terça-feira, 22 de junho de 2010

Quem será esse fulano?

Esta vai como uma homenagem a minha querida Luiza Duarte, do Sobre o mundo e etc., que tem um carinho especial por tipos como o abaixo retratado.


Inconformada com a repercussão da morte do escritor José Saramago no Twitter, a modelo Solange Gomes provocou seus seguidores, questionando seus conhecimentos culturais. "Pergunta que não quer calar...rs, será que aqui todo mundo sabe quem é Saramago? Ou foram correndo falar com o Tio Google?", escreveu a morena, perguntando se as pessoas precisaram consultar algum site de pesquisa para obter informações sobre o escritor português.
Após ser criticada por algumas pessoas, que não receberam bem os questionamentos da modelo e a provocaram sobre seus conhecimentos literários, ela retrucou: "Gente, nem de ler eu gosto... aprendo com a vida!", finalizou.
Em tempo: Solange Gomes é "modelo/atriz/apresentadora", conhecida por desfilar nos carnavais de Rio de Janeiro e São Paulo (seminua) e posar para revistas masculinas (nua).
(Terra, com informações do Diário Online)

Este episódio não merece maiores comentários. Direi, no máximo, que se tivesse morrido algum ex-BBB, a modelo-atriz-apresentadora provavelmente estaria penalizada. Mas não podemos criticá-la. Afinal, ela pelo menos foi sincera, além de que um sujeito que se dá ao trabalho de seguir esse tipo de figura no Twitter bem merece levar na cara a pergunta que ela fez.
No mais, sempre acho curiosa essa afirmação de que "aprendo com a vida". Algo semelhante foi dito anos atrás por Adriane Galisteu, quando lamentou não ter cursado faculdade. Não por causa do curso em si, porque ela aprende com a vida, e sim por causa das amizades acadêmicas que ela deixou de fazer.
Enfim, no tempo dos meus avós, "eu aprendo com a vida" era coisa que moça de família não diria...

Excesso de prurido

O Tribunal Superior do Trabalho, acolhendo voto do relator, o ministro paraense Walmir Oliveira da Costa, rejeitou um recurso e, aplicando uma previsão legal, mandou riscar dos autos expressões "injuriosas" que teriam sido assacadas pelo advogado contra a corte que dera a decisão recorrida. Além disso, mandou oficiar a OAB — Seção de Santa Catarina, a fim de que averigue possível transgressão ética na conduta do profissional, que tem, por lei, o dever de manter a "elegância e a urbanidade" no processo.
Mas, afinal, quais foram as palavras utilizadas pelo advogado, que geraram essa pouco frequente e tão contundente reação do TST? Terá ele recorrido aos tabuísmos? Terá ele feito insinuações sobre a profissão da mãe de alguém? Terá ele questionado a probidade da parte adversa ou de algum magistrado?
Nada disso. A expressão que atingiu tão a fundo a intimidade dos ministros do TST foi esta:

“que a decisão é ultrapassada, que a decisão é paupérrima, os argumentos da decisão são paupérrimos e ultrapassados”

Com todo o respeito ao ministro, nosso conterrâneo, que desde os meus tempos de advocacia trabalhista ali no fórum da Praça Brasil eu já respeitava, me compre um bode!
Eu já escrevi coisas mais ríspidas do que "ultrapassada" e "paupérrima". E note que os adjetivos se dirigem à decisão, não ao julgador. Para que toda essa suscetibilidade, então? Acaso o juiz não precisa ter serenidade para julgar?
Honestamente, minha experiência na advocacia e no serviço público me levam a crer que a magistratura leva a níveis superlativos o senso de autoestima de muita gente. Mesmo os mais serenos, com o tempo, vão se deixando entranhar por um sentimento de pundonor bem peculiar. De um lado, ofendem-se com uma facilidade extrema. Mas por outro, não valorizam a respeitabilidade alheia na mesma medida. Já fui destratado e já assisti a chiliques terríveis, contra advogados, testemunhas e partes. Já vi, inclusive na Justiça do Trabalho, que se autointitula a Justiça do povo, tratamentos indignos aos reclamantes, pessoas paupérrimas e sem instrução, das quais se exigia respeito incondicional a ritos e salamaleques que eles sequer podiam compreender.
Na advocacia criminal, o que se vê é uma simpatia indevida entre o Judiciário e o Ministério Público. Embora o MP seja parte e deva ser tratado isonomia em relação ao advogado de defesa, o advogado espera do lado de fora da sala de audiência, mas o promotor fica lá dentro, confraterniza-se com os serventuários, bate papo com o juiz, toma cafezinho. Há uma evidente e inegável consciência de que tanto o juiz quanto o promotor são Estado, são sistema, e o advogado está do lado oposto. E é tratado como tal. Não raro, isso descamba para conflitos perfeitamente evitáveis se cada um ficasse na sua.
Lamento a decisão do TST, a menos que o advogado tenha usado expressões que não chegaram a ser mencionadas na matéria. Mas do jeito que a coisa está posta, só posso dizer que elegância, urbanidade e serenidade são exigências que recaem sobre todos os envolvidos no teatro forense. E lembro que o dever de fundamentar decisões judiciais, imposto pela Constituição, frequentemente é menoscabado nos processos de todo tipo, através de decisões que são paupérrimas, para dizer o mínimo. Acaso não podemos mais nos defender delas?

