Provavelmente muitas pessoas sem nenhuma relação direta com o fato deixaram suas casas para ir à missa de sétimo dia, em intenção dos mortos no massacre de Realengo. Fizeram-no por sinceros sentimentos de solidariedade e espírito de comunidade. Normal. Normal até demais, além de benfazejo. Nada que justifique, p. ex., a grande imprensa destacar que Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, tenha ido à cerimônia.
É comum a imprensa se comportar dessa forma: promover uma espécie de irmandade entre os familiares de vítimas de violência. Evidentemente, pessoas que passaram por experiências assemelhadas, sobretudo quando traumáticas, tendem a se reconhecer. Mas isso tem valor quando ocorre de forma espontânea. Tenho a impressão, contudo, de que forças externas tentam, de todo modo, criar uma espécie de categoria à parte de brasileiros. A criação dos vitimizados pela violência serviria para lhes dar visibilidade e legitimidade para reivindicações específicas junto ao poder público.
É dessas reivindicações que tenho medo. Porque como o processo é artificial, são essas forças externas que criarão as pautas, de acordo com os seus sempre obscuros objetivos.
Pense bem: na grande maioria dos casos, o que as vítimas e seus familiares mais querem é tocar as suas vidas adiante e, se possível, esquecer. O revolvimento de suas dores é uma das formas mais comuns de vitimização secundária. É fazê-los reviver o mal e levá-los a uma nova fase de sofrimento.
Para quê?
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Slow motion
Outra noite, vendo TV Pirata, revi a esquete na qual uma senhora, interpretada por Cristina Pereira, entrava numa repartição pública para pedir uma guia de recolhimento. Debochar do serviço público era uma das tônicas do programa. Cada vez que os servidores, interpretados por Guilherme Karam e Diogo Vilela, precisavam fazer alguma coisa, entrava uma câmera lenta, com direito à distorção da voz, como quando os antigos discos de vinil tocavam em velocidade sub-normal.
Belém parece ter amanhecido desse jeito hoje. Tudo ao meu redor está em ritmo humorístico. Só que não tem a menor graça.
Belém parece ter amanhecido desse jeito hoje. Tudo ao meu redor está em ritmo humorístico. Só que não tem a menor graça.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Cuidados que não podem ser menoscabados
Na madrugada de ontem, morreu em um hospital de Santa Rita do Sapucaí (MG) um menino de 7 anos, internado após sofrer um acidente aparentemente banal na escola, no qual bateu a cabeça contra um colega e depois uma parede. Segundo a reportagem, a escola atendeu o menino, mas confiou que ele estava bem, porque não chorou. Disse a diretora que passou a mão em sua cabeça e não havia um galo, por isso ela se despreocupou.
Eis o erro. Com lesão traumática no crânio não se brinca. É uma questão física de certa forma elementar: a energia produzida pelo trauma não se perde; ela se concentra em algum lugar. A intumescência popularmente conhecida como "galo" é exatamente a reação do corpo à concentração da energia mecânica. Por isso, dizem os médicos, em caso de acidentes desse tipo, é até melhor quando o galo aparece. Se ele não se manifesta fora do crânio, o dano pode estar dentro, tomando a forma, p. ex., de um coágulo.
Para piorar a situação dos leigos, as lesões traumáticas podem produzir resultados tardios. Você dá aquela olhada na pessoa e parece que tudo está bem. Dali a algum tempo, horas, os resultados aparecem. O caso do menino mineiro é clássico: dor de cabeça e vômito. Somente ao apresentar esses sintomas ele foi levado para um hospital. Devia ter ido imediatamente.
Longe de mim querer dizer que A ou B deve ser responsabilizado por essa morte. Não é o que estou fazendo. Reconheço que há um impulso natural das pessoas em minimizar os acidentes que não parecem desde logo graves. Eu mesmo sou assim. Há um tempo, levei minha mãe na marra a um hospital, após ela ser derrubada por um motorista de ônibus e se estabacar de costas no piso do veículo. Não sosseguei enquanto ela não foi consultada e submetida a exames por imagem. Mas no dia em que minha filha completou dois anos, ela ficou de pé em uma poltrona e tombou de lado, acertando a testa num piso lajotado, com força. Uma queda de quase um metro. Tomamos as providências imediatas, em casa, mas nem cogitamos uma consulta médica. Felizmente, nada ocorreu, mas nós minimizamos o episódio.
Pondo-me no lugar de quem lida com acidentes desse tipo, observo que o melhor mesmo é não pagar para ver. O acidentado parece bem? Ótimo, mas o ideal é conferir isso com um especialista. Infelizmente, no Brasil uma singela consulta médica pode virar uma via crucis, mesmo para quem tem plano de saúde, mas qualquer transtorno é melhor do que ter que lidar com o inesperado, o impensado horror.
Eis o erro. Com lesão traumática no crânio não se brinca. É uma questão física de certa forma elementar: a energia produzida pelo trauma não se perde; ela se concentra em algum lugar. A intumescência popularmente conhecida como "galo" é exatamente a reação do corpo à concentração da energia mecânica. Por isso, dizem os médicos, em caso de acidentes desse tipo, é até melhor quando o galo aparece. Se ele não se manifesta fora do crânio, o dano pode estar dentro, tomando a forma, p. ex., de um coágulo.
Para piorar a situação dos leigos, as lesões traumáticas podem produzir resultados tardios. Você dá aquela olhada na pessoa e parece que tudo está bem. Dali a algum tempo, horas, os resultados aparecem. O caso do menino mineiro é clássico: dor de cabeça e vômito. Somente ao apresentar esses sintomas ele foi levado para um hospital. Devia ter ido imediatamente.
Longe de mim querer dizer que A ou B deve ser responsabilizado por essa morte. Não é o que estou fazendo. Reconheço que há um impulso natural das pessoas em minimizar os acidentes que não parecem desde logo graves. Eu mesmo sou assim. Há um tempo, levei minha mãe na marra a um hospital, após ela ser derrubada por um motorista de ônibus e se estabacar de costas no piso do veículo. Não sosseguei enquanto ela não foi consultada e submetida a exames por imagem. Mas no dia em que minha filha completou dois anos, ela ficou de pé em uma poltrona e tombou de lado, acertando a testa num piso lajotado, com força. Uma queda de quase um metro. Tomamos as providências imediatas, em casa, mas nem cogitamos uma consulta médica. Felizmente, nada ocorreu, mas nós minimizamos o episódio.
Pondo-me no lugar de quem lida com acidentes desse tipo, observo que o melhor mesmo é não pagar para ver. O acidentado parece bem? Ótimo, mas o ideal é conferir isso com um especialista. Infelizmente, no Brasil uma singela consulta médica pode virar uma via crucis, mesmo para quem tem plano de saúde, mas qualquer transtorno é melhor do que ter que lidar com o inesperado, o impensado horror.
terça-feira, 12 de abril de 2011
Interrupção seletiva da gestação: síndrome de Edwards
O juiz Jesseir Coelho de Alcântara, da 1ª Vara de Crimes Dolosos contra a Vida de Goiânia (GO), autorizou aborto de um feto diagnosticado como portador da Síndrome de Edwards. Em Goiânia e Aparecida de Goiânia foram registrados 17 casos de autorização judicial de aborto nos últimos dois anos.
