quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Anjinho

A conversa era sobre um jambeiro que havia no quintal da casa de minha mãe, que me proporcionou muitas alegrias na infância. Júlia então começou a perguntar se as pessoas da família "já estavam lá" no tempo em que eu vivia em cima daquela árvore. Respondi quem já estava e quem não. De repente, ela mencionou:
— A mãe da tia Jose já foi para o céu. Já morreu.
— É verdade, filha. E ela era mãe da sua avó, também.
Júlia então sorriu e disse, apontando para cima:
— Estou vendo um anjinho ali. Será que é ela?
Pus-me a pensar na avó que nunca conheci, embora já fosse adolescente quando ela morreu. Respondi:
— Pode ser. Ela era sua bisavó e também te ama muito. Por isso também vai te proteger.
Júlia pareceu satisfeita com a hipótese, porque se calou e permaneceu contemplando o tal anjinho que, naturalmente, era apenas fruto de sua imaginação. Ou não.

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