Conforme eu havia dito que aconteceria, o corpo de Wellington Menezes de Oliveira não foi reclamado por nenhum parente. Mediante autorização judicial, foi enterrado num cemitério diferente daquele onde fora inumada sua mãe. Ninguém acompanhou o sepultamento, ontem.
Aconteceu tudo como esperado.
sábado, 23 de abril de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Marcante paladar
O Remanso do Peixe é um restaurante que dispensa apresentações e, definitivamente, não precisa do elogio deste humilde blogueiro. Sua trajetória, desde que nem tinha nome e recebia uns minguados clientes de cada vez na sala da residência familiar, por sinal, é marcada pela propaganda boca a boca, feita por glutões entusiasmados, que sempre atestaram o sabor maravilhoso do que serviam. Aí veio o reconhecimento, notadamente a eleição como melhor peixaria da cidade, ano após ano, pela Veja Belém (única publicação da Veja que realmente merece ser lida).
Após uma temporada sem ir lá, hoje decidimos almoçar na companhia de d. Carmen, aproveitando a presença de amigos de fora, que não conseguem esquecer aquela farofa de ovo inigualável.
Examinei bem o cardápio e, vencendo as dúvidas habituais, decidi experimentar o pirarucu defumado no leite de coco, que é servido com banana da terra e castanha-do-Pará, ingrediente este que pedi para ser suprimido, porque detesto castanhas. Veja ao lado a apresentação da iguaria.
Quando pus a primeira garfada na boca, senti um impacto duvidoso. Como todos sabem, comida defumada tem um sabor muito forte, puxando para o salgado, tendência que se intensifica na carne do pirarucu. Mas degustando com mais atenção, aproveitando o leite de coco suave, fui-me deliciando.
O paladar intenso do peixe defumado é quebrado pela doçura da banana da terra (adoro a combinação salgado-doce) e o resultado é uma experiência nova, que só provando para saber. Penso que é um prato para se amar ou não gostar. Não cabe meio termo ali.
Na próxima, eu pedirei o pirarucu normal no leite de coco, mais para variar do que por rejeição à versão defumada. Sim, é um prato muito saboroso, digno de quem busca prazeres que extrapolam a simples necessidade que temos de nos alimentar.
Experimente*.
* Como há quem logo se faça essas perguntas, o prato custa 66 reais e serve muito bem uma pessoa. Pode ser dividido por dois comedores razoáveis, principalmente se pedirem uma porção da deliciosa farofa de ovo (9 reais), mas um comilão não ficaria satisfeito só com a metade.
Após uma temporada sem ir lá, hoje decidimos almoçar na companhia de d. Carmen, aproveitando a presença de amigos de fora, que não conseguem esquecer aquela farofa de ovo inigualável.
Examinei bem o cardápio e, vencendo as dúvidas habituais, decidi experimentar o pirarucu defumado no leite de coco, que é servido com banana da terra e castanha-do-Pará, ingrediente este que pedi para ser suprimido, porque detesto castanhas. Veja ao lado a apresentação da iguaria.
Quando pus a primeira garfada na boca, senti um impacto duvidoso. Como todos sabem, comida defumada tem um sabor muito forte, puxando para o salgado, tendência que se intensifica na carne do pirarucu. Mas degustando com mais atenção, aproveitando o leite de coco suave, fui-me deliciando.
O paladar intenso do peixe defumado é quebrado pela doçura da banana da terra (adoro a combinação salgado-doce) e o resultado é uma experiência nova, que só provando para saber. Penso que é um prato para se amar ou não gostar. Não cabe meio termo ali.
Na próxima, eu pedirei o pirarucu normal no leite de coco, mais para variar do que por rejeição à versão defumada. Sim, é um prato muito saboroso, digno de quem busca prazeres que extrapolam a simples necessidade que temos de nos alimentar.
Experimente*.
* Como há quem logo se faça essas perguntas, o prato custa 66 reais e serve muito bem uma pessoa. Pode ser dividido por dois comedores razoáveis, principalmente se pedirem uma porção da deliciosa farofa de ovo (9 reais), mas um comilão não ficaria satisfeito só com a metade.