"A doença é caracterizada por anomalias que afetam órgãos vitais, como o coração e o cérebro", afirmou o juiz. "E há o perigo concreto de risco de vida para a gestante". O inglês John Hilton Edwards (1928-2007), professor de genética na Universidade de Oxford, foi quem identificou a doença, em 1960. Provocada pela presença de um cromossomo a mais, o 18, a síndrome provoca anomalias nos sistemas cardiovasculares, gastrointestinal, urogenital e músculo esquelético.
No caso da profissional liberal P.C., de 41 anos, a síndrome de Edwards - a segunda em maior incidência após a síndrome de Down - foi detectada na fase intrauterina, por meio de exames de ultrassom. Agora, o procedimento de aborto será realizado no Hospital das Clínicas (HC), em Goiânia.
Anencéfalo
O juiz Jesseir Alcântara comentou sobre a previsão do Código Penal (CP) para o aborto terapêutico, em casos de "perigo concreto" à vida da gestante, e em situações de risco sentimental decorrentes de estupro ou atentado violento ao pudor. Por fim, e mesmo não prevista na lei, existe a hipótese do aborto eugênico, diante do risco ou perigo de vida para o feto, ou nascer com graves deformidades.
Esta última hipótese resultou, hoje, numa segunda decisão do juiz da 1ª Vara de Crimes Dolosos contra a Vida de Goiânia. Ele autorizou o aborto de feto anencéfalo à dona de casa K.S., de 29 anos. "Nos dois casos, a Justiça considerou primordial a proteção à vida, à saúde física e psicológica da gestante", acredita a advogada Terezinha Lima Coqueiro. "Ele também salientou a alta taxa de letalidade (95%) dos fetos e dos bebês na gestação e no parto".
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/geral,juiz-autoriza-aborto-de-feto-doente-em-goias,705339,0.htm
Para saber mais sobre a síndrome de Edwards: http://www.ghente.org/ciencia/genetica/trissomia18.htm
Digam o que disserem, concordo com o juiz, mesmo considerando que a criança afetada pela moléstia pode viver até dois anos. Mas viver com que qualidade?
"A doença é caracterizada por anomalias que afetam órgãos vitais, como o coração e o cérebro", afirmou o juiz. "E há o perigo concreto de risco de vida para a gestante". O inglês John Hilton Edwards (1928-2007), professor de genética na Universidade de Oxford, foi quem identificou a doença, em 1960. Provocada pela presença de um cromossomo a mais, o 18, a síndrome provoca anomalias nos sistemas cardiovasculares, gastrointestinal, urogenital e músculo esquelético.
No caso da profissional liberal P.C., de 41 anos, a síndrome de Edwards - a segunda em maior incidência após a síndrome de Down - foi detectada na fase intrauterina, por meio de exames de ultrassom. Agora, o procedimento de aborto será realizado no Hospital das Clínicas (HC), em Goiânia.
Anencéfalo
O juiz Jesseir Alcântara comentou sobre a previsão do Código Penal (CP) para o aborto terapêutico, em casos de "perigo concreto" à vida da gestante, e em situações de risco sentimental decorrentes de estupro ou atentado violento ao pudor. Por fim, e mesmo não prevista na lei, existe a hipótese do aborto eugênico, diante do risco ou perigo de vida para o feto, ou nascer com graves deformidades.
Esta última hipótese resultou, hoje, numa segunda decisão do juiz da 1ª Vara de Crimes Dolosos contra a Vida de Goiânia. Ele autorizou o aborto de feto anencéfalo à dona de casa K.S., de 29 anos. "Nos dois casos, a Justiça considerou primordial a proteção à vida, à saúde física e psicológica da gestante", acredita a advogada Terezinha Lima Coqueiro. "Ele também salientou a alta taxa de letalidade (95%) dos fetos e dos bebês na gestação e no parto".
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/geral,juiz-autoriza-aborto-de-feto-doente-em-goias,705339,0.htm
Para saber mais sobre a síndrome de Edwards: http://www.ghente.org/ciencia/genetica/trissomia18.htm
Digam o que disserem, concordo com o juiz, mesmo considerando que a criança afetada pela moléstia pode viver até dois anos. Mas viver com que qualidade?
Um cordel nada encantado, mas necessário
A notícia é velha (do ano passado) e já teve o seu momento de correr a rede mundial de computadores. Mesmo assim, confesso que nunca tomei conhecimento do caso até receber um e-mail a respeito, hoje. Como as pessoas acreditam e retransmitem tudo, sem pensar, tomei o cuidado de checar as informações e descobri que o fato é verídico. Refiro-me a um cordel composto por um dos mais famosos artistas do gênero esculhambando (rectius: falando a verdade) sobre o Big Brother Brasil.
Os leitores do blog, notadamente aqueles que apreciam o dito programa, devem ter observado que, desta vez, não dediquei uma só vírgula a essa baboseira superlativa. Decidi assim porque sempre rola um estresse e, no final, eu estava dando cartaz para a porcaria. Fiz o certo e a ignorei por completo, não estando sozinho nisso, já que a audiência foi significativamente mais baixa nesta 11ª edição, a sugerir que mesmo a patuscada um dia cansa.
Eis-me aqui, porém, falando do malsinado assunto, mas apenas porque eu não poderia deixar de divulgar o cordel de Antônio Barretto, que reproduzo conforme se encontra em http://mais.uol.com.br/view/e8h4xmy8lnu8/o-cordel-de-antnio-barreto-0402983970DC892326.
O educador Antônio Barreto, um dos maiores cordelistas da Bahia, acaba de retornar ao Brasil com os versos mais afiados que nunca depois da polêmica causada com o cordel "Caetano Veloso: um sujeito alfabetizado, deselegante e preconceituoso".
Desta vez o alvo é o anacrônico programa BBB-10 da TV Globo. Nesse novo cordel intitulado "Big Brother Brasil, um programa imbecil" ele não deixa pedra sobre pedra. São 25 demolidoras septilhas (estrofes de 7 versos). Só para dar um gostinho:
Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.
Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.
Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.
Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.
Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.
O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.
Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.
Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.
Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.
Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.
Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.
A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.
Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.
Talvez haja objetivo
“professor” Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.
Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.
É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.
Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.
A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.
E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.
E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.
E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.
A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.
Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.
Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?
Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…
Salvador, 16 de janeiro de 2010.
* * *
Antonio Barreto nasceu nas caatingas do sertão baiano, Santa Bárbara, na Bahia.
É autor de um dos mais recentes e estrondosos sucessos da Internet, o cordel "Caetano Veloso: um sujeito alfabetizado, deselegante e preconceituoso".
Professor, poeta e cordelista. Amante da cultura popular, dos livros, da natureza, da poesia e das pessoas que vieram ao Planeta Azul para evoluir espiritualmente.
Graduado em Letras Vernáculas e pós graduado em Psicopedagogia e Literatura Brasileira.
