quarta-feira, 23 de março de 2011

Uma árvore em minha porta

Em outubro de 2009, comentei aqui no blog que precisava resolver um problema doméstico: substituir um fícus que crescia na calçada de minha casa. Essa espécie não era adequada porque suas raízes se espalham horizontalmente e acabam por baixo das edificações, gerando rachaduras e até problemas mais sérios. Como leigo e leso no assunto, pedi sugestões de árvores que poderiam ser plantadas, eis que tenho necessidade de contato com a natureza e não queria abdicar da benfazeja sombra que o vegetal me proporcionava.
Na ocasião, recebi do amigo Wagner Okasaki, titular do excelente blog Belenâmbulo, a sugestão da chuva-de-ouro brasileira. Na caixa de comentários dessa postagem, um comentarista anônimo sugeriu a pata de vaca. Mas como procrastinador convicto que sou, quase um ano e cinco meses depois a questão não foi dirimida. Mas agora ela precisará ser.

Dia desses, havia um ninho de passarinho aqui, com dois
ovinhos dentro: um acontecimento na vida da pequena Júlia.

No começo da tarde de hoje, chuva e vento muito fortes fizeram isso que a imagem mostra: nosso fícus rendeu-se a uma força maior e tombou. Chegando em casa, fiquei surpreso e triste com a visão. Júlia, que ontem mesmo comentou que adorava ficar à sombra da árvore, ficou arrasada.
Enfim, agora não temos mais árvore alguma. Estou muito incomodado com a visão do espaço sem o verde, mais iluminado e mais devassado, já que a planta ajudava a proteger a privacidade de nossa sala de estar.
Por isso, agora eu realmente preciso de uma outra árvore para plantar na minha calçada. Daí que necessito de recomendações sobre espécies condizentes com o tipo de utilização. O ideal é que não sejam vegetais muito grandes (a fiação elétrica passa em cima), cujas raízes não ofereçam perigo às edificações, que sejam de fácil manutenção e, de preferência, cuja copa seja cerrada, para assegurar uma boa sombra, um alívio para as tardes de calor excessivo que, nesta cidade, são a regra. Se derem flores, então, será perfeito!
E se não for pedir demais, gostaria que me dissessem onde adquirir uma muda da dita cuja. Prometi a Júlia que ela me ajudaria a plantar nossa nova amiga.
Por favor, meus amigos, me ajudem nessa!

Sujou

Sem surpresas, o Supremo Tribunal Federal decidiu, enfim, acerca da aplicabilidade da "Lei da Ficha Limpa" e, graças ao voto de desempate do Ministro Luiz Fux, eliminou a possibilidade de sua utilização no pleito de 2010.
Tem muito canalha, neste exato momento, tomando uísque de primeira linha para comemorar. E assim como eles, os juristas podem respirar aliviados e dormir sossegados esta noite: a Constituição de 1988 foi preservada! Juristas que passaram os últimos meses explicando o absurdo que seria a aplicação imediata dos novos critérios de elegibilidade, porque a Constituição, os princípios, a segurança jurídica, o bom senso, blá-blá-blá. Espero que estejam satisfeitos agora. Afinal, segurança jurídica é isto: o STF só rasga a Constituição em favor do governo, quando é para ferrar com o cidadão comum. Rasgá-la em favor dos cidadãos especiais, isso jamais!
Se ao menos o discurso valesse para todos, teríamos coerência.
Meus cumprimentos à gente boa que está prestes a assumir quatro ou oito anos de mandato. Tempo mais do que suficiente para fazer muito estrago. De novo.