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Inverno

Às 8h28 de hoje, começou oficialmente o inverno no hemisfério sul. Isto, claro, para as pessoas que têm a ventura de viver em regiões onde as estações do ano são definidas. Segundo vi ontem na TV, a previsão é de um frio dentro do normal em julho. Porém, nos meses seguintes, a sucessão de nada menos que quatro massas polares vai rachar os lábios de muita gente. Por aqui, não notaremos isso.
Este ano, contudo, terei ao menos duas semanas fora do comum, visitando a cidade que considero minha segunda casa: Florianópolis. Um oásis de frio em meio a um inferno interminável de calor! Vamos ver o que a pequena Júlia achará dessa experiência inédita para ela.
Mas antes que o frio chegue, ainda resta muito trabalho a fazer. E a previsão do tempo para amanhã, em Belém, é de sol com aumento de nebulosidade pela manhã e pancadas de chuva à tarde e à noite, além de temperaturas variando de 24ºC a 33ºC. Só não se esqueça que a sensação térmica é sempre muito pior, especialmente se você estiver dentro de edifícios construídos com materiais inadequados ao calor e mal ventilados, ou perto do asfalto ou junto a uma profusão de carros e seus escapamentos. Boa sorte.

Camisinha assassina

Inventora distribui camisinha antiestupro na África do Sul durante a Copa

Não é a primeira vez que ouço falar do assunto e continuo com a mesma opinião: camisinhas destinadas a inviabilizar o coito podem ser úteis para impedir o proveito sexual perseguido pelo agressor, mas elas não impedem a violência. Afinal, o sujeito só terá o pênis aprisionado na peça após penetrar a vagina da vítima. Vale dizer: o crime aconteceu. A violência aconteceu. O trauma aconteceu. Apenas se tem a sensação de que o crime não compensará.
Minha maior preocupação é que o agressor, frustrado pela inviabilização de seu propósito nefando, e acima de tudo sentindo a dor e a humilhação das lesões provocadas, tenderá a canalizar sua violência para uma agressão não sexual, porém violenta, podendo mesmo chegar ao homicídio. As consequências do uso desse invento podem não ser nada boas. A expectativa de efeito preventivo é, a meu ver, mera especulação. E nada impedirá que uma arma apontada para a cabeça convença a mulher a despojar-se do artefato.
Enfim, não me convence. A interminável luta contra o estupro só faz sentido na perspectiva de valorizar a mulher, na sociedade, em casa, em nossas relações pessoais.

Por que nossos humoristas são imbatíveis


Assim fala Paulo Salim Maluf, novamente candidato a deputado federal, pelo Partido Progressista de São Paulo. Na imagem ao lado, o dito cujo conta o dinheirim que ganhou num bolão sobre jogo da copa de semana passada, o que deve explicar a sua fortuna. O anão do orçamento João Alves de Almeida não enriqueceu porque Deus o ajudou e ele ganhou na loteria algumas centenas de vezes? Pois é, Maluf acerta bolões de quatro em quatro anos. Azar o meu, que não arrisco. E olha que, como sou o único a apostar na derrota do Brasil, teria boas chances de levar o prêmio sozinho...
Paralelamente a suas contumazes frases de efeito, Maluf possui condenações, por atos de improbidade administrativa e por crimes, confirmadas em segunda instância. Ou seja, ele é atingido pela "Lei da ficha limpa" e deve ter a sua candidatura impugnada. A bravata de Maluf não esconde um risco inédito, que recai também sobre outra figuraça pra lá de conhecida: Joaquim Roriz, que já está na mira do Ministério Público Federal do Distrito Federal. Os advogados de Roriz, claro, muito bem pagos, já afirmaram haver uma perseguição sobre seu constituinte e que, se preciso for, defendê-lo-ão perante o Supremo Tribunal Federal, para restaurar a Constituição!
Veremos no que vai dar.
Mas o que eu realmente gostaria de ver seria o povo mandando ver nas urnas. Isto sim é um sonho distante. Mas seria a única solução definitiva para essa cambada.

