sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Adeus a Ronald Dworkin

Estava em plena aula inaugural da segunda turma do mestrado em Direito do CESUPA, ontem à noite, quando tomei conhecimento do falecimento, em Londres, aos 81 anos, de Ronald Myles Dworkin, jusfilósofo estadunidense que exercia o magistério tanto em seu país de origem quanto na Inglaterra.

Cara de avozinho e vestes mal ajambradas,
como os clichês sobre professores
de filmes americanos
Nascido em 11 de dezembro de 1931 em Providence, Rhode Island, tornou-se um dos maiores teóricos do direito, deixando uma alentada bibliografia que se tornou referência no mundo todo — inclusive para os intelectuais de orelha de livro e para os que citam a citação da citação sobre o pensamento do autor. Para estes, dizer "segundo Dworkin" no meio de uma frase é um verdadeiro deleite, uma breve demonstração de erudição, principalmente se na sequência começar uma explanação sobre princípios. Surgiu até uma piadinha por causa dos que escrevem o nome errado  Dworking , como se fosse um verbo. Ficar dworkando não deixa de ser um bom sintoma desses recalques.

No semestre passado, no mestrado, tivemos a disciplina Pensamento jurídico contemporâneo, cuja proposta era estudar os grandes nomes do direito nos últimos 60 anos. Claro que Dworkin era um dos nomes da agenda. Aliás, já fora desde o processo seletivo.

Algo que nosso professor sempre destacava era o privilégio de estudar autores vivos e plenamente na ativa, podendo conhecer as respostas que eles mesmos davam aos seus críticos e o aprofundamento de suas teorias, graças a estes. Mas eis que, ontem, o produtivo Dworkin virou essa página. A notícia me causou uma sensação de estranheza, do tipo que sentimos ao saber do falecimento de alguém que um dia desses passou por nós e apertou a nossa mão.

Tenho apenas um conhecimento superficial sobre o pensamento dworkiniano, mas sei que ainda vamos nos esbarrar muito, pelo resto de minha vida acadêmica e profissional, pelo muito que ele legou à filosofia jurídica, num mundo em que se discute cada vez mais os modos de solucionar os casos difíceis, num mundo cada vez mais repleto deles.

Leia uma veemente homenagem a Dworkin, na perspectiva da promoção de direitos através dos movimentos sociais.

3 comentários:

Danilo N. Cruz disse...

Eu dworko, Tu dworkas, Ele dworka...
Bem que poderia virar verbo mesmo...
Hehehe!
Abraço, blog de ótimo conteúdo.

Danilo N. Cruz
www.piauijuridico.blogspot.com

Marise Morbach disse...

Pena mesmo, Yúdice!

Anônimo disse...

"Tenho apenas um conhecimento superficial sobre o pensamento dworkiniano"- acho que por mais que se leia, sempre teremos essa sensação diante de uma obra tão completa e complexa.

Minha tese está de luto!

Anna