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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Aborrecimento recorrente

A cerca de 50 metros de minha casa, dobrando a esquina, há um poste. Aboletado nele, um transformador cujo esporte parece ser dar defeito. Este ano, já perdi a conta das vezes que o nojento pegou fogo ― a última, pouco mais de dois dias atrás, na noite de segunda-feira. Ontem à noite não houve fogo, mas novamente uma fase caiu, deixando um quarteirão às escuras. Minha casa foi atingida apenas parcialmente. Por ocasião do conserto, no entanto, é claro que o fornecimento de energia precisa ser suspenso. Graças a isso, em meio a um calor danado, tivemos uma madrugada difícil. E as famílias que desde o começo ficaram totalmente no escuro passaram sufoco maior.

Na segunda-feira, devo ter sido o primeiro a telefonar pedindo o conserto. Foram quase duas horas para o pessoal da manutenção chegar. O reparo em si não demora muito, mas deve ser feito com muita incompetência, ou com material de má qualidade, ou ambas as coisas, para aguentar só dois dias.

Nós, brasileiros, somos aviltados cotidianamente. Nosso abastecimento de energia é ruim, assim como o de água, telefonia móvel e celular, internet, TV a cabo, etc., o que não nos livra de pagar caro pelos serviços, inclusive mais caro do que em qualquer outro país do mundo. Isso se soma à malha viária ruim, policiamento ruim, fiscalização de trânsito ruim, serviços públicos em geral deficitários e por aí vai. E aceitamos isso. Porque, se não aceitássemos, alguma coisa concreta já teria acontecido para mudar o cenário.

No caso que inspirou esta postagem, temos um problema adicional, que se chama Rede CELPA, a concessionária de energia que enlouquece os paraenses com seus péssimos serviços, cobranças abusivas e um esporte bizarro: acusar as pessoas de desvio de energia. Muitas acusações são verídicas, claro, mas algumas situações beiram a desfaçatez. Sei disso porque a empresa é hoje, com folga, a mais demandada no judiciário paraense. Juízes reclamam que alguns órgãos jurisdicionais estão virando quase serviços de atendimento ao consumidor da CELPA, de tanto que se ocupam dela. Já ouvi que há juizados especiais, em Belém, em que 70% do acervo processual envolve a dita cuja.

Era hora de o poder público tomar medidas concretas contra a empresa, mas é claro que nada acontece. No mínimo, porque o grupo político que formalmente administra o Estado é o mesmo, inclusive com vários dos mesmos atores, que em 1998 vendeu a CELPA à iniciativa privada a preço vil. Reza a lenda ― e eu obviamente acredito ― que para fazer caixa de campanha.

O fato é que o povo nunca passou bem após a privatização, a despeito da cortina de fumaça lançada com o argumento de expansão da rede, investimentos em infraestrutura, etc. Lógico que houve investimentos! Mesmo no Brasil, seria impossível não haver. Mas eles serviram para aumentar o número de clientes ou, efetivamente, em nome da satisfação desse público?

De tudo isso resulta bastante desesperança em relação ao transformador que avisto aqui do meu quarto. Ele deve continuar iluminando as noites com fogo, ao mesmo tempo em que escurecendo os lares e expondo-os ao risco de prejuízos secundários, como danos a aparelhos eletro-eletrônicos, que a CELPA sempre dá um jeito de dizer que não precisa indenizar por falta de comprovação de causalidade.

Abaixo, o link para publicação do Sindicato dos Urbanitários do Pará, com dados concretos, inclusive este: a Rede CELPA está na 62ª colocação no ranking das concessionárias de energia, quanto à satisfação do consumidor. Entre 63! Por aqui, brincamos que o Pará é tão ruim que não consegue nem ficar em último! É sempre penúltimo, naquilo em que precisamos que estivesse entre os primeiros.

http://www.urbanitarios-pa.org.br/index.php/noticias/1499-19-anos-de-privatizacao-da-celpa

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Carta aberta à rede Cinépolis Belém

Senhores representantes da Cinépolis Belém

Já faz algum tempo, os cinemas dessa empresa começaram a traçar nítida distinção entre as salas do Boulevard Shopping, as quais exibem filmes mais sofisticados, porém de menor apelo comercial (como "O grande Hotel Budapeste", para citar um recente), e onde são concentradas as sessões legendadas; e as do Parque Shopping, relegadas aos filmes mais populares e com sessões predominantemente dubladas.

A irritação com essa atitude tem sido crescente, sobretudo quando se observam semanas em que o Parque Shopping apresenta apenas uma —  tão somente uma! — sessão legendada. Sem uma explicação para o caso, permito-me especular.

O Boulevard é, por enquanto, o shopping mais sofisticado da cidade e está localizado em área nobre da cidade, tendo no seu entorno a população de maior poder aquisitivo. O Parque, por sua vez, localiza-se em bairro periférico e, embora seja administrado pela mesma empresa (a Aliansce), destina-se a um público mais modesto.

A Cinépolis, sendo uma empresa alienígena aqui chegada há menos de quatro anos, talvez não tenha prospectado adequadamente a praça de Belém e tomou decisões tipicamente capitalistas, ou seja, baseadas tão somente em sua perspectiva de maximizar seus lucros, sem a menor preocupação com os interesses da comunidade onde se inseriu.