Apenas um cantor popular

O Haiti, um dos países mais pobres do mundo, foi redemocratizado em 1990 e, mesmo assim, uma democracia infinitamente mais instável e capenga do que a brasileira, que ainda funciona à base de coronelismo e compra de votos.
A ilha caribenha, que no ano passado foi vergastada por um violento terremoto, que lhe custou mais de 200 mil vidas, está em processo eleitoral para escolha de um novo presidente. Apesar de a votação em segundo turno ter ocorrido no domingo passado (20 de março), o resultado está previsto para 16 de abril, quase um mês depois. Pior do que nos Estados Unidos!
O interessante é que os prognósticos apontam a vitória de Michel Martelly, um cantor popular de kompa, um desses alegríssimos ritmos caribenhos. Parece que o povo haitiano se identificou com o político novato de 50 anos que, ao menos na música, deve falar a língua do povo.
Desejo-lhe sorte e espero que corresponda aos anseios e necessidades desse povo tão sofrido.
Mas espero, devo dizer, que a moda não pegue por estas bandas daqui. Ainda mais considerando o avanço de pseudocantores, pseudoatores, pseudo-humoristas, bundas ambulantes e jogadores de futebol a mandatos eletivos, no pleito do ano passado. Seria de meter medo que um desses fulanos que já transformam nossos ouvidos em latrina decidissem espalhar o material biológico para a política.
Luan Santana presidente? Juro que me suicido...

Um legítimo demo

Esse cidadão aí ao lado é o deputado federal Júlio Campos, do DEM-MT. Na sessão plenária de ontem, ele soltou uma pérola digna da vetusta direita brasileira:

“Essa história de foro privilegiado não dá em nada. O nosso Ronaldo Cunha Lima [ex-deputado e ex-governador da Paraíba] precisou ter a coragem de renunciar ao cargo para não sair daqui algemado, e, depois, você cai nas mãos daquele moreno escuro lá no Supremo. Aí, já viu.”

O deputado-demo conseguiu a proeza de dizer três asneiras no exíguo espaço de apenas 42 palavras:

1) Defendeu Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB, lembrando que os tucanos são a parceria ideal dos demos), que em 31.10.2007 renunciou ao mandato de deputado federal para perder o foro privilegiado e, com isso, escapar de uma ação penal perante o Supremo Tribunal Federal. Como a maioria dos brasileiros no fundo não repudia a corrupção, saiba que Lima é acusado de um crime de homicídio tentado, contra um ex-governador do seu Estado, delito que integra a lista daqueles pelos quais a classe média clama pelo endurecimento das leis penais. Desde que o acusado não seja meu parceiro, claro.

2) Renunciar ao cargo para escapar às consequências disciplinares ou penais de seus atos não é "coragem": é canalhice. Lima sabia que, no STF, teria um julgamento estritamente técnico. Ao renunciar e perder a prerrogativa de foro, ele será levado ao tribunal do júri, perante juízes leigos, sobre os quais bons e caros advogados podem deitar e rolar.


Negro: não "moreno escuro"
 3) "Moreno escuro", no contexto, é discriminação racial. O Ministro Joaquim Barbosa é efetivamente negro e, portanto, é absolutamente normal dizê-lo. Usar um termo alternativo para evitar "negro" é preconceito, porque denota uma convicção íntima de que é uma condição negativa. Dizer que não lembrava o nome de Barbosa é balela. Podia ter dito "daquele ministro", p. ex.

Consta que Lima já ligou para o gabinete de Barbosa se desculpando e alegando que a gafe (digamos assim) foi decorrência apenas do esquecimento do nome. Aguardemos, agora, os desdobramentos.

terça-feira, 22 de março de 2011

Onde eu me meti?

Luiz Fux foi muito enfático ao dizer que se preparou a vida inteira para ser ministro do Supremo Tribunal Federal. Tomara que esteja mesmo tão pronto quanto acredita. Afinal, o homem que, sozinho (considerando que é o seu voto que definirá a questão), decidirá algo tão grandioso para o Brasil, como a aplicabilidade imediata da "Lei da Ficha Limpa", deve estar sofrendo terríveis assédios de todos os lados. Estou até com pena.
Será que amanhã a novela chegará ao seu final? Não aposto sequer nisso, que dirá no mérito da causa.
Tem muita gente com problemas para dormir esta noite. Gente malandrinha... Desses, não tenho a menor piedade.

