quarta-feira, 16 de março de 2011

Que estás pendente de um madeiro...

É impressionante como entra ano, sai ano, a briga sobre a presença de cruzes nas dependências do Poder Judiciário não termina. Tema recorrente, já foi muito debatido aqui no Brasil, o segundo Estado laico menos laico do mundo, que só perde para a Itália, devido à presença do Vaticano em suas fímbrias. E foi justamente na Itália que um juiz acabou exonerado por se recusar a trabalhar em salas onde houvesse crucifixos. Um absurdo, claro, mas ele comprou uma briga boa e perdeu. Vai recorrer.
Além de concordar com a irresignação do magistrado (mas eu, no lugar dele, não deixaria de trabalhar para marcar posição; não sou tão veemente assim), devo ressaltar que ele ofereceu alternativa: se não retirassem os crucifixos, então que expusessem símbolos de outras religiões. Muito justo, mas a pretensão foi negada. A posição é sectária, mesmo.
Resta, pois, aguardar cenas dos próximos capítulos.

Cada dia uma ausência

Lembra aquela canção do Legião Urbana, que dizia "ontem faltou água/ anteontem faltou luz/ teve torcida gritando quando a luz voltou"? Pois é, esta parece ser a situação de Belém há alguns dias. Desligamentos programados (mas insuficientemente comunicados à população) e acidentes de percurso (rompimento de tubulação) estão promovendo uma onda de transtornos pela cidade. Com um detalhe: tanto faz periferia ou bairros nobres; todo mundo foi irmanado no sufoco!
Nossas homenagens à Rede Celpa e à COSANPA, que sempre prestam um ótimo serviço aos paraenses.

Terrores da infância oitentista

Um arranhão no dorso da mão que ardeu em contato com a água do chuveiro, durante o banho. Graças a ele, Júlia chamou o papai, toda chorosa, mostrando a área lesionada. Enxuguei delicadamente a mão e propus passar Merthiolate. "Tá bom!", disse ela, aliviada.
Não tive como não me lembrar do tempo em que, à simples menção da palavra Merthiolate, uma reação de pânico generalizado tomava conta das crianças no recinto. Eram fugas, gritos, súplicas. Muitos preferiam esconder seus machucados, para escapar ao inevitável tratamento.

Na minha infância,
o frasco era de vidro.
 Merthiolate é o nome comercial de um antisséptico de uso tópico fabricado pela Lilly, cujo princípio ativo era o Tiomersal ou Timerosal, um composto farmacêutico desenvolvido em 1927 que continha quase 50% de mercúrio. Era um líquido vermelho, apresentado numa aterradora caixinha vermelha, que ardia como o cão graças aos 95% de álcool que possuía em sua fórmula. Consciente de que produzia um ícone do mal, o fabricante explorava a mais conhecida característica do medicamento, por meio de slogans como "o arde que cura". Dava vontade de meter a mão na cara de um sujeito desses! Contudo, no final da década de 1990, o Tiomersal deixou de ser utilizado, pela suspeita de toxicidade. E para exorcizar de vez os demônios, o produto passou a ser vendido numa caixinha branca com detalhes azuis, que sugere um ambiente celestial.
Curiosamente, muita gente afirma que, depois da mudança, passou a duvidar da eficiência do medicamento. Eu mesmo, confesso, fiquei um pouco decepcionado com a mudança. Coisa de gente doida, claro. Vale destacar que o tema é abordado em diversos blogs, num ataque saudosista, talvez.
Isso me remete a outro terror de minha infância. Havia uma entidade capaz de apavorar qualquer criança num raio de quilômetros. Não era fantasma, bicho-papão ou o Velho do Saco; o medo atendia pelo nome de fura-dedo. Quem não viveu essa época provavelmente desconhece o agente de saúde que ia de casa em casa munido de um instrumento de tortura: uma lâmica metálica com uma pontinha afiada no meio. Furava nossos polegares, cobria a lâmina e levava o material para testar eventual contaminação por malária, doença endêmica em nossa região. Se uma criança avistasse um fura-dedo, era capaz de sair pela rua gritando ou bater na porta dos amigos, dando o alarma. Pode parecer ridículo, mas houve um dia em que me escondi embaixo de uma mesa. Inútil, claro: os adultos sempre garantiam a nossa disponibilidade.
Um dia, dei-me conta de que há anos nem sequer escutava falar dos fura-dedos. Um dos maiores medos da infância se dissipou assim, tão silenciosamente, que sequer percebemos.
Hoje, penso nisso e me divirto. São lembranças bacanas, ingênuas. O que maltrata, mesmo, é pensar que mais felizes eram as crianças que tinham no Merthiolate e no fura-dedo as maiores preocupações de suas vidas. Quem dera ainda fosse assim!

terça-feira, 15 de março de 2011

Vá ao teatro

Texto de responsabilidade da companhia teatral.