Questão de nível
Aquela academia de ginástica podre de chique da cidade acabou de reajustar os preços de suas mensalidades. Uma pessoa com acesso ao inner circle do empreendimento questionou se o jovem empresário que mantém a franquia não temia perder clientela. A resposta: o cliente que nós queremos aqui são os que podem pagar.
Mais sincero e arrogante, impossível.
O empreendimento em apreço é mesmo feito para dar lucro. Em vez de gerar empregos, como seria de se esperar de uma boa iniciativa empresarial, a tática é não contratar professores de educação física como funcionários, e sim investir nos personal trainers, que utilizam o espaço como autônomos. Sem salários e encargos, o capitalista lucra com essa gente que adora gastar para ter um personal, porque acha que isso significa status.
O tempo passa e o provincianismo de Belém do Pará não muda. E o capitalismo, claro, não mudará nunca, exceto para pior.
Mais sincero e arrogante, impossível.
O empreendimento em apreço é mesmo feito para dar lucro. Em vez de gerar empregos, como seria de se esperar de uma boa iniciativa empresarial, a tática é não contratar professores de educação física como funcionários, e sim investir nos personal trainers, que utilizam o espaço como autônomos. Sem salários e encargos, o capitalista lucra com essa gente que adora gastar para ter um personal, porque acha que isso significa status.
O tempo passa e o provincianismo de Belém do Pará não muda. E o capitalismo, claro, não mudará nunca, exceto para pior.
Paraenses vencem competição nacional de direitos humanos
No dia 19 de março, publiquei uma postagem explicando que o Núcleo de Prática Jurídica de Proteção Internacional de Direitos Humanos do CESUPA estava se preparando para participar da 16ª Competição de Julgamento Simulado do Sistema Interamericano de Direitos Humanos, em Washington. Para tanto, as instituições interessadas mandaram os seus representantes para as competições nacionais, sendo que no mês passado os acadêmicos do CESUPA terminaram em segundo lugar, extremamente bem posicionado, conforme relatei na supracitada postagem.
Mas a competição nacional, promovida pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, ainda não terminara. Terminou nesta quarta-feira, no Rio de Janeiro, e os nossos pupilos venceram!
Mal começara a nossa última noite da jornada de ciências criminais quando começamos a receber a mensagem do coordenador do curso, Prof. Sandro Simões, com a maravilhosa notícia. E para completar a nossa alegria, nossa aluna Layla Daou ganhou o prêmio de melhor oradora de toda a competição.
Desculpaí, mas temos motivos de sobra para comemorar e nos orgulhar desse belo trabalho conduzido pelos professores Paulo Klautau Filho, Luciana Fonseca e Bianca Ormanes, mas que só está sendo tão bem sucedido por conta do empenho e do talento, ambos enormes, de nossos alunos, que abraçaram a causa e, em tão pouco tempo, produziram frutos reconhecidos nacionalmente.
Que venha Washington!
Mas a competição nacional, promovida pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, ainda não terminara. Terminou nesta quarta-feira, no Rio de Janeiro, e os nossos pupilos venceram!
Mal começara a nossa última noite da jornada de ciências criminais quando começamos a receber a mensagem do coordenador do curso, Prof. Sandro Simões, com a maravilhosa notícia. E para completar a nossa alegria, nossa aluna Layla Daou ganhou o prêmio de melhor oradora de toda a competição.
Desculpaí, mas temos motivos de sobra para comemorar e nos orgulhar desse belo trabalho conduzido pelos professores Paulo Klautau Filho, Luciana Fonseca e Bianca Ormanes, mas que só está sendo tão bem sucedido por conta do empenho e do talento, ambos enormes, de nossos alunos, que abraçaram a causa e, em tão pouco tempo, produziram frutos reconhecidos nacionalmente.
Que venha Washington!
Nossa jornada de ciências criminais (3)
Terminou ontem a jornada de ciências criminais que o Grupo Amazônico de Estudos Criminais Críticos promoveu no auditório do curso de Direito do CESUPA. A última noite do evento teve palestras do advogado e professor Roberto Lauria e deste que vos escreve.