Seu terceiro livro de poemas, Flores de Umburana, foi publicado em dezembro de 2006 pelo Selo Letras da Bahia.
Possui incontáveis trabalhos em jornais, revistas e antologias, com mais de 100 folhetos de cordel publicados sobre temas ligados à Educação, problemas sociais, futebol, humor e pesquisa, além de vários títulos ainda inéditos.
Antonio Barreto também compõe músicas na temática regional: toadas, xotes e baiões.
O cordel "Big Brother Brasil, um programa imbecil" é imperdível e está completinho aqui, em primeira mão: http://cachacaaraci.wordpress.
Os leitores do blog, notadamente aqueles que apreciam o dito programa, devem ter observado que, desta vez, não dediquei uma só vírgula a essa baboseira superlativa. Decidi assim porque sempre rola um estresse e, no final, eu estava dando cartaz para a porcaria. Fiz o certo e a ignorei por completo, não estando sozinho nisso, já que a audiência foi significativamente mais baixa nesta 11ª edição, a sugerir que mesmo a patuscada um dia cansa.
Eis-me aqui, porém, falando do malsinado assunto, mas apenas porque eu não poderia deixar de divulgar o cordel de Antônio Barretto, que reproduzo conforme se encontra em http://mais.uol.com.br/view/e8h4xmy8lnu8/o-cordel-de-antnio-barreto-0402983970DC892326.
O educador Antônio Barreto, um dos maiores cordelistas da Bahia, acaba de retornar ao Brasil com os versos mais afiados que nunca depois da polêmica causada com o cordel "Caetano Veloso: um sujeito alfabetizado, deselegante e preconceituoso".
Desta vez o alvo é o anacrônico programa BBB-10 da TV Globo. Nesse novo cordel intitulado "Big Brother Brasil, um programa imbecil" ele não deixa pedra sobre pedra. São 25 demolidoras septilhas (estrofes de 7 versos). Só para dar um gostinho:
Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.
Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.
Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.
Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.
Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.
O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.
Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.
Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.
Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.
Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.
Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.
A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.
Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.
Talvez haja objetivo
“professor” Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.
Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.
É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.
Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.
A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.
E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.
E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.
E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.
A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.
Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.
Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?
Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…
Salvador, 16 de janeiro de 2010.
* * *
Antonio Barreto nasceu nas caatingas do sertão baiano, Santa Bárbara, na Bahia.
É autor de um dos mais recentes e estrondosos sucessos da Internet, o cordel "Caetano Veloso: um sujeito alfabetizado, deselegante e preconceituoso".
Professor, poeta e cordelista. Amante da cultura popular, dos livros, da natureza, da poesia e das pessoas que vieram ao Planeta Azul para evoluir espiritualmente.
Graduado em Letras Vernáculas e pós graduado em Psicopedagogia e Literatura Brasileira.
Seu terceiro livro de poemas, Flores de Umburana, foi publicado em dezembro de 2006 pelo Selo Letras da Bahia.
Possui incontáveis trabalhos em jornais, revistas e antologias, com mais de 100 folhetos de cordel publicados sobre temas ligados à Educação, problemas sociais, futebol, humor e pesquisa, além de vários títulos ainda inéditos.
Antonio Barreto também compõe músicas na temática regional: toadas, xotes e baiões.
O cordel "Big Brother Brasil, um programa imbecil" é imperdível e está completinho aqui, em primeira mão: http://cachacaaraci.wordpress.
Onde as crianças dormem
Com seu profundo senso de humanidade, o blogueiro Fernando Sampaio publicou lá no Domisteco, Fernandel mais uma de suas contundentes postagens. Trata-se da apresentação do trabalho do fotógrafo James Mollison, que decidiu registrar os locais em que dormem as crianças, em diversos locais do mundo. Para tanto, o artista mostra a criança e o seu quarto, ou o que faz as vezes de, acrescentando uma legenda explicativa sobre o universo do pequeno retratado.
Eu fiquei impactado, olhando seriamente para as imagens. Não vi felicidade ali.
Em primeiro lugar, a constatação já conhecida de que o nível de renda cai conforme escurece a pele do indivíduo. Em vários casos, a miséria é cruciante e a infância, perdida. Mas mesmo entre as crianças brancas e de melhor condição financeira, os valores invertidos estão em rota de produzir adultos infelizes ou perigosas. Vemos, p. ex., a menininha de 4 anos que já participou de mais de cem campeonatos de beleza e vive cercada por seus prêmios. E o garoto de 11 — americano, é claro — que vive cercado de armas e se veste como um soldado, quiçá um candidato a mass murderer em futuro não tão distante.
James Mollison merece todos os elogios. Mas meu estômago está apertado. Veja aqui.
Eu fiquei impactado, olhando seriamente para as imagens. Não vi felicidade ali.
Em primeiro lugar, a constatação já conhecida de que o nível de renda cai conforme escurece a pele do indivíduo. Em vários casos, a miséria é cruciante e a infância, perdida. Mas mesmo entre as crianças brancas e de melhor condição financeira, os valores invertidos estão em rota de produzir adultos infelizes ou perigosas. Vemos, p. ex., a menininha de 4 anos que já participou de mais de cem campeonatos de beleza e vive cercada por seus prêmios. E o garoto de 11 — americano, é claro — que vive cercado de armas e se veste como um soldado, quiçá um candidato a mass murderer em futuro não tão distante.
James Mollison merece todos os elogios. Mas meu estômago está apertado. Veja aqui.
Como se fosse...
O espetáculo “Como Se Fosse...”, com direção de Wlad Lima e texto de Hudson Andrade, continua em cartaz no espaço experimental A Casa da Atriz. A montagem segue em temporada até o mês de junho, às quartas, quintas e sextas, sempre às 20h e ingressos R$ 20.
“Como Se Fosse...” é uma espécie de celebração ao teatro, assinalando o primeiro ano de intensas atividades e parcerias do coletivo “A Casa da Atriz”. Formado por artistas e técnicos em artes cênicas em abril de 2010, o grupo desenvolve atividades artísticas na cidade, em três frentes principais de atuação: espetáculos, ciclos de leituras dramáticas e o projeto “Curta a Cena”.
Esta é a terceira montagem feita pelo coletivo, inaugurado com o espetáculo-solo “A Troca e a Tarefa”, que comemorou os 25 anos de carreira da atriz Yeyé Porto. Em dezembro passado também foi apresentado “O Glorioso Auto do Nascimento do Cristo-Rei – A Sétima Peleja”, em parceria com a Companhia Teatral Nós Outros. A Casa da Atriz também propõe-se ainda a receber artistas para ensaios, palestras, apresentações, além de promover oficinas, workshops, etc.
ESSÊNCIA
Hudson Andrade [na foto, com Leoci Medeiros] escreveu Deus Ex Machina entre maio e junho de 2010 a partir de um trabalho conjunto de leituras, conversas e colagens. Estimulado pelo ator Bill Aguiar e pelo diretor Adriano Barroso, o dramaturgo ia produzindo cenas onde o teatro é o protagonista e os atores são atores em sua essência.
