Um conhecido comunicador de nossa cidade fez, outro dia, uma piadinha (ou uma provocação, sei lá) em relação à senadora Marinor Brito. Questionou se ela realmente fora eleita.
Provavelmente devido ao fato de que o rapaz trabalha (ou tem relações profissionais, sei lá) para a empresa de comunicação de Jader Barbalho, justamente a pessoa que perdeu a vaga no senado para Marinor (já que Flexa Ribeiro teve mais votos do que todos), alguns comentaristas responderam ao chiste. Eu, inclusive. E à exceção de um comentarista dissidente (até este momento), as respostas foram veementes.
Deem uma lida na caixa de comentários da postagem.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Apologia de crime? Sério?
Professor de matemática é suspeito de apologia ao crime em Santos
Exercícios dados citam tráfico, prostituição, roubo e uso de arma. Caso foi denunciado à polícia por mãe de uma aluna de 14 anos.
Um professor de matemática de uma escola estadual de Santos, no litoral de São Paulo, é suspeito de fazer "apologia ao crime" por passar aos alunos do primeiro ano do ensino médio seis problemas que citam temas como tráfico de entorpecentes, prostituição, roubo de veículos, assassinato e uso de armas de fogo. Nas questões, o professor pergunta, por exemplo, qual a quantidade de pó de giz que um traficante deverá misturar para ganhar 20% na venda de 200 gramas de heroína ou quantos clientes cada prostituta deverá atender para que o cafetão compre uma dose diária de crack.
O caso foi denunciado à polícia na quarta-feira (16) pelos pais de uma aluna de 14 anos da Escola Estadual João Octávio dos Santos, no morro do São Bento, periferia da cidade. Na última segunda-feira (14), a adolescente comentou com a mãe que não havia conseguido responder um exercício com seis questões aplicado em sala de aula pelo seu professor de matemática. Ao ver as questões no caderno da filha, a mãe se surpreendeu com o conteúdo do texto e decidiu procurar a diretoria da escola.
Na escola, de acordo com o boletim de ocorrência registrado na Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DISE) de Santos, o professor foi chamado à sala da diretora, que também estava surpresa com o conteúdo dos exercícios e confirmou que havia aplicado tais questões, escrevendo-as na lousa, mas sem esclarecer sobre os motivos que o levaram a formular o exercício.
O professor disse ao padrasto da vítima que como a jovem não havia respondido as questões em sala de aula como fora orientada não era mais necessário respondê-las.
De acordo com o delegado titular da DISE, Francisco Garrido Fernandes, que instaurou inquérito para apurar a ocorrência, o professor e a diretora da escola já foram intimados e deverão prestar depoimento na próxima segunda-feira (21).
Caso seja condenado por "apologia ao crime", o professor poderá receber punição de três a seis meses de detenção. "É um delito de menor potencial ofensivo e se o juiz condenar pode aplicar pena de prestação de serviços." Ele diz não ter conhecimento da existência de criminosos na cidade com os apelidos de "Zaróio", "Biroka", "Jamanta", "Rojão", "Chaveta" e "Pipôco", que foram utilizados como personagens nas questões.
Em nota, a Secretaria Estadual de Educação afirma que, após receber as informações da ocorrência da direção da escola, determinou, nos termos da lei, a instauração de procedimento preliminar para apuração de responsabilidades e também o afastamento do docente.
"Enquanto não houver a conclusão desse procedimento, a administração não dará mais informações sobre o caso, pois terá de atuar como instância de decisão, não podendo, portanto, correr o risco de caracterizar prejulgamento", afirma o comunicado.
Fiz questão de copiar a matéria no próprio texto da postagem porque fiquei realmente impressionado.
Tenho um sentimento (e é nada mais do que isso, mesmo: um sentimento) de que o professor não quis fazer apologia de coisa alguma; quis apenas chocar seus alunos. Ou "causar", como se diz hoje em dia. Ele lida com adolescentes e, ministrando uma das disciplinas mais temidas pelo alunado, deve sentir muita dificuldade para cativar o corpo discente. Então decidiu uma manobra radical. Fazendo estardalhaço, conseguiria atenção e, talvez, ativar a memória dos garotos.
Se for o caso, ele não está errado nesse particular. Chama-se mnemotécnica aos procedimentos destinados a estimular a memória. E eles funcionam, porque o cérebro gosta de hierarquia e de padrões. Se a informação é associada a algo marcante para o indivíduo, a tendência é que ele se lembre dela. Por isso o Prof. Pachecão ficou famoso no cursinho pré-vestibular (e depois foi imitado por não sei quantos) devido a suas canções temáticas. O aluno não se lembraria da fórmula da aceleração da gravidade, mas se lembra de como se divertiu na aula em que foi cantada uma canção sobre ela, que ele memorizou e agora se recorda da fórmula. Talvez para sempre.
Que pais fiquem incomodados com as escolhas do professor, compreendo perfeitamente. Mas que isso gere um procedimento policial, preocupa-me profundamente. Porque me preocupa tudo que cheire a Estado policial, que é onde vivemos se somos suspeitos pelas mínimas coisas.
Tudo bem, admito que o caso me chamou a atenção também porque meus exercícios e provas são almanaques de sangue, violência e depravações de todo tipo. Mas eu sou professor de Direito Penal!!! Espero não ter que responder, no futuro, pelas criancinhas que os criminosos da família Mangabeira(*) já despacharam para o lado de lá.
(*) Se o seu sobrenome é Mangabeira, relaxe: isto não significa nada. É apenas o patronímico dos personagens desviados de minhas atividades avaliativas, há uma década. E por que Mangabeira? Bem, deixa pra lá.
Exercícios dados citam tráfico, prostituição, roubo e uso de arma. Caso foi denunciado à polícia por mãe de uma aluna de 14 anos.
Um professor de matemática de uma escola estadual de Santos, no litoral de São Paulo, é suspeito de fazer "apologia ao crime" por passar aos alunos do primeiro ano do ensino médio seis problemas que citam temas como tráfico de entorpecentes, prostituição, roubo de veículos, assassinato e uso de armas de fogo. Nas questões, o professor pergunta, por exemplo, qual a quantidade de pó de giz que um traficante deverá misturar para ganhar 20% na venda de 200 gramas de heroína ou quantos clientes cada prostituta deverá atender para que o cafetão compre uma dose diária de crack.
O caso foi denunciado à polícia na quarta-feira (16) pelos pais de uma aluna de 14 anos da Escola Estadual João Octávio dos Santos, no morro do São Bento, periferia da cidade. Na última segunda-feira (14), a adolescente comentou com a mãe que não havia conseguido responder um exercício com seis questões aplicado em sala de aula pelo seu professor de matemática. Ao ver as questões no caderno da filha, a mãe se surpreendeu com o conteúdo do texto e decidiu procurar a diretoria da escola.
