domingo, 10 de janeiro de 2016

Downton Abbey — No começo da temporada final

Em 31.1.2013, publiquei uma postagem apresentando o seriado televisivo inglês Downton Abbey, àquela altura em sua segunda temporada. Expliquei com vários detalhes do que trata e, em âmbito mais pessoal, declarei que ele se tornou um ponto de luz em meio aos seriados mais habitualmente vistos em minha casa — a grande maioria uma montoeira de crimes, desgraças, zumbis e monstros. Certo dia, dei-me conta, com alegria, que Downton Abbey se tornara o meu programa de TV favorito, por sua beleza, leveza, pelo encantamento proporcionado pelas vidas daquelas pessoas que você anseia reencontrar.

O tempo passou e o seriado não se tornou nenhum fenômeno de público, ao menos no Brasil. Coisas da indústria televisiva. Mas nunca deixou de ser aclamado pelos críticos e de acumular indicações a prêmios (aqui, a lista do IMDb), tendo vencido o Globo de Ouro nas categorias de melhor série (2012) e de melhor atriz coadjuvante (Maggie Smith, 2013, e Joanne Froggatt, 2015). Também se tornou figurinha fácil no Emmy, onde se destacou em categorias ligadas à reconstituição de época, música, roteiro e direção, além de inúmeras indicações aos atores, tendo sido agraciada Maggie Smith (2011). Em 2013 e 2015, venceu o Screen Actors Guild de melhor elenco, prêmio também concedido a Maggie Smith em 2014.

Sobre as premiações, vale recordar quando Joanne Froggatt venceu o Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante. O fato rendeu esta postagem aqui, porque a personagem vivida pela atriz sofrera um estupro e esse crime gerou uma série de consequências terríveis na série. Mas Froggatt revelou, em seu discurso de agradecimento, que muitas mulheres lhe haviam mandado mensagens de agradecimento pelo modo como retratou o sofrimento de uma mulher estuprada. Sem querer, acabou se tornando uma porta-voz, justamente em uma noite em que as mulheres brilharam por outros motivos retratados na mesma postagem.

Em dezembro último, Downton Abbey chegou ao fim como o programa mais assistido na TV britânica. No Brasil, a temporada derradeira está em exibição. Independentemente da queda na audiência, sempre soubemos que um enredo centrado no declínio da aristocracia inglesa, com pretensões ao realismo, tinha data para acabar. Ao todo, foram explorados 13 anos de história e, enfim, sabe-se que a Inglaterra continua sendo uma monarquia e que os ingleses são os inventores dos tabloides e de sua indústria de futilidades, hoje chamada de "imprensa de celebridades". Mas o país se modernizou e a matéria-prima da série acabou. Com isso, temos a vantagem da finalização planejada, dando-se aos produtores a oportunidade de concluir todas as tramas e não deixar pontas soltas.

Hoje, assistimos ao primeiro episódio da temporada final. E duas subtramas importantes tiveram o seu desfecho. Em ambos os casos, provocando mais uma vez aquela leveza no coração, o sorriso nos lábios e o desejo de ver mais.


Volto a recomendar enfaticamente este belíssimo trabalho, um entretenimento inteligente, bonito e capaz de inspirar muitas reflexões sobre o modo como vivemos.

2 comentários:

Emy Mafra disse...

Comecei a acompanhar a série depois de ler uma postagem aqui. E simplesmente adorei as mudanças que a guerra trouxe à Inglaterra e ao cotidiano dos personagens, o que, de certa forma, trouxe um conforto pela flexibilidade da família em que se centra a série, o que certamente deve ter sido uma exceção naquele contexto. E esse conforto com certeza vem de nossas preferências contra majoritárias. Já consegui ver até o final e fiquei bastante satisfeita. Vai deixar saudade.

Yúdice Andrade disse...

Que bom que a indicação valeu! Vou assistindo aos poucos e já me preparando para essa despedida, que só me deixa bons frutos.