RELEASE – NOVAS DIRETRIZES EM TEMPOS DE PAZ

No início de 2010 um grupo de artistas e técnicos em artes cênicas se reuniu por um imenso desejo comum de fazer teatro. Falta de espaços cênicos e pautas, inexistência de políticas públicas para cultura, nenhum dinheiro. Todas questões batidas e rebatidas. Que fazer? Desistir? Fora de cogitação.
Em abril do mesmo ano estreava A Troca e a Tarefa, inaugurando oficialmente A Casa da Atriz, que desde então vem se firmando no cenário teatral paraense como um espaço onde se discute, estuda, experimenta e vive teatro. Literalmente, uma vez que a própria casa da família Porto é a morada e o cenário dos espetáculos, do "Curta a Cena" e para as leituras dramáticas.
Mensalmente o público tem a oportunidade de conhecer textos clássicos e contemporâneos sem uma encenação formal, preparados com todo o cuidado por diretores experientes e atores da Casa e convidados, criando um público cativo e reforçando um vínculo absolutamente necessário à arte.

***

Fábula. s. f. (1) Texto alegórico do qual se extrai uma lição moral; (2) Narrativa inverossímil, imaginária ou mitológica; (3) Mentira, ilusão.

Uma fábula. Assim Bosco Brasil define seu Novas diretrizes em tempos de paz, um texto de emotividade à flor da pele onde personagens aparentemente antagônicos se enfrentam no campo vasto e minado das idéias.
A verdade da imaginação frente à inverossimilhança da realidade.
A ilusão do poder, o teatro da vida.
A guerra reduzindo pessoas a meros animais vivendo uma caricatura da insensatez humana.

Lygia Bojunga escreveu: Cada um tem uma tarefa na vida. Segismundo, o interrogador, tem uma. Clausewitz – quem é ele? – tem a sua. E cada um – todos nós – é, acreditem, mais do que julga ser.

NOVAS DIRETRIZES EM TEMPOS DE PAZ
texto BOSCO BRASIL
direção ADRIANA CRUZ
iluminação SÔNIA LOPES
ambientação cênica NÉDER CHARONE
direção de palco FRANK COSTA
produção PAULO PORTO & YEYÉ PORTO
realização A CASA DA ATRIZ

HUDSON ANDRADE: Clausewitz, por volta de 40 anos, ator
LEOCI MEDEIROS: Segismundo, por volta de 40 anos, interrogador

16 E 17 DE MARÇO DE 2011 – 20 HORAS
Entrada franca
nA Casa da Atriz. Rua Oliveira Belo, 95, Umarizal, entre Generalíssimo Deodoro e D. Romualdo de Seixas.
Informações: 8199 1322 (Hudson Andrade) \ 8266 4397 (Yeyé Porto) \ 8733 2067 (Paulo Porto)
Contato: casadaatriz@gmail.com

segunda-feira, 14 de março de 2011

Obsessão por estatísticas

Já disse que não consigo entender porque nunca antes acessara as estatísticas do blog através das ferramentas do próprio Blogger, mas agora que comecei tudo indica que ficarei viciado. Estou adorando ver as curiosidades acerca do que faço, bem como de acompanhar as mudanças.
Observei, p. ex., que na última semana fui acessado de Portugal (42), Estados Unidos (40), Japão (25), Holanda (15), Alemanha e Espanha (13 cada), Rússia (10), Dinamarca e Reino Unido (9 cada). Hoje, especificamente, alguém se interessou por mim no Canadá e na Ucrânia (2 cada), na Angola e na Argentina, além de em países citados acima.
Sei que o iPad já responde por 1% dos acessos.
Sei que o Sandro Alex é mesmo um cara famoso porque, com apenas uma semana de criação do seu blog, já se tornou o terceiro maior fornecedor de visitas ao meu (dados da semana), à frente do Flanar, obra coletiva da qual eu mesmo sou um dos editores (ou seja, eu mesmo me dou audiência menor!).
A postagem "Circuncisão é saúde" continua sendo, estranhamente, a mais procurada (137 visualizações de página), anos-luz à frente da segunda (31), que variou em relação à semana passada. Somente hoje ela foi visualizada 11 vezes, contra 5 do meu desabafo de ontem à noite. Estou quase deletando a imagem que a ilustra, para ver o que acontece...
Vocês vão me perdoar, mas não há jeito de impedir que eu monitore esse troço. Até porque sempre me fica a esperança de algum desses visitantes anônimos me escrever alguma coisa, dizer porque afinal se interessou pelo blog. Como eu posso não saber por que alguém na Ucrânia acessou este blog?!