Inscrição para um portão de cemitério

Na mesma pedra se encontram,

Conforme o povo traduz,
Quando se nasce - uma estrela,
Quando se morre - uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
"Ponham-me a cruz no princípio...
E a luz da estrela no fim!"

Mário Quintana

segunda-feira, 21 de março de 2011

Onírica

Sou absolutamente fascinado pela mente humana e suas incontáveis manifestações. Chego mesmo a duvidar de como seja possível alguém não se interessar pelo tema.
Uma manifestação do inconsciente que costuma ser atraente para o leigo são os sonhos. Não à toa, a Psicanálise dedica um grande capítulo a eles. Já tomei conhecimento de algumas abordagens sobre sonhos e, mesmo não sendo o aspecto que mais me atrai, confesso que também considerei charmoso.
Eu raramente me lembro dos meus sonhos e, quando lembro, são sempre repletos de anomalias que, no entanto, aparecem como se não fossem causa de perplexidade. Exatamente como se deu esta madrugada.
Foi um sonho longo e de narrativa linear (o que é mais raro ainda, no meu caso), sobre um tema que faz todo o sentido para mim, conscientemente. O detalhe é que eu conversava com uma pessoa que me aparecia exatamente como é, na realidade; como eu a vi, de relance, ontem. Mas à medida que falávamos, ela emagrecia a ponto de ficar com os ossos saltados no rosto, além do que seus cabelos escureciam. Por fim, tornava-se uma mulher negra e obesa. Mas enquanto a metamorfose acontecia, continuávamos lado a lado, conversando, como se não fosse aberrante um ser humano se transformar daquele jeito.
Acordei pensando "Que viaaaaaaagem!", como sempre. Tenho que anotar esse para pesquisas futuras.
Mas fiquem calmos: não contarei sonho algum. Como muitos, entendo que poucas coisas conseguem ser tão chatas quanto alguém se sentar ao nosso lado e contar um sonho que teve. Quem quer saber, ó mala?!

Estrangeiros

Curioso: depois que comecei a escrever postagens sobre as estatísticas do blog, o número de acessos originados fora do país aumentou consideravelmente:


Antes, os visitantes de fora ficavam abaixo de 10, por país, sendo mais comum um acesso isolado. Subitamente, porém, os números aumentaram. A visão acima abrange a última semana do blog. Não tenho explicação para isso e nem posso afirmar que não seja, apenas, uma circunstância de momento. Suponho, contudo, que as visitas originadas no Japão têm a ver com postagem que fiz sobre o terremoto naquele país, na qual citei nominalmente um brasileiro que ora reside em terras nipônicas e que publicou em seu blog sobre como estavam as pessoas nas horas subsequentes à tragédia. Talvez ele tenha atraído a atenção de outros brasileiros que também morem no Japão atualmente.
Todo o mais é pura curiosidade para mim.

Segurança — pessoal e do consumidor

I
O jornalista que escreveu matéria para o Diário do Pará sobre a maré alta de ontem, que invadiu o comércio e fez boiar uma infinidade de lixo, entrevistou um vendedor de peixe, que se banhava animadamente nas convidativas águas da Baía do Guajará. Questionado sobre o risco de contrair doenças, respondeu:
— Tá tranquilo. Eu tenho curso da Marinha.
E depois vocês duvidam das qualidades de nossas Forças Armadas! A Marinha Brasileira já ensina até como eliminar, com sucesso, vírus e bactérias, mesmo que você mergulhe num caldo de cultura!