Ao que parece, a Cinépolis acredita que somente os frequentadores do Boulevard têm educação formal bastante para se interessar por filmes de arte e para ler legendas ou, quem sabe, para treinar a escuta do inglês aprendido nas melhores escolas de idiomas da cidade. Já o público do Parque, parcamente alfabetizado, precisa das sessões dubladas porque mal consegue ler as legendas das comédias rasas ali exibidas. Se for minimamente esse o parâmetro, a Cinépolis tomou uma decisão nada inteligente.

De saída, a atitude é odiosa já pelo fato de ser discriminatória. Mas, além disso, ignora que o Parque se localiza na principal área de expansão imobiliária de Belém, densamente povoada, e onde se situam todos os condomínios horizontais considerados de alto padrão da cidade (Greenville I e II e Montenegro Boulevard, na Augusto Montenegro; Cristalville, na Transmangueirão, e Água Cristal, na Centenário). Não é possivel que a Cinépolis acredite que, nesse universo, não existe público suficiente para sessões legendadas nas salas do Parque.

No próximo ano, deve ser inaugurado o Shopping Bosque Grão-Pará, na confluência da Transmangueirão com a Centenário, portanto na mesma região. Ele promete se tornar o empreendimento mais requintado da cidade. E há rumores de que suas salas de cinema serão exploradas pela United Cinemas International (UCI), uma concorrente de peso. Convém pensar se vale mesmo a pena continuar a tratar os clientes do Parque como consumidores de segunda classe.

Em conclusão, o pedido é muito simples: harmonizem a programação dos cinemas de ambos os shoppings, no que tange à variedade, qualidade dos títulos e proporcionalidade (ao menos isso) entre sessões dubladas e legendadas. Basta isso.

domingo, 17 de agosto de 2014

Abastecimento: só até o limite

Em maio de 2009, reclamei da mania dos frentistas de abastecerem os veículos até quase transbordar o tanque de combustível (leia aqui). Parecia haver uma obsessão por vender a máxima quantidade possível de combustível, para aumentar os lucros. No entanto, esse comportamento pode ser danoso para a máquina.

Mas além disso, encher o tanque além do disparo do gatilho também prejudica a saúde do frentista, que respira mais intensamente a gasolina. Por isso, essa atitude tola talvez seja vantajosa para o dono do posto, mas certamente não beneficia mais ninguém. Por isso, no Distrito Federal, uma nova lei pretende acabar com isso (leia a notícia).

Ótima a notícia, porque protege o trabalhador de tomar uma decisão que possa soar desagradável para o patrão ou para clientes desinformados. Já está na hora de acabar com essa prática irritante.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Críticas e reações

Se eu fosse dono de restaurante e alguém escrevesse uma crítica contra o meu estabelecimento, sobretudo se contundente, a minha atitude seria usar a página do próprio restaurante para prestar os esclarecimentos devidos à comunidade e principalmente aos clientes. Além disso, exerceria meu direito de resposta, perante o veículo que tivesse publicado a crítica. E naquilo em que a critica fosse pertinente, eu teria a hombridade de me desculpar e anunciar as medidas para melhorar o serviço.

Penso que esse tipo de atitude é mais eficiente, em termos de reputação, do que deixar que as coisas corram de modo a ensejar boatos. Não foi, contudo, o que fez o dono de um restaurante da cidade francesa de Cap-Ferret, que recorreu ao judiciário contra a postagem de uma blogueira. Em consequência, o juiz determinou que Caroline Doudet mudasse o título de sua postagem e, ainda por cima, pagasse o equivalente a 4,5 mil reais de indenização.

O motivo da decisão é que a blogueira tem quase 3 mil seguidores e, quando se digitava o nome do restaurante, a postagem crítica era o quarto resultado que retornava. Assim, o restaurateur(*) se considerou prejudicado em seus negócios e exigiu providências. E conseguiu.

O caso é curioso tanto pelo ineditismo (e, convenhamos, havia justa razão para o proprietário se sentir prejudicado) quanto pelas consequências. Embora exagerando pelo uso da palavra "crime", a blogueira está certa ao dizer que foi punida não pelo texto escrito, mas por ter grande visibilidade em buscadores. No mínimo questionável. Afinal, o que deveria ser questionado é se o texto, em si, é ou não prejudicial. Porque se a manifestação é legítima, parece-me abusivo impor consequências punitivas por causa da repercussão.

No mais, até comemoro o fato de este ser um blog tão pouco lido, pois também já critiquei um restaurante aqui de Belém. Com justo motivo. E sou do tipo que defende a ideia de que mau atendimento deve ser denunciado. O objetivo não é falir estabelecimentos, mas levá-los a melhorar, se tiverem a humildade de rever seus atos. E respeitar o cliente, que é gente, e somente por isso já merece ter resguardada a sua dignidade.

(*) Breve digressão linguística: na gramática francesa, a palavra correta é restaurateur, como coloquei no texto, mas se disseminou pelo mundo a versão que inclui um "n", restauranteur, que é como provavelmente você conhece. Cf. http://grammarist.com/spelling/restaurateur/

Fonte: http://tecnologia.terra.com.br/juiz-condena-blogueira-que-aparecia-demais-no-google,5845038291447410VgnVCM3000009af154d0RCRD.html

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Para o consumidor brasileiro

Está no ar a versão beta do novo serviço de proteção ao consumidor. Segundo o site oficial:

O Consumidor.gov.br é um novo serviço público para solução alternativa de conflitos de consumo por meio da internet. O serviço já pode ser usado pelos consumidores dos seguintes estados: Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. Até 1º de setembro de 2014 estará disponível em todo o país.