Feliz aniversário

Nesta segunda-feira, 21, minha esposa Polyana está no berço. Deixo registradas, aqui, em um formato mais social, as minhas homenagens, a minha gratidão por ter aceitado ser minha companheira de jornada, o que decerto não foi uma escolha simples — se bem que também não foi um mergulho no escuro para nenhum de nós.
Pena que o dia se passará em meio a provas e um monte de pendências a resolver. Mas eu e Júlia deixamos o nosso beijo e o nosso amor.

Como eu temia...

Dois acidentes, envolvendo aparentemente cinco veículos, dentre eles um ônibus, provocaram o primeiro engarrafamento de que tenho notícia no Complexo Viário Júlio César. Quando passei por lá o trânsito já fluía um pouco melhor: menos que um engarrafamento, havia apenas lentidão de tráfego.
Acidentes, por definição, são acontecimentos imprevistos. Os riscos podem ser minimizados, mas você não pode evitá-los, no sentido mais preciso da palavra. O problema, assim, passa a ser a falta de fiscalização do trânsito. Talvez confiando na fluidez que o complexo viário sempre proporcionou, ou talvez por inoperância pura e simples, não havia um só agente de trânsito no local, o que deixa os condutores inseguros e compromete ainda mais o deslocamento, além de aumentar o risco de novos acidentes.
Além disso, nas pétalas que dão acesso ao elevado, havia pelo menos três veículos em pane. Havia um quarto, mas este talvez estivesse dando suporte a um dos prejudicados.
Segunda-feira começando difícil para uns tantos...
Espero que para você não. Boa semana.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O mundo de Saramago

"Estamos afundados na merda do mundo e não se pode ser otimista. O otimista, ou é estúpido, ou insensível ou milionário."
José Saramago, dezembro de 2008,
por ocasião do lançamento de "As Pequenas Memórias"

Adeus, Saramago

Saramago em Madri, novembro de 2009, por ocasião do lançamento
de seu último (e polêmico) romance: "Caim"

E o meu escritor favorito se foi na manhã de hoje, 18 de junho, em sua casa na ilha de Lanzarote (Ilhas Canárias, Espanha), aos 87 anos (nasceu em 16.11.1922, em Azinhaga, norte de Lisboa, Portugal).
José Saramago morreu ateu e "comunista libertário", com uma enorme fama de turrão (algo desfeita em lágrimas por ocasião da versão cinematográfica de "Ensaio sobre a cegueira"), após uma profícua carreira literária e política, defendendo seus ideais e a Península Ibérica e disparando contra seus objetos de aversão, notadamente a religião, que retribuiu a gentileza: foi perseguido por católicos após o lançamento de "O evangelho segundo Jesus Cristo" (1991), o que contribuiu para trocar Portugal pela Espanha, e mais recentemente por causa de "Caim" (2009), que contém uma passagem na qual se refere a Deus como "filho da puta".
Foi mais do que um dos maiores nomes da literatura mundial. Foi um bom homem, também. Doi-me pensar que não teremos mais seus livros. Mas esse é o ciclo natural. Chegou a morte, assim mesmo, com letra minúscula. Porque da Morte verdadeira ninguém vai querer saber.

Leia De como o personagem foi mestre e o autor seu aprendiz.