II
O mesmo peixeiro vigiava os peixes que haviam restado das vendas do dia. Disse que ia gelar o que sobrou.
Aquele famigerado "Dr. Bactéria", que atormentava a vida de muitos num quadro do Fantástico, ensinou que alimentos devem permanecer no máximo duas horas fora da refrigeração. Carnes que serão consumidas devem, desde logo, ser refrigeradas e vendidas nessa condição. A rigor, não deveria haver um só açougue ou peixaria vendendo seus produtos em temperatura ambiente, ainda mais num clima superquente e úmido, como o nosso. Mas não há vigilância sanitária que dê jeito nisso. Está lá a Pedra do Peixe para provar.
Agora pense: o peixe já ficou ao ar livre durante horas, exposto a todo tipo de contaminação (ainda mais por estar cercado de água imunda). Depois foi refrigerado e hoje está lá, exposto novamente ao ar livre. Quem comprar, que tenha muita fé em Deus. Vai precisar.

domingo, 20 de março de 2011

Amém!

Só acreditei porque vi com meus próprios olhos: o binário envolvendo as avenidas Mauriti e Mariz e Barros entrou em operação hoje, finalmente. Graças à habitual competência e eficiência da prefeitura de Belém, foram necessários quase dois anos — só isso! — para abrir canteiros centrais, instalar semáforos e a sinalização necessária. Um verdadeiro recorde, que entra no rol dos grandes projetos (as tais "obras estruturantes") executados pelo tal de Duciomar Costa, do qual fazem parte o estreitamento do canteiro central da Av. Duque de Caxias, com um paisagismozinho nele, e a reurbanização da Marquês de Herval, que não terminou até hoje.
Mas nada, nada é claro que se compare ao famosíssimo Pórrrrtico Metrópole, a sofisticada passarela sobre a Rodovia BR-316, com elevadores e escadas rolantes, que acabou com a fachada do Castanheira Shopping (queria perguntar aos proprietários o que eles acham do aforismo "se arrependimento matasse...") e promete entrar para a História como a obra de engenharia que mais cobriu cabeças de burro do Brasil, quiçá do mundo. Afinal de contas, ela foi anunciada na primeira semana do primeiro mandato do indigitado e, até hoje... vocês já sabem. Aliás, no jornal de hoje havia uma notinha dizendo que a empreiteira está prestes a abandonar a obra. E olha que a notinha foi escrita por um cidadão que quase toda semana publica um elogio à prefeitura...
Amanhã começa uma nova semana de trabalho, dando a oportunidade de sabermos se o binário da Mauriti/Mariz e Barros vai alcançar os benefícios esperados ao trânsito daquela área. Já quanto ao pórtico, melhor esperarmos sentados. Pelo visto, a controversa Usina Hidrolétrica de Belo Monte será inaugurada muito antes dele.

sábado, 19 de março de 2011

Premiação para pesquisadores do CESUPA

Nos dias 17 e 18 de fevereiro passado publiquei postagens sobre o I Seminário Paraense sobre a Jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos, realizado pelo CESUPA, do qual participei como debatedor (aqui a primeira, aqui a segunda). Era uma das etapas de preparação de nossos alunos, pesquisadores do Núcleo de Prática Jurídica de Proteção Internacional dos Direitos Humanos, com o objetivo de capacitá-los a participar da 16ª Competição de Julgamento Simulado do Sistema Interamericano de Direitos Humanos, que ocorrerá em Washington.

Antes disso, contudo, houve a seletiva brasileira. O CESUPA participou e terminou em segundo lugar, com média 84, à frente de instituições como a Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro e a Universidade de Brasília — UnB. O primeiro colocado foi o Centro Universitário Newton Paiva, com média 87,25.

Sem falsa modéstia, o CESUPA fez bonito, o que não surpreende, considerando o esforço e a dedicação dos jovens pesquisadores e dos professores orientadores, que vi pessoalmente por ocasião do seminário. Mas como eu disse, o seminário foi apenas uma etapa. Há também as reuniões, o estudo dos casos e, já neste mês, foi realizado um julgamento simulado nas dependências do curso.
Eles trabalharam bem e continuarão trabalhando, para fazer ainda mais bonito adiante.