Visto ou não

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, virá ao Brasil na próxima sexta-feira, 18 de março, para uma visita de dois dias. Na pauta das reuniões com o governo e com empresários, a possibilidade de fechar acordos que possam ser bons para ambos os lados. Mas o assanhamento da diplomacia brasileira reside num tema que deve provocar alvoroço em muitos brasileiros: o fim da obrigatoriedade de visto para ingresso naquele país.
Hoje em dia, se um tupiniquim pretende visitar o Tio Sam, precisa se deslocar para Brasília, São Paulo ou Rio de Janeiro, munido de documentos e boas explicações, a fim de passar pelo crivo do merecimento. E deve preencher formulários contendo perguntas impressionantes, tais como "você é terrorista?"; "você já praticou algum ato terrorista?"
Se matar um patinho da vizinha contar, tô lascado!
Conheço algumas pessoas que foram barradas e voltaram para casa se sentindo um lixo. Mas a conjuntura está mudando, graças ao Visa Waiver Program, que pode dispensar o visto prévio para os nacionais de países cuja taxa de rejeição esteja abaixo de 5%, que é o nosso caso.
Se a especulação se confirmar, isso será uma demonstração de prestígio do Brasil perante os Estados Unidos, mas não se iluda: eles estão cuidando dos próprios interesses, que podem ser expressos em números — 890 mil turistas brasileiros e 4,4 bilhões de dólares deixados naquele país, no ano de 2009; 1,2 milhão de turistas em 2010; possibilidade de aumentar para 10,3 bilhões de dólares a arrecadação com os brazucas, se a porteira for aberta. Vale lembrar que os Estados Unidos ainda se recuperam da última crise econômica mundial, que aqui foi apenas uma marolinha. Nós até emprestamos dinheiro para eles!
Sejamos francos: brasileiro não gosta de terrorismo. Gosta de viagens, de festas, de shows e de comprar o máximo de muamba que puder. Se a especulação se confirmar, o mais provável é que yankees e brasileiros fiquem bem felizes.

Mazelas que criamos



Parece ficção científica: mãe e filha conversam através de uma parede de vidro. Não podem tocar-se nem ter qualquer espécie de contato mais próximo. Para dar mais dramaticidade à cena, a mãe vai ao insólito encontro com um cachorrinho na coleira.
Não se trata de um enredo de Ray Bradbury, mas apenas da realidade: a moça pode ter sido contaminada por radiação, nas imediações das instalações nucleares de Fukushima, atingidas pelo terremoto que abalou o Japão, há três dias. Até segunda ordem, o mundo da garota é uma caixa de vidro.
A usina em apreço, contudo, não para de produzir cenas impressionantes, como esta:



A alta cúpula da empresa concessionária de energia elétrica que administra a usina se curva, pedindo perdão aos japoneses. Eu nem sei se a empresa está sendo responsabilizada por alguma falha. Se não estiver, trata-se apenas da constatação de que o problema é meu e devo satisfação a todas as pessoas prejudicadas.
Meu Deus, que abismo há entre nós! Cada dia que passa fico mais feliz de o Brasil não ser alvo habitual de catástrofes naturais.

Senso de comunidade

No último sábado, assisti a uma reportagem sobre falta de médicos no Município paraense de Curralinho. A certa altura, o repórter mencionou que moradores da cidade, ao saberem da presença de uma equipe da imprensa, apareceram para denunciar outros problemas; um deles, a falta de merenda na escola. A matéria então muda o foco e são mostradas imagens da escola, de fato sem alimentos para servir aos alunos e com graves problemas de infraestrutura e até mesmo de segurança sanitária.
Mas o que realmente me chamou a atenção foi quando surgiu a informação de que funcionários da escola se cotizavam, ocasionalmente, para comprar alimentos e com isso servir um lanche aos estudantes. O repórter procura enfatizar que os funcionários estão tirando dinheiro do próprio bolso e, num exercício retórico, pergunta se é isso que acontece. A resposta da merendeira vem rápida e com uma sinceridade, para mim, comovente:
— Sim, porque somos uma comunidade.
A mulher de aparência maltratada e modos que sugerem não ter sido, ela mesma, uma estudante no passado, dá-nos uma lição daquelas bem típicas da boa e honesta gente simples: um espírito de coletividade cada vez mais raro em nossa sociedade burguesa, ególatra e competitiva. Ela sabe que é a escola de seus filhos, netos, sobrinhos ou, mesmo que de nenhum de seus parentes, é a escola dos filhos de seus vizinhos, dos seus amigos, das pessoas com as quais convive e que sofrem, todo dia, as mesmas dificuldades que ela. O dinheiro — já pouco — que ela suprime de seus gastos pessoais é reinvestido na própria comunidade, numa perspectiva que ouso chamar de investimento de longo prazo: é para o bem de todos.
Passei o resto do dia com aquela merendeira na cabeça. No dia seguinte, recebi uma visita e conversei com ele sobre o assunto. Estava tomado por uma perplexidade que talvez se explique pelo fato de estar, há tanto tempo, alijado da vida simples que conheci em outros momentos e lugares. Vejam-se as pautas raivosas deste blog: cheias de reclamações sobre os psicopatas do trânsito, sobre os bares que invadem as calçadas, sobre agressões de todo tipo. Faltam textos sobre gente feliz, gente boa, gente que fez coisas grandiosas em sua simplicidade cotidiana.
Meu Deus, acho que estou precisando de férias em alguma cidadezinha do interior! Parece que as doenças mentais das cidades contemporâneas me encontraram.