Previsão legal do monitoramento eletrônico de presos

Monitoramento eletrônico de presos. A medida é controversa, mas apenas por conta dos excessos de uma parcela de juristas, que veem violação aos direitos humanos em tudo e por tudo. Eu parto do pressuposto de que a cadeia é muito pior, por isso devem ser estimulados os mecanismos e procedimentos que possam evitar o encarceramento.
Em discussão no país há bastante tempo, o monitoramento eletrônico de presos finalmente ingressou no ordenamento jurídico brasileiro.
A Lei n. 12.258, de 15.6.2010, entrou em vigor há dois dias, alterando a Lei de Execução Penal.
O projeto de lei alterava também o Código Penal, mas as disposições foram vetadas, sob o argumento de que “A adoção do monitoramento eletrônico no regime aberto, nas penas restritivas de direito, no livramento condicional e na suspensão condicional da pena contraria a sistemática de cumprimento de pena prevista no ordenamento jurídico brasileiro e, com isso, a necessária individualização, proporcionalidade e suficiência da execução penal. Ademais, o projeto aumenta os custos com a execução penal sem auxiliar no reajuste da população dos presídios, uma vez que não retira do cárcere quem lá não deveria estar e não impede o ingresso de quem não deva ser preso.”
É compreensível. As medidas citadas nas razões do veto foram originalmente concebidas para funcionar de acordo com o senso de responsabilidade do condenado. Assim entendendo, as inovações da lei substituiriam a disciplina pela vigilância. Seria bom para a eficácia, talvez, mas não para a ética, base da ressocialização do indivíduo.
De acordo com as mudanças na LEP, o monitoramento eletrônico ficou restrito às autorizações de saída, concedidas ao preso de bom comportamento, para gozar da convivência familiar em certas datas comemorativas, ou para que o mesmo possa, nos casos em que a lei admite, frequentar cursos profissionalizantes ou de ensino médio ou superior. Devido às carências de infraestrutura e investimento no setor, que inviabilizam o acompanhamento humano dos liberados, as tornozeleiras são uma forma de tornar as saídas mais seguras.
A nova lei disciplina o uso do equipamento, as obrigações do liberado e as consequências de ele tentar frustrar a medida.
Aos poucos, muito aos poucos, o Brasil avança.

Auxílio e bolsa

Os dependentes de dezoito militares brasileiros mortos no terremoto do Haiti, em janeiro deste ano, receberão auxílio especial no valor de 500 mil reais, por militar. Esse valor será rateado entre todos os dependentes, classificação que alcança o cônjuge; o companheiro ou companheira designada ou que comprove união estável como entidade familiar; os filhos e o menor sob guarda ou tutela até os 21 de idade ou até 24, se estudantes em curso de nível superior; os filhos inválidos, desde que a invalidez seja anterior à maioridade.
Não havendo cônjuge nem filhos inválidos, o pagamento será feito à mãe e ao pai do militar. E para receber não é preciso comprovar a efetiva dependência econômica ou outros critérios constantes da legislação militar.
Além disso, será assegurada uma bolsa especial de educação, no valor de um salário mínimo, ao dependente estudante até 18 anos, se no ensino fundamental ou médio, e até os 24, se no superior. O benefício fica condicionado à comprovação de matrícula, frequência e rendimento escolar.
Naturalmente, os demais direitos já previstos na legislação militar ficam preservados.
Os direitos acima estão previstos na Lei n. 12.257, de 15.6.2010, em vigor desde o dia seguinte.

Desumano

TJ mineiro autoriza aborto de feto anencéfalo

Por considerar desumana a continuidade de gravidez em que feto é portador de anencefalia, a 13ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais autorizou, nesta quinta-feira (17/6), que uma gestante faça um aborto. A interrupção da gravidez havia sido negada pelo juiz Marco Antônio Feital Leite, auxiliar da 1ª Vara Cível de Belo Horizonte. Os desembargadores Alberto Henrique (relator), Luiz Carlos Gomes da Mata e Francisco Kupidlowski determinaram a expedição imediata de alvará para a realização do procedimento.

O presidente da Câmara, desembargador Francisco Kupidlowski, ressaltou a urgência do caso e sua repercussão diante da sociedade e da imprensa nacional. O desembargador Alberto Henrique, relator do processo, destacou que o pedido de interrupção de gravidez foi instruído com pareceres médicos, todos recomendando o procedimento.

O relator enfatizou que a anencefalia é uma patologia sem cura e que o feto com a doença “não possui nenhuma expectativa de vida fora do útero materno”. Para ele, “não é justo que à mãe seja imposta a obrigação de continuar com essa gravidez-sacrifício” e que seria um martírio levá-la às últimas consequências. Nesse caso, “as convicções religiosas devem ser deixadas de lado”, defendeu.

Para o desembargador Luiz Carlos Gomes da Mata, o tema é tormentoso, envolvendo o direito à vida e a dignidade da pessoa humana. Para ele, “diante da absoluta ausência de perspectiva de vida do feto, não há como negar o pedido de autorização para a prática terapêutica recomendada pelos médicos que acompanham a gestante”. Segundo o desembargador, trata-se de um “fardo” que não se pode impor à mesma.