Você pode reclamar e a empresa tem 10 dias para apresentar sua resposta. Estão faltando maiores informações sobre a atuação do poder público nesse serviço. Mas vamos torcer para que funcione e as coisas melhores para o nosso lado.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Alguém precisa se mudar para outro planeta. Mas quem?

Uma brasileira aforou ação ordinária contra uma empresa de telemarketing, queixando-se de invasão de privacidade, porque seus dados são utilizados por empresas diversas, sem sua autorização, para fins de publicidade. Um abuso que se tornou corrente em nosso país e pelo qual você, assim como eu, já foi alcançado mais de uma vez. Logo, a meu ver, é benfazejo que alguém, em algum lugar, faça o que a maioria dos cidadãos não faz e tome medidas concretas contra esses facínoras que vivem de roubar o sossego alheio.

Some-se a isso o fato de que o Código de Defesa do Consumidor cria uma política nacional das relações de consumo que reconhece a condição de vulnerabilidade do consumidor e impõe ações governamentais para sua proteção efetiva, inclusive quanto à repressão de abusos nas relações de consumo (art. 4º). Outrossim, são direitos do consumidor, dentre outros, a "proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços" e a "efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos" (art. 6º).

Nada disso interessou, entretanto, ao titular da 13ª Vara Cível do Foro Central de Porto Alegre, que matou o processo no nascedouro, em termos contundentes:

"1. Se a suplicante, de fato, sente-se incomodada com publicidades encaminhadas a seu endereço ou telefone, a partir de informes, alegadamente, de iniciativa da ré, sugiro-lhe mude-se para a floresta, deserto, meio do oceano ou para outro planeta..., quando, então sim, ser-lhe-ão assegurados seus direitos à privacidade na forma ou amplitude como defende. Impõe-nos o convívio em sociedade, no entanto, todo dia e toda hora, restrições as mais diversas. Inclusive, o recebimento - ou não - de panfletos, em cada semáforo, enquanto passeamos com a família, especialmente, no final de semana, interferindo, diretamente, com nossos constitucionais direitos à privacidade, ao descanso e ao lazer! Entretanto, como dito, não somos obrigados a abrir o vidro e receber tais encartes. Como podemos usar, gratuitamente, os serviços da operadora de telefonia para bloquear ligações, de qualquer natureza; e, finalmente, ainda podemos por no lixo publicidades enviadas pelo correio que nos estejam sendo inconvenientes ou inoportunas. Agora, medida judicial para atingimentos de finalidades que tais afeiçoa-se como mais uma aventura jurídica, de que os foros de todo o País estão atopetados. Não falta mais nada, pois até o ar que respiramos e o direito de defecar e mictar em banheiro público, amanhã, não duvide, serão passíveis de judicialização! Quem viver, verá. Para litisconsórcio à chicana, todavia, não contem comigo. 2. JULGO EXTINTO O PROCESSO, SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO, por falta de interesse processual (art. 267, VI, do CPC), ficando suspensa a exigibilidade de custas em razão de a requerente litigar sob o pálio da AJG, que ora lhe concedo."

Para descobrir por onde tramitava o processo, usei como expressão de busca o nome do juiz e acabei encontrando outra notícia a ele relacionada, dando conta de que o mesmo se exasperou com uma ação repetitiva. Inflamado, esbravejou contra litigantes e advogados, além de menosprezar a justiça gratuita (veja aqui).

Atitudes como esta são lamentáveis, para dizer o mínimo. Face aos dois episódios, fico com a impressão de que o magistrado anda muito aborrecido com a quantidade de processos em tramitação e passou a transferir suas frustrações para o jurisdicionado. E pior: a solução ideal para o problema, ao que parece, é não entrar com ações, para não incomodar o juiz! Afinal, ele assumiu o papel de decidir que tipo de demanda merece ser aforada. E o faz com o fígado.

Aprendi na faculdade sobre um tal dever de urbanidade, durante o processo. Mas, aqui, ele foi sumariamente ignorado. Por meio de ironias agressivas, o juiz menosprezou o direito da autora. Qual a diferença entre mandá-la para outro planeta e mandá-la pastar, por exemplo? Que grosseria a alusão a necessidades fisiológicas! Poderia ter escolhido qualquer metáfora, mas escolheu esta. Ato falho? Intenção de mandar a parte para lugar relacionado?

De fato, a vida em sociedade nos impõe sacrifícios e renúncias a direitos. Verdade. Mas sob que condições? Se moro em um edifício, sei que sacrifico parcela de minha intimidade. Mesmo morando em uma casa, há limites, p. ex., para o barulho que faço. Se viajo de avião, sei que terei meu corpo fiscalizado. Mas qual a relação entre as escolhas que faço (e aí está o exercício de minha liberdade) e a decisão de um bando de empresas canalhas de, violando a minha paz, invadir os meus espaços para ganhar dinheiro?

Recordo-me de, certa vez, ao atender ligação de uma empresa me oferecendo sei lá que porcaria, indagar como eles possuíam os meus dados. Hesitante, a atendente respondeu que eles possuíam um cadastro com tais informações. Nos momentos seguintes, escutou a minha furiosa reclamação sobre uso indevido de informações pessoais e, com um boa tarde, porém sem se desculpar (eles nunca se desculpam), desligou. Para o juiz em apreço, entretanto, minha faculdade de bater o telefone na cara da atendente (que é só uma empregada, sem poder decisório) purga todos os pecados, elimina qualquer violação ao direito. Mesmo que eu continue recebendo esse tipo de ligação.

