domingo, 16 de outubro de 2011

Um ambiente mais belo

Já escrevi sobre o assunto aqui no blog. Declarei minha aversão a concursos de beleza, mas considero extremamente positivo realizá-los no âmbito do sistema penitenciário. O motivo? Deixo que a diretora de um presídio de Campo Grande (MS) esclareça:


depois do concurso o comportamento das 299 internas que vivem em regime fechado, mudou. “Depois do dia do desfile o assunto entre as meninas só é esse. Todas comentam sobre o concurso e o ambiente ficou muito mais agradável”.

Um dos maiores desafios do sistema penitenciário é conservar a dignidade do ser humano, sem o que se torna impossível obter qualquer beneficio, pessoal ou social, da violência que é a pena. Os concursos de beleza, nessa perspectiva, resgatam a autoestima e mobilizam as participantes e seu entorno por um objetivo agradável, em vez de deixá-las no ócio total ou no planejamento de más ações. Além disso, a valorização da beleza física pode ser um sintoma, uma lembrança de que existe beleza em mim. Quem sabe não seja o começo de um caminho de volta, fora do crime, em um futuro próximo?

3 comentários:

Luiza Duarte Leão disse...

Também sou a favor de qualquer medida que devolva a autoestima aos presos, que lhes distraia e proporcione momentos de lazer a alegria.
Ocorreu-me, porém, que podes continuar sendo contra concursos de beleza. Se eles são tão importantes para as presas, é porque são supervalorizados no mundo. Elas sentem que tem algo que a sociedade reconhece como especial.
Há outras formas de proporcionar bons momentos, como um concurso musical, literário, teatral ou um campeonato esportivo. O efeito provavelmente não seria o mesmo, pois os valores da sociedade adentram os muros do presidio: mais vale uma mulher bela do que talentosa.
De qualquer forma, a mudança tem que ser geral, então, enquanto ela não ocorrer e essa for a maneira mais eficaz de resgatar a autoestima das presas, que seja feita!

Yúdice Andrade disse...

Tens razão na ponderação, Luiza. Mas a primeira coisa que me passou pela cabeça, quando li a matéria, foi que valorizar a beleza implica em valorizar algo que a pessoa é, mesmo que seja apenas o seu exterior. Se premiássemos as suas obras artísticas ou esportivas, isso seria bom, mas ainda assim menos impactante, penso eu, sem qualquer base científica para afirmá-lo.
Creio que esta minha especulação é cabível, sobretudo porque nos referimos a pessoas que não alcançam maiores elucubrações existenciais, já que passaram a maior parte de suas vidas lutando pelos objetivos mais comezinhos. Então a solução é falar uma linguagem que entendem. Comecemos pela beleza, então. Mas em vez de fazer às candidatas perguntas estúpidas sobre (des)conhecimentos gerais, poderíamos induzi-las a pensar na beleza interior. Que tal?

Jean Pablo disse...

Direitos Humanos para humanos direitos, diz o bocrado datenista.

Ou seja, quem fez por merecer estar preso não merece dignidade.

Desculpe, mas é que toda vez que leio uma notícia de pessoas encarceradas a primeira coisa que vem a mente é: "Vamos ver quanto tempo irá demorar para aparecer um devoto do Santo Datena, defendsor das pessoas de bem".

Em tempo (ou não), desejo-lhe felicidades pelo dia dos professores. Aliás, em virtude das visitas ao seu blog, considero-me aluno seu, afinal sempre quando entro aqui, aprendo algo.

Grande abraço mestre e primo.