“Como a morte do feto logo após o parto já está prognosticada, não dispondo a medicina de meios para salvá-lo, toda preocupação deve ser voltada ao casal, que de forma corajosa, destemida e exemplar, bate às portas do Poder Judiciário em busca de uma solução jurídica”, finalizou.

O desembargador Francisco Kupidlowski, ponderou que, diante da comprovação por laudo médico de que o feto não possui calota crânio-encefálica e, portanto, sem expectativa de vida após o parto, seria desumana a manutenção da gestação.

Com informação da Assessoria de Imprensa do TJ-MG.

Assino embaixo. De parabéns o Judiciário mineiro, ainda que numa decisão que não nos deve dar nenhuma alegria. A medida tomada era apenas necessária. Por isso o elogio.

Retomando

Ontem encerrei um ciclo no semestre letivo que, enfim, anunciou o pouso iminente. Entreguei o último lote de provas do segundo bimestre, um calhamaço de papeis que me deixaram exausto. Hoje, começa a nova rodada de provas mas, felizmente, já para um número bem reduzido de pessoas.
Mas o que acabou ontem foi bem mais do que um processo avaliativo. Terminou, também, um longo ciclo de convivência com duas turmas muito queridas, que agora passam à categoria de grandes lembranças ainda próximas, já que têm mais dois anos e meio de curso pela frente. Foram dois anos de convívio no total — contínuos, para uma delas, e com uma interrupção de um semestre, para a outra. Seja como for, dois anos é bastante tempo, sobretudo considerando que corresponde a dois quintos do curso inteiro.
Penso que tivemos uma trajetória bonita e estou satisfeito com o modo como as coisas terminaram. Ontem foi uma noite de confraternizar, de rir muito, até ficar com os músculos faciais cansados. Foi uma noite feliz.
E o blog, devagar, começará a retomar sua rotina.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Que dia...

O de hoje está candidato a pior dia do ano. Postagens qualquer hora dessas.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Ainda vou postar

Só para esclarecer, ando atarefada com as provas de fim de semestre, mas ainda vou postar algo materno este mês.
Abraços.

Fantasma ou histeria coletiva

Somente ontem tomei conhecimento do estranho caso, ocorrido no início deste mês, das sete estudantes, entre 12 e 19 anos, que passaram mal, na Escola Municipal Eduardo Barbosa, área rural de Itatira, interior do Ceará (a 221 Km de Fortaleza), após terem supostamente recebido a visita do Espírito de um colega falecido há sete anos, o qual teria até falado com elas. Em eventos posteriores, outras pessoas teriam experimentado sintomas desagradáveis — dores musculares e de cabeça, palidez, calafrios, náusea, paralisia muscular, aumento dos batimentos cardíacos e pressão alta —, chegando-se a um total de 25 vítimas, incluindo pais de alunos.
As aulas chegaram a ser suspensas. Não faltaram pessoas propondo a ocorrência de um transe, mas o médico da cidade vizinha, que recebeu as sete primeiras alunas, foi categórico ao falar em características de histeria.
Com efeito, o aparentemente assustador episódio está sendo explicado por um psiquiatra, uma psicóloga e um padre-parapsicólogo como sendo um caso de histeria coletiva. O sítio PsiqWeb, que sempre costumo recomendar, porque possui conteúdo psiquiátrico acessível a leigos, possui um artigo muito interessante sobre histeria.
Claro que as pessoas prefeririam uma explicação transcendental. O Espiritismo explica detalhadamente essas manifestações. Materialização, psicofonia, mediunidade, tudo isso pode ocorrer. Contudo, um espírita que se preze considera todas as possíveis explicações convencionais, digamos assim, antes de defender categoricamente que se trata, mesmo, de um fenômeno espiritual. Para mim, o que temos ali é nada mais do que disseram os especialistas: histeria coletiva, seguido talvez de simulação pura e simples, que pessoas poderiam realizar para fomentar o clima de terror.
Resta saber qual foi o fato gerador de uma reação tão extrema. Esta sim parece ser a grande questão que a comunidade de Itatira tem a enfrentar. Por que seus jovens não estão felizes?

Padrinhos mágicos... de Brasília


Fazia muitos meses que eu não acessava o sítio de humor Charges.com. Ontem à noite passei por lá e me deparei com mais esta ótima criação da série "Desenhos que seus filhos não devem ver".
Assista. Mutatis mutandis, por aqui dá tudo no mesmo.

