sexta-feira, 14 de julho de 2017

Houve um tempo

O tempo dos blogs acabou faz tempo. Mais de 10 anos atrás, estavam no auge. Qualquer pessoa, inclusive insignificâncias como eu, criavam os seus e se danavam a falar sobre tudo e mais um pouco. Mas o curioso é que havia audiência e reciprocidade. Criei um grupo muito seleto de amigos na blogosfera. Mais de uma década depois, seguem tão amigos e tão virtuais quanto antes.

Mas a internet é impiedosa e as ferramentas vão se sucedendo e mudando as práticas. As redes sociais são um fator relevante. O finado Orkut nem tanto, talvez porque as pessoas se organizassem em torno das comunidades. Mas o modelo do Facebook privilegia as postagens individuais, a emissão de opiniões, de modo que aquelas ideias que você compartilhava em seu blog começaram a migrar para a plataforma do Zuckerberg, por ser mais rápida e proporcionar maior alcance.

Também surgiram outras redes, como o Twitter, esmagando a expressão na banalidade de seus 140 caracteres. As pessoas, que já liam pouco, ficaram cada vez mais convictas de que qualquer coisa com dois parágrafos já é um "textão". É ridículo e triste, mas as pessoas hoje em dia pedem desculpas por escrever dois parágrafos! Sem dúvida, o mundo empobreceu.

Com tantas redes sociais, nas quais as pessoas se danaram a publicar de tudo, inclusive as maiores tolices e desimportâncias, como o passo a passo do próprio dia ou os check ins e check outs de qualquer coisa, além de mergulhar na fantasia da felicidade, mostrando ao mundo apenas os lados mais recortados da vida real, blogs não tinham mais espaço e foram se requalificando. Os que permaneceram ganharam objetos mais delimitados, à exceção talvez dos jornalísticos, que seguem versando sobre qualquer coisa. Hoje, sucesso na internet é ser youtuber. Mas você também pode ser um blogueiro bem sucedido se publicar sobre coisas importantes, como moda e maquiagem. Obviamente, há elevadas doses de ironia aqui.

A par dessa reconfiguração, eu também mudei. E muito. Perdi o élan para a ação virtual, bem como a disposição para os conflitos que frequentemente surgiam. Também percebi que não preciso ter opinião sobre tudo e, mesmo tendo, não preciso compartilhar todas. Nem me animo mais as afirmações contundentes, que me colocavam tão dono da verdade, o que ninguém é. Nesse ponto, acho que melhorei. Em meio a isso tudo, claro, houve os meus dramas familiares, que me roubaram quase toda a disposição. Com tudo isso, este blog entrou em estado terminal e, a despeito dos esforços, nunca mais saiu.

Volta e meia, sinto vontade de mantê-lo vivo. Afinal, há umas postagens bem interessantes nele; algumas até engraçadas. Acima de tudo, ele poderia ser requalificado como um blog de interesse para estudiosos das ciências criminais. Por isso ele vai ficando. Uma hora, eu acerto a mão. E de vez em quando alguém passa por aqui e me lê. Às vezes de muito longe. Isso é realmente legal.

O blog é um arquivo de quase 11 anos de uma vida. Isso pode não significar nada para quase ninguém, mas significa para mim. Acredito que justifique sua permanência. Mesmo com esta sensação de escrever para mim mesmo. Mas vai que alguém aparece por aqui? Que seja bem vindo, então. Receba meu abraço.

4 comentários:

André Uliana disse...

Amigo Yudice,

Se "enquanto houver bambu, lá vai flecha", enquanto houver postagem, lá vai ter leitor.

Em tempo. Abandonei o Facebook há quase dois anos (muita coisa negativa). Então, prefiro o blog!

Ramon Bentes disse...

Caro Professor,
eu venho aqui todos os dias. Mesmo que mude de segmento manterei a assiduidade.
Abraços

Anônimo disse...

Apareciiiiii......... Continue aparecendo você também. Se o Facebook e o profundo Twitter são vitrines do que as pessoas fazem ou querem mostrar aos outros, creio que os blogs têm vida inteligente(não todos é claro, pois há aqueles de maquiagem(ou maquilagem?), aqueles que discutem porque o milho da pipoca estoura, qual o benefício para a humanidade com o recorde daquela energúmena que correu 47 km de costas, aqueles que discutem por que a pele dos jogadores de futebol e dos cozinheiros....ops....chefs, mais parecem um pergaminho, etc, etc).
O Facebook é a parte "social" das pessoas, onde mostram o que comeram, a que horas peidaram, a viagem que fizeram, etc. Também afaga o ego das pessoas, ao trombetear que fulano tem 567 amigos, sicrano tem 1.987 amigos, etc. Se o cara for hospitalizado e não comunicar isto no seu Face, nenhum desses milhares de amigos sequer lhe fará uma ligação.
Assim, ainda que a "baixa audiência" ou a falta de interesse possa desestimular, espero que você continue com o blog, ainda que de forma bissexta , pois sempre é bom termos um local para discutir alguns temas.

Abraços

Kenneth

Yúdice Andrade disse...

Meus amigos, vocês três são fieis de verdade. Fico extremamente feliz com esse retorno. Merecem toda a minha atenção. Assim, este blog há de ser atualizado sempre que possível. Se ele se tornar uma espécie de chá dos cavalheiros, já está bom demais! Abraço grande em todos.