domingo, 13 de março de 2011

A palavra que arde

Sexta-feira à noite, quando encerrei a minha última aula da semana, mas ainda precisava esperar por pelo menos duas hora e meia até minha esposa terminar, sentei-me à frente do computador à cata de um assunto sobre o qual escrever. Queria muito escrever, mas não podia ser uma banalidade. Nem me interessava fazer o estilo Twitter, escrevendo coisas como "Ei, estou sentado numa cadeira" ou "Escuto minhas tripas funcionando". Queria algo produtivo.
Naveguei pelos blogs, li os portais jornalísticos, visitei algumas páginas interessantes, mas nada me inspirou a redigir algo próprio. Fui desistindo e encerrei a navegação, algo frustrado. De lá para cá, aconteceram ou tomei conhecimento de umas tantas coisas que mereciam comentários, mas passei o dia fora de casa e, tendo retornado, estou ocupado e... sem vontade!
Pode parecer meio paradoxal que eu esteja sem vontade de postar e esteja fazendo justamente isto, mas esta é uma postagem do tipo desabafo (se chega a tanto), sem nenhuma utilidade aparente a não ser dizer aos leitores que ainda estou por aqui, neste plano. Mas eu mesmo não entendo como tenho o que dizer e não me parece o momento de fazê-lo.
Decerto que alguns desses assuntos morrerão pela simples passagem da noite. Um deles sobreviverá e será tratado amanhã, com certeza. E também tenho certeza de que preciso passar mais tempo em minha própria casa.
A propósito, eu gosto muito de estar em casa. Mas tenho uma pessoa extremamente próxima que, muito pelo contrário, parece ter uma necessidade quase biológica de viver na rua, sabe-se lá à procura do quê. Suponho que se trata de uma necessidade inventada e que se ele descobrisse o que procura, preferiria ocultar de si mesmo a descoberta. Caminhar a esmo parece ser o objetivo.
E você? Tem uma alma sedentária ou caminhante? Ou por outra: já encontrou o que procurava?

sexta-feira, 11 de março de 2011

Felipe Cinco Zero

O jovem aí ao lado é meu aluno de Direito Penal IV e, graças a ele, tenho a satisfação de chegar a 50 seguidores do blog. Isso não faz de mim um Ashton Kutcher, o tuiteiro mais famoso do mundo, com seus zilhões de seguidores, mas me deixa feliz porque este é um projeto pessoal e limitado. Para quem nunca pensou em ter seguidores (coisa meio messiânica...), estes 50 corajosos são uma honra, ainda mais considerando que boa parte deles não veio de minhas relações pessoais: são pessoas que me encontraram na blogosfera e decidiram ficar.
A todos, o meu agradecimento. No Felipe, pelo menos, posso dar um abraço pessoalmente. Aos demais, vai o meu virtual.

Prisão domiciliar em comarca diversa

Comentando a decisão do Superior Tribunal de Justiça:

A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou recurso do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP/RS) e manteve a permissão de um homem, condenado em regime semiaberto, a trabalhar em uma cidade diferente da comarca do juízo de execução.

Condenado a sete anos e três meses de reclusão em regime semiaberto pela prática de roubo e furto qualificado, o homem deveria cumprir a pena em Espumoso. No entanto, ele havia conseguido emprego na cidade de Colorado, distante 33 quilômetros. Em primeira instância, foi concedida prisão albergue domiciliar, autorizando-o a se recolher à prisão apenas nos finais de semana. A decisão foi mantida pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS).
No STJ, o MP gaúcho sustentou que a concessão de prisão domiciliar está fora das hipóteses legais expressamente estabelecidas no artigo 117 da Lei de Execução Penal. O fato de o emprego ser em cidade distante da comarca do juízo da execução não pode prevalecer, segundo o MP/RS, como impedimento ao regular cumprimento da pena privativa de liberdade, caso contrário o Estado seria obrigado a transferir qualquer preso que consiga uma oportunidade de trabalho em comarca distante de onde cumpre pena, afrontando a Lei de Execução Penal.
O relator, desembargador convocado Adilson Vieira Macabu, afirmou que a Lei n. 7.210, que instituiu a Lei de Execução Penal, determina que o trabalho é não só um dever, como um direito do apenado, garantido igualmente pela Constituição. “O apenado também é um sujeito de direitos e a função social da pena é a sua ressocialização, não o seu banimento nefasto do convívio em sociedade”, completou.
Para Adilson Macabu, a decisão de conceder a prisão domiciliar não implicou ofensa à lei federal nem divergiu da jurisprudência do STJ, que tem entendido ser possível a permissão do cumprimento da pena em regime domiciliar, em casos excepcionais, que diferem do elencado no artigo 117 da Lei de Execução Penal, caso do processo em questão.
O desembargador convocado ressaltou ainda que, “em razão da peculiaridade do caso, visando à ressocialização do condenado e levando em consideração suas condições pessoais, é possível enquadrá-lo como exceção das hipóteses discriminadas no dispositivo legal tido como violado”. A decisão foi unânime.

