quarta-feira, 30 de julho de 2014

A ética de não matar

Não é uma questão religiosa; é mais simples do que isso: é humano. No mundo mais simples em que nasci, tão distante que parece ter sido em outra vida, aprendi que toda vida deve ser valorizada. É o tal direito natural, que possuímos simplesmente por sermos humanos. Aí o tempo passa e muitos de nós aprendemos a respeitar os animais. Maus tratos contra eles agora despertam reações furiosas. Paradoxalmente, a vida humana vale cada vez menos.

Para mim, trata-se de uma questão fechada. Não me importa quão criminoso o indivíduo seja: não me cabe matá-lo. Precisamos ser melhores do que ele. Precisamos ser civilizados, sensíveis, humanos, como ele não conseguiu ou não quis ser.

Não me importa quem invadiu a terra alheia, se é que se trata disso, mesmo. Não posso exterminar centenas, milhares de vidas inocentes em nome de... do que quer que seja. Buscar justificativas ou minimizações para isso é naturalizar a brutalidade, como estamos cada vez mais acostumados a fazer.

Para mim é uma questão fechada: não devemos matar. Simples assim. Quem se dá ao trabalho de pensar em qualquer coisa que comece com "mas..." deve fazer um urgente exame de consciência, caso a possua. É um rompimento com a espécie. Quando aceitamos a morte do primeiro, assinamos o cheque em branco para todos os demais que virão. Porque os motivos justificáveis sempre aparecerão. Sempre.

2 comentários:

Anônimo disse...

Acho que não é preciso falar nada sobre esse caso, porque a sua opinião mesmo diante de um crime desse deve ser a mesma do post, e que o bandido continue ironizando as garantias que o colocarão na rua para estuprar e matar de novo: http://g1.globo.com/to/tocantins/noticia/2014/08/eu-estuprei-mesmo-afirma-homem-acusado-de-estrangular-mulher.html

Yúdice Andrade disse...

Não sei por que ainda perco o meu tempo com isso, mas me darei ao trabalho de perguntar: você já ouviu falar de "ponto fora da curva"?
Existem pessoas absurdamente más neste mundo e, para elas, não existe um tratamento penal que seja realmente adequado. Mas a questão é que o Estado não pode agir de forma casuísta, e sim estabelecer um procedimento geral, que revele o que a comunidade acha que deve ser o tratamento para os criminosos em geral.
Mas isto não é nada simples e envolve abordagens que vão além das capacidades de compreensão de alguém que pretende resolver o problema com um reducionismo desse tamanho. Mas é o que vemos todo dia. Deve ser por isso que as coisas não melhoram.