Na escola, de acordo com o boletim de ocorrência registrado na Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DISE) de Santos, o professor foi chamado à sala da diretora, que também estava surpresa com o conteúdo dos exercícios e confirmou que havia aplicado tais questões, escrevendo-as na lousa, mas sem esclarecer sobre os motivos que o levaram a formular o exercício.
O professor disse ao padrasto da vítima que como a jovem não havia respondido as questões em sala de aula como fora orientada não era mais necessário respondê-las.
De acordo com o delegado titular da DISE, Francisco Garrido Fernandes, que instaurou inquérito para apurar a ocorrência, o professor e a diretora da escola já foram intimados e deverão prestar depoimento na próxima segunda-feira (21).
Caso seja condenado por "apologia ao crime", o professor poderá receber punição de três a seis meses de detenção. "É um delito de menor potencial ofensivo e se o juiz condenar pode aplicar pena de prestação de serviços." Ele diz não ter conhecimento da existência de criminosos na cidade com os apelidos de "Zaróio", "Biroka", "Jamanta", "Rojão", "Chaveta" e "Pipôco", que foram utilizados como personagens nas questões.
Em nota, a Secretaria Estadual de Educação afirma que, após receber as informações da ocorrência da direção da escola, determinou, nos termos da lei, a instauração de procedimento preliminar para apuração de responsabilidades e também o afastamento do docente.
"Enquanto não houver a conclusão desse procedimento, a administração não dará mais informações sobre o caso, pois terá de atuar como instância de decisão, não podendo, portanto, correr o risco de caracterizar prejulgamento", afirma o comunicado.
Fiz questão de copiar a matéria no próprio texto da postagem porque fiquei realmente impressionado.
Tenho um sentimento (e é nada mais do que isso, mesmo: um sentimento) de que o professor não quis fazer apologia de coisa alguma; quis apenas chocar seus alunos. Ou "causar", como se diz hoje em dia. Ele lida com adolescentes e, ministrando uma das disciplinas mais temidas pelo alunado, deve sentir muita dificuldade para cativar o corpo discente. Então decidiu uma manobra radical. Fazendo estardalhaço, conseguiria atenção e, talvez, ativar a memória dos garotos.
Se for o caso, ele não está errado nesse particular. Chama-se mnemotécnica aos procedimentos destinados a estimular a memória. E eles funcionam, porque o cérebro gosta de hierarquia e de padrões. Se a informação é associada a algo marcante para o indivíduo, a tendência é que ele se lembre dela. Por isso o Prof. Pachecão ficou famoso no cursinho pré-vestibular (e depois foi imitado por não sei quantos) devido a suas canções temáticas. O aluno não se lembraria da fórmula da aceleração da gravidade, mas se lembra de como se divertiu na aula em que foi cantada uma canção sobre ela, que ele memorizou e agora se recorda da fórmula. Talvez para sempre.
Que pais fiquem incomodados com as escolhas do professor, compreendo perfeitamente. Mas que isso gere um procedimento policial, preocupa-me profundamente. Porque me preocupa tudo que cheire a Estado policial, que é onde vivemos se somos suspeitos pelas mínimas coisas.
Tudo bem, admito que o caso me chamou a atenção também porque meus exercícios e provas são almanaques de sangue, violência e depravações de todo tipo. Mas eu sou professor de Direito Penal!!! Espero não ter que responder, no futuro, pelas criancinhas que os criminosos da família Mangabeira(*) já despacharam para o lado de lá.
(*) Se o seu sobrenome é Mangabeira, relaxe: isto não significa nada. É apenas o patronímico dos personagens desviados de minhas atividades avaliativas, há uma década. E por que Mangabeira? Bem, deixa pra lá.
Ela em todo o seu poder
Estou há seis horas dentro da faculdade onde leciono. Por causa disso, não tenho a menor ideia de como estão as coisas lá fora, em termos de trânsito, alagamentos, confusão. Mas estou muito preocupado. Quando cheguei aqui, chovia fraco, mas depois veio um temporal legitimamente belenense. E após um período de chuva um pouco mais fraca, ele retornou com gosto. A precipitação continua e acabei de ler que deve prosseguir pela madrugada.
Esta é a Belém que conheço: a cidade das águas. Seria bonito se fosse apenas uma questão de ver a chuva cair, sentir um friozinho gostoso, tomar algumas pequenas precauções. Mas a realidade é bem outra e envolve o desespero de muita gente que, esta noite, não dormirá, tentando manter sua casa a salvo. E quanto aos que nem casa têm?
Só nos resta fazer como o Francisco Rocha: acreditar e agradecer.
Esta é a Belém que conheço: a cidade das águas. Seria bonito se fosse apenas uma questão de ver a chuva cair, sentir um friozinho gostoso, tomar algumas pequenas precauções. Mas a realidade é bem outra e envolve o desespero de muita gente que, esta noite, não dormirá, tentando manter sua casa a salvo. E quanto aos que nem casa têm?
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| Confluência da Almirante Tamandaré com a São Francisco, agora à noite (imagem do Portal ORM) |
Chamando os Dominantes...
Desde que minhas atividades profissionais voltaram à carga total, eu ainda não chegara a um final de semana tão cansado, e mesmo depauperado, como hoje. Além do cansaço pelo acúmulo de atividades, inclusive algumas fora da rotina, há uma noite mal dormida e um grande mal estar físico, decorrente de minha prolongada doença. Hoje eu aceitaria, de bom grado, pular dentro de um buraco e que alguém jogasse terra por cima.
Reduzindo um tanto o drama, já me será de grande valia pular na cama e me esquecer de tudo até de manhã. Mas, infelizmente, isso só deve acontecer daqui a mais de duas horas, lá pela meia-noite.
Enquanto isso, que me ajudem os Dominantes...
Reduzindo um tanto o drama, já me será de grande valia pular na cama e me esquecer de tudo até de manhã. Mas, infelizmente, isso só deve acontecer daqui a mais de duas horas, lá pela meia-noite.
Enquanto isso, que me ajudem os Dominantes...
Como foi o seminário
Como anunciei em postagem da quarta-feira, foi realizado ontem, no auditório do Fórum Cível de Belém, o I Seminário sobre a Jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos, evento do Núcleo de Prática Jurídica de Proteção Internacional dos Direitos Humanos do CESUPA.