Foi legal manter alunos até as nove da noite de uma véspera de feriadão. E foi ótimo, acima de tudo, propiciar um evento para conversar sobre as ciências criminais, cujas implicações estão entre os assuntos mais debatidos por toda a sociedade, mas onde reina a mais absoluta ignorância. Justamente por conta dessa preocupação, o GAECRI deseja se constituir como um espaço para reflexão e difusão de conhecimento crítico, formando mentes aqui mesmo no Pará, sem a necessidade de bater continência para o que vem de fora.
Ao final, 31 alunos subscreveram a lista para, em futuro breve, se inserir no grupo. Por enquanto, tudo é muito incipiente e, para variar, todos somos muito ocupados. Mas estamos certos que coisas boas acontecerão. Afinal, o grupo envolve professores e alunos engajados e, inclusive, com bibliografia própria.
Aguardem notícias.
Foi legal manter alunos até as nove da noite de uma véspera de feriadão. E foi ótimo, acima de tudo, propiciar um evento para conversar sobre as ciências criminais, cujas implicações estão entre os assuntos mais debatidos por toda a sociedade, mas onde reina a mais absoluta ignorância. Justamente por conta dessa preocupação, o GAECRI deseja se constituir como um espaço para reflexão e difusão de conhecimento crítico, formando mentes aqui mesmo no Pará, sem a necessidade de bater continência para o que vem de fora.
Ao final, 31 alunos subscreveram a lista para, em futuro breve, se inserir no grupo. Por enquanto, tudo é muito incipiente e, para variar, todos somos muito ocupados. Mas estamos certos que coisas boas acontecerão. Afinal, o grupo envolve professores e alunos engajados e, inclusive, com bibliografia própria.
Aguardem notícias.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Velocidade húngara
Da última vez que o Brasil se lançou à missão de elaborar uma Constituição, o ritmo foi tipicamente brazuca: 18 meses, de 1º de fevereiro de 1987 a 5 de outubro de 1988. Isso para elaborar uma carta prolixa e cheia de conflitos internos. Contudo, diligência não é sinônimo de qualidade. O mais novo recorde mundial é da Hungria, que levou apenas 36 dias — isto mesmo: dias! — para apresentar e aprovar o projeto de sua nova constituição, que por sinal é apenas a segunda da história do país (a primeira era de 1949).
Não pense em eficiência europeia. Na verdade, a novel carta política húngara está sendo bastante criticada, pela forma (ausência de transparência do processo constitucional) e pelo conteúdo (conservadora e fortemente influenciada por valores católicos, o que já dá o tom quanto a temas relacionados a uniões homoafetivas e abortamento).
Saiba um pouco mais aqui.
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| República da Hungria (Magyar Köztársaság): pátria do processo turboconstitucional |
Não pense em eficiência europeia. Na verdade, a novel carta política húngara está sendo bastante criticada, pela forma (ausência de transparência do processo constitucional) e pelo conteúdo (conservadora e fortemente influenciada por valores católicos, o que já dá o tom quanto a temas relacionados a uniões homoafetivas e abortamento).
Saiba um pouco mais aqui.
terça-feira, 19 de abril de 2011
Para 250 passageiros
Começou a circular no último sábado, 16 de abril, o maior ônibus do mundo, com capacidade para 250 passageiros. Maior oferta de assentos sem incremento de veículos nas ruas. Com 28 metros de comprimento, é abastecido com biocombustível de soja.
Para saber se o veículo é confortável, pergunte aos curitibanos.
Para saber se o veículo é confortável, pergunte aos curitibanos.
Twitterítica XIX
O mais famoso movimento da mais famosa obra de Händel ecoa em meus ouvidos esta manhã.
Nossa jornada de ciências criminais (2)
Realizou-se ontem à noite a primeira etapa da jornada de ciências criminais promovida pelo Grupo Amazônico de Estudos Criminais Críticos, noticiada em postagem da semana passada.
Na primeira noite, palestraram os professores Manuela Dias, Ana Cláudia Pinho e Filipe Silveira. Houve uma forte ênfase nos aspectos constitucionais do Direito Penal, a revelar que um dia, de preferência em breve, todos os componentes do sistema de justiça criminal comecem a agir pautados pela Constituição, que é de 1988, isto é, não se trata de nenhuma novidade. Foi, sem nenhum favor, muito instrutivo.