A informação é do nosso coordenador, Prof. Sandro Simões.

PS — O Centro Universitário Newton Paiva é uma instituição privada mineira, que oferece 28 cursos de bacharelado, 12 graduações tecnológicas, 3 licenciaturas e cursos de pós-graduação lato sensu. Meus parabéns aos mineirinhos.

Estória de pescador

A partir de postagem publicada no blog Saiba das coisas, do prezado Cel. Costa Neto, fico sabendo que durante reunião do Comitê de Gestão do Governo do Estado, realizado na última quarta-feira (16 de março), o governador Simão Jatene anunciou uma redução da violência no Pará. Mas como ele está há pouco mais de dois meses à frente do Executivo, cuidados precisam ser tomados na hora de divulgar a notícia. Por isso, ela chega assim: a redução ocorreu no mês de fevereiro, em relação a janeiro e a fevereiro do ano passado. Com isso, qualquer classe média pode chegar à conclusão de que o retorno dos sempre supereficientes tucanos ao poder promoveu benefícios automáticos em termos de segurança pública.
Não questiono os dados apresentados. Seria leviandade minha fazê-lo. Mas lembro que pouca coisa pode ser tão manipulada quanto números, quando se trata de ludibriar o cidadão comum, pouco instruído.
Dia desses, conversava com um amigo e dizia-lhe de minha impressão (é apenas uma impressão) de que a criminalidade foi reduzida, ao menos um pouco, nos últimos meses. Realmente acredito que isso tem a ver com o reforço do policiamento, que começou com o controverso contrato de aluguel de veículos de passeio, para servir de viaturas policiais, ainda pelo governo Ana Júlia, em pleno ano eleitoral. Essa medida pode receber inúmeras críticas, a começar pelos questionamentos quanto a sua legalidade. Mas a imprensa se concentrou principalmente na baixa potência dos automóveis, para criar na população a ideia de que a medida seria inócua. E deu certo, claro. O que mais se ouvia nas ruas sobre o assunto era gente repetindo bovinamente que os carros eram inadequados. Exatamente o que pretende a imprensa, na maior parte do tempo. Com efeito, as tais viaturas têm motor de baixa potência, mas boa parte delas circula na cidade, onde nenhum de nós pisa fundo, porque o trânsito não permite. Convenhamos: o que pode intimidar o criminoso é saber que a polícia está nas ruas. E ela está. Algum efeito isso produziu.
O que me leva a supor que os índices de violência caíram nos últimos meses é a própria imprensa. Observe como os noticiários policiais baixaram o tom, há bastante tempo. Claro que isso pode ser, também, influência de um ano eleitoral, mas o fato é que o famigerado golpe da saidinha saiu de cena. Antes, falava-se dele toda hora; agora não mais. Não têm acontecido megaoperações criminosas. Os crimes mais graves, ou mais debatidos pelas pessoas, que têm acontecido são de natureza pessoal, que não seriam afetados pelo policiamento ostensivo.
Com isso, afirmo que há redução, sim, da violência. Mas graças a medidas que vêm sendo tomadas desde o ano passado. E que o governador, sempre pródigo no uso da retórica — com aquele jeitinho ensaiado de falar, como se fosse um líder religioso instruindo seu rebanho —, tenta atribuir a sua gestão exclusivamente, com base em números absolutos (57 homicídios a menos, p. ex.). Mas vários questionamentos podem ser feitos, de imediato:
a) Alguém se lembrou que as estatísticas apresentadas correspondem a registros policiais e que o número de ocorrências policiais sempre é muito inferior ao número real de delitos praticados?
b) Alguém sopesou as possíveis causas para os delitos do período anterior e o atual? Nâo existem fatores sazonais, p. ex.?
c) Alguém se lembrou, ao menos, que fevereiro teve três dias menos que janeiro?
d) Alguém tem algo a dizer sobre a afirmação de que, no Brasil inteiro, apenas cerca de 10% dos homicídios são elucidados? A realidade do Pará é diferente?
Há muito mais a se perguntar. E antes que o governador cante vantagem, que tal ele esclarecer se, consoante anunciado logo que tomou posse, o tal contrato de locação das viaturas policiais foi rescindido, revisto, requalificado? As viaturas continuam na rua. Se o contrato era mesmo tão ilegal, que providências foram tomadas pela atual gestão, em nome da moralidade administrativa? Se o programa continuou em execução, não somos naturalmente levados a concluir que a atual gestão admitiu como válida a iniciativa da antecessora? E em caso afirmativo, isso não deveria ser apresentado como causa dos números atuais?
Gostaria muito que alguém discutisse comigo essas questões. De preferência, alguém que saiba alguma coisa do assunto, não aqueles lesos que só vêm bostejar coisas sobre PT e PSDB.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Havia um bom motivo