Em que pese a presença de professores convidados, a nossa função ali era debater e não palestrar, exceto a Profa. Nadine Borges, que explicou como funciona o Sistema Interamericano de Proteção de Direitos Humanos, partindo de um reconhecimento duro e verdadeiro: ninguém conhece essa temática. Mas o objeto do seminário esteve, de fato, a cargo da equipe de acadêmicos-pesquisadores, que inclui alunos do 3º semestre, circunstância que muito nos encanta, pois demonstra empenho e compromisso acadêmico desde cedo, criando condições para uma carreira diferenciada, ainda dentro, mas sobretudo posteriormente à graduação.
Foram expostos três casos julgados pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, cada um dividido em três partes: contextualização dos fatos, direitos violados e decisão da corte. Após a explanação, os debatedores comentavam aspectos que lhes haviam chamado especial atenção. Por exemplo: acerca do caso Gomes Lund e outros vs. Brasil, relacionado à Guerrilha do Araguaia, o Prof. Sandro Simões falou sobre o direito à memória e à verdade. Já no que tange ao caso Escher e outros vs. Brasil, falei sobre como um episódio de interceptação telefônica ilegal tornou-se um sintoma da criminalização dos movimentos sociais e, o que é pior, promovido por instituições públicas.
Por ter que ministrar aulas nas quais haveria atividades de avaliação, não pude permanecer para assistir à última exposição, o que lamento muito. Mas pelo menos posso assistir à gravação, depois.
Destaco, ainda, a receptividade do público, que em sua maioria estudantes, compareceu ao evento e ficou para assistir a cada uma de suas etapas. Não apenas os organizadores e pesquisadores estão de parabéns, mas também cada uma das pessoas na plateia.
Espero, por fim, que o encontro tenha não apenas instruído, mas também despertado paixões.
Em que pese a presença de professores convidados, a nossa função ali era debater e não palestrar, exceto a Profa. Nadine Borges, que explicou como funciona o Sistema Interamericano de Proteção de Direitos Humanos, partindo de um reconhecimento duro e verdadeiro: ninguém conhece essa temática. Mas o objeto do seminário esteve, de fato, a cargo da equipe de acadêmicos-pesquisadores, que inclui alunos do 3º semestre, circunstância que muito nos encanta, pois demonstra empenho e compromisso acadêmico desde cedo, criando condições para uma carreira diferenciada, ainda dentro, mas sobretudo posteriormente à graduação.
Foram expostos três casos julgados pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, cada um dividido em três partes: contextualização dos fatos, direitos violados e decisão da corte. Após a explanação, os debatedores comentavam aspectos que lhes haviam chamado especial atenção. Por exemplo: acerca do caso Gomes Lund e outros vs. Brasil, relacionado à Guerrilha do Araguaia, o Prof. Sandro Simões falou sobre o direito à memória e à verdade. Já no que tange ao caso Escher e outros vs. Brasil, falei sobre como um episódio de interceptação telefônica ilegal tornou-se um sintoma da criminalização dos movimentos sociais e, o que é pior, promovido por instituições públicas.
Por ter que ministrar aulas nas quais haveria atividades de avaliação, não pude permanecer para assistir à última exposição, o que lamento muito. Mas pelo menos posso assistir à gravação, depois.
Destaco, ainda, a receptividade do público, que em sua maioria estudantes, compareceu ao evento e ficou para assistir a cada uma de suas etapas. Não apenas os organizadores e pesquisadores estão de parabéns, mas também cada uma das pessoas na plateia.
Espero, por fim, que o encontro tenha não apenas instruído, mas também despertado paixões.
Moderação, gente!!
Hoje é sexta-feira. As pessoas costumam sair para se divertir e, nessa, sempre acabam consumindo álcool. Aí vêm as inconveniências, os segredos revelados, os ataques de ciúme, os amores destruídos, os acidentes de trânsito, pais de família mortos ou aleijados, processos, corrupção, sofrimento e só quem lucra é a maldita indústria cervejeira.
Por isso, eu lhes suplico: se forem beber, tomem apenas uma latinha de cerveja.
Algumas pessoas podem ficar meio chocadas comigo por esta postagem mas, por favor, entendam: estou me sentindo tão mal hoje, tão mal, que eu achei que uma piadinha politicamente incorreta podia ser desculpada.
Por isso, eu lhes suplico: se forem beber, tomem apenas uma latinha de cerveja.
Algumas pessoas podem ficar meio chocadas comigo por esta postagem mas, por favor, entendam: estou me sentindo tão mal hoje, tão mal, que eu achei que uma piadinha politicamente incorreta podia ser desculpada.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Astressina-B
Por que esses inocentes camundongos aí ao lado podem se tornar um marco da ciência?
Eles estavam participando, na pior condição, de uma pesquisa na Universidade da Califórnia, em virtude da qual lhes foram provocadas alterações genéticas. Para tratar as implicações gastrointestinais, foi-lhes ministrado um composto chamado astressina-B, que acarretou um efeito inesperado: os pelos do dorso dos animais, que caíram também em decorrência da manipulação genética, voltaram a crescer. Bingo! Está descoberta mais uma possível opção de tratamento para um dos maiores sofrimentos da humanidade: a calvície!
Infelizmente, o tempo da ciência é muito dilatado. Não existe nenhuma pesquisa com seres humanos nessa linha e, se alguma começasse hoje, não poderíamos estimar em quantos anos poderia ser criado um tratamento realmente eficaz, que estivesse pronto para ser lançado no mercado. É uma pena que demore tanto assim, pois o tempo de milhões de homens pelo mundo afora, eu incluído, escoa a passos largos (ou, para não perder o trocadilho, escapa pelo ralo!).
Tomara que tenhamos boas notícias o quanto antes.
Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/02/novo-tratamento-para-calvicie-pode-ter-sido-descoberto-por-acaso.html
Eles estavam participando, na pior condição, de uma pesquisa na Universidade da Califórnia, em virtude da qual lhes foram provocadas alterações genéticas. Para tratar as implicações gastrointestinais, foi-lhes ministrado um composto chamado astressina-B, que acarretou um efeito inesperado: os pelos do dorso dos animais, que caíram também em decorrência da manipulação genética, voltaram a crescer. Bingo! Está descoberta mais uma possível opção de tratamento para um dos maiores sofrimentos da humanidade: a calvície!
Infelizmente, o tempo da ciência é muito dilatado. Não existe nenhuma pesquisa com seres humanos nessa linha e, se alguma começasse hoje, não poderíamos estimar em quantos anos poderia ser criado um tratamento realmente eficaz, que estivesse pronto para ser lançado no mercado. É uma pena que demore tanto assim, pois o tempo de milhões de homens pelo mundo afora, eu incluído, escoa a passos largos (ou, para não perder o trocadilho, escapa pelo ralo!).