Wlad Lima criou uma encenação que parte do texto para mostrar ao público o teatro que ele normalmente não vê: a intimidade do camarim com suas manias e pequenas mesquinharias, a luz e o cenário com personagens, o humano que existe em quem a cada sessão vive a vida alheia feita de textos, maquiagem, figurinos e emoções tantas – algumas contraditórias, outras sufocadas. Todas intensas.
SERVIÇO
Espetáculo “Como Se Fosse” segue em temporada até junho, com apresentações às quartas, quintas e sextas, sempre às 20h. Ingressos: R$ 20. Aos domingos, sessões fechadas, com público mínimo de dez pessoas. A Casa da Atriz fica na Rua Oliveira Belo, 95, (entre Generalíssimo Deodoro e D. Romualdo de Seixas). Informações: 8266 4397 / 8733 2067 e casadaatriz@gmail.com.
FICHA TÉCNICA
Texto: Hudson Andrade
Direção: Wlad Lima
Assistência de direção: Yeyé Porto
Elenco: Hudson Andrade e Leoci Medeiros
Preparação corporal: Karine Jansen
Iluminação: Sônia Lopes
Cenário, adereços, figurinos e máscaras: Néder Charone
Direção de palco: Frank Costa
Produção: Paulo Porto e Yeyé Porto
Arte: Wlad Lima (a partir de fotos de Brenda Nunes)
Matéria do Diário do Pará.
“Como Se Fosse...” é uma espécie de celebração ao teatro, assinalando o primeiro ano de intensas atividades e parcerias do coletivo “A Casa da Atriz”. Formado por artistas e técnicos em artes cênicas em abril de 2010, o grupo desenvolve atividades artísticas na cidade, em três frentes principais de atuação: espetáculos, ciclos de leituras dramáticas e o projeto “Curta a Cena”.
Esta é a terceira montagem feita pelo coletivo, inaugurado com o espetáculo-solo “A Troca e a Tarefa”, que comemorou os 25 anos de carreira da atriz Yeyé Porto. Em dezembro passado também foi apresentado “O Glorioso Auto do Nascimento do Cristo-Rei – A Sétima Peleja”, em parceria com a Companhia Teatral Nós Outros. A Casa da Atriz também propõe-se ainda a receber artistas para ensaios, palestras, apresentações, além de promover oficinas, workshops, etc.
ESSÊNCIA
Hudson Andrade [na foto, com Leoci Medeiros] escreveu Deus Ex Machina entre maio e junho de 2010 a partir de um trabalho conjunto de leituras, conversas e colagens. Estimulado pelo ator Bill Aguiar e pelo diretor Adriano Barroso, o dramaturgo ia produzindo cenas onde o teatro é o protagonista e os atores são atores em sua essência.
Wlad Lima criou uma encenação que parte do texto para mostrar ao público o teatro que ele normalmente não vê: a intimidade do camarim com suas manias e pequenas mesquinharias, a luz e o cenário com personagens, o humano que existe em quem a cada sessão vive a vida alheia feita de textos, maquiagem, figurinos e emoções tantas – algumas contraditórias, outras sufocadas. Todas intensas.
SERVIÇO
Espetáculo “Como Se Fosse” segue em temporada até junho, com apresentações às quartas, quintas e sextas, sempre às 20h. Ingressos: R$ 20. Aos domingos, sessões fechadas, com público mínimo de dez pessoas. A Casa da Atriz fica na Rua Oliveira Belo, 95, (entre Generalíssimo Deodoro e D. Romualdo de Seixas). Informações: 8266 4397 / 8733 2067 e casadaatriz@gmail.com.
FICHA TÉCNICA
Texto: Hudson Andrade
Direção: Wlad Lima
Assistência de direção: Yeyé Porto
Elenco: Hudson Andrade e Leoci Medeiros
Preparação corporal: Karine Jansen
Iluminação: Sônia Lopes
Cenário, adereços, figurinos e máscaras: Néder Charone
Direção de palco: Frank Costa
Produção: Paulo Porto e Yeyé Porto
Arte: Wlad Lima (a partir de fotos de Brenda Nunes)
Matéria do Diário do Pará.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Mais Azul em Belém
A Azul Linhas Aéreas já pediu à Agência Nacional de Aviação Civil — ANAC autorização para operar dois novos voos partindo de Belém, um para Manaus, outro para Fortaleza. Isso indica que temos sido um destino rentável para a empresa, o que é ótimo, porque só a concorrência dá algum alento ao consumidor brasileiro.
Este ano, a Azul receberá 18 aviões novinhos e deve começar a operar em mais 20 destinos, terminando o ano com mais destinos dentro do Brasil do que a TAM. Alguém duvidava dos planos do Sr. David Neeleman para abocanhar o mercado?
Caso a ANAC defira os pedidos em tempo normal, é possível que os novos voos comecem a funcionar no dia mais importante do ano: 10 de julho. Considerando que são destinos muito caros aos paraenses, a notícia é auspiciosa.
Fontes: http://www.linhaaerea.com/2011/04/06/azul-quer-ampliar-o-numero-de-voos-em-belem-e-salvador/; http://www.melhoresdestinos.com.br/azul-novos-destinos-2011.html
Este ano, a Azul receberá 18 aviões novinhos e deve começar a operar em mais 20 destinos, terminando o ano com mais destinos dentro do Brasil do que a TAM. Alguém duvidava dos planos do Sr. David Neeleman para abocanhar o mercado?
Caso a ANAC defira os pedidos em tempo normal, é possível que os novos voos comecem a funcionar no dia mais importante do ano: 10 de julho. Considerando que são destinos muito caros aos paraenses, a notícia é auspiciosa.
Fontes: http://www.linhaaerea.com/2011/04/06/azul-quer-ampliar-o-numero-de-voos-em-belem-e-salvador/; http://www.melhoresdestinos.com.br/azul-novos-destinos-2011.html
Os novos tempos
Um vídeo com 23 minutos de duração: assim é a petição inicial de uma ação civil pública que o Procurador da República Ramiro Rockenbach protocolou perante a Justiça Federal de Mato Grosso do Sul. O feito, inédito, é também cauteloso: o procurador protocolou também uma petição convencional, para não ser pego de calças curtas. O zelo se justifica, pois já está aberta a discussão sobre se um documento audiovisual tem ou não valor processual.
Como não se pode parar o mundo, sou favorável à novidade. Afinal, só mesmo um apego obsessivo e tacanho a velhas fórmulas para obstar que se use, no processo, aquilo que cada vez mais pessoas utilizam no seu dia a dia. Não me convence, de modo algum, a velha cantilena do cerceamento do direito de defesa. Balela. Pode ser que, no final das contas, a estratégia do procurador fosse desnecessária no caso concreto e tenha um efeito mais emocional. Todavia, daí a dizer que ela não poderia ser intentada vai uma longa distância.