Belenambulando durante os jogos

Todo mundo já deve saber da minha aversão a futebol, que não muda em nada em tempos de copa do mundo — ou antes, até se intensifica. Por isso, quando ocorrem os jogos do Brasil, entro no carro e saio pela cidade, desfrutando dos encantos da cidade que nunca vemos porque, no cotidiano, precisamos nos defender da morte no trânsito local.
Na última copa, este blog ainda não existia. Por isso, este ano eu pretendia sair pela cidade em todos os jogos do Brasil, fotografando seus cenários vazios. Mas a correção das provas não me permitiu fazer isso ontem. E depois do que fez o genial Wagner Okasaki, titular do Belenâmbulo, não tem para mais ninguém.
Dê uma olhadinha no que ele fez.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Festival

Como ando antenadíssimo com o que ocorre no mundo, para não dizer o contrário, e faz tempo que abdiquei de acompanhar o cenário musical vigente, sequer tomei conhecimento de um festival de música chamado "Conexão Vivo", que reuniu vários estilos entre os dias 11 e 13, agora, na Casa das 11 Janelas.
O evento ganhou destaque em portal nacional, como se pode ver pelo print de uma fração da página.
O evento, prioritariamente voltado às massas, teve a felicidade de incluir um momento erudito, através da apresentação da Orquestra Juvenil de Violoncelistas da Amazônia (ainda que com um repertório mais pop: questão de sobrevivência). Mas como era de se esperar, a imagem que ficou foi outra:

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Interpretar o texto

Sempre gostei de estudar Língua Portuguesa e Literatura. A primeira porque sempre foi essencial, para mim, falar e escrever de maneira irrepreensível; a segunda, por adorar ler e ter um gosto especial por poesia. Embora num primeiro momento preferisse literatura estrangeira, poesia para mim, de longe, é melhor que seja brasileira, embora tenha grandes paixões entre poetas alienígenas. Isso sem falar de Fernando Pessoa e Florbela Espanca, que também escreviam em português.
Mas eu tinha dificuldade em um aspecto dessas aulas: interpretação de texto. Tenho uma suspeita quanto ao motivo.
Comecei a estudar muito cedo. Era sempre o mais novo da turma (o que só mudou na universidade). Levava uma vidinha insípida e sem maiores experiências, que me permitissem o élan de mergulhar na mente frenética de um escritor. Hoje, quero acreditar, eu me sairia bem melhor.
No entanto, a interpretação de texto continua sendo uma pedra no meu sapato, só que agora estou do outro lado do balcão. Explico: refiro-me às minhas provas, sempre construídas sob a forma de casos concretos, o mais das vezes hipotéticos, porém baseados em fatos reais. Sendo professor de Direito Penal, faço do noticiário a minha fonte de pesquisa, até porque nenhuma mente criativa consegue ser tão poderosa (e terrível) quanto a realidade.
Os estudantes, em geral, têm dificuldades ingentes para interpretar os enunciados das questões. Não se trata de desconhecer o Direito Penal, mas de tropeçar no próprio texto, para compreender os fatos ali narrados e sua possível significação, sobretudo dos detalhes. O resultado é que, mesmo havendo uma advertência ostensiva no preâmbulo da prova, de que a interpretação faz parte da avaliação e que não devo ser consultado, o alunado faz questão absoluta de ignorar solenemente a ordem. Confesso que em algumas ocasiões isso me irrita, porque dá a entender que o aluno procura facilidades indevidas, como se eu tivesse a obrigação de esmiuçar o caso para que ele apenas aplicasse o Direito.
Na vida, contudo, não é assim. Quando os autos chegam às nossas mãos, com variadas versões de uma mesma história, não há ninguém para explicar nada (só para confundir). Nós é que precisamos analisar e valorar tudo, para chegar a uma conclusão.
Já disse antes e insisto que os ensinos fundamental e médio estão caindo pelas tabelas, inclusive o prestado nas escolas ditas de primeira linha, nesta cidade. Com isso, os acadêmicos nos chegam com enormes fragilidades, inclusive para compreender o português mais elementar.
Imagine uma frase como esta: "Haroldo, cujo irmão Heitor era médico..." Aí vem um aluno e pergunta qual dos dois era médico. Não dá!
Precisamos de cursos de capacitação em interpretação de texto já! Mas já ajudaria se algo muito simples e elementar fosse feito desde a infância: ler. Ler muito e sempre. Já faria toda a diferença.