não estou dizendo que os pais devam tentar banir este tipo de música. Isso não vai ajudar. Mas eles devem falar com seus filhos sobre sexo e colocar este tipo de música no contexto correto", completou.
(BBC Brasil)
Basicamente, o mesmo que se dá aqui no Brasil. Mas suspeito de que os pesquisadores americanos ficariam corados de vergonha se escutassem o que o mercado fonográfico brasileiro tem a oferecer.
Aos pais: não é por falta de aviso.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Sorriso do bebê é droga para a mãe

Uma equipe de pesquisadores do Texas Children's Hospital, Estados Unidos, fez um estudo com 28 mães de primeira viagem, voluntárias, e concluíram que a visão do sorriso de seus filhos afeta nelas as áreas do cérebro ligadas aos sentimentos de recompensa e de prazer, que é exatamente o efeito provocado pelo uso de substâncias entorpecentes.
É a natureza agindo, para que as coisas funcionem exatamente como devem funcionar.
Até onde sei, para essa droga não há contra-indicações. Pelo contrário, abuse!
PS — Naturalmente, o estudo em apreço foi realizado com mães que desejaram os seus filhos. Note-se que foi um pequeno estudo, donde se deduz que não testou maiores variáveis. Mas esses detalhes tiram a graça da notícia.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Jantar com os pais melhora o desempenho escolar
Volta e meia os britânicos divulgam alguma pesquisa instigante. A bola da vez é um estudo feito com 20 mil alunos, o qual concluiu que o hábito de jantar com os pais todas as noites melhora o desempenho escolar. Postas as coisas assim, a notícia pode ser risível, sobretudo para as pessoas propensas a desprezar pesquisas comportamentais — ainda mais no Brasil, onde a única pesquisa de que o cidadão comum ouve falar é prospecção de intenção de voto, a cada dois anos*. Todavia, a lógica é clara: a qualidade do relacionamento familiar melhora os resultados do jovem. Claro, mais satisfeito com a vida, normal que ele se saia melhor em suas tarefas.
O estudo serve, assim, para confirmar algo que empiricamente já podíamos imaginar. Mas como se trata de um trabalho realizado no universo inglês, seria necessário reproduzi-lo aqui, nas condições adversas do Terceiro Mundo, para saber se a relação se confirma ou se nem essa esperança há para nós.
Aliás, falando em esperança, se minha família depender de refeições com os pais professores para alguma coisa, estamos lascados!
* Eu não disse que no Brasil não existe pesquisa! Falei apenas que o brasileiro médio não toma conhecimento delas.
O estudo serve, assim, para confirmar algo que empiricamente já podíamos imaginar. Mas como se trata de um trabalho realizado no universo inglês, seria necessário reproduzi-lo aqui, nas condições adversas do Terceiro Mundo, para saber se a relação se confirma ou se nem essa esperança há para nós.
Aliás, falando em esperança, se minha família depender de refeições com os pais professores para alguma coisa, estamos lascados!
* Eu não disse que no Brasil não existe pesquisa! Falei apenas que o brasileiro médio não toma conhecimento delas.
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Biquínis deixam homens idiotas e gastadores — e é a ciência que afirma!
Que os homens têm uma terrível tendência a cometer sandices por causa das mulheres (leia-se: por causa de sexo), todos sabemos, provavelmente desde que o mundo é mundo. Mas agora cientistas belgas ofereceram argumentos concretos para isso. Segundo descobriram, basta a visão de um biquíni — mesmo sem uma mulher dentro — para que o homem abdique do bom senso e abra a carteira.
Como será que as mulheres farão uso dessa informação?
Como será que as mulheres farão uso dessa informação?
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Faça uma faxina e não se irrite
Sei não, mas suspeito que nenhuma pessoa que conheço endossará os resultados de uma pesquisa realizada pela University College, de Londres: 20 minutos seguidos fazendo faxina (tempo calculado com base no necessário para uma pessoa começar a sentir fadiga) por semana pode trazer benefícios para a saúde mental, melhorando o humor e diminuindo o estresse.
Nunca soube de uma pessoa que ficasse feliz, ou ao menos mais bem humorada, por fazer uma faxina.
