quarta-feira, 18 de abril de 2012

Paulo Freire: patrono da educação brasileira

Há dois dias, o célebre educador Paulo Freire se tornou patrono da educação brasileira. Foi o que determinou a Lei n. 12.612, de 13.4.2012, publicada e vigente no dia 16.

O pernambucano Paulo Reglus Neves Freire (19.9.1921 - 2.5.1997) foi educador e filósofo, de renome internacional. Suas maiores preocupações, em que se mesclavam o profissional e o cidadão, eram alfabetizar e dotar de consciência política os brasileiros menos favorecidos. Foi criador do MOVA, Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos.
Marxista, foi preso em 16.6.1964, acusado de "traição". Ficou encarcerado por 70 dias e tirou dessa experiência a descoberta de "novas formas de solidariedade". Típico caso de prisão ideológica, porquanto sua oposição à ditadura se implementava no plano das ideias o que, como sabemos, é particularmente assustador para os canalhas. Liberto, sabia que sua atuação o manteria em permanente risco, de modo que optou pelo exílio até a anistia, em 1979.
É autor de 40 livros, dos quais o mais famoso é Pedagogia do oprimido (1970), traduzido para vários idiomas.
Segundo a Wikipedia, é o brasileiro que mais recebeu láureas acadêmicas, num total de 41 títulos de doutor honoris causa, conferidos inclusive por Harvard, Oxford e Cambridge.

Para conhecer esta criatura única e admirável, visite a página do Centro Paulo Freire.

A homenagem é mais do que justa. O Brasil é que está muito abaixo do homenageado.

3 comentários:

André Coelho disse...

Que meus amigos pedagogos não me ouçam dizendo isso, mas eu costumo ser uma voz solitária de problematização do real valor desse "legado" freiriano para a educação. Primeiro, porque acho que ele foi essencialmente um teorizador da alfabetização e da aprendizagem escolar em condições menos que ideais: alfabetização de adultos, escolas rurais pobres, ensino de crianças em situação de risco (e a existência de tais condições menos que ideais pelo mundo afora é o que, a meu ver, explica a adoção de seu "método" em tantos países, menos, e isso é revelador, nos países líderes da educação mundial) etc. Inclusive, a meu ver, a ideia de que o "método" (que eu contesto que de fato seja algo digno desse nome) que ele propôs deve ser aplicado ao ensino em geral está na raiz do modo muito equivocado de ver a educação que temos nos cursos de pedagogia no país: a educação centrada no aluno mais fraco, no aluno mais atrasado, no aluno mais desconcentrado, no aluno mais difícil de ser ensinado. Não que não seja muito necessário haver técnicas específicas de como "resgatar" esses alunos, mas não se deve confundir essas técnicas com o ensino em geral. Quando isso acontece, deixamos de lado o outro polo das turmas, os bons e ótimos alunos, aqueles que, se recebessem atenção especial, se fossem destacados para turmas especiais, se vissem conteúdos adicionais e fossem exigidos em níveis de fato mais condizentes com os estímulos e desafios que suas mentes ágeis e curiosas precisam, poderiam render os grandes talentos e líderes intelectuais do país (e investir nesses indivíduos, assim que eles surgem e são percebidos, é uma das maiores virtudes do modelo norte-americano), mas que acabam se rendendo à mediocridade de um ensino em que o centro da atenção são os alunos dispersos e problemáticos e as aulas e provas são pensadas para um nível muito mais baixo do que aqueles alunos seriam capazes e gostariam de ter. É em grande parte sob influência da pedagogia do oprimido e da pedagogia do afeto e da tolerância que temos um ensino demasiadamente concentrado em "não deixar ninguém para trás", e por isso mesmo incapaz de projetar ninguém à frente, acima da média etc. Fora isso, não dá para comparar a contribuição de Freire às contribuições, para ficar em três exemplos, de Piaget, Montessori e Vigotski, sobre o que é o aprendizado, como ele funciona e se desenvolve, como pode haver relação científica controlável entre técnica de ensino e resultado de aprendizado etc. A ideia de humanizar o ensino, de valorizar o aluno, de inserir mais afeto e respeito pela figura do outro, de contextualizar o conteúdo para o cotidiano dos alunos, de tentar fazê-los pensar criticamente sobre sua situação pessoal etc. compõem o núcleo da contribuição positiva de Freire. E tais coisas são muito mais um conjunto de conselhos sapienciais para a formação humanizadora do educador do que exatamente um "método" ou um corpo sistemático de conhecimentos científicos sobre educação. Bom, enfim, sei que provavelmente só o Yúdice lerá esse comentário, mas, ainda assim, queria deixar registrada minha sabidamente polêmica opinião a respeito deste a meu ver supervalorizado "teórico" da educação.

André Coelho disse...

Opinião muito fascista?

Maíra Barros de Souza disse...

Sabe aqueleles amores que passam de pai para filho? O Paulo Freire é um deles. Meu pai sempre foi, o que podemos chamar de "fã" dele e eu cresci intrigada por essa figura barbuda. Aliás, as figuras que eu mais tenho admiração na vida são barbudas, coincidência ou não (Jesus Cristo, Che Guevara, Paulo Freire e o papai hehehe). Adorei ter lido "A pedagogia do oprimido" e ter escutado histórias de pessoas que tiveram a honra de conhecê-lo. Dizem que quando ele estava em reunião em algum desses gabinetes cheios de pompa, quando chegava alguem pra servir o café, ele parava de falar, ajudava a pessoa e agradecia, olhando bem no fundo dos olhos da pessoa. Ele enxergava as pessoas. Eu acho isso muito lindo...hoje em dia todo mundo olha, mas não repara em nada.