Estou prestes a iniciar, com meus alunos de Direito Penal II, o estudo das penas. Uma das questões que discutiremos, e começaremos com um debate na próxima terça-feira, é justamente o mítico caráter ressocializador da pena criminal. Já conversamos a respeito aqui no blog e, claro, o assunto sempre voltará, já que é uma questão nevrálgica para minha área de atuação.
O julgado acima desvela a realidade. Que ressocializar o quê! A pena existe, mesmo, para impor sofrimento e reduzir as já parcas oportunidades de mobilidade social do indivíduo que delinquiu. Afinal, o que é mais importante: punir o infrator ou assegurar-lhe condições dignas de vida, pressuposto para que dele possamos exigir uma conduta conforme ao Direito?
Observe-se que o condenado vem cumprindo a sua pena regularmente e fez o que dele se espera: arrumou um emprego. Por circunstâncias do momento, esse emprego surgiu numa cidade distante e o Ministério Público não concorda que o Judiciário, por meio da prisão domiciliar, crie as condições para que o apenado possa exercer seu emprego, preferindo, decerto, o encarceramento ocioso e criminógeno, sabidamente um dos maiores fatores de reincidência. O argumento é tosco: se abrirmos esse precedente, teremos que estendê-lo a todo preso que consiga emprego em lugar distante.
Tosco porque conseguir emprego não é fácil, ainda mais para quem cumpre pena. Segundo, porque o deferimento do pedido leva em conta, também, as condições operacionais do sistema penitenciário. Se um segundo caso surgir, pode ser que o juiz o indefira, por não vislumbrar condições de prosseguimento da pena, no caso concreto.
O que não se admite é a irresignação pura e simples contra a pretensão do apenado, com base num exercício de futurologia.
Outrossim, como felizmente percebeu o Judiciário, nas três instâncias, o trabalho é um direito constitucional do apenado e se fundamenta no princípio da dignidade humana. Por isso, prevalece sobre as tecnicalidades da lei, tais como as quatro hipóteses de prisão domiciliar previstas no art. 117 da LEP* e sobre questões menores, ligadas às carências habituais do sistema, que não foram provocadas pelo condenado. Cuida-se de resgatar a dignidade não apenas do indivíduo, mas de sua família também.
Se o preso que mantém boa conduta e arranja um emprego não merece atenção especial, quem merecerá? Parabéns ao Judiciário gaúcho e ao STJ por colocar a finalidade sobre a forma, reconhecendo a necessidade de encontrar soluções inteligentes e flexíveis para a sempre problemática execução penal.

* Condenado maior de 70 anos ou acometido de doença grave, condenada com filho menor ou deficiente físico ou mental e condenada gestante.

Terremoto no Japão

Dormíamos aqui, em plena madrugada, e já eram 15 horas no Japão quando aquele país foi atingido por um terremoto de 8,9 pontos na escala de Richter, até agora considerado o sétimo maior do mundo. Os japoneses enfrentam, além do medo e da destruição, a interrupção dos serviços de telefonia e de transportes.
A escala de Richter ou escala de magnitude local serve para mensurar a quantidade de energia produzida por um abalo sísmico. Oficialmente aberta, não prevê um valor máximo, mas graças a Deus nunca foi registrado nenhum sismo de valor 10 (não disse que nunca aconteceu, mas que se desconhece sua ocorrência). O sismo mais violento que se conhece alcançou 9,5 pontos (Chile, 22.5.1960), o suficiente para devastar milhares de quilômetros em torno do epicentro. O terremoto de hoje assegura destruição em centenas de quilômetros, o que assume especial gravidade num país insular de dimensões modestas, como é o Japão.
Em seu blog, Alexandre Mauj Imamura Gonzalez, brasileiro morador da região central do Japão, fornece detalhes sobre o evento. Pouco depois da publicação desta postagem, ele me encontrou aqui e deixou um comentário. Boa sorte aí, Alexandre.
Mas os japoneses estão preparados para enfrentar catástrofes naturais. Quanto possível, é claro. Até o presente momento, foram confirmadas 40 mortes (até agora; claro que esse número continuará crescendo), mas ainda não se pode estimar o total de prejuízos materiais. Para fins de comparação, o terremoto ocorrido no Haiti em 26.1.2010 teve intensidade 7,0 (quase vinte vezes mais fraco do que o de hoje) e, mesmo assim, estima-se que tenha levado à morte cerca de 200 mil pessoas.
Recursos financeiros, tecnologia, responsabilidade política e grau de instrução do povo fazem toda a diferença.