Acredito que os pesquisadores ingleses deveriam realizar seus estudos em países menos desenvolvidos, onde decerto os resultados seriam influenciados por outros e mais complexos fatores.
Querendo conhecer mais detalhes sobre o estudo, clique aqui.
Nunca soube de uma pessoa que ficasse feliz, ou ao menos mais bem humorada, por fazer uma faxina.
Acredito que os pesquisadores ingleses deveriam realizar seus estudos em países menos desenvolvidos, onde decerto os resultados seriam influenciados por outros e mais complexos fatores.
Querendo conhecer mais detalhes sobre o estudo, clique aqui.
domingo, 9 de março de 2008
O bom selvagem
O brasileiro é solidário. Amigo, hospitaleiro, festeiro, prestativo e um monte de outras coisas boas. Você já ouviu isso, com certeza. Talvez tenha até acreditado.
Pois fique sabendo que, em pesquisa recentemente realizada, 26% dos entrevistados consideraram a tortura um recurso legítimo de investigação policial. E disseram mais: que a usariam, se fossem policiais. 33% dos valorosos brasileiros também admitiram que se afastariam de um amigo, se descobrissem que ele é homossexual, revelando a face dura do preconceito que não entrou na letra de nenhum samba.
Adoro pesquisas. Elas não melhoram o mundo, mas têm potencial para auxiliar os que poderiam fazê-lo. E só o fato de conhecer melhor a espécie humana já é um grande feito.
O que mais impressiona na pesquisa em questão é que o Secretário Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi, esperava resultados piores. Meditando um tempo, concluo que ele tem razão. Aliás, os resultados devem estar mascarados pela tentativa do brasileiro de parecer politicamente correto. Ainda tem isso: o brasileiro se declara dono de um monte de virtudes, mas no seu íntimo sabe que a coisa não é bem assim.
Outro dado curioso, quanto ao uso da tortura como "técnica" de investigação, é que apenas 19% dos entrevistados com renda de até um salário mínimo a aprovam, mas o percentual sobre para 42% entre os pesquisados com renda superior a 5 salários mínimos. Ou seja: a tortura é menos aceita entre as pessoas que sabem, ou ao menos intuem, que são candidatíssimas a sofrê-la, qualquer hora dessas. Mas é bem vinda para quase metade do público com renda mais alta, a refletir uma preocupação maior com a proteção de seu patrimônio — quiçá um maior desprezo pela vida humana.
O bom do Brasil é o brasileiro. Na próxima vez que me perguntarem, direi que são as praias.
Pois fique sabendo que, em pesquisa recentemente realizada, 26% dos entrevistados consideraram a tortura um recurso legítimo de investigação policial. E disseram mais: que a usariam, se fossem policiais. 33% dos valorosos brasileiros também admitiram que se afastariam de um amigo, se descobrissem que ele é homossexual, revelando a face dura do preconceito que não entrou na letra de nenhum samba.
Adoro pesquisas. Elas não melhoram o mundo, mas têm potencial para auxiliar os que poderiam fazê-lo. E só o fato de conhecer melhor a espécie humana já é um grande feito.
O que mais impressiona na pesquisa em questão é que o Secretário Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi, esperava resultados piores. Meditando um tempo, concluo que ele tem razão. Aliás, os resultados devem estar mascarados pela tentativa do brasileiro de parecer politicamente correto. Ainda tem isso: o brasileiro se declara dono de um monte de virtudes, mas no seu íntimo sabe que a coisa não é bem assim.
Outro dado curioso, quanto ao uso da tortura como "técnica" de investigação, é que apenas 19% dos entrevistados com renda de até um salário mínimo a aprovam, mas o percentual sobre para 42% entre os pesquisados com renda superior a 5 salários mínimos. Ou seja: a tortura é menos aceita entre as pessoas que sabem, ou ao menos intuem, que são candidatíssimas a sofrê-la, qualquer hora dessas. Mas é bem vinda para quase metade do público com renda mais alta, a refletir uma preocupação maior com a proteção de seu patrimônio — quiçá um maior desprezo pela vida humana.
O bom do Brasil é o brasileiro. Na próxima vez que me perguntarem, direi que são as praias.