Como não se pode parar o mundo, sou favorável à novidade. Afinal, só mesmo um apego obsessivo e tacanho a velhas fórmulas para obstar que se use, no processo, aquilo que cada vez mais pessoas utilizam no seu dia a dia. Não me convence, de modo algum, a velha cantilena do cerceamento do direito de defesa. Balela. Pode ser que, no final das contas, a estratégia do procurador fosse desnecessária no caso concreto e tenha um efeito mais emocional. Todavia, daí a dizer que ela não poderia ser intentada vai uma longa distância.
Cores, enfim
Nunca entendi como o mesmo brasileiro que adora entulhar o carro com palhaçadas de todo tipo insiste em comprar veículos na cor prata, a mais sem personalidade que existe, conseguindo ser mais irritante do que o branco. Detesto carros prata, detesto carros brancos e jamais compraria uma cor dessas, a menos que importasse num negócio extraordinário. Mesmo assim, viveria frustrado com o carrinho inexpressivo.
Por isso, é com alívio que tomo conhecimento de que, finalmente, os carros coloridos começam a fazer sucesso, um provável reflexo da quantidade crescente de jovens adquirindo os seus próprios veículos. E em que pese o fato de que, realmente, os clássicos tendem a possuir melhor valor de revenda, os mais chamativos tendem a ser menos visados por ladrões, porque são mais fáceis de reconhecer, mesmo à distância. Outra vantagem é a possibilidade de redução do número de acidentes. Dois argumentos valiosos, a meu ver.
Para mim, que não aprecio monotonia (e que preferi um vistoso verde metalizado na última vez que precisei escolher), só a maior alegria nas ruas já seria razão suficiente para apostar nas cores.
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| Para o Novo Uno, a Fiat investiu na variedade de cores. O plano tem dado certo. |
Para mim, que não aprecio monotonia (e que preferi um vistoso verde metalizado na última vez que precisei escolher), só a maior alegria nas ruas já seria razão suficiente para apostar nas cores.
sábado, 9 de abril de 2011
Convicção
A postagem anterior a esta acabou me levando de volta a um escritor cujas obras já me emocionaram bastante. Acabei topando com sua sepultura, cujo epitáfio me fez admirá-lo ainda mais. Conheça:
Nikos Kazantzákis (Iráklio, Ilha de Creta, 8.2.1883 — Freiburg im Breisgau, Alemanha, 26.10.1957), considerado o maior escritor e filósofo grego do século XX. Era também poeta. Entre suas obras estão (em negrito as que li): O capitão Michális, O Cristo recrucificado, Os irmãos inimigos, Zorba, o grego (provavelmente a mais famosa, também muito conhecida em sua versão cinematográfica), A última tentação (a parte final "de Cristo" foi inserida no título do extraordinário filme de Martin Scorsese, de 1988), Ascese, Odisseia, Testamento para El Greco e O pobre de Deus (sobre São Francisco de Assis). Maiores informações sobre estes livros você pode encontrar, em português, aqui.
Abaixo, o túmulo, em sua cidade natal:
Nikos Kazantzákis (Iráklio, Ilha de Creta, 8.2.1883 — Freiburg im Breisgau, Alemanha, 26.10.1957), considerado o maior escritor e filósofo grego do século XX. Era também poeta. Entre suas obras estão (em negrito as que li): O capitão Michális, O Cristo recrucificado, Os irmãos inimigos, Zorba, o grego (provavelmente a mais famosa, também muito conhecida em sua versão cinematográfica), A última tentação (a parte final "de Cristo" foi inserida no título do extraordinário filme de Martin Scorsese, de 1988), Ascese, Odisseia, Testamento para El Greco e O pobre de Deus (sobre São Francisco de Assis). Maiores informações sobre estes livros você pode encontrar, em português, aqui.
Abaixo, o túmulo, em sua cidade natal:
Δεν ελπίζω τίποτα. Δεν φοβούμαι τίποτα. Είμαι ελεύθερος.
(Não espero nada. Não temo nada. Sou livre.)
Morremos como vivemos
Ao final do magnífico documentário Ônibus 174 — que retrata a vida de Sandro Barbosa do Nascimento, sobrevivente da "chacina da Candelária" e autor de um dos episódios criminais mais conhecidos do país, e que levou o cineasta José Padilha (Tropa de elite 1 e 2) à fama — vemos o enterro do jovem criminoso. Acompanhava o corpo uma única pessoa: sua mãe adotiva, que atira umas flores na cova simplória e especula, chorando, que Jesus o perdoará. Mais cedo, a tia biológica do rapaz — que já nos contara do trauma por ele sofrido ao ver a mãe, gestante, ser assassinada a facadas — informara, também chorando, que não pode ir ao enterro por medo de represálias. Afinal, ela era a tia do bandido.
Desde que começou a cobertura jornalística sobre o massacre na escola Tasso da Silveira, sabe lá por qual razão, martela-me a cabeça uma curiosidade: o que será feito do cadáver de Wellington Menezes de Oliveira, o inimigo público n. 1 do Brasil (esta semana)? E isso antes mesmo de saber que ele deixara uma estranha carta dando instruções sobre o que fazer com seu corpo e pedindo que, se possível, fosse posto ao lado de onde sua mãe dorme.
Minha curiosidade tem a ver com o fato de antecipar que nenhum parente reclamará o corpo do atirador de Realengo. Um de seus cinco irmãos, encontrado por jornalistas "próximo a Brasília", nem quis se identificar, por medo das implicações. Quem, a esta altura, há de querer associar-se ao matador, por mais inocente que seja? Com isso, o Município o enterrará como indigente, com certeza.
Alguns aspectos curiosos podem ser observados nesse caso, que nos remetem a sanções morais de triste memória, já abolidas formalmente do ordenamento jurídico — o que não impede de continuarem a ocorrer na realidade.
Execração da memória
Pena de origem religiosa, mas depois assimilada pelo poder temporal, dava ao criminoso (normalmente alguém que cometera crimes contra o soberano, ou que caíra em desgraça perante este, mesmo sem jamais ter perpetrado qualquer violência) a condição de "maldito". Seu nome e sua lembrança deveriam ser odiados para sempre e, frequentemente, o opróbrio se estendia a seus descendentes. Era comum que o juiz assinasse, na sentença, quantas gerações seriam atingidas pelo anátema. Veja-se o caso de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, cujo único crime foi tramar, com outros, a independência do Brasil (e ser pobre, porque os conspiradores fidalgos foram condenados, porém tiveram melhor sorte). Na sentença que o condenou, além da pena de morte, foi prevista a condição de maldito, por si e por seus descendentes até a 4ª geração.
Além da violação ao princípio da intranscendência da pena (somente aquele que cometeu ou participou do crime pode merecer uma pena), os filhos, netos, bistetos e trinetos, ainda nem nascidos, sofriam a condenação. Todavia, como naquela época não havia registro civil (os documentos mais confiáveis sobre a identidade das pessoas eram os "banhos", assentos de batismo que podiam ser encontrados nas igrejas), o prejudicado podia simplesmente mudar de nome, para qualquer coisa que não o relacionasse nem de longe ao condenado que, assim, caía no esquecimento até mesmo entre os seus.