Para o juiz, a possibilidade de rejeitar a posteriori as ofertas inconvenientes resolve tudo. Não lhe passa pela cabeça que eu tenho o direito — sim, o direito! — de não ser demandado no recesso do meu lar senão por pessoas autorizadas ou pelo poder público, neste caso por motivo relevante. Quantas vezes já saí correndo do banho, já interrompi trabalhos, já me levantei doente da cama ou fui acordado (até no começo de uma manhã de domingo ou feriado) para atender ao telefone e me deparar com telemarketing. E o nobre magistrado encara isso como ônus da vida em sociedade? E chama de chicaneiro quem tenta se defender?

No lugar da autora dessa ação eu recorreria e, ainda, representaria contra o juiz (ainda que sabendo que, com certeza, não vai dar em nada), não apenas pela falta de educação, mas sobretudo por negar a prestação jurisdicional sem uma palavra sequer sobre seus fundamentos jurídicos, limitando-se a juízos de valor furiosos e utilitaristas. Se está cansado da missão judicante, peça exoneração. Há muita gente interessada na vaga. Ou, ao menos, vá curtir o seu acintoso direito a 60 dias de férias, mais licenças e que tais. Só não transforme a magistratura em expressão de seus tumultos internos, distanciados da realidade do mundo, como por sinal se pode inferir da metáfora empregada na decisão: "não somos obrigados a abrir o vidro".

Ora, senhor juiz, nem todo mundo anda de carro e nem todo mundo possui uma bolha de proteção em redor. Alguns ainda acreditam no judiciário. Ao menos até levar um tapa desses na cara.

Fonte: http://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI199581,41046-Juiz+sugere+que+mulher+se+mude+para+a+floresta+para+evitar

quinta-feira, 27 de março de 2014

Desvio produtivo: Oi?

Talvez você, assim como eu, jamais tenha ouvido falar em desvio produtivo do consumidor. Trata-se de uma tese, de receptividade crescente nos tribunais brasileiros, segundo a qual o consumidor merece ser indenizado pelo tempo que perdeu para resolver problemas criados pelos fornecedores de produtos e serviços.

Trata-se de uma forma de indenização por dano moral. Nas palavras do advogado Marcos Dessaune, estudioso do assunto: “O desvio produtivo caracteriza-se quando o consumidor, diante de uma situação de mau atendimento, precisa desperdiçar o seu tempo e desviar as suas competências — de uma atividade necessária ou por ele preferida — para tentar resolver um problema criado pelo fornecedor, a um custo de oportunidade indesejado, de natureza irrecuperável”.

Saiba mais lendo esta matéria aqui.

Adorei a novidade e acho que ela precisa ser amplamente disseminada, a fim de mais e mais pessoas buscarem, em juízo, esse tipo de reparação, tornando a questão pacífica. Somente assim os prestadores canalhas vão começar a se mexer para nos atender melhor, já que por convicção e respeito raramente é.

***

O título desta postagem é uma alusão à empresa que mais aborrecimentos me causou até hoje.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Avaliação de serviço

No começo da tarde do último sábado (22), ao trafegar pela faixa central da Av. Gentil Bitencourt, perímetro compreendido entre Dr. Moraes e Benjamin Constant, o parabrisas do meu carro foi atingido pelo que suponho ser uma manga (ou um conjunto delas), estilhaçou no lugar do choque e sofreu rachaduras que o atravessaram de cima a baixo.

A situação era de risco pessoal e, justamente por isso, ensejava também a possibilidade de multa caso eu fosse flagrado dirigindo naquelas condições. O jeito foi encostar o carro em casa, de onde saiu na segunda-feira, já para tomar o rumo do conserto. E é sobre isto a postagem.

Acionei o seguro na tarde do domingo (a conveniência da assistência 24 horas). Sem dificuldades, foi agendado o serviço, tendo-me sido dada a opção de atendimento em casa. Recusei, porque me faria esperar mais um dia, por questões de agenda, mas com certeza é uma oferta muito atraente.

O serviço foi agendado para a manhã seguinte, na empresa Autoglass, na Av. Dr. Freitas, 325, entre Pedro Álvares Cabral e Senador Lemos. Ali, fui atendido com rapidez e cordialidade. Pediram-me apenas quatro horas para devolução do veículo, acrescido de mais uma porque pedi aplicação de película (uma escolha estritamente pessoal).

Menos de meia hora após o horário combinado, retornei à empresa e o carro estava lá, com jeito de que estava pronto há algum tempo. Preso ao retrovisor interno, um cartão de boa qualidade informando os cuidados que devem ser tomados com o veículo, p. ex. não o submeter a lavagem sob pressão ou não trafegar em velocidade elevada por pisos irregulares, por 72 horas.

Sou partidário da tese de que os canalhas devem ser denunciados e os bons devem ser exaltados. Por isso, registro meu elogio a Autoglass, pela eficiência e gentileza do tratamento dispensado ao cliente, registrando como única reclamação o valor absurdo cobrado pela película. Mas paguei pela conveniência de não ter que encostar o carro em outro lugar, já que meu tempo é exíguo. Paguei para sair com tudo totalmente resolvido.

Saibam, portanto, que contamos em Belém com uma empresa séria para nos atender quando temos problemas com vidros, para substituição ou reparos. Vale a pena conhecer os serviços que ela disponibiliza, que envolvem inclusive recuperação de pintura.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Mais um equipamento de segurança automobilística

Enquanto aqui no Brasil faz apenas quatro dias que se tornaram obrigatórios os airbags e freios ABS, nos Estados Unidos a conversa é de outro nível.

