É verdade que, em se tratando de um musical, os atores ainda precisam de maior preparação vocal. Mas uma das belezas do teatro é, justamente, pensar que em apenas três meses de ensaio eles conseguiram chegar ao nível exibido. E, convenhamos, cantar sem o auxílio de qualquer microfone ou outro tipo de auxílio, de cara para a plateia, não é para qualquer um.
Em Acorde Margarida, uma repartição pública cósmica chamada Departamento da Memória Popular recebe o pedido para retirar do esquecimento a Sra. Margarida Schivasappa, que ninguém parece saber quem foi. Para piorar, duas melhores se apresentam como a própria Margarida, deixando atônita a esquisita responsável pelo serviço, Dona Memê. Resgatando lembranças e mostrando habilidades (como entoar a lindíssima "Canção sentimental", de Heitor Villa-Lobos, de quem Margarida foi uma das mais bem sucedidas alunas), as duas precisam provar quem é a verdadeira mulher a ser resgatada.
O espetáculo é leve, divertido, e conta com canções originais muito boas. Todos estão de parabéns.
Ainda dá tempo de ver a última récita, logo mais às 20h, no Teatro Universitário Cláudio Barradas.
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E as crianças não têm direito a um pouco de cultura? Têm, sim. Convidado pelo amigo Michel Ferro, descobri que às 11 horas da manhã dos domingos o belíssimo Centro Cultural SESC Boulevard (na Boulevard Castilhos França, de frente para a Estação das Docas) abre suas portas para um espetáculo no qual cinco músicos e um mestre de cerimônias nos levam de volta no tempo, entoando famosas canções infantis, dos tempos em que se fazia coisa boa para crianças.
O passeio nos leva ao Sitio do Pica-Pau Amarelo e aos especiais infantis que fizeram história na TV Globo, como A Arca de Noé, Casa de Brinquedos e Pluct, Plact Zum. Ao final, a proposta é um pouco desvirtuada, com a inclusão de temas gravados pela insuportável Xuxa e sem a assinatura de nenhum mestre da música brasileira, mas é possível perdoar o deslize, porque a essa altura muitos já levantaram da cadeira.
O mestre de cerimônias foi muito aplaudido quando lembrou que, naquele tempo, fazia-se música boa para crianças. Mas "depois que a mulher sentou na boquinha da garrafa", caímos em desgraça e aí vieram muitas porcarias, como o "Créu", até chegarmos ao "Ai, se eu te pego". Claro que eu concordo com ele.
É preciso ficar de olho na programação do SESC Boulevard, porque toda semana há uma atração para as crianças, com música ou teatro. Mas é importante verificar o horário. E um detalhe: a entrada é gratuita. E com a divulgação, o pequeno auditório lota em questão de segundos.
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Quem foi que disse que em Belém não há opções culturais, mesmo?


