Esta noite, palestrarão o acadêmico e supermonitor Antônio Graim Neto e os professores Eduardo Neves Lima Filho e Marcus Alan de Melo Gomes.
Na primeira noite, palestraram os professores Manuela Dias, Ana Cláudia Pinho e Filipe Silveira. Houve uma forte ênfase nos aspectos constitucionais do Direito Penal, a revelar que um dia, de preferência em breve, todos os componentes do sistema de justiça criminal comecem a agir pautados pela Constituição, que é de 1988, isto é, não se trata de nenhuma novidade. Foi, sem nenhum favor, muito instrutivo.
Esta noite, palestrarão o acadêmico e supermonitor Antônio Graim Neto e os professores Eduardo Neves Lima Filho e Marcus Alan de Melo Gomes.
Negócio esquisito
Quando me disseram que o Ministério Público recorrera de uma sentença absolutória, porém nas razões recursais pedira a manutenção da dita sentença, sustentando os mesmos argumentos da peça recorrida, achei que era brincadeira. Afinal, devido à exigência do interesse de agir, você só pode recorrer de uma decisão que pretende modificar. Para piorar, o defensor do réu concordou com as razões, porém pediu o não provimento do apelo.
O jeito foi manusear os autos para entender a curiosa situação.
Uma moça fora denunciada pelo crime de porte ilegal de munição de uso permitido (art. 12 da Lei n. 10.826, de 2003). Após a instrução, o juízo decidiu absolvê-la sumariamente, reconhecendo a atipicidade da conduta. O motivo era a abolitio criminis temporária trazida pela Lei n. 11.706, de 2008, que prorrogou o prazo para que o cidadão comum se desfizesse de armas e munições, sem ser incriminado. Inconformado, o promotor de justiça apelou, mas não apresentou imediatamente suas razões. Talvez tenha entrado de férias ou de licença. Por isso, as razões foram apresentadas por outro promotor, que discordou do rigor do colega e reconheceu que a sentença estava correta. Admitindo implicitamente a estranheza da situação, pediu a manutenção do julgado, invocando o princípio da independência funcional.
Restou ao defensor da ré, coitado, ao se manifestar sobre o surto esquizofrênico ministerial, pensar nas manifestações como peças distintas, pedindo o improvimento do recurso em si, devido a sua concordância com as razões sustentadas posteriormente.
Com efeito, a instituição Ministério Público é una, mas cada promotor de justiça é independente. A não é obrigado a concordar com B. No entanto, é forçoso reconhecer que esse tipo de situação inquieta; provoca surpresa em quem é acostumado aos meandros jurídicos e provável insegurança em quem está em fase de formação. Sobretudo, deixa estarrecido um leigo, com a sensação de que o sistema é uma bagunça total. E não é, evidentemente, se não a esta altura estaríamos todos mortos.
O jeito foi manusear os autos para entender a curiosa situação.
Uma moça fora denunciada pelo crime de porte ilegal de munição de uso permitido (art. 12 da Lei n. 10.826, de 2003). Após a instrução, o juízo decidiu absolvê-la sumariamente, reconhecendo a atipicidade da conduta. O motivo era a abolitio criminis temporária trazida pela Lei n. 11.706, de 2008, que prorrogou o prazo para que o cidadão comum se desfizesse de armas e munições, sem ser incriminado. Inconformado, o promotor de justiça apelou, mas não apresentou imediatamente suas razões. Talvez tenha entrado de férias ou de licença. Por isso, as razões foram apresentadas por outro promotor, que discordou do rigor do colega e reconheceu que a sentença estava correta. Admitindo implicitamente a estranheza da situação, pediu a manutenção do julgado, invocando o princípio da independência funcional.
Restou ao defensor da ré, coitado, ao se manifestar sobre o surto esquizofrênico ministerial, pensar nas manifestações como peças distintas, pedindo o improvimento do recurso em si, devido a sua concordância com as razões sustentadas posteriormente.