Desde 2010 a agência governamental responsável pela segurança automotiva tenta impor padrões mais rígidos para manobras de ré, a fim de evitar atropelamentos que vitimam sobretudo crianças. Naturalmente, a indústria tem pressionado, mas parece que, agora, a coisa vai acontecer, já que o governo federal foi acionado judicialmente por uma associação de consumidores. Viram? Lá, os consumidores se preocupam com segurança.

Dependendo da decisão que se tome, o mais provável é que as câmeras de ré se tornem obrigatórias.

No Brasil, as câmeras de ré são outro item que, nos últimos anos, foi barateado e está presente em maior número de veículos. Está longe de ser rotina, contudo. De fábrica, o item só aparece em veículos mais caros ou em modelos top de linha. Também cresceu a instalação à parte do equipamento. Mas na internet, uma boa câmera, com imagem colorida, passa fácil de mil reais. E não vale a pena fazer qualquer gambiarra, porque a instalação atinge a rede elétrica do automóvel.

Fonte: http://caranddriverbrasil.uol.com.br/noticias/camera-de-re-pode-virar-lei-nos-eua/6756

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Equipamentos de segurança automobilística

O airbag foi apresentado ao mundo durante o Salão do Automóvel de Frankfurt, Alemanha, no ano de 1987, sendo resultado do trabalho dos engenheiros da Mercedes-Benz. Hoje, é considerado item básico de segurança veicular e, por isso mesmo, de uso obrigatório no Primeiro Mundo faz tempo. Aliás, por aquelas bandas, carros equipados com bolsas de proteção apenas do motorista e do carona são coisa do passado. Os veículos vêm equipados com sete bolsas (ou até mais), inclusive as chamadas cortinas, que evitam danos decorrentes de colisões laterais. Um primor de segurança, convertida em absoluta rotina.

Por sua vez, os freios ABS (a sigla vem do alemão Antiblockier-Bremssystem, que significa sistema antibloqueio de freios; a versão em inglês surgiu depois) foram desenvolvidos para brecar aviões e remontam à década de 1950, mas sua viabilização comercial para automóveis data de 1978. Obviamente, também foram incorporados há muito tempo à rotina da indústria automobilística em países sérios.

Enquanto isso, no Brasil, somente hoje, dia 1º de janeiro de 2014, 26 e 35 anos após a criação desses importantes mecanismos de segurança, eles se tornam obrigatórios em todo e qualquer veículo produzido ou comercializado no país. Como o consumidor brasileiro até melhorou, mas não aprendeu a ser consciente, não houve dinâmica de mercado: foi a lei mesmo, para variar, que impôs essa obrigatoriedade à indústria, não sem luta e, inclusive, uma tentativa de virada de mesa de última hora. Vários veículos de imprensa chegaram a anunciar que o governo havia desistido da data e prorrogaria o prazo para adequação das empresas. A informação seria de Guido Mantega, ministro da Fazenda, mas a presidente Dilma Rousseff bateu o pé e a obrigação entrou em vigor.

Assim, a forceps, o Brasil se aproximará um pouco, e apenas um pouco, do padrão de qualidade e segurança do Primeiro Mundo. Mas não sem custos consideráveis. Estima-se que, na melhor das hipóteses, veículos de entrada encareçam mais de mil reais com a introdução dos novos itens. Somando-se ao fim do subsídio do imposto sobre produtos industrializados, já em vigor, os preços dos carros mais vendidos subirá consideravelmente. E olha que os preços praticados no Brasil já são irreais e abusivos. O que se paga aqui por um "popular" (classificação risível, ao nível do deboche) é de assombrar mesmo os mais audaciosos.

De quebra, alguns veículos vetustos, ainda comercializados no país por causa do jeitinho brasileiro de aceitar exploração, foram inviabilizados e saem de cena. Mas somente por causa da exigência; do contrário, continuariam por tempo indeterminado nas concessionárias. Refiro-me ao Fiat Mille e à Velha Senhora, a querida Volkswagen Kombi, que ganhou uma série limitada, a Last Edition, por inacreditáveis 85 mil reais e, mesmo assim, vendeu absurdamente, a ponto de ser fabricada uma nova e não planejada segunda leva (além de uma bela campanha publicitária de despedida). Por sinal, os compradores dessas peças de colecionador ficaram enlouquecidos com as notícias de prorrogação do prazo (supostamente, por mais dois anos). Isso faria o preço dos veículos despencar. Ações judiciais foram prometidas, baseadas no ludíbrio ao consumidor, mas no final não será necessário. Se bem que se aventou algum tratamento diferenciado para a Kombi, em face de não haver concorrente equiparável.

O Mille também ganhou uma série especial, a Grazie Mille, que mais não é do que uma enganação estética sobre um carro paupérrimo, tosco mesmo, que esta semana vi em uma concessionária sendo vendido por mais de 33 mil reais! Histérico. Mesmo que sejamos nostálgicos e gratos por toda a valentia e méritos do antigo Uno, quem comprar por esse valor merece uma consulta psiquiátrica.

Não adianta, brasileiro não valoriza segurança veicular. Gosta mesmo é de aparência. Somos um mercado que paga caro por design e firulas, mas não se importa com projetos antiquados, acabamento precário e riscos desnecessários. A mais nova moda, o câmbio automático, que aos poucos vai-se popularizando, tem a ver com conveniência, com o conforto de dirigir no inferno das grandes cidades. Mas pergunte o que a pessoa considera prioritário, câmbio ou airbag, e não tenha dúvida quanto à resposta.