A execração da memória de Wellington é absolutamente garantida, pelo sentimento espontâneo da sociedade e pela manipulação midiática. E mesmo que parentes de vítimas fatais tenham dito aos demais enlutados, durante os velórios, que esquecessem qualquer ideia de justiça com as próprias mãos (odeio esta expressão!), não faltará gente para bradar aos céus contra o morto e, inclusive, para deixar na caixa de comentários desta postagem as habituais idiotices que me escrevem e que eu, na maior parte dos casos, simplesmente deleto.
Seja como for, Wellington já foi abandonado também por sua família, como morto.
Negativa de sepultura
Também oriunda do Direito Canônico, negava aos proscritos o direito aos ritos religiosos e a uma sepultura em solo consagrado. Atingia habitualmente os suicidas, mas atingiu também um dos maiores escritores gregos de todos os tempos: Nikos Kazantzakis, em 1957. Seu crime? Escrever o belíssimo romance A última tentação [de Cristo], incluído pelo Vaticano no Index dos Livros Proibidos.
No caso de Wellington, rejeitado pela família (acuada ou por vontade própria, ignoro-o), ele não terá direito a uma sepultura, senão à vala dos indigentes. O que pode até ser bom, para evitar a criação de um espaço de visitação hostil, sujeito a atos de vandalismo ou, pior, ao culto de gente doida varrida, alucinada por violência.
No final das contas, o caso de Wellington parece confirmar a máxima segundo a qual morremos conforme vivemos. No caso dele, sozinho e detestado.
Desde que começou a cobertura jornalística sobre o massacre na escola Tasso da Silveira, sabe lá por qual razão, martela-me a cabeça uma curiosidade: o que será feito do cadáver de Wellington Menezes de Oliveira, o inimigo público n. 1 do Brasil (esta semana)? E isso antes mesmo de saber que ele deixara uma estranha carta dando instruções sobre o que fazer com seu corpo e pedindo que, se possível, fosse posto ao lado de onde sua mãe dorme.
Minha curiosidade tem a ver com o fato de antecipar que nenhum parente reclamará o corpo do atirador de Realengo. Um de seus cinco irmãos, encontrado por jornalistas "próximo a Brasília", nem quis se identificar, por medo das implicações. Quem, a esta altura, há de querer associar-se ao matador, por mais inocente que seja? Com isso, o Município o enterrará como indigente, com certeza.
Alguns aspectos curiosos podem ser observados nesse caso, que nos remetem a sanções morais de triste memória, já abolidas formalmente do ordenamento jurídico — o que não impede de continuarem a ocorrer na realidade.
Execração da memória
Pena de origem religiosa, mas depois assimilada pelo poder temporal, dava ao criminoso (normalmente alguém que cometera crimes contra o soberano, ou que caíra em desgraça perante este, mesmo sem jamais ter perpetrado qualquer violência) a condição de "maldito". Seu nome e sua lembrança deveriam ser odiados para sempre e, frequentemente, o opróbrio se estendia a seus descendentes. Era comum que o juiz assinasse, na sentença, quantas gerações seriam atingidas pelo anátema. Veja-se o caso de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, cujo único crime foi tramar, com outros, a independência do Brasil (e ser pobre, porque os conspiradores fidalgos foram condenados, porém tiveram melhor sorte). Na sentença que o condenou, além da pena de morte, foi prevista a condição de maldito, por si e por seus descendentes até a 4ª geração.
Além da violação ao princípio da intranscendência da pena (somente aquele que cometeu ou participou do crime pode merecer uma pena), os filhos, netos, bistetos e trinetos, ainda nem nascidos, sofriam a condenação. Todavia, como naquela época não havia registro civil (os documentos mais confiáveis sobre a identidade das pessoas eram os "banhos", assentos de batismo que podiam ser encontrados nas igrejas), o prejudicado podia simplesmente mudar de nome, para qualquer coisa que não o relacionasse nem de longe ao condenado que, assim, caía no esquecimento até mesmo entre os seus.
A execração da memória de Wellington é absolutamente garantida, pelo sentimento espontâneo da sociedade e pela manipulação midiática. E mesmo que parentes de vítimas fatais tenham dito aos demais enlutados, durante os velórios, que esquecessem qualquer ideia de justiça com as próprias mãos (odeio esta expressão!), não faltará gente para bradar aos céus contra o morto e, inclusive, para deixar na caixa de comentários desta postagem as habituais idiotices que me escrevem e que eu, na maior parte dos casos, simplesmente deleto.
Seja como for, Wellington já foi abandonado também por sua família, como morto.
Negativa de sepultura
Também oriunda do Direito Canônico, negava aos proscritos o direito aos ritos religiosos e a uma sepultura em solo consagrado. Atingia habitualmente os suicidas, mas atingiu também um dos maiores escritores gregos de todos os tempos: Nikos Kazantzakis, em 1957. Seu crime? Escrever o belíssimo romance A última tentação [de Cristo], incluído pelo Vaticano no Index dos Livros Proibidos.
No caso de Wellington, rejeitado pela família (acuada ou por vontade própria, ignoro-o), ele não terá direito a uma sepultura, senão à vala dos indigentes. O que pode até ser bom, para evitar a criação de um espaço de visitação hostil, sujeito a atos de vandalismo ou, pior, ao culto de gente doida varrida, alucinada por violência.
No final das contas, o caso de Wellington parece confirmar a máxima segundo a qual morremos conforme vivemos. No caso dele, sozinho e detestado.
País sem conserto
Durante a semana, se acessássemos os portais de Internet, as muitas notícias sobre o massacre na escola de Realengo saltavam na nossa cara. Chega o final de semana e só dá futebol...
Ê paisinho bunda!
Ê paisinho bunda!
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Caminhando para o desfecho
Diego, Arthur e Ian: sempre se sentaram próximos, sérios e contritos.
Elden: educado, estudioso, contido. Na hora de apresentar trabalhos, agiganta-se.
Carlos Cristiano (nome de personagem de novela mexicana, que eu sempre pronunciei arrastando os rr). Eudocy, Edmar e João Grobério (menino que certa vez me disse algo que me fez admirá-lo): vindos da turma da tarde, permaneceram comigo.
Lucas e Adriana: namorando desde que os conheci. Um casal que eu gosto de ver.
Andreza, a mãezinha em meio à garotada.
Pâmela (hoje em estilo brejeiro romântico) e Paloma (a das provas organizadas), que eu levei muito tempo para distinguir. Elas deviam achar que eu as confundia de propósito, mas eu as confundia de verdade.
Jaqueline: passei semestres elogiando os seus cabelos.
Kaio: sempre quieto, mas interessado.
Karyme, Gabriella e Bluma (a moça das notas altas), inseparáveis.
Sérgio e Rodrigo: chegaram este semestre, já no final da festa.
Estas pessoas acima nominadas estão sentadas à minha frente, resolvendo a minha prova de Direito Penal IV. Como eu lhes disse, a penúltima prova minha. Para isso ser verdade, eles só precisam passar direto. Só isso.