Tomara que tenhamos boas notícias o quanto antes.
Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/02/novo-tratamento-para-calvicie-pode-ter-sido-descoberto-por-acaso.html
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
O primeiro dia no Facebook
Dando continuidade a minha experiência psicológico-social-telúrico-transcendental sobre a dinâmica do Facebook na sociedade pós-moderna-e-pós-new-up-over-pré-dark-light, registro que, desde a minha adesão à rede, 30 pessoas me solicitaram amizade. A esmagadora maioria delas já mantinha vínculos comigo no Orkut, mas algumas são inéditas. Registro, por oportuno, a figura do professor Daniel Cerqueira, que passou uma temporada conosco no CESUPA e com quem não tinha nenhum contato desde a sua partida.
Posso dizer que estes primeiros momentos já foram proveitosos. Mas vou continuar a examinar como o fluxo de relações pessoais se espraia.
PS — Ao contrário do que escreveu a Luiza Leão, o aplicativo que especula sobre pessoas que talvez eu conheça não funcionou bem comigo. Conheço um número bem pequeno do elenco que a ferramenta selecionou para mim. Mas talvez isso tenha a ver com a exiguidade de informações a meu respeito, por enquanto.
Posso dizer que estes primeiros momentos já foram proveitosos. Mas vou continuar a examinar como o fluxo de relações pessoais se espraia.
PS — Ao contrário do que escreveu a Luiza Leão, o aplicativo que especula sobre pessoas que talvez eu conheça não funcionou bem comigo. Conheço um número bem pequeno do elenco que a ferramenta selecionou para mim. Mas talvez isso tenha a ver com a exiguidade de informações a meu respeito, por enquanto.
Problemas do exame de Ordem. Pra variar.
Já cansei de dizer, aqui no blog, que sou plenamente favorável ao exame de Ordem, mas contrário ao modo como ele é aplicado. Sempre se disse que a OAB usava o exame como forma de segurar a grande quantidade de bachareis lançados no mercado, principalmente depois que o Ministério da Educação decidiu que o parecer do nosso colegiado de classe não tem poder vinculante. Ou seja, mesmo que a OAB emita parecer contrário a um curso, o MEC pode liberá-lo. Como retaliação, afirmava-se, a Ordem aplicava um te pego na curva que atingia os bachareis, não as instituições (diretamente), muito menos o MEC.
Seja como for, a OAB sempre jurou que seu único compromisso é com a qualidade da formação dos novos profissionais. E até onde sei, nunca respondeu à altura as acusações que recebe. E assim chegamos ao fato de que sempre houve problemas na realização do certame. Eu mesmo sofri isso, quando precisei recorrer de uma nota 8,0 que me fora dada na prova subjetiva, tendo que adivinhar o motivo pelo qual sofrera o desconto. Aparentemente, fora punido por esquecer uma preliminar no recurso, mas a preliminar estava lá! Identificada em letras garrafais. Pelo menos, o erro foi corrigido, mas deixou claro o pouco caso com que as provas estavam sendo corrigidas.
Também houve aquele ano em que alguns alunos trocaram farpas acidérrimas com o então presidente da OAB/PA, hoje presidente nacional, através da imprensa, inclusive. E sempre, sempre houve severos questionamentos sobre erros e abusos na elaboração das provas.
O tempo passou e o exame foi nacionalizado. Vieram então os embates com o quase onipresente CESPE/UNB e suas provas irritantes, com cartões-resposta absurdos. Questões estranhas, respostas malucas e a permanente hostilidade aos recursos dos candidatos foi minando a credibilidade do processo. A gota d'água foram as suspeitas de fraudes, anulação de provas e milhares de pessoas prejudicadas. O CESPE foi então substituído pela Fundação Getúlio Vargas e... não adiantou nada. O exame em andamento já está provocando as suas polêmicas e a nova é uma trapalhada, expressa pelo comunicado abaixo:
O "erro material" pode fazer com que candidatos aprovados com 50 acertos caiam para 49. Dormiram na segunda fase e acordaram eliminados. E o pior é que não poderiam alegar nenhuma espécie de direito de prosseguir, tendo que suportar o revés com cara de tacho.
Eu realmente acho incrível como instituições tão respeitáveis, que fazem esse tipo de trabalho há tanto tempo, conseguem cometer erros tão primários. Tudo bem, erros acontecem, mas esses? Cadê a preocupação com a revisão dos documentos, antes de sua divulgação, ainda mais em se tratando de uma seara tão espinhosa?
O exame de Ordem 2010.3 já começou bem. Vamos ver como ele termina.
Seja como for, a OAB sempre jurou que seu único compromisso é com a qualidade da formação dos novos profissionais. E até onde sei, nunca respondeu à altura as acusações que recebe. E assim chegamos ao fato de que sempre houve problemas na realização do certame. Eu mesmo sofri isso, quando precisei recorrer de uma nota 8,0 que me fora dada na prova subjetiva, tendo que adivinhar o motivo pelo qual sofrera o desconto. Aparentemente, fora punido por esquecer uma preliminar no recurso, mas a preliminar estava lá! Identificada em letras garrafais. Pelo menos, o erro foi corrigido, mas deixou claro o pouco caso com que as provas estavam sendo corrigidas.
Também houve aquele ano em que alguns alunos trocaram farpas acidérrimas com o então presidente da OAB/PA, hoje presidente nacional, através da imprensa, inclusive. E sempre, sempre houve severos questionamentos sobre erros e abusos na elaboração das provas.
O tempo passou e o exame foi nacionalizado. Vieram então os embates com o quase onipresente CESPE/UNB e suas provas irritantes, com cartões-resposta absurdos. Questões estranhas, respostas malucas e a permanente hostilidade aos recursos dos candidatos foi minando a credibilidade do processo. A gota d'água foram as suspeitas de fraudes, anulação de provas e milhares de pessoas prejudicadas. O CESPE foi então substituído pela Fundação Getúlio Vargas e... não adiantou nada. O exame em andamento já está provocando as suas polêmicas e a nova é uma trapalhada, expressa pelo comunicado abaixo:
O "erro material" pode fazer com que candidatos aprovados com 50 acertos caiam para 49. Dormiram na segunda fase e acordaram eliminados. E o pior é que não poderiam alegar nenhuma espécie de direito de prosseguir, tendo que suportar o revés com cara de tacho.
Eu realmente acho incrível como instituições tão respeitáveis, que fazem esse tipo de trabalho há tanto tempo, conseguem cometer erros tão primários. Tudo bem, erros acontecem, mas esses? Cadê a preocupação com a revisão dos documentos, antes de sua divulgação, ainda mais em se tratando de uma seara tão espinhosa?