Enfim, uma grande mudança está a caminho. Por obra do governo, não do consumidor, mas uma mudança. Já nas próximas semanas, vamos às consequências.

Sobre a criação do airbag: http://carsale.uol.com.br/editorial/noticia/9811-invencao-do-airbag-completa-25-anos

Sobre o sistema ABS: http://pt.wikipedia.org/wiki/Freio_ABS

Notícia oficial do Ministério da Fazenda: http://www.fazenda.gov.br/divulgacao/noticias/2013/dezembro/airbags-e-freios-abs-serao-itens-obrigatorios-em-veiculos-a-partir-de-2014

Sobre o Grazie Mille: http://carros.uol.com.br/noticias/redacao/2013/12/31/fiat-uno-original-depois-mille-encerra-ciclo-de-vida-opine-e-mande-foto.htm, sua história e o encerramento da fabricação: http://revistaautoesporte.globo.com/Noticias/noticia/2014/01/fiat-mostra-ultimo-mille-produzido-no-brasil.html

Sobre o imbróglio da Kombi Last Edition: http://g1.globo.com/carros/noticia/2013/12/donos-consideram-devolver-last-edition-se-kombi-seguir-em-linha.html

sábado, 9 de novembro de 2013

A velocidade do Brasil

Há coisas que simplesmente não fazem o menor sentido. Ou até fazem, mas é preciso ser muito calhorda para partilhar dele. Veja-se o caso da velocidade dos serviços de internet banda larga em nosso país. O regulamento atual determina que a operadora precisa assegurar uma velocidade mínima diária. Sabe de quanto? De apenas 30% do contratado. E a média mensal deve ficar em 70%.

Na matemática do Brasil, portanto, você contrata um serviço de 10 megabytes, mas se ele funcionar a 3 MB, tudo bem. E como o ritmo ora diminui, ora aumenta, o importante mesmo é o resultado mensal. Que deve corresponder ao valor contratado, certo? Errado. Se ficar em 7 MB, tudo ótimo. Média 7, você passa. Aí vêm os provedores de serviço e dizem cumprir as regras da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL). E eles cumprem mesmo! O mais triste é isso: o governo é que cria as condições para que essa gente continue nos roubando impunemente.

Ainda mais interessante de que o silêncio eloquente das autoridades de defesa do consumidor ou do Ministério Público é não haver regra correlata em favor dos consumidores. Por exemplo, você contratou um serviço de internet prometendo pagar 100 reais pela assinatura, mas decide pagar apenas 30 reais. Isso deveria ser admitido, desde que no mês seguinte você pagasse um valor maior, numa relação que, ao final do ano, garantisse um pagamento médio de 70 reais por mês. Isto deveria bastar. Afinal, constitui regra elementar do direito que, se um contratante descumpre a sua parte na obrigação, o outro está desonerado da sua. Rigorosamente falando, pelas características próprias do direito do consumidor, se eu não recebo o que pedi, eu não deveria pagar nada, nem sequer 30% do contratado.

Mas como você tem um boleto, não dá para pagar um valor menor, só o que consta dele. Se for débito em conta, a graninha sai do seu saldo sem que você veja. E se o pagamento não for feito nos valores contratados, você fica sem serviço e pode acabar com o nome inscrito em algum cadastro de inadimplentes, o que traz uma série de dissabores. E qual é o cadastro de inadimplentes que existe para inscrever as empresas que prestam um serviço ruim, mesmo cobrando os preços mais elevados do mundo por ele?

Sim, eu sei que a questão também é técnica. Mas se o problema é a quantidade de usuários, resolve-se investindo para aumentar a capacidade do serviço. Ou então, se você sabe que não consegue oferecer mais do que 7 MB, você vende apenas 7 MB e não 10, admitindo não poder fazer mais do que isso. Aí eu decido se vale a pena contratar você ou não. O que não deveria poder é prometer um valor e oferecer menos.

Enfim, isto tudo é mais do mesmo. É o capitalismo brasileiro: o setor econômico entra com o pé e você, com a bunda. E estou sendo muito elegante ao dizer "pé". Por isso, esta postagem não é uma reclamação contra o capitalista, que sempre esteve muito à vontade para nos explorar. É uma reclamação contra o governo. E uma débil manifestação de esperança de que os brasileiros, informados dessa realidade, um dia queiram chutar o balde contra as empresas, num movimento coordenado e de longa duração. Provavelmente, seria a nossa única chance.

Fonte: http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2013/11/reclamacoes-sobre-velocidade-da-internet-aumentam-315-em-um-ano.html

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Quase no escuro

Em junho deste ano eu reclamei, mas decidi não transformar o blog num muro de lamentações, ainda mais do mesmo assunto. Além disso, a situação melhorou um tanto. Mas agora desceu ao pior nível de que me recordo.

Refiro-me à CELPA, que anos atrás, quando ainda estatal, já era chamada de Companhia de Escurecimento dos Lares Paraenses. Em novas mãos privadas há alguns meses, e ostentando em seu site a informação de que se encontra "em recuperação judicial", a dita empresa está prestes a me deixar no escuro e com severos prejuízos. As oscilações e quedas de energia são não apenas diárias, mas acontecem várias vezes ao dia. Estabilizadores simplesmente enlouquecem, funcionando num ritmo tão frenético que emitem um som parecido com o de muitos estalinhos sendo jogados ao chão ao mesmo tempo.