Olhando para eles, tão compenetrados, percebo que já começo a sentir falta. Nem sempre consigo ficar os quatro semestres com a turma, mas com esta eu consegui. E a longa convivência está chegando ao fim. Dentro de pouco mais de dois meses, terá terminado. Como tenho inclinações à nostalgia, pego-me aqui contemplando esses meninos e meninas, com vontade de lhes dizer o quanto se tornaram importantes para mim. Eles o saberão, é claro, porque a Rádio Cipó lhes dará ciência desta postagem. E saberiam de todo modo, porque nunca me despeço de uma turma sem lhes dedicar uma mensagem final. Mas decidi escrever porque um blog pessoal, como todo diário, vive dos impulsos de seu dono. Um blog pessoal não tem compromisso com pautas; ele costuma ser assim, emocional. E eu só preciso de um pezinho para me permitir emotividades.
A verdade é que eu gostaria de ter produzido uma mensagem para cada uma das turmas que já deixei. Gosto das coisas que são ditas, em vez de simplesmente pressupostas. Hoje, eu disse, apenas um pouco do que poderia. Jamais diria tudo e já desisti de tentá-lo. Enfim, ainda temos muito o que fazer.
E, por enquanto, a prova continua.
PS — Difícil será lidar com o ciúme advindo desta postagem...
Elden: educado, estudioso, contido. Na hora de apresentar trabalhos, agiganta-se.
Carlos Cristiano (nome de personagem de novela mexicana, que eu sempre pronunciei arrastando os rr). Eudocy, Edmar e João Grobério (menino que certa vez me disse algo que me fez admirá-lo): vindos da turma da tarde, permaneceram comigo.
Lucas e Adriana: namorando desde que os conheci. Um casal que eu gosto de ver.
Andreza, a mãezinha em meio à garotada.
Pâmela (hoje em estilo brejeiro romântico) e Paloma (a das provas organizadas), que eu levei muito tempo para distinguir. Elas deviam achar que eu as confundia de propósito, mas eu as confundia de verdade.
Jaqueline: passei semestres elogiando os seus cabelos.
Kaio: sempre quieto, mas interessado.
Karyme, Gabriella e Bluma (a moça das notas altas), inseparáveis.
Sérgio e Rodrigo: chegaram este semestre, já no final da festa.
Estas pessoas acima nominadas estão sentadas à minha frente, resolvendo a minha prova de Direito Penal IV. Como eu lhes disse, a penúltima prova minha. Para isso ser verdade, eles só precisam passar direto. Só isso.
Olhando para eles, tão compenetrados, percebo que já começo a sentir falta. Nem sempre consigo ficar os quatro semestres com a turma, mas com esta eu consegui. E a longa convivência está chegando ao fim. Dentro de pouco mais de dois meses, terá terminado. Como tenho inclinações à nostalgia, pego-me aqui contemplando esses meninos e meninas, com vontade de lhes dizer o quanto se tornaram importantes para mim. Eles o saberão, é claro, porque a Rádio Cipó lhes dará ciência desta postagem. E saberiam de todo modo, porque nunca me despeço de uma turma sem lhes dedicar uma mensagem final. Mas decidi escrever porque um blog pessoal, como todo diário, vive dos impulsos de seu dono. Um blog pessoal não tem compromisso com pautas; ele costuma ser assim, emocional. E eu só preciso de um pezinho para me permitir emotividades.
A verdade é que eu gostaria de ter produzido uma mensagem para cada uma das turmas que já deixei. Gosto das coisas que são ditas, em vez de simplesmente pressupostas. Hoje, eu disse, apenas um pouco do que poderia. Jamais diria tudo e já desisti de tentá-lo. Enfim, ainda temos muito o que fazer.
E, por enquanto, a prova continua.
PS — Difícil será lidar com o ciúme advindo desta postagem...
Universidade Mundial de Segurança e Desenvolvimento Social das Nações Unidas
FORUM DE BELLAGIO PARA A CRIAÇÃO DA
UNIVERSIDADE MUNDIAL DE SEGURANÇA
E DESENVOLVIMENTO SOCIAL DAS NAÇÕES UNIDAS
BELLAGIO – ITÁLIA
4 A 8 DE ABRIL DE 2011
DECLARAÇÃO DE BELLAGIO
Os Participantes do Forum de Bellagio, reunidos em Assembléia no Rockefeller Foundation Bellagio Center, em 7 de Abril de 2011, tendo em conta as conclusões decorrentes das apresentações e debates realizados durante o Forum de Bellagio, firmam a presente DECLARAÇÃO:
Primeiro: A criação de uma Universidade, como centro de excelência acadêmica e de análise científica, é essencial para o progresso das políticas de segurança e desenvolvimento social, bem como para a eficácia dos instrumentos de prevenção e controle das varias formas de crime, conflitos e violência, no atual contexto global.
Segundo: O Relatório completo do Forum de Bellagio, incluindo as apresentações, debates e conclusões, será publicado mencionando os seguintes aspectos:
1. Elementos básicos do conceito de segurança, à luz do desenvolvimento social, para a proteção dos direitos humanos e aprimoramento das instituições;
2. Sugestões de estratégias para as atividades da Universidade;
3. Diretrizes para a cooperação, troca de informações e obtenção de fundos para as práticas de ensino, treinamentos e pesquisas a serem implementadas pela Universidade.
Terceiro: Os Participantes do Forum de Bellagio manifestam integral apoio à proposta de estabelecer no Brasil a sede central da Universidade, considerando que esta proposição constitui programa do Governo do Brasil, nos termos das Convenções, Principios e Normas aprovadas pelas Nações Unidas.
Quarto: A criação da Universidade Mundial de Segurança e Desenvolvimento Social das Nações Unidas se insere nas Metas do Milênio que os Paises Membros das Nações Unidas se comprometem a atingir até 2015.
Quinto: A Coordenação do Forum de Bellagio sugere entendimentos tendentes à realização de um Segundo Forum, no Rio de Janeiro, como contribuição ao aperfeiçoamento do Projeto da Universidade que será encaminhado pelo Governo do Brasil à Organização das Nações Unidas.
Sexto: Os Participantes do Forum de Bellagio, constituindo um Grupo Internacional de Experts na matéria, colocam-se à disposição do Governo do Brasil para dar suporte técnico e científico ao processo de elaboração para a criação da Universidade Mundial de Segurança e Desenvolvimento Social das Nações Unidas.
Bellagio, Itália, 7 de Abril de 2011.
A proposta é brasileira e foi encampada. O mestre Zaffaroni foi um dos votos favoráveis.
Legislando em causa própria?
Tratei ontem da aprovação, pela Câmara dos Deputados, de mais uma reforma do Código de Processo Penal, proposição já aprovada pelo Senado e que agora segue para a fase de sanção ou veto, a cargo da Poder Executivo. Mas faltou destacar um aspecto importante: os deputados rejeitaram os artigos que propunham o fim da prisão especial para certas categorias.
Medida anatematizada por muitos, não é de hoje que se fala em acabar com o "privilégio". Mas os deputados não concordaram com isso. Por que será?