O exame de Ordem 2010.3 já começou bem. Vamos ver como ele termina.
I Seminário Paraense sobre a Jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos
No ano passado, o Centro Universitário do Pará — CESUPA, instituição na qual leciono, criou o Núcleo de Prática Jurídica de Proteção Internacional dos Direitos Humanos, coordenado pelo Prof. Dr. Paulo Klautau Filho, que tem por objetivo capacitar acadêmicos do nosso curso de Direito para advogar perante o Sistema Interamericano de Direitos Humanos. Esse tipo de formação é incomum nas faculdades brasileiras, ao mesmo tempo em que é da maior importância, tanto porque somos a pátria de incontáveis brutalidades cotidianas, boa parte delas perpetrada pelo próprio Estado, seja porque o tema direitos humanos é objeto da repulsa generalizada da sociedade, por absoluta ignorância, em grande medida estimulada dolosamente por setores irresponsáveis da imprensa.
Não sabe o cidadão comum, p. ex., que a falta de leitos em hospitais, que leva pacientes a agonizar em macas sem lençol ou até mesmo largados no chão, é um problema de direitos humanos. Enquanto o sujeito grita que direitos humanos são coisa de vagabundo, perde a oportunidade de se instruir, no interesse da proteção dos seus próprios direitos elementares. E quando o Estado não atende esses direitos, pode ser valioso recorrer a uma instância internacional, que force o Brasil a olhar para suas mazelas. Daí a importância de os juristas conhecerem esse sistema.
Como resultado das pesquisas realizadas pelo NPJPIDH, será realizado amanhã, 17.2.2001, o I Seminário Paraense sobre a Jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos, no auditório do Fórum Cível de Belém. O credenciamento começa às 14 horas e lamento informar que as inscrições estão esgotadas, mesmo considerando um acréscimo de vagas que foram abertas de última hora.
Você pode conhecer a íntegra da programação aqui mas, em síntese, teremos, às 15 horas, uma palestra sobre O sistema de proteção da Corte Interamericana de Direitos Humanos, com a Profa. Nadine Borges, da Universidade Federal Fluminense e representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Após, os nossos acadêmicos apresentarão três casos julgados pela Corte (Gomes Lund y otros [Guerrilha do Araguaia] vs. Brasil, Escher y otros vs. Brasil e Ximenes Lopes vs. Brasil).
Às apresentações dos pesquisadores se seguirão debates conduzidos pelos professores do CESUPA, Paulo Klautau Filho e Sandro Simões (o primeiro), Bianca Ormanes e este que vos escreve (o segundo). O terceiro caso será debatido pelas professoras convidadas Nadine Borges e Cristina Terezo (UFPA).
À frente da organização, a Profa. Luciana Fonseca, amada por onze em cada dez pessoas que a conhecem. Espero que seja só o primeiro de muitos.
Não sabe o cidadão comum, p. ex., que a falta de leitos em hospitais, que leva pacientes a agonizar em macas sem lençol ou até mesmo largados no chão, é um problema de direitos humanos. Enquanto o sujeito grita que direitos humanos são coisa de vagabundo, perde a oportunidade de se instruir, no interesse da proteção dos seus próprios direitos elementares. E quando o Estado não atende esses direitos, pode ser valioso recorrer a uma instância internacional, que force o Brasil a olhar para suas mazelas. Daí a importância de os juristas conhecerem esse sistema.
Como resultado das pesquisas realizadas pelo NPJPIDH, será realizado amanhã, 17.2.2001, o I Seminário Paraense sobre a Jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos, no auditório do Fórum Cível de Belém. O credenciamento começa às 14 horas e lamento informar que as inscrições estão esgotadas, mesmo considerando um acréscimo de vagas que foram abertas de última hora.
Você pode conhecer a íntegra da programação aqui mas, em síntese, teremos, às 15 horas, uma palestra sobre O sistema de proteção da Corte Interamericana de Direitos Humanos, com a Profa. Nadine Borges, da Universidade Federal Fluminense e representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Após, os nossos acadêmicos apresentarão três casos julgados pela Corte (Gomes Lund y otros [Guerrilha do Araguaia] vs. Brasil, Escher y otros vs. Brasil e Ximenes Lopes vs. Brasil).
Às apresentações dos pesquisadores se seguirão debates conduzidos pelos professores do CESUPA, Paulo Klautau Filho e Sandro Simões (o primeiro), Bianca Ormanes e este que vos escreve (o segundo). O terceiro caso será debatido pelas professoras convidadas Nadine Borges e Cristina Terezo (UFPA).
À frente da organização, a Profa. Luciana Fonseca, amada por onze em cada dez pessoas que a conhecem. Espero que seja só o primeiro de muitos.
Uma questão de perspectiva
Você, mulher (ou homem, tanto faz!), olhe bem para a imagem abaixo e me responda:
Você queria viver um romance com um sujeito desses? Você se imagina beijando esses lábios carnudos, batendo seus dentinhos nos dele? Acariciando esse cabelinho que já teve aquela fase residual da copa de não sei que ano?
A julgar pelos comentários que escuto das sempre exigentíssimas mulheres que me cercam, o rapaz ali em riba não teria a menor chance. Mas o tempo passou e o camarada fez carreira no futebol, virou "fenômeno" e saiu pegando a Milene, a Cicarelli, os travestis, etc. Em suma, ele realizou um antigo aforismo:
Há um outro aforismo que me vem à mente, mas esse eu prefiro omitir, para não ser indelicado. E antes que alguém pense mal de mim, não tem a ver com homofobia, e sim com cifrões.
Você queria viver um romance com um sujeito desses? Você se imagina beijando esses lábios carnudos, batendo seus dentinhos nos dele? Acariciando esse cabelinho que já teve aquela fase residual da copa de não sei que ano?
A julgar pelos comentários que escuto das sempre exigentíssimas mulheres que me cercam, o rapaz ali em riba não teria a menor chance. Mas o tempo passou e o camarada fez carreira no futebol, virou "fenômeno" e saiu pegando a Milene, a Cicarelli, os travestis, etc. Em suma, ele realizou um antigo aforismo:
Quem ama o feio, bonito lhe parece.
Há um outro aforismo que me vem à mente, mas esse eu prefiro omitir, para não ser indelicado. E antes que alguém pense mal de mim, não tem a ver com homofobia, e sim com cifrões.
Clima de montanha
Ontem choveu em Belém de manhã, à tarde, à noite. Quando me deitei na cama, tive que admitir que estava frio. Não frio para os nossos padrões, mas uma temperatura que podia ser considerada realmente baixa. As paredes, p. ex., estavam com aquele jeito de garrafa d'água tirada da geladeira.