Pode não parecer, mas não sou do tipo que procura motivos para falar mal de representantes eleitos. Some-se a isso minha simpatia pela figura de Dilma Rousseff, inclusive por seu passado guerrilheiro que os desinformados adoram denegrir. Além disso, ela vem correspondendo às expectativas quanto a se comportar como uma gestora, não como uma política, administrando o país sem estardalhaço e com foco em objetivos.
Por isso, estranhei quando ouvi falar de uma audiência por ela concedida à cantora Shakira. Nada tenho contra a bela colombiana, embora deva admitir minha incapacidade de citar o título de uma única canção por ela gravada. Aliás, se algum dia escutei a moça cantar, nem cheguei a saber que era ela.
Reconheço que todo chefe de Estado precisa fazer médias e cenas, de vez em quando, mas me perguntei a razão de a presidenta interromper o trabalho para receber uma celebridade da música. Procurei saber e descobri que a moça pediu o encontro para propor uma parceria em um campo que, desde a gestão lulista, era um dos principais objetivos do governo: a erradicação da pobreza. Shakira quer combater a miséria na América Latina, com especial atenção para as crianças. E começou fazendo uma doação: um violação autografado, que será leiloado.
Mesmo o detestável mundo das celebridades não desconhece a existência de gente valorosa e engajada. Felizmente, não somos obrigados a tolerar apenas gente do quilate de Paris Hilton ou Susana Vieira. Também existe um John Travolta, que encheu o seu imenso avião particular (um Boeing 707) de donativos e foi pilotando entregá-los as vítimas do terremoto no Haiti, no ano passado. Existe uma Angelina Jolie, que a despeito de seus filmes bobocas sempre se ocupou de causas nobres e acabou nomeada embaixadora da ONU. E para citar um nome brasileiro, a linda Letícia Sabatella, às voltas com movimentos sociais.
Shakira surge nessa lista, cumprindo um papel que se pode esperar de alguém que, dada a sua fama a influência, pode ajudar a melhorar as condições de vida num continente historicamente expoliado, marcado por profundas desigualdades sociais, pelo menosprezo aos povos tradicionais e por regimes políticos de exceção. Parabéns a ela.

Tanque de guerra sofisticado



A máquina que você vê acima, inegavelmente elegante porém não bonita, em minha modesta opinião, é a limusine que transporta o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que chega hoje ao Brasil. Consoante explicado nesta reportagem, trata-se de um pequeno e sofisticado tanque de guerra, com uma excepcional blindagem, guarnecido por armas e conduzido por um motorista treinado para "direção extrema" e uso de armas. Poderíamos chamá-lo de Força Terrestre 1?
Mas o que eu realmente queria saber é quantos quilômetros por litro essa besta-fera consome. Ou, talvez, seja mais apropriado perguntar quantos milímetros por litro. Dizem línguas perversas que, qualquer dia, será preciso uma dessas para andar em Belém. Mas é obviamente um exagero.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Números redondos


Aí está: chegamos, enfim, a 4 mil postagens, no mesmo dia em que, a manter-se o ritmo diário de visitas, chegaremos também aos 260 mil acessos.
É engraçado o efeito que números redondos exercem sobre mim. Somente agora me impressiono com a enorme quantidade de vezes que já torrei a paciência alheia! Brincadeiras à parte, são letras e letras e letras demais. O que não surpreende, considerando que não consigo libertar-me do vício da prolixidade.

