sexta-feira, 22 de abril de 2011

Questão de nível

Aquela academia de ginástica podre de chique da cidade acabou de reajustar os preços de suas mensalidades. Uma pessoa com acesso ao inner circle do empreendimento questionou se o jovem empresário que mantém a franquia não temia perder clientela. A resposta: o cliente que nós queremos aqui são os que podem pagar.
Mais sincero e arrogante, impossível.
O empreendimento em apreço é mesmo feito para dar lucro. Em vez de gerar empregos, como seria de se esperar de uma boa iniciativa empresarial, a tática é não contratar professores de educação física como funcionários, e sim investir nos personal trainers, que utilizam o espaço como autônomos. Sem salários e encargos, o capitalista lucra com essa gente que adora gastar para ter um personal, porque acha que isso significa status.
O tempo passa e o provincianismo de Belém do Pará não muda. E o capitalismo, claro, não mudará nunca, exceto para pior.

8 comentários:

caio disse...

Bom, se for a que imagino, procede. Até porque é onde faço. Vejo uma regra de três ali - há um personal para cada dois instrutores. Mas há uma situação na contramão desse suposto espírito de "menos empregos": a academia contratou serventes não apenas para limpar o chão - mas também o suor que deixamos nos aparelhos.

Já havia malhado em duas outras academias anteriormente, e nunca tinha visto isso... nelas, a própria pessoa, após usar o aparelho, ia buscar o álcool para deixar a máquina mais limpa para os usuários seguintes. No meu terceiro dia nessa, o instrutor deu-me uma leve zoada, explicando-me que não precisava gastar meu tempo, pois havia pessoas para realizar o serviço que eu estava fazendo...

Embora eu deva ressaltar que os funcionários dali são bastante amáveis, o resultado é um festival de suores alheios (fora a preguiça) impregnados nos aparelhos - pois é lógico que os ditos serventes não limpam industrialmente aquilo após cada uso (até por não haver um para cada máquina), e sim em alguns intervalos de tempo não tão pequenos. Apesar de esta ser vendida como sofisticadíssima, acabas usando máquinas mais emporcalhadas que as de academias menos "badaladas". Ao menos é a minha impressão...

Yúdice Andrade disse...

A questão, Caio, é que os tais empregos gerados são aqueles de mais baixa remuneração. Essa é a lógica do capitalista. Um professor de educação física é um profissional qualificado, já o servente, não.
No máximo, são esses empregos que essa turma aceita criar.

caio disse...

Sim, com toda a certeza. Apesar de ter usado uma contramão ao seu argumento, minha intenção era mostrar outro lado não lá muito louvável da academia - na minha opinião, pelo menos.

Certamente, os serventes não gostariam de perder a remuneração que recebem pelo serviço. Não duvido que só de ter o emprego, muitos deles agradeçam todo dia pela oportunidade. Por outro lado, além de desnecessário, creio ser um tanto degradante - sem querer ofender a dignidade de nenhum deles. Enfim... questão de ponderação.

Ana Miranda disse...

Minha atividade física é totalmente gratuita.
Corro na rua, ou melhor, na ponte.
Meus gastos ficam por conta de roupa adequada e bons tênis, que, infelizmente, custam mais que um salário... Mas duram mais de um ano.

Anônimo disse...

Caro Yudice,
Em outro sistema econômico não haveria um empreendimento como uma academia. Alias, não haveria sequer "empreendimentos".

Yúdice Andrade disse...

Deveras, Caio, o ideal é mostrar o caso pelo maior número possível de lados. Não vamos tirar os méritos da academia, mas é preciso ver os outros lados.

Verdade, Ana. Pena que, para exercícios como esse que praticas é preciso mais do que disposição: é essencial morar numa cidade onde as pessoas não suponham que serão assassinadas, roubadas ou estupradas se saírem de suas casas às cinco da manhã. Belém é uma das capitais mais perigosas do país. É duro, mas tenho que reconhecer.

Taí a China para comprovar, das 11h50.

Anônimo disse...

Yudice,
Falas do pior dos mundos. A China exerce um capitalismo da era industrial (o pior do capitalimso) e sem democracia (natural no comunismo). O crescimento econômico, ainda assim, consegue beneficiar uma boa parte da população. Se não percentualmente, pois a população é na casa do bilhão, ao menos em números brutos. A China tirou um Brasil, em população, da miséria.
Ocorre que sem a parte do capitalismo, nem haveria crescimenhto. Ou seja, nem esse Brasil teria saído da tal miséria.
Triunfo do comunismo? Claro que não. E por isso tua resposta ao das 11h50 não é boa.

Jean Pablo disse...

Nos espaços de atividade física de Florianópolis esta 'lei' está vigente também.

Resultado, são professores de educação física mau remunerados, sindicato fraquíssimo e contratação de estagiários como se professores fossem.

Abraços