Com efeito, a instituição Ministério Público é una, mas cada promotor de justiça é independente. A não é obrigado a concordar com B. No entanto, é forçoso reconhecer que esse tipo de situação inquieta; provoca surpresa em quem é acostumado aos meandros jurídicos e provável insegurança em quem está em fase de formação. Sobretudo, deixa estarrecido um leigo, com a sensação de que o sistema é uma bagunça total. E não é, evidentemente, se não a esta altura estaríamos todos mortos.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Escolado
O senador mineiro e mineiramente presidenciável de longa data Aécio Neves da Cunha (51) é mesmo um artista. Para começar, é tucano só na legenda. Na verdade, ele pertence ao PAN: Partido do Aécio Neves. Eu não me surpreenderia com nenhuma atitude que tomasse para se lançar ao seu projeto-mor, que é o de chegar à presidência da República.
Para o rapaz, que não se indispõe com ninguém, não existe tempo ruim. Isso inclui os policiais que apreenderam sua carteira de habilitação na madrugada de ontem, porque o documento estava vencido. Polido e sobretudo político, "o senador cumprimentou a equipe policial responsável pelo profissionalismo e correção na abordagem feita aos motoristas durante a blitz", como afirma expressamente a nota emitida por sua assessoria de imprensa.
O documento foi apreendido por estar vencido. Uma irregularidade que qualquer mortal pode cometer, por mero descuido (até eu, que sou imortal, já incorri nesse erro, mas por apenas duas semanas; e resolvi a pendência no mesmo dia em que percebi a falta). Situação mais séria foi a recusa do senador, que voltava de um jantar a dois, em fazer o teste do bafômetro, o que configura infração gravíssima, nos termos do Código de Trânsito. Como dirigir com o documento vencido também é infração gravíssima, o senador sofreu duas multas (que, somadas, importam em R$ 1.148,54), além de ganhar 14 pontos na carteira. Não externou oposição.
Quanto ao bafômetro, porém, sua assessoria alegou que o teste não foi realizado porque o infrator apresentou uma pessoa habilitada para conduzir seu carro. Aqui, uma bola fora da assessoria. O teste do bafômetro não se destina, apenas, a impedir que o condutor embriagado prossiga na direção do veículo: ele afere se alguém embriagado dirigia até então. Portanto, o teste deveria ter sido realizado mesmo na substituição do condutor. Se não foi, alguma boa razão deve haver que, por não elucidada, sugere todo tipo de especulação, ainda mais porque poderia haver crime no contexto.
Desculpa esfarrapada, a emenda sai pior do que o soneto.
No final das contas, algum engraçadinho poderia dizer que uma pessoa que não pode conduzir o próprio carro não pode conduzir o país.
Fontes: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/04/aecio-neves-tem-habilitacao-apreendida-em-blitz-da-lei-seca-no-rio.html; http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2011/4/em_video_aecio_neves_diz_que_bafometro_serve_para_educar_motoristas_158604.html
Para o rapaz, que não se indispõe com ninguém, não existe tempo ruim. Isso inclui os policiais que apreenderam sua carteira de habilitação na madrugada de ontem, porque o documento estava vencido. Polido e sobretudo político, "o senador cumprimentou a equipe policial responsável pelo profissionalismo e correção na abordagem feita aos motoristas durante a blitz", como afirma expressamente a nota emitida por sua assessoria de imprensa.
O documento foi apreendido por estar vencido. Uma irregularidade que qualquer mortal pode cometer, por mero descuido (até eu, que sou imortal, já incorri nesse erro, mas por apenas duas semanas; e resolvi a pendência no mesmo dia em que percebi a falta). Situação mais séria foi a recusa do senador, que voltava de um jantar a dois, em fazer o teste do bafômetro, o que configura infração gravíssima, nos termos do Código de Trânsito. Como dirigir com o documento vencido também é infração gravíssima, o senador sofreu duas multas (que, somadas, importam em R$ 1.148,54), além de ganhar 14 pontos na carteira. Não externou oposição.