De novo, estou vendo a hora de substituir os eletrodomésticos queimados. Eles ainda não queimaram, mas achei que o micro-ondas era o primeiro da lista, esta manhã. Depois descobri que havia caído uma fase e por isso o equipamento estava inoperante. E os outros problemas se avolumam: a internet para de funcionar, a gravação de programas da TV a cabo é interrompida a todo instante, além das noites de calor a que temos sido submetidos (de sexta para sábado último, por quase duas horas).

Aí cabe a pergunta: reclamar a quem, mesmo?

No jornal de hoje, por coincidência, há uma nota da empresa, alegando que investirá 700 milhões de reais nos anos de 2013/2014. Jura que já reduziu em 25% o tempo de interrupção de energia. Devem ser dados gerais, porque lá no meu bairro as estatísticas são diferentes. Já perguntei a vizinhos de outras ruas. Outra alegação da empresa é de que reativou o call center, entregue a uma empresa altamente especializada, que tem atendido mais de 90% em apenas 30 segundos. Este teste ainda não fiz. Mas estou com uma propensão a duvidar.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Situação de Belém

O dia de ontem impressionou muitos belenenses. Afinal, estamos acostumados a ver os supermercados funcionando diuturnamente, mas eis que de repente eles começaram a fechar as portas. Obviamente, não por iniciativa dos capitalistas. Cansados em todos os sentidos, os trabalhadores resolveram agir. Começou pelo Grupo Líder, passou para o Yamada e, hoje, só os funcionários daquela primeira empresa já retornaram ao trabalho, porque fecharam um acordo. Todos os demais supermercados fecharam, os últimos na manhã desta quinta-feira.

Ontem, o cenário era de filme pré-apocalíptico. Um número enorme de consumidores acorreu aos supermercados abertos, abarrotando seus carrinhos de mercadorias. A irmã de uma amiga avistou até briga pelo último pacote de um certo produto. Gente estocando e brigando por comida... Será o prenúncio do apocalipse zumbi?

A mesma testemunha, que ficou uma hora sofrendo na fila para conseguir pagar suas compras, relatou ter ido depois a dois postos de combustíveis, em vão. Sim, Belém está mais uma vez amargando desabastecimento de gasolina. Hoje, a imprensa anuncia que 10% dos postos estão desguarnecidos.

De permeio, tem chovido forte diariamente, numa época em que as chuvas normalmente já pararam. As chuvas têm alagado a cidade (mas o prefeito já declarou que não é mágico, justamente por causa desse motivo: ele não pode impedir a chuva de chover!), provocando ainda maior caos no trânsito. Tem faltado água e energia (mas isso não é exatamente novidade). Se somarmos aos frequentes protestos nas ruas, e descontextualizarmos tudo, teremos um cenário deveras preocupante.

E se pensarmos em outras mazelas que a cidade possui, tais como serviços de saúde muito deficitários, podemos ficar realmente apavorados...

quinta-feira, 6 de junho de 2013

À beira de um apagão

Até posso reconhecer que a desgraceira da Rede CELPA, ou sabe lá como se chama essa josta hoje em dia, após trocar de comando, estava dando um tempo. Mas pelo menos desde o último final de semana o negócio voltou a ficar difícil.

Começa com oscilações na corrente elétrica. O estabilizador que uso para proteger a TV e outros equipamentos simplesmente enlouquece, disparando sem parar. No domingo, depois de meia hora ininterrupta daquele barulho, eu queria estrangular um! Parou e voltou, parou e voltou, de modo mais breve, até que a uma hora da madrugada a energia se foi totalmente. Ficamos no escuro por cerca de 15 a 20 minutos. Uma sorte, digamos assim.

De lá para cá, faltou energia todos os dias, geralmente à noite, mas em diferentes horários. Vale a pena gastar um pouco com proteção elétrica, porque aqui estamos sujeitos a perder todo e qualquer equipamento que se ligue numa tomada.

Ô dureza de vida, essa do brasileiro...

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Desabafo de um brasileiro

Entre imposto, planos de saúde e contas de consumo eu gastei tanto dinheiro hoje que, posso dizer, sozinho fiz a economia do país girar! Estou me sentindo o próprio distribuidor de renda!

Mas como essa renda vai para o governo extorsionário, para os planos de saúde que não nos atendem quando precisamos de verdade e para os prestadores de serviços humilhantes que nos disponibilizam, a sensação é de ter ateado fogo ao dinheiro. E eu gostava tanto dele!

Como os leitores do blog devem saber, costumo classificar 30 de abril como o pior dia do ano, por causa do imposto de renda. Mas hoje estou me sentindo pior ainda. Não é nada alentador pensar nisso. Desculpem o desabafo.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Sinais de revolta na parede

No Conjunto Médici I, no brioso bairro da Marambaia, alguém escancarou sua revolta na parede:


O manifestante, contudo, está equivocado. Ter plano de saúde, hoje em dia, é pouca coisa melhor do que depender do SUS, uns anos atrás. A frase correta seria: "se você não puder pagar atendimento médico particular, está proibido de adoecer  para o seu próprio bem!"

Afinal de contas, com o plano de saúde você depende das agendas dos médicos, que dão preferência aos pacientes particulares e, em número assustador, atendem com uma falta de zelo e profissionalismo impressionantes. Você mofará em salas de espera que consolidaram a estranha contradição da hora marcada por ordem de chegada. Você estará exposto à incompetência, aos erros frequentes, à insuficiência de leitos (pediátricos, p. ex.), à inexistência de certos exames e procedimentos, além de uma série de mazelas que têm provocado o retorno de um velho hábito: adoeceu? Vá para São Paulo. O passado retornou.