Medida anatematizada por muitos, não é de hoje que se fala em acabar com o "privilégio". Mas os deputados não concordaram com isso. Por que será?
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Nos dias de minha infância, as crianças tinham medo do bicho papão, de fantasmas, dos ciganos que roubavam crianças. Mas brincavam nas ruas, despreocupadamente, inclusive à noite. As crianças de hoje têm medo que os pais se separem e da violência. Nos desenhos, os monstrinhos foram substituídos por ladrões, revólveres e vítimas ensanguentadas. Não se pode negar essa realidade. O desafio está, justamente, em ser verdadeiro com a criança sem lhe roubar o direito à inocência e à paz que merece, nessa curtíssima quadra da vida.
Psicólogos e psiquiatras hoje concordam que, diante dos infortúnios, o enfrentamento é melhor do que a negação. Jogar as dores para baixo do tapete induz a que elas continuem maltratando e, um dia, explodam em angústias mais difíceis de tratar. Em vez disso, deve-se encarar o problema, viver o luto, exteriorizá-lo, falar sobre ele. É a melhor forma de superar o trauma.
Esses profissionais e educadores estão recomendando que as escolas estimulem seus alunos a conversar sobre a tragédia de Realengo. Naturalmente, hoje muitas crianças e adolescentes devem se sentir inseguros em suas salas de aula, por isso é melhor deixar que expressem seus medos. Na proposta, achei muito positivo escrever cartas para as famílias enlutadas. Mesmo que tais cartas nunca sejam enviadas, ao menos se exercitou a solidariedade nos jovens.
Hoje ainda será um dia anormal, devido aos enterros. Mas o desafio, depois disso, é tocar a vida adiante.
Psicólogos e psiquiatras hoje concordam que, diante dos infortúnios, o enfrentamento é melhor do que a negação. Jogar as dores para baixo do tapete induz a que elas continuem maltratando e, um dia, explodam em angústias mais difíceis de tratar. Em vez disso, deve-se encarar o problema, viver o luto, exteriorizá-lo, falar sobre ele. É a melhor forma de superar o trauma.
Esses profissionais e educadores estão recomendando que as escolas estimulem seus alunos a conversar sobre a tragédia de Realengo. Naturalmente, hoje muitas crianças e adolescentes devem se sentir inseguros em suas salas de aula, por isso é melhor deixar que expressem seus medos. Na proposta, achei muito positivo escrever cartas para as famílias enlutadas. Mesmo que tais cartas nunca sejam enviadas, ao menos se exercitou a solidariedade nos jovens.
Hoje ainda será um dia anormal, devido aos enterros. Mas o desafio, depois disso, é tocar a vida adiante.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Tem que haver seleção!
Estou vendo algumas reportagens sobre o projeto de reforma do Código de Processo Penal que acabou de ser aprovado, na Câmara dos Deputados, sobre o qual publiquei outra postagem, pela manhã. E percebo que o velho problema da incompetência jornalística está prejudicando a compreensão do assunto.
Com efeito, teve matéria falando em "abrandamento de penas", ideia que repugna ao brasileiro médio, em geral desinformadíssimo. Agora mesmo o portal G1 estampou: "Câmara aprova aplicação de penas alternativas ao invés de prisão preventiva". Alhos não têm nada a ver com bugalhos. E não se trata de mero lapso, mas de um erro gravíssimo: os repórteres estão confundindo penas, que são a consequência da condenação do réu, com prisão cautelar, que é uma medida excepcional (segundo a lei, mas rotina na prática) destinada a assegurar o andamento da ação penal ou a aplicação futura da lei.
O projeto aprovado prevê a possibilidade de prisão domiciliar e o uso de tornozeleiras eletrônicas como alternativas à prisão, para crimes de menor gravidade. Mas isto não em caso de condenação, e sim como substitutivo à prisão preventiva. A intenção é reduzir os casos de encarceramento provisório. Apenas isso. Não tem nada a ver com impor penas mais leves.
Mas com jornalistas assim, fica difícil entender o que realmente aconteceu. E aí vai se repetir o que vemos todos os dias: o povo vai começar a criticar o que nem entende e o que, com frequência, nem é do jeito que estão pensando.
Com efeito, teve matéria falando em "abrandamento de penas", ideia que repugna ao brasileiro médio, em geral desinformadíssimo. Agora mesmo o portal G1 estampou: "Câmara aprova aplicação de penas alternativas ao invés de prisão preventiva". Alhos não têm nada a ver com bugalhos. E não se trata de mero lapso, mas de um erro gravíssimo: os repórteres estão confundindo penas, que são a consequência da condenação do réu, com prisão cautelar, que é uma medida excepcional (segundo a lei, mas rotina na prática) destinada a assegurar o andamento da ação penal ou a aplicação futura da lei.
O projeto aprovado prevê a possibilidade de prisão domiciliar e o uso de tornozeleiras eletrônicas como alternativas à prisão, para crimes de menor gravidade. Mas isto não em caso de condenação, e sim como substitutivo à prisão preventiva. A intenção é reduzir os casos de encarceramento provisório. Apenas isso. Não tem nada a ver com impor penas mais leves.
Mas com jornalistas assim, fica difícil entender o que realmente aconteceu. E aí vai se repetir o que vemos todos os dias: o povo vai começar a criticar o que nem entende e o que, com frequência, nem é do jeito que estão pensando.
Quem matou as crianças?
"O Provocador" ataca de novo. Não quero fazer minhas as pautas dele, mas não tenho como deixar de recomendar a leitura do texto em que ele, reportando-se ao primeiro massacre escolar da história do Brasil, divide a responsabilidade do atirador com cerca de 65% da população brasileira. O motivo está relacionado ao famigerado referendo sobre a comercialização de armas de fogo no país, de 2005, vencido pela indústria armamentista, que soube explorar muito bem o alarmismo e o talento natural de expressiva fatia da população em se deixar manipular por setores mais inteligentes e muito menos honestos.
Afora a conclusão sensacionalista, que não pode ser descartada de todo no plano pragmático, subscrevo a ideia e o estilo do texto.
Por oportuno: http://g1.globo.com/Tragedia-em-Realengo/noticia/2011/04/especialistas-defendem-mais-rigor-no-controle-de-porte-e-venda-de-armas.html
Por outro lado: http://noticias.uol.com.br/politica/2011/04/08/bancada-da-bala-descarta-culpa-da-industria-de-armas-na-tragedia-no-rio.jhtm (Preste atenção nos partidos da "Bancada da Bala": típico...)
Afora a conclusão sensacionalista, que não pode ser descartada de todo no plano pragmático, subscrevo a ideia e o estilo do texto.
Por oportuno: http://g1.globo.com/Tragedia-em-Realengo/noticia/2011/04/especialistas-defendem-mais-rigor-no-controle-de-porte-e-venda-de-armas.html
Por outro lado: http://noticias.uol.com.br/politica/2011/04/08/bancada-da-bala-descarta-culpa-da-industria-de-armas-na-tragedia-no-rio.jhtm (Preste atenção nos partidos da "Bancada da Bala": típico...)
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