Quanto ao bafômetro, porém, sua assessoria alegou que o teste não foi realizado porque o infrator apresentou uma pessoa habilitada para conduzir seu carro. Aqui, uma bola fora da assessoria. O teste do bafômetro não se destina, apenas, a impedir que o condutor embriagado prossiga na direção do veículo: ele afere se alguém embriagado dirigia até então. Portanto, o teste deveria ter sido realizado mesmo na substituição do condutor. Se não foi, alguma boa razão deve haver que, por não elucidada, sugere todo tipo de especulação, ainda mais porque poderia haver crime no contexto.
Desculpa esfarrapada, a emenda sai pior do que o soneto.
No final das contas, algum engraçadinho poderia dizer que uma pessoa que não pode conduzir o próprio carro não pode conduzir o país.
Fontes: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/04/aecio-neves-tem-habilitacao-apreendida-em-blitz-da-lei-seca-no-rio.html; http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2011/4/em_video_aecio_neves_diz_que_bafometro_serve_para_educar_motoristas_158604.html
Bodes, cabras & jegues
Pelo visto, voltei de vez ao estado de natureza. Talvez seja pelo cansaço da correção das provas e pelo mau humor que me acomete, de modo impiedoso, quando se aproxima o dia de pagar imposto de renda, mesmo já tendo sido extorquido, sangrado na fonte. O mês de abril sempre me provoca uns abalos no temperamento. E aí me aparecem uns fulanos — anônimos, claro — cheios de razões, criticando meus posicionamentos pessoais, que são apenas isso mesmo, posicionamentos pessoais, e não doutrinas ou filosofias.
Sempre recebi bem críticas educadas. E aprecio muito as inteligentes. Mais de uma vez pedi desculpas aqui no blog, por variados motivos. O que eu não tolero é gente que vem dentro da minha própria casa me cobrar respeito a supostos direitos alheios, sem me ter concedido nem sequer o direito de expressão, que qualquer pessoa pode confirmar é utilizado por mim com parcimônia, sem ataques pessoais, sem nominações, sem afirmações desprovidas de fontes, etc. E protegendo, inclusive, autores de comentários que já tenham sido publicados, inclusive quando anônimos.
Para esses baluartes da moralidade alheia, minha resposta é a que aprendi com alguém que admiro: me compre um bode!
É uma forma de dizer que não acredito em seus valores unilaterais e já superei a idade de ter peninha dos corações sensíveis. Excesso de suscetibilidade se resolve no consultório do psiquiatra, com os remedinhos que ele prescrever. Não na Internet e, definitivamente, não comigo!
E já que tocamos no assunto, eu lhes apresento: o bode, nome dado ao macho adulto dos caprinos (Capra aegagrus hircus).
Bodes boer (como o da foto ao lado) e cabras saanem têm alta receptividade no mercado. Os primeiros custam em torno de 800 reais junto a um bom produtor em Atibaia, São Paulo. As fêmeas custam a metade do preço. É, a discriminação de gênero também existe entre os caprinos. Sugiro que os meus críticos corram lá em Atibaia para enquadrar o caprinocultor.
A compra pode ser feita em dinheiro ou cartão de crédito. As despesas relativas à entrega dos animais precisam ser negociadas.
Vale lembrar que a imagem dos bodes é associada a Satanás, muito em parte devido a essa representação clássica que pode ser vista à direita. Uma injustiça, é claro, porque os bichinhos jamais deram motivo para uma tal associação. Não me consta a existência de uma única fábula na qual um bode tenha trazido desgraças a quem quer que seja. Se algum sertanejo por aí perdeu sua vida em disputas por criações, obviamente que a culpa não foi justo do bode, que é juridicamente coisa, não sujeito de direitos; um bem semovente, como determina o Código Civil, para desespero das madames criadoras de bolinhas de pelo fru-frus (acabo de comprar outra briga...).
Mas como hoje estou com um humor excelente (embora não pareça), termino esta postagem com uma piadinha banal. Estão vendo esse sujeito circunspecto aí embaixo?
É o bode expiatório.
E por hoje chega de bobagens, porque esse expiatório é com x, não com s.