Para mim, nenhum problema. Muito pelo contrário. Eu não me importaria nem um pouco se metade do ano fosse como ontem. Estava confortável, sem camisa, mas sem a necessidade de qualquer artifício para dormir bem. Ao meu lado, Polyana cobria-se dos pés à cabeça. Mulheres: sempre friorentas...
Não sei se o dia de hoje seguirá no mesmo rumo, mas ele amanheceu bastante nublado. Por via das dúvidas, guardachuva a postos.
Bom dia para todos.
Para mim, nenhum problema. Muito pelo contrário. Eu não me importaria nem um pouco se metade do ano fosse como ontem. Estava confortável, sem camisa, mas sem a necessidade de qualquer artifício para dormir bem. Ao meu lado, Polyana cobria-se dos pés à cabeça. Mulheres: sempre friorentas...
Não sei se o dia de hoje seguirá no mesmo rumo, mas ele amanheceu bastante nublado. Por via das dúvidas, guardachuva a postos.
Bom dia para todos.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Será que foi engano, mesmo?
O Twitter do Supremo Tribunal Federal sugeriu a Sarney que se aposente! Mais do que depressa, o presidente da Corte, Cezar Peluso, irritado, esclareceu que a mensagem certamente foi postada na conta institucional por lapso e prometeu para hoje mesmo um pedido de desculpas ao bigodudo.
Que desculpas, o quê, Peluso!!!
Temos é que sugerir a Sarney que vaze, o quanto antes e para o mais longe possível!
PS — A causadora do incidente interinstitucional já foi identificada. Só uma correção: ex-funcionária terceirizada.
Que desculpas, o quê, Peluso!!!
Temos é que sugerir a Sarney que vaze, o quanto antes e para o mais longe possível!
PS — A causadora do incidente interinstitucional já foi identificada. Só uma correção: ex-funcionária terceirizada.
Aderi
Outro dia, publiquei uma postagem sobre o Facebook como moda do momento, em termos de redes sociais. E ela rendeu uma manifestação do André Coelho, também publicada com destaque, em cuja caixa de comentários tivemos um debatezinho sobre reconhecer as pessoas como nossos iguais. Lá, o André e a Luiza Leão me conclamaram a aderir à criação de Mark Zuckerberg. Ontem à noite, por fim, capitulei. Estava em casa, desacelerando para dormir, e resolvi aceitar o convite que me fora formalizado dias atrás pelo Paulo Klautau.
Agora sou dono de um perfil no Facebook, com quatro amigos: o Klautau, a quem respondi, minha esposa e os dois amigos supranominados. Foram os únicos a quem procurei. E até ulterior deliberação, não pretendo convidar mais ninguém. Encaro isso como uma espécie de experiência psicológica. Quero ver quanto tempo demorará para alcançar uma quantidade de amigos equivalente a do Orkut (seiscentos e qualquer coisa). E ver como se dá esse processo de encontros virtuais. Na verdade, mesmo no Orkut, foram raras as pessoas que convidei; a esmagadora maioria teve a gentileza de vir até mim. Agindo de maneira parecida, quero saber se o processo de expansão na rede será semelhante ou se terá contornos próprios. Afinal, anos se passaram e a ferramenta tem umas funcionalidades diferentes.
Hoje à noite, vamos às primeiras análises. Se houver o que analisar.
Agora sou dono de um perfil no Facebook, com quatro amigos: o Klautau, a quem respondi, minha esposa e os dois amigos supranominados. Foram os únicos a quem procurei. E até ulterior deliberação, não pretendo convidar mais ninguém. Encaro isso como uma espécie de experiência psicológica. Quero ver quanto tempo demorará para alcançar uma quantidade de amigos equivalente a do Orkut (seiscentos e qualquer coisa). E ver como se dá esse processo de encontros virtuais. Na verdade, mesmo no Orkut, foram raras as pessoas que convidei; a esmagadora maioria teve a gentileza de vir até mim. Agindo de maneira parecida, quero saber se o processo de expansão na rede será semelhante ou se terá contornos próprios. Afinal, anos se passaram e a ferramenta tem umas funcionalidades diferentes.
Hoje à noite, vamos às primeiras análises. Se houver o que analisar.
Dura lex na velha bota
Mais uma da série "Lá e cá". No Brasil, algo assim é simplesmente inimaginável, mas na Itália a máxima autoridade do Poder Executivo, o premiê Silvio Berlusconi, sofreu um revés hoje, quando o Tribunal de Milão decidiu julgá-lo imediatamente por fazer sexo com uma prostituta menor, prevalecendo-se de seu cargo.
O escândalo — as palavras "Berlusconi" e "escândalo" um dia serão dicionarizadas como sinônimas — ficou conhecido como "Rubygate", em alusão ao apelido da garota pivô do caso.
O milionário líder italiano não se abalou com a notícia, "já esperada". Como político é tudo igual, sua tese é de que está sendo vítima de uma conspiração motivada por interesses políticos. Tese por sinal curiosa, considerando que o próprio já admitiu diversas vezes "não ser santo", nestes termos. Até as mais secas parreiras da Toscana sabem que o dito cujo é obcecado por mulheres e usufrui de seu dinheiro e poder para viver festejando.
O fato de a vítima ser uma prostituta não muda o contexto de exploração sexual, como entende qualquer pessoa bem intencionada. A leniência com comportamentos desse tipo é a mola do sucesso do tráfico internacional de pessoas, para fins de exploração sexual — um dos crimes mais repugnantes que se pode conceber.
Enquanto isso, no Brasil, nem precisa ser presidente da República. Qualquer deputadinho escapa de acusações muito mais graves (ou pelo menos tão graves quanto). Antes que vocês pensem que este comentário tem destinatário certo, porque não tem, refiro-me à impunidade generalizada no país. Afinal, por aqui abuso de poder é rotina e quase ninguém é punido por isso. Quando acontece, são as otoridades que caem na rede.
Outra coisa que não existe no Brasil é essa história de via do "processo acelerado", mencionada na reportagem.
Aguardemos, enfim, o desenrolar dos fatos. Berlusconi tem muita munição para gastar.
![]() |
| Você confiaria neste cara? Legenda: "Italianos, não me deixem só!" |
O escândalo — as palavras "Berlusconi" e "escândalo" um dia serão dicionarizadas como sinônimas — ficou conhecido como "Rubygate", em alusão ao apelido da garota pivô do caso.