Poliesculhambose

Se é verdade o que dizem, eu realmente estou em processo de envelhecimento. Não bastassem os demais achaques, ontem o meu dedo médio esquerdo começou a doer, assim, do nada. Simplesmente, à noite, comecei a ter a sensação de repuxamento no músculo e a sofrer limitação de movimentos. Massagem com Diclofenaco ajudou muito pouco.
Não bati, não carreguei peso, não fiz nada de extraordinário. E sou destro, portanto não faço ideia do motivo dessa novidade. Além, é claro, da famosa PVC...

quarta-feira, 9 de março de 2011

Homenageados vencedores

Não me ligo em carnaval e não tenho a menor paciência para os desfiles das escolas de samba. Reconheço que é um trabalho espetacular, belíssimo e muitas vezes repleto de detalhes impressionantes. Só não tenho paciência, mesmo. Aprecio a qualidade do que fazem, mas não paro na frente da TV, porque em cinco minutos já me enchi de ver gente passando, passando, passando. Enfim, não nasci para desfiles.
Ouvi dizer que há algum tempo não vencia a disputa uma escola cujo enredo homenageava uma pessoa em especial. Ao contrário, quando a Caprichosos de Pilares resolveu homenagear a mala da Xuxa, foi rebaixada e nunca mais retornou ao Grupo Especial. Bem feito. Este ano, contudo, a coisa foi diferente.
No Rio de Janeiro, a Beija-Flor (que ganha demais; já está até chato) venceu novamente prestando reverência ao cantor Roberto Carlos, que as pobres almas deste país insistem em chamar de "rei", um dos nossos persistentes exemplos de submissa idolatria. Roberto é um chato, pessoalmente falando, mas ninguém em sua sã consciência diminuiria o valor que possui para a história da música brasileira, mesmo que não goste do estilo. Além do mais, ele sabe se fazer cativante, para quem já se considera súdito.
São Paulo, contudo, me deixou mais satisfeito. Claro, além dos paulistanos e da Rede Globo, ninguém dá a mínima para o carnaval de São Paulo. Desconheço suas escolas e não tenho a menor curiosidade pelo tema. Mas gostei de saber que a homenagem ao maestro João Carlos Martins, prestada pela Vai-Vai, sagrou-se vitoriosa.
Martins foi um pianista famoso, especialista em Bach, que pareceu desafiado a desistir de sua arte. Primeiro rompeu um nervo da mão direita durante um jogo de futebol. Submeteu-se a diversos tratamentos, com razoável sucesso, mas aí vieram as lesões por esforço repetitivo (LER). Afastou-se da música e enveredou pelo boxe, como treinador, mas a paixão venceu e ele retornou ao piano, desenvolvendo uma técnica que lhe permitia tocar com a mão esquerda. Realizou grandes concertos assim. Mas sofreu um assalto (em Sofia, Bulgária), que lhe rendeu uma lesão neurológica e perda de movimentos das mãos. Era o fim da carreira como pianista. Mas nascia o maestro, mesmo com toda a dificuldade para realizar o ato elementar de segurar a batuta. Daí que o enredo da Vai-Vai é tão bonito quanto verdadeiro: "A música venceu".
Fico feliz de saber que o público do carnaval, a partir de agora, conhecerá a trajetória extraordinária desse homem que levou muito longe o conceito de superação. E no campo da música clássica, tão discriminado pelo brasileiro médio. Não vi o desfile, só uma rápida entrevista do maestro. Foi de emocionar.
Se quiser saber mais sobre João Carlos Martins, você pode visitar o seu site oficial. Infelizmente, você pode e deve, também, ler a caixa de comentários desta postagem e descobrir que o maestro tem acusações criminais graves, como revela o comentarista Kenneth Fleming.

Marchinha de carnaval

O carnaval está acabando (graças a Deus!) e devo admitir que, por causa dele, pude dirigir alguns dias com tranquilidade, passando por ruas onde usualmente padeço até os pecados que nunca pensei em cometer. Mas a folia terminará e, amanhã, só teremos a dura realidade. Por isso, já me preparo para os desafios vindouros, se é que se pode chamar a isso de preparação.
Andei pensando e me dei conta de que gostaria de ter talento para compor. Se tivesse, eu comporia uma marchinha de carnaval, com vistas a cantá-la durante o ano inteiro. Uma marchinha concebida para homenagear duas das categorias mais detestáveis que habitam esta cidade e proliferam como bactérias: os que param em fila dupla e os que trancam cruzamentos. A composição ainda não tem letra, mas já tem título: "Filho da dupla".
Não me importo que alguém pegue essa ideia e a desenvolva. Aliás, eu gostaria muito que acontecesse.