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
A praga dos partos cesarianos
O Brasil é um dos campeões em cesarianas desnecessárias, segundo a Organização Mundial da Saúde. Os bebês nascidos através de cesarianas precisam ser levados às unidades de terapia intensiva duas vezes mais freqüentemente do que os que nasceram de parto normal. Os bebês de cesarianas apresentam também duas vezes mais problemas respiratórios do que os de parto natural.
Assim começa a matéria sobre um estudo realizado na Noruega, com 18 mil recém-nascidos, que passa a constituir mais uma prova do que todos já sabemos ou deveríamos saber: o parto normal é muito melhor para a saúde do bebê e da própria mãe.
A despeito desse fato sabido e ressabido, existe uma nítida tendência entre os médicos de preferir as cirurgias. Os motivos são indecentes: a comodidade e a conveniência do profissional. No primeiro caso, a cesariana permite que o parto tenha data e hora certas, inclusive para acabar, se não ocorrer nenhuma anormalidade. Já o parto normal pode demorar horas — em casos excepcionais, dias. E os semideuses de branco não podem perder seu preciosíssimo tempo com questões menores do que a sua permanente e incontrolável pressa. No segundo caso, o médico recebe honorários mais altos pela cesariana.
Com ou sem influência médica, mas sem dúvida abusando do direito à desinformação, é cada vez maior o número de mulheres que efetivamente preferem o método antinatural. Não querem sentir dor, alegam. A explicação também revela ignorância, posto que os sofrimentos do parto normal podem ser mitigados pelo chamado de parto humanizado, acessível inclusive na rede pública, com destaque aos bons serviços prestados pela Santa Casa de Misericórdia.
Dentre as mulheres que conheço, mesmo as instruídas (por incrível que pareça), é cada vez menor o número das que preferem o parto normal. Fico arrasado quando uma delas, por problemas na gestação, acaba sendo forçada à cesariana, o que aconteceu há menos de duas semanas com minha concunhada.
Enfim, por safadeza, ignorância e inversão de valores, o Brasil é recordista mundial de cesarianas desnecessárias, conjuntura que precisa ser mudada — mudança essa que não ocorrerá enquanto os governos e planos de saúde não passarem a pagar honorários médicos mais altos por partos normais.
Como realmente sou franco opositor do parto cesariano, voltarei a esse assunto em outras ocasiões. E antes que a turminha que gosta de jogar pedras venha me esculachar, usando — dentre outros argumentos imbecis — o de que sou homem e para mim é fácil falar, saibam que minha esposa, grávida, é entusiasta do parto normal e reza todos os dias para que o nosso bebê venha ao mundo dessa forma.
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
Universo dos bebês
A BBC Brasil está com uma série de matérias sobre bebês, interessantíssimas. Nela, você fica sabendo, p. ex.:
- A partir dos seis meses de vida, os bebês já apresentam inteligência social, sendo capazes de julgar se uma pessoa teve atitudes boas ou más. Trata-se de atributo universal, que não depende de aprendizagem. Mesmo rechaçando a ideia de que bebês teriam senso moral, a pesquisa da Universidade de Yale sugere que "parece ser uma parte essencial da moralidade sentir uma empatia por aqueles que fazem coisas boas e o contrário por aqueles que fazem coisas más."
- Outra pesquisa aponta que os bebês de hoje têm duas vezes mais chances de sofrer de problemas dermatológicos do que os da geração de seus pais. O motivo? Excesso de banho. Os bebês de hoje são "limpos demais". A recomendação é de que bebês tomem banho apenas duas ou três vezes por semana! Sei não, mas acho que essa pesquisa foi conduzida por algum francês...
- Uma terceira pesquisa conclui que "um terço dos casais dorme uma hora e meia a menos por noite, o equivalente a uma noite inteira por semana ou a mais de dois meses por ano. Para um em cada cinco pais, a falta de sono é ainda pior: quase três horas a menos por dia." O resultado: aumento das brigas entre o casal. O problema já tem até nome: síndrome do sono competitivo. Deve ser também por isso que tantos casais se separam no primeiro ano de vida do bebê.
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