PS — Os 260 mil acessos já foram alcançados. Viva o rabo do tatu!

Vocês não entenderam

Na onda de críticas ao governo do Estado quanto ao provimento de cargos em comissão, a bola da vez é a Secretaria de Educação, cujo titular andou nomeando gente que já trabalhava para ele mas que tem, no currículo, condenação criminal imposta pela Justiça de Brasília.
Ora, pois, vocês não entenderam!
O governo do Pará está implementando o programa "Começar de novo", do CNJ. Deve ser isso. Como diria o grande Juvêncio de Arruda, deve ser, sim.

Para quê, então?

A porta da escola de minha filha é uma terra de ninguém, graças à boa educação dos pais de alunos. Todo dia é preciso um renovado esforço de paciência, para cumprir meu papel sem infartar. Hoje, porém, ainda de longe avistei uma viatura da CTBel, estacionada no posto de gasolina bem à vista de todos, com o giroscópio acionado. Animei-me a ver o que estaria acontecendo com os motoristas infratores.
E o que aconteceu? Nada. Estavam lá, como sempre, os estacionados em fila dupla (inclusive na curva; não consigo entender como alguém expõe o seu patrimônio a um risco de dano desses) e até tripla. Alguns continuaram parados em local proibido, placidamente esperando, com aquela cara de paisagem que denota o menosprezo pelos demais. Continuaram também os que ligam o pisca-alerta e descem, na cara dura. Enfim, tudo como sempre.
Dei sorte e encontrei uma vaga bem perto da escola e saltei olhando para a viatura. Guarnecida por uma película escura — inclusive no parabrisa, o que é proibido pela legislação de trânsito! —, não me deixava saber se havia algum agente de trânsito dentro. O fato é que entrei na escola, deixei Júlia, voltei, entrei no carro e continuei olhando. Abri meu vidro lateral para enxergar melhor e, suponho, não havia ninguém na viatura. Enquanto manobrava para sair, resvalando entre os carros em fila dupla, procurei um agente na rua, por toda parte, e não vi o menor sinal.
Afinal de contas, aquela picape estava ali para quê?! Só para estacionar sobre a calçada, local proibido?

quarta-feira, 16 de março de 2011

Twitterítica XVIII

Um diazinho complicado. Mas ele também passou.

Objeto não identificado

Em um portal jornalístico da cidade:



O plano de fuga fracassou porque o tal de túneo não foi encontrado.

Para piorar

Em complemento à postagem "Terrores da infância oitentista", três abaixo desta, o Francisco Rocha Jr. me lembrou que o Merthiolate era aplicado com uma espécie de palheta que nossos pais sempre esfregavam no ferimento, para espalhar o líquido. Obviamente, a fricção piorava a dor, que já era a soma da lesão em si com o remédio ardido.
Aquela palhetinha era mesmo um nojo. Você esfregava no ferimento, às vezes sangrante, e depois enfiava de volta no frasco, fator de contaminação. Decerto que chega uma hora que não há antisséptico que dê jeito. Com o passar dos anos, a palhetinha sumiu e hoje é vendida a apresentação em spray, muito mais racional.
Não posso deixar de dizer, porém, que naqueles saudosos tempos ninguém ficava doente por utilizar o Merthiolate do vizinho. Fosse hoje em dia, seríamos contaminados com doenças dermatológicas, bactérias alergênicas e vírus de todo tipo, inclusive HIV! Hoje em dia, tudo contamina, tudo infecta, tudo traumatiza.
Êta mundinho difícil!