terça-feira, 13 de março de 2012

Provincianismo brasileiro

Eu detesto provincianismo e, de quebra, tenho a maior antipatia pela monarquia. Repudio nobrezas de qualquer ordem, inclusive aquelas tão comuns hoje em dia, que nada têm a ver com linhagens de reis, e sim com sobrenomes e contas bancárias. Resulta daí que me embrulhou o estômago a cobertura obsessiva que a imprensa brasileira realizou sobre o casamento havido na família real inglesa, em abril do ano passado. Desculpaí, Luiza. Mas o fato não interessava em nada, ou não deveria interessar, aos brasileiros, já que não interfere nas relações entre Brasil e Inglaterra.

Banhado em suor, o Príncipe Harry aparece na
sacada do hotel, entre dois assessores
Nos últimos dias, a babaquarice tomou conta da taba por causa da visita do Príncipe Harry, o terceiro na linha sucessória da monarquia britânica (música triunfal ao fundo). Ele passou dois dias no Rio de Janeiro, onde esteve para... para... para quê, mesmo?

Nenhuma reportagem que consultei esclareceu o motivo da viagem, deixando-me com a impressão de que foi apenas lazer ou, no máximo, uma politiquinha de boas vizinhanças com a simpática gente brasileira. Ouvi qualquer coisa sobre ser um agradecimento por uma escola de samba ter homenageado Londres, que sediará as próximas olimpíadas, este ano. Ah, tá.

Como todo turista endinheirado faz em suas visitas ao Brasil, Harry visitou favelas, que agora somos obrigados a chamar de comunidades, e interagiu com a população local. Tudo devidamente escoltado por policiais (que não assassinaram nenhum cidadão inglês alegando confundi-lo com um chefe do narcotráfico por estar com roupas suspeitas) que não deixaram o rapaz perceber os tiros disparados no Complexo do Alemão.

E como convém a um membro da família real inglesa, Harry teve que demonstrar seu vigor físico, adquirido em anos de bem sucedida carreira de jogador de quadribol. Por isso, ele jogou rugby, polo, futebol, vôlei de praia, capoeira e, claro, pagou mico com as tentativas de dançar os ritmos locais. Um delírio! Coisa para dona de casa nenhuma esquecer! À noite, estava tão cansado que nem participou de um último evento.

E aí o rapaz foi embora, deixando uma saudade imensa no coração das alpinistas sociais que nem chegaram a vê-lo pessoalmente. Mas os laços entre as duas nações irmãs foram fortalecidos, claro. Só faltou o Elton John vir na comitiva, para cantar "Candle in the wind", em homenagem à finada mãe do visitante, o que teria emocionado o país mais do que o hino nacional entoado em estádio de futebol.

Lindo.

3 comentários:

Luiza Duarte Leão disse...

Hahahahaha eu desculpo, é claro!

Espero que não deixes de gostar de mim, mas continuo firme e forte na minha simpatia pela monarquia inglesa, apesar de admitir sua completa inutilidade.

Yúdice Andrade disse...

Eu estava preocupado com o teu silêncio, Luiza. Eu precisava fazer a crítica, para continuar a ser eu, mas escrevi preocupado em não te agredir, direta ou indiretamente.
Jamais deixaria de gostar de ti. Não existe essa possibilidade, com tantas concordâncias que já encontramos. Abraços.

Luiza Duarte Leão disse...

Yúdice, eu avisei que agora era uma "visitante errante". Por pouco tempo, espero, mas agora ando com um "lag" de uns 5 dias!
Agradeço a preocupação, que demonstra consideração, mas aviso que ela é descabida. Se tem algo que eu me orgulho em mim, é de não me ofender quando alguém discorda do que eu penso. Pode ficar tranquilo. Na verdade, eu gostei da lembrança! Achei engraçada!