O milionário líder italiano não se abalou com a notícia, "já esperada". Como político é tudo igual, sua tese é de que está sendo vítima de uma conspiração motivada por interesses políticos. Tese por sinal curiosa, considerando que o próprio já admitiu diversas vezes "não ser santo", nestes termos. Até as mais secas parreiras da Toscana sabem que o dito cujo é obcecado por mulheres e usufrui de seu dinheiro e poder para viver festejando.
O fato de a vítima ser uma prostituta não muda o contexto de exploração sexual, como entende qualquer pessoa bem intencionada. A leniência com comportamentos desse tipo é a mola do sucesso do tráfico internacional de pessoas, para fins de exploração sexual — um dos crimes mais repugnantes que se pode conceber.
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| Berlusconi e a causa de muitos de seus atuais problemas |
Outra coisa que não existe no Brasil é essa história de via do "processo acelerado", mencionada na reportagem.
Aguardemos, enfim, o desenrolar dos fatos. Berlusconi tem muita munição para gastar.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Bom demais de ouvir
Deus foi bacana comigo hoje. Duas ex-alunas diferentes me disseram a mesma coisa, uma sem interferência da outra, uma pela manhã, outra agora à noite. Concluintes, elas se submeteram ontem à primeira etapa do exame de Ordem e me disseram que responderam bem a parte de Direito Penal, mesmo sem estudar; disseram que a lembrança de nossas aulas, dois anos atrás, serviu para que se saíssem bem.
Poucas coisas recompensam tanto um professor quanto escutar algo do tipo descobri que sei a sua matéria. Não apenas porque há um quê de gratidão no comentário do aluno, mas porque dá um sentido ao fato de você ter abraçado a docência.
'Tá, eu sei que esta postagem não disfarça uma boa dose de vaidade. Admito. Se eu não fosse vaidoso, não teria um blog de conteúdo pessoal. Escreveria sobre como criar peixes (se entendesse do assunto, claro). Mas não tenho como deixar de me regozijar com notícias tão calorosas, vindas tão espontaneamente. Vocês têm que aceitar que os frutos da docência me deixam sempre tão feliz que preciso compartilhá-los, já que não cabem aqui neste peito.
Poucas coisas recompensam tanto um professor quanto escutar algo do tipo descobri que sei a sua matéria. Não apenas porque há um quê de gratidão no comentário do aluno, mas porque dá um sentido ao fato de você ter abraçado a docência.
'Tá, eu sei que esta postagem não disfarça uma boa dose de vaidade. Admito. Se eu não fosse vaidoso, não teria um blog de conteúdo pessoal. Escreveria sobre como criar peixes (se entendesse do assunto, claro). Mas não tenho como deixar de me regozijar com notícias tão calorosas, vindas tão espontaneamente. Vocês têm que aceitar que os frutos da docência me deixam sempre tão feliz que preciso compartilhá-los, já que não cabem aqui neste peito.
Isso é que é trote
Universitários vão ajudar escalpelados
A Escola Superior da Amazônia (Esamaz) fez ontem um trote educacional com orientação em solidariedade às vítimas de escalpelamento no Pará. Uma palestra aconteceu no campus da Municipalidade para os novos e antigos alunos do curso de Enfermagem: participaram o diretor de Planejamento Educacional, Reinaldo Gonçalves, o diretor de Ensino e Pesquisa de Extensão, Adalto Guesser, a representante do Comitê Estadual de Erradicação dos Acidentes de Escalpelamento, Iraquelma Castro, e a assistente social e palestrante Patrícia Gomes.
“Os estudantes de enfermagem tem por ‘obrigação’ prevenir para problemas assim. Eles são multiplicadores e fazem um papel fundamental na vida de comunidades que não tem tanta informação”, defendeu a assistente social Patrícia Gomes.
De acordo com informações da Secretaria de Saúde do Pará (Sespa), em 2010 houve redução dos acidentes de escalpelamento: apenas quatro foram registrados. Em 2009 esse número chegou a 24. A redução é reflexo dos trabalhos de prevenção feitos nas comunidades ribeirinhas.
TROTE SOLIDÁRIO
A aluna do 2º ano, Laila Garcia, prestava atenção redobrada à palestra: “É muito bom para nos conscientizar da gravidade que é o acidente. Podemos ser solidários com o problema”. A caloura Cleide Vilhena comemorou: “Estou começando com o pé direito. Me enchendo de informações que são muito úteis”.
No final do mês os alunos de enfermagem encerrarão o trote solidário com visita ao Espaço Acolher, que cuida de escalpelados. Os alunos devem também doar lenços para as cabeças dos acidentados.(Diário do Pará)
Mesmo compreendendo desde logo a gravidade do problema, depois que vi uma exposição da Marinha sobre as meninas escalpeladas, no campus da UFPA, tive uma noção maior dele. Não sabia da quantidade de casos nem de como as lesões podem ser muito mais terríveis do que nos parecem, à primeira vista. Não se trata, apenas, de arrancar o escalpo, mas às vezes arrancar até a lateral do rosto, com orelha e tudo. E tudo isso na infância ou na adolescência. Os efeitos psicológicos são devastadores.
Portanto, toda ajuda é mais do que bem vinda. Parabéns à Esamaz pela iniciativa.
A Escola Superior da Amazônia (Esamaz) fez ontem um trote educacional com orientação em solidariedade às vítimas de escalpelamento no Pará. Uma palestra aconteceu no campus da Municipalidade para os novos e antigos alunos do curso de Enfermagem: participaram o diretor de Planejamento Educacional, Reinaldo Gonçalves, o diretor de Ensino e Pesquisa de Extensão, Adalto Guesser, a representante do Comitê Estadual de Erradicação dos Acidentes de Escalpelamento, Iraquelma Castro, e a assistente social e palestrante Patrícia Gomes.
“Os estudantes de enfermagem tem por ‘obrigação’ prevenir para problemas assim. Eles são multiplicadores e fazem um papel fundamental na vida de comunidades que não tem tanta informação”, defendeu a assistente social Patrícia Gomes.
De acordo com informações da Secretaria de Saúde do Pará (Sespa), em 2010 houve redução dos acidentes de escalpelamento: apenas quatro foram registrados. Em 2009 esse número chegou a 24. A redução é reflexo dos trabalhos de prevenção feitos nas comunidades ribeirinhas.
TROTE SOLIDÁRIO
A aluna do 2º ano, Laila Garcia, prestava atenção redobrada à palestra: “É muito bom para nos conscientizar da gravidade que é o acidente. Podemos ser solidários com o problema”. A caloura Cleide Vilhena comemorou: “Estou começando com o pé direito. Me enchendo de informações que são muito úteis”.
