quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Eles, sempre eles

Aquele conhecido colunista apronta de novo. Com sua impressionante fé no governo do prefeito-desastre, sempre louvado em notas da coluna, agora ele lamenta que ainda exista "gente lutando contra o investimento no sistema de ônibus BRT, em Belém".

Aos desavisados, o BRT (sigla para Bus Rapid Transit