Sempre recebi bem críticas educadas. E aprecio muito as inteligentes. Mais de uma vez pedi desculpas aqui no blog, por variados motivos. O que eu não tolero é gente que vem dentro da minha própria casa me cobrar respeito a supostos direitos alheios, sem me ter concedido nem sequer o direito de expressão, que qualquer pessoa pode confirmar é utilizado por mim com parcimônia, sem ataques pessoais, sem nominações, sem afirmações desprovidas de fontes, etc. E protegendo, inclusive, autores de comentários que já tenham sido publicados, inclusive quando anônimos.
Para esses baluartes da moralidade alheia, minha resposta é a que aprendi com alguém que admiro: me compre um bode!
É uma forma de dizer que não acredito em seus valores unilaterais e já superei a idade de ter peninha dos corações sensíveis. Excesso de suscetibilidade se resolve no consultório do psiquiatra, com os remedinhos que ele prescrever. Não na Internet e, definitivamente, não comigo!
E já que tocamos no assunto, eu lhes apresento: o bode, nome dado ao macho adulto dos caprinos (Capra aegagrus hircus).
Bodes boer (como o da foto ao lado) e cabras saanem têm alta receptividade no mercado. Os primeiros custam em torno de 800 reais junto a um bom produtor em Atibaia, São Paulo. As fêmeas custam a metade do preço. É, a discriminação de gênero também existe entre os caprinos. Sugiro que os meus críticos corram lá em Atibaia para enquadrar o caprinocultor.
A compra pode ser feita em dinheiro ou cartão de crédito. As despesas relativas à entrega dos animais precisam ser negociadas.
Vale lembrar que a imagem dos bodes é associada a Satanás, muito em parte devido a essa representação clássica que pode ser vista à direita. Uma injustiça, é claro, porque os bichinhos jamais deram motivo para uma tal associação. Não me consta a existência de uma única fábula na qual um bode tenha trazido desgraças a quem quer que seja. Se algum sertanejo por aí perdeu sua vida em disputas por criações, obviamente que a culpa não foi justo do bode, que é juridicamente coisa, não sujeito de direitos; um bem semovente, como determina o Código Civil, para desespero das madames criadoras de bolinhas de pelo fru-frus (acabo de comprar outra briga...).
Mas como hoje estou com um humor excelente (embora não pareça), termino esta postagem com uma piadinha banal. Estão vendo esse sujeito circunspecto aí embaixo?
É o bode expiatório.
E por hoje chega de bobagens, porque esse expiatório é com x, não com s.
Radioso dia
Até mesmo eu, que gosto de luz porém não de calor, preciso admitir que esta segunda-feira começou radiosa. A certa altura, divisando o céu limpo, senti uma incomum (para uma segunda-feira de manhã) sensação de bem estar e animação. E olha que eu estava no trânsito!
Espero que o entusiasmo não seja momentâneo e que perdure por toda esta semana, que por sinal será curta. Boa e santa semana para todos nós.
Espero que o entusiasmo não seja momentâneo e que perdure por toda esta semana, que por sinal será curta. Boa e santa semana para todos nós.
sábado, 16 de abril de 2011
Comportamentos edificantes
Durante passeio com a família na última sexta-feira, 15 de abril, a apresentadora Ana Maria Braga fumou bem ao lado de sua neta de apenas dois meses de idade. Com cigarro fede em todas as direções, a criança foi molestada. E a depender da direção do vento, foi bastante prejudicada.
Com a atitude, Ana Maria conseguiu mais audiência do que com seu programa de TV. Infelizmente para ela, uma repercussão negativa. Bem feito. Como sempre digo, todo castigo para fumante é pouco.
Vou me lembrar desta imagem na próxima sala de espera de médico que me obrigar a assistir às mensagens edificantes de elevação espiritual que ela manda aos telespectadores todo santo dia.
Quem puder, por favor me confirme se a filha da apresentadora que irresponsavelmente submeteu sua filha a esse constrangimento é a mesma que postou, na Internet, as fotos de seu parto normal. Deve ser, porque foi coisa recente. Gente estranha, não? Vale lembrar que, naquela oportunidade, havia cachorros por cima da cama onde o bebê estava.
Boa sorte, garotinha.
Com a atitude, Ana Maria conseguiu mais audiência do que com seu programa de TV. Infelizmente para ela, uma repercussão negativa. Bem feito. Como sempre digo, todo castigo para fumante é pouco.