No final do mês os alunos de enfermagem encerrarão o trote solidário com visita ao Espaço Acolher, que cuida de escalpelados. Os alunos devem também doar lenços para as cabeças dos acidentados.(Diário do Pará)
Mesmo compreendendo desde logo a gravidade do problema, depois que vi uma exposição da Marinha sobre as meninas escalpeladas, no campus da UFPA, tive uma noção maior dele. Não sabia da quantidade de casos nem de como as lesões podem ser muito mais terríveis do que nos parecem, à primeira vista. Não se trata, apenas, de arrancar o escalpo, mas às vezes arrancar até a lateral do rosto, com orelha e tudo. E tudo isso na infância ou na adolescência. Os efeitos psicológicos são devastadores.
Portanto, toda ajuda é mais do que bem vinda. Parabéns à Esamaz pela iniciativa.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
O Brega Jurídico
Repercuto artigo publicado, entre nós, pelo Blog do Alencar. O tema já foi abordado aqui em outras oportunidades: a forma como os juristas ou quase isso usam a linguagem para se expressar, para confundir ou para se trumbicar, como queiram.
Com vocês, o Brega Jurídico.
Com vocês, o Brega Jurídico.
Meu camarão
Segundo o jornal de hoje, 80% da produção de camarão-rosa do Pará são destinados à exportação, sendo 60% para o Japão e 20% para a Europa. Somente os 20% restantes são comercializados internamente.
Alguém pode me dizer por que os japoneses merecem comer o nosso camarão mais do que nós?
Por favor, ninguém me responda com a obviedade tosca de que eles pagam um preço maior pelo produto. Isso até os plânctons sabem. A minha pergunta vai mais fundo e tem a ver com o desinteresse de todas as instâncias de governo, em todas as épocas, em assegurar que os brasileiros tenham o direito de usufruir um pouco mais de suas riquezas naturais. Para nós sempre sobra o rebutalho, desde os tempos do Brasil-colônia.
Mas, que eu sabia, não somos mais uma colônia já há algum tempo, certo?
Alguém pode me dizer por que os japoneses merecem comer o nosso camarão mais do que nós?
Por favor, ninguém me responda com a obviedade tosca de que eles pagam um preço maior pelo produto. Isso até os plânctons sabem. A minha pergunta vai mais fundo e tem a ver com o desinteresse de todas as instâncias de governo, em todas as épocas, em assegurar que os brasileiros tenham o direito de usufruir um pouco mais de suas riquezas naturais. Para nós sempre sobra o rebutalho, desde os tempos do Brasil-colônia.
Mas, que eu sabia, não somos mais uma colônia já há algum tempo, certo?
Colação de grau
Naturalmente, para um professor universitário colações de grau são acontecimentos rotineiros. E a industrialização do entretenimento leva a uma certa padronização dos eventos, em alguns casos até com perda da espontaneidade. Entretanto, há um elemento pessoal que jamais pode ser ignorado: os sentimentos que nos unem aos nossos ex-alunos. Por isso, entra ano, sai ano, se me convidam, jamais deixo de comparecer às solenidades de colação grau, tanto a cerimônia acadêmica quanto o baile. E uma vez lá, vibro com os meus pupilos, imbuído de um sentimento paternal que sempre tive e que, segundo penso, é uma das demonstrações do que acredito ser minha destinação natural à docência. Definitivamente, essa é a carreira em que eu preciso estar.
Ontem à noite, estive em um baile de formatura. Uma turma vespertina da qual me separei um semestre antes do previsto, para readequar o meu horário em função do nascimento de minha filha. Uma escolha que precisei fazer, naquela conjuntura, mas não sem uma sensação de perda. Ontem, estive com eles de novo, e na honrosa condição de homenageado, juntamente com os colegas Luciana Fonseca, Eduardo Lima Filho, Valena Jacob, Liandro Faro (paraninfo) e Aline Chamié (nome da turma).
É sempre maravilhoso viver essa última confraternização e dizer a eles que continuamos por lá, à disposição, se pudermos ajudar em seus futuros desafios profissionais e também acadêmicos, para aqueles que continuarão na academia. Foi particularmente emocionante passear pelo salão, abraçando um a um cada colando, oportunidade de fazer algo de que gosto muito: interagir com as famílias. Adoro dizer aos pais o que penso de seus filhos. Alguns reagem de uma maneira que só vendo, o que aconteceu ontem, p. ex.
Enfim, acabou. Vai-se a turma do Carlos Thiago e de sua namorada violoncelista Karla Harada; da Monike, da Paulinha Godoy, da Ana Paula Moncherry, dos Ivans (Lauzid e Mello), do blogueiro Leonardo Nóvoa, da Lúcia Helena, dos grandões Igor e Nelson e de tanta, mas tanta gente bacana, que na minha próxima aula no turno da tarde será inevitável olhar o corredor procurando por eles. Mas a vida segue sempre em frente e assim precisa ser.
Por isso, que tenham todos muito sucesso e alegria em suas vidas. Os professores continuamos no lugar de sempre, na torcida.
Ontem à noite, estive em um baile de formatura. Uma turma vespertina da qual me separei um semestre antes do previsto, para readequar o meu horário em função do nascimento de minha filha. Uma escolha que precisei fazer, naquela conjuntura, mas não sem uma sensação de perda. Ontem, estive com eles de novo, e na honrosa condição de homenageado, juntamente com os colegas Luciana Fonseca, Eduardo Lima Filho, Valena Jacob, Liandro Faro (paraninfo) e Aline Chamié (nome da turma).
É sempre maravilhoso viver essa última confraternização e dizer a eles que continuamos por lá, à disposição, se pudermos ajudar em seus futuros desafios profissionais e também acadêmicos, para aqueles que continuarão na academia. Foi particularmente emocionante passear pelo salão, abraçando um a um cada colando, oportunidade de fazer algo de que gosto muito: interagir com as famílias. Adoro dizer aos pais o que penso de seus filhos. Alguns reagem de uma maneira que só vendo, o que aconteceu ontem, p. ex.
Enfim, acabou. Vai-se a turma do Carlos Thiago e de sua namorada violoncelista Karla Harada; da Monike, da Paulinha Godoy, da Ana Paula Moncherry, dos Ivans (Lauzid e Mello), do blogueiro Leonardo Nóvoa, da Lúcia Helena, dos grandões Igor e Nelson e de tanta, mas tanta gente bacana, que na minha próxima aula no turno da tarde será inevitável olhar o corredor procurando por eles. Mas a vida segue sempre em frente e assim precisa ser.
Por isso, que tenham todos muito sucesso e alegria em suas vidas. Os professores continuamos no lugar de sempre, na torcida.
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