Tristes situações ocorridas neste ano de 2013, que ainda está no seu quinto mês, fizeram-me escutar, de diversas pessoas, variações da afirmação de que, por aqui, o melhor médico é o avião. Detestável.

sábado, 11 de maio de 2013

Cara dura

Eu devo ser muito ingênuo, mas não entra na minha cabeça como pode ser possível um estabelecimento comercial abrir suas portas dentro de um shopping center sem estar em situação fiscal regular, expondo-se ao vexame de ser fechado na marra, durante fiscalização da Fazenda estadual, em plena sexta-feira imediatamente anterior ao dia das mães (segundo evento mais rentável para o comércio, que perde apenas para o natal).

Deve ser muita fé na incompetência no poder público. No mínimo. Mas esses estranhos empresário que tem uma coisa que todo mundo adora: grana. Então a máquina arrecadadora do Estado não deixaria algo assim passar em branco. E não deixou.

Papelão!

PS - Dia desses, estive em um desses estabelecimentos, jurando que estava tudo bem com ele.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Programa Brasileiro de Etiquetagem

Uma das páginas do guia.
O Instituto Nacional de Metrologia (INMETRO) lançou no último dia do consumidor (15 de março) o Guia do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, que demonstra a eficiência energética de veículos automotores leves, à semelhança do que já acontece há anos com eletrodomésticos. O objetivo é fomentar a escolha, pelos cidadãos, de produtos mais econômicos.

Para saber mais sobre o programa, leia aqui.

O guia está disponível no site do INMETRO, mas eis aqui o link.

Também no site, você tem acesso a uma tabela eletrônica, que apresenta os resultados das 27 marcas que já aderiram ao programa, representando 360 modelos. Aproveitei para examinar o consumo do meu carro e constatei, sem nenhuma alegria, que está acima dos valores apresentados na tabela. E como o meu estilo de dirigir continua o mesmo e meu carros anteriores tinham consumo menor, fico-me perguntando se não é algum problema pedindo correção.

Questão de interesse de todos que possuem carro, deem uma olhadinha lá.

quinta-feira, 7 de março de 2013

É (shopping de) fogo!

Tudo bem, o trocadilho com o título da minha postagem anterior pode ser de mau gosto, mero oportunismo visual, mas realmente chama a atenção que, do início do ano para cá, o Shopping Boulevard já tenha enfrentado dois incêndios. Em janeiro, no depósito de uma loja; na manhã de hoje, na cozinha de um restaurante.

Os incêndios foram de pequenas proporções (daí a insistência da imprensa em chamar de "princípio de incêndio", nomenclatura duvidosa, à semelhança de "princípio de infarto") e logo debelados pelos bombeiros. Sem vítimas, porém impressionando de longe por causa da grande quantidade de fumaça.

Inevitável ficar com os dois pés atrás, ainda mais considerando que, no sinistro de janeiro, o shopping tentou manter um estranho silêncio sobre fato que já era de conhecimento geral, graças à ampla possibilidade que, hoje, qualquer um possui de divulgar a notícia.

Aguardemos então o laudo dos bombeiros, que indicarão as causas do incêndio, bem como a resposta do shopping sobre providências a tomar para evitar que esse tipo de situação volte a se repetir. Até segunda ordem, vou evitar. Afinal, não vou pagar um estacionamento extorsivo para correr o risco de ser obrigado a fugir correndo de fumaça.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Não entendi a regionalização

O Cinépolis explora, hoje, 14 salas de cinema em Belém, divididas igualitariamente entre os shoppings Boulevard e Parque. E como toda empresa focada em lucros, costuma exibir os filmes de maior interesse mercadológico, já que não existem mais salas de arte funcionando diariamente por estas bandas. Basta ver que a programação, em ambas as redes que operam na cidade, costuma ser praticamente igual.

Quando quis ver Amor, de Michael Haneke, chamou-me a atenção de que ele só era exibido no Boulevard. Após a entrega do Oscar, como de hábito, títulos premiados voltaram à cena, mas novamente apenas naquele shopping do centro da cidade. Refiro-me a O lado bom da vida e Argo, espremidos entre os filmes de menor relevo. No Parque, só estes comparecem atualmente.

Gostaria de saber qual é o critério do Cinépolis para essa divisão. Só consigo pensar na centralidade geográfica do estabelecimento e, talvez, embora não me pareça muito plausível, o maior poder aquisitivo do bairro. Será que tem a ver com a quantidade de cópias ainda disponíveis? Mas se fosse isso, ainda assim seria possível uma distribuição mais flexível. Certeza, apenas que a decisão foi tomada para otimizar lucros.

Chateia-me a restrição porque o Cinépolis Parque é hoje, em minha opinião, o melhor cinema da cidade. Além de oferecer salas confortáveis e mais novas, somente no Parque existe a opção da sala MacroXE, com tecnologia superior. E para muitos, como eu, é conveniente frequentar aquele cinema, não apenas pela localização, mas porque oferece um estacionamento mais agradável, plano (sem aquelas rampas irritantes), e ainda por cima mais barato.

Até prova em contrário, parece que a mentalidade ainda é de assegurar o melhor para o centro da cidade. O novo chega, mas o velho não vai embora.