Vou me lembrar desta imagem na próxima sala de espera de médico que me obrigar a assistir às mensagens edificantes de elevação espiritual que ela manda aos telespectadores todo santo dia.
Quem puder, por favor me confirme se a filha da apresentadora que irresponsavelmente submeteu sua filha a esse constrangimento é a mesma que postou, na Internet, as fotos de seu parto normal. Deve ser, porque foi coisa recente. Gente estranha, não? Vale lembrar que, naquela oportunidade, havia cachorros por cima da cama onde o bebê estava.
Boa sorte, garotinha.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Um erro não pode impedir de viver
Muito agradável esta reportagem sobre adolescentes infratores, que retomaram os estudos e agora querem uma oportunidade de futuro. Raras vezes a imprensa dá relevo aos esforços de quem delinquiu por se ressocializar e, nos últimos tempos, a intolerância tem sido singularmente grande com os adolescentes. Nesta matéria, contudo, vemos jovens sentenciados por crimes graves (narcotráfico e roubo) que tomaram gosto pelo estudo e estão fazendo seus planos.
Apenas uma adolescente, num universo de 6.771 jovens internados no Estado de São Paulo, frequenta o ensino superior. Mesmo assim, porque sua família tem condições de pagar uma faculdade particular. É a exceção, claro. Para os demais, a falta de oportunidades é a grande companheira das más decisões, o que nos leva de volta a velhas discussões, que permanecem sempre atuais.
Fez-me lembrar a postagem que publiquei em agosto de 2007, sobre o caso de uma adolescente sentenciada por narcotráfico que, graças a uma conjuntura favorável, dava todos os sinais de recuperação. Por isso perguntei: e se tivessem desistido dela?
Também repito a pergunta com que terminei a aludida postagem: para que espécie de pessoas faremos as nossas leis?
Apenas uma adolescente, num universo de 6.771 jovens internados no Estado de São Paulo, frequenta o ensino superior. Mesmo assim, porque sua família tem condições de pagar uma faculdade particular. É a exceção, claro. Para os demais, a falta de oportunidades é a grande companheira das más decisões, o que nos leva de volta a velhas discussões, que permanecem sempre atuais.
Fez-me lembrar a postagem que publiquei em agosto de 2007, sobre o caso de uma adolescente sentenciada por narcotráfico que, graças a uma conjuntura favorável, dava todos os sinais de recuperação. Por isso perguntei: e se tivessem desistido dela?
Também repito a pergunta com que terminei a aludida postagem: para que espécie de pessoas faremos as nossas leis?
Sexta-feira
A sexta-feira amanheceu nublada em Belém, mas eu não estou nublado. Esta bem vinda sexta chega auspiciosa. Aproveito o clima para homenagear pessoas que admiro bastante:
Um ótimo dia a todos.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Idade
Um dia você percebe que está envelhecendo. A partir daí, essa sensação começa a se repetir, num ritmo mais ou menos intenso, a depender de variados fatores. Os temas de suas conversas mudam e, muitas vezes, envolvem filhos ou preocupações. Saúde, também, porque os achaques começam a se intensificar. Também pode acontecer de você se desligar um pouco das manifestações culturais e hábitos presentes, passando a preferir uns mais antigos, que lhe pareciam muito melhores.
Um bom indício de que você está envelhecendo é sentir saudade do passado, de um tempo em que as pessoas eram mais parecidas com o que você reconhece. Em que as pessoas pareciam ter mais qualidades, talvez.
Envelhecer sugere uma sensação de estar algo deslocado no mundo.
Não sei se é isso mesmo ou se sou apenas eu. Desculpe, mas o dia de hoje está tão nublado.
Um bom indício de que você está envelhecendo é sentir saudade do passado, de um tempo em que as pessoas eram mais parecidas com o que você reconhece. Em que as pessoas pareciam ter mais qualidades, talvez.
Envelhecer sugere uma sensação de estar algo deslocado no mundo.
Não sei se é isso mesmo ou se sou apenas eu. Desculpe, mas o dia de hoje está tão nublado.
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