Piso salarial mínimo para professores de Direito

Tomei conhecimento na semana passada de deliberação da Ordem dos Advogados do Brasil, no sentido de sugerir um piso salarial mínimo para professores dos cursos de Direito, que funcionaria como um dos critérios de avaliação dos cursos. A proposta me deixou preocupado, no que tange às suas consequências. Mas ao invés de tentar escrever a respeito, fui inteligente e corri atrás de uma opinião muito mais abalizada, porque parte de quem conhece a gestão de um curso de Direito, os processos de avaliação de cursos do MEC (ele é também um avaliador), está mais perto da OAB e tem relações íntimas, inclusive na administração, da Associação Brasileira de Ensino do Direito — ABEDi.
Aos interessados, leiam.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Scripta manent

Demorou, mas aconteceu: o amigo Sandro Alex Simões, nosso padrinho de casamento, nosso coordenador no curso de Direito do CESUPA e inspirador de tantos criou o seu blog. Clique aqui para conhecer, através de suas duas postagens iniciais.
Ele está tímido, mas logo pegará o jeito. E será um grande proveito para todos os amantes da cultura e das humanidades.
Sucesso, amigo!

A pergunta que não quer calar

Júlia dorme um sono tranquilo há mais ou menos três horas (hoje ela dormiu muito tarde; estamos fora da rotina). Será que, finalmente, os nossos esforços por conter a sua alergia começaram a surtir efeito?

Higienização dos colchões e roupas de cama com produtos específicos. Essa foi a nossa arma de hoje. Meu Deus, será que deu certo?! Polyana também dorme sem tossir.

Tomara!

Raquel e sua estranha busca pelo autoconhecimento

A intenção era ver O discurso do rei mas, como os ingressos estavam esgotados, entramos na sessão de Bruna Surfistinha. Que fique claro, porém, que tanto eu quanto minha esposa já pretendíamos ver o filme, seja porque valorizamos o cinema nacional, seja porque tínhamos curiosidade pelo produto em si. Apenas não era a nossa prioridade. Mas vimos e, enquanto obra cinematográfica, pensamos que se trata de um filme interessante, que merece ser visto. Nada demais. A vantagem de não ter expectativas em relação a um filme é que o que vier é lucro.
Não sou crítico de cinema, por isso me concentrarei naquilo que me chamou a atenção.
Quando escutei falar de Bruna Surfistinha pela primeira vez, ela já era a ex-garota de programa famosa por causa da Internet, autora de um livro que até despertou a minha curiosidade, mas que nunca li. Tenho uma tendência imediata a rejeitar tudo o que é muito massificado, por isso resvalo dos modismos. Ela era moda naquele momento e, quando a moda passou, meu interesse foi junto. Não fosse o filme de Marcus Baldini, Raquel Pacheco teria caído no esquecimento.
Anos atrás, vi um filme que, no Brasil, recebeu o ridículo título de Em luta pelo amor (Dangerous beauty, dir. Marshall Herskovitz, EUA, 1998). Ele retrata a vida de uma jovem que, impedida de se casar com o homem que amava pela diferença de classes sociais, herda a profissão da mãe e se torna uma das mais famosas cortesãs da dissoluta Veneza do século XVI. Na época, o filme foi muito criticado por supostamente romantizar e dar glamour à prostituição, já que as mulheres eram sempre limitadas (pois não podiam estudar), presas às famílias originárias e depois aos maridos e terminavam envelhecidas prematuramente, exaustas e infelizes. As cortesãs, por outro lado, viviam entre festas e fausto, eram cultas (para conquistar homens ricos, estudavam de tudo, inclusive lutas) e livres. Há uma única cena em que a protagonista é levada para ver de perto como acabam todas as cortesãs, doentes e miseráveis, em condições sub-humanas. No final, porém, a redenção da personagem faz parecer que tudo valeu a pena.
Pergunto-me se crítica semelhante será feita a Bruna Surfistinha. Afinal de contas, o filme retrata quase que exclusivamente a prostituição da protagonista, no que ela não se diferencia de tantas outras. O verdadeiro diferencial, seu sucesso na Internet, é abordado de modo tão tangencial que chega a ser irrelevante no desenvolvimento da trama. Há uma cena em que ela é entrevistada e o jornalista menciona que ela fora premiada como a personalidade da Internet interativa do ano e só. Parece que o diretor queria mesmo explorar as curvas de Deborah Secco, atriz que jamais me convenceu, mas que se saiu bem num papel adequado aos tipos já interpretados na TV. Por sinal, curvas bem agradáveis de se ver, ainda mais considerando a atual magreza da atriz.
O roteiro tem a sua previsibilidade. Mesmo sem termos nos ocupado com Raquel Pacheco antes, já podemos antever que uma narrativa sobre uma jovem que se torna prostituta voluntariamente mostrará o comecinho com medo e nojo, depois a empolgação, o dinheiro entrando, a farra, e depois o vício em drogas, a decadência, a degradação e a quase morte. Mas nem acho que o roteirista seja o culpado. É que essas histórias normalmente se repetem, mesmo. Quem se lança no abismo em busca de autoafirmação raramente reinventa a roda. O mais das vezes, não reinventa nem a si mesmo. Talvez Raquel Pacheco seja uma exceção. Talvez.
Raquel era uma adolescente deslocada de seu mundo, mas até aí nada que a diferencie dos adolescentes em geral. Sua impressionante decisão é explicada pelo desejo de independência (com esforço, ainda consigo entender), mas sobretudo como uma busca pelo autoconhecimento. Já no final da projeção, a Titelrolle afirma que se tivesse continuado Raquel, Bruna jamais teria existido e ela poderia ter-se entendido com seus pais. Mas somente como Bruna ela pode se entender consigo mesma e ter orgulho de si. Essa parte eu não entendi, até porque tudo isso me pareceu um mero exercício retórico.
Como o tempo está passando para mim, vi o filme com olhos de pai. Não penso em prostituição, porque essa é uma condição bastante radical. Mas quando sou levado a pensar num mundo em que adolescentes comuns, como os que temos dentro de casa, se expõem sensualmente através de webcams e praticam atos sexuais totalmente irresponsáveis com conhecidos (ou desconhecidos, sei lá), fico perplexo. Com a sensação de que este mundo é cada vez mais assustador. E escutar a garotada de hoje conversando sobre seus conceitos de diversão não me ajuda em nada a superar essa angústia. Muito pelo contrário.
Posso ser um sujeito tacanho, mas não me convencem essas jornadas ao fundo do ego baseadas em condutas autodestrutivas. Quando sinto dor de cabeça, tomo um comprimido; não dou com a cabeça na parede.
Mas sou eu, não é?

domingo, 6 de março de 2011

Quantos males...

Há poucas semanas, escrevi que um vírus passou aqui por casa no começo de dezembro e se instalou, fazendo vítimas num planejamento alternado: ora o pai, ora a mãe, ora a filha. Já em fevereiro, esgotado da rotina de melhorar e piorar, e me dando conta do longo tempo que já estávamos em medidas meramente paliativas, decidi colocar os médicos na história. Foi quando a hipótese de sucessivas contaminações por vírus foi substituída por outra: alergia.

Tenho um diagnóstico antigo de rinite, mas esse problema, em verdade, jamais me afetara além de uma coriza leve, passageira e ocasional. Costumo dizer que se eu não tivesse ido ao médico procurar, jamais teria encontrado essa doença. Que entrei saudável e saí de lá com desvio de septo, rinite e adenoide. E um otorrino louco para me operar. Ignorei. Meu irmão fez cirurgia para correção de desvio de septo, sofreu uma semana e não obteve nenhuma melhora.

Nestes últimos dias, percebi que as três pessoas da família apresentam os mesmos sintomas (tosse e secreção), em diferentes graus de intensidade. Além disso, nossa casa não está preparada para pacientes de alergias respiratórias: temos papeis por todo lado, inclusive antigos, brinquedos infantis, muita coisa que demanda cuidados especiais. Finalmente nos demos conta de que a explicação mais plausível é mesmo alergia e por isso levamos Júlia para uma consulta com uma especialista. Ela está fazendo medicação preventiva enquanto aguardamos os resultados dos exames de sangue. O resultado? Nenhum. Sob certos aspectos, ela piorou.

As últimas noites têm sido sofridas. Não aguento mais ver minha pequena lutando contra uma tosse noturna persistente; caindo de sono, mas sem conseguir relaxar. Crises intensas, de cerca de uma hora, que passaram a resistir aos remédios que já usávamos e que parecem debochar dos que acabamos de introduzir. Enfim as olheiras estão se instalando sob seus olhos, indícios de sono ruim.

Neste domingo a casa tomará um banho de substâncias bactericidas, fungicidas, acaricidas e o escambau. Brinquedos estão sendo recolhidos e novos hábitos implantados, em regime de urgência. Depois disso, não sei mais o que fazer.

Já conheci inúmeras pessoas que relatavam longos sofrimentos com alergias, mas nunca antes convivi com isso. É duro dizer, mas já estou com saudade do tempo em que eu achava que isso era gripe.

***

Depois de remédios e aerossol, Júlia dorme há quase meia hora. Nesse meio tempo, tossiu de leve umas três vezes. Está sossegada. Espero que assim prossiga até raiar o dia. Durante o dia ela fica bem.

Vou apelidar essa desgraça de alergia-vampiro: quando chega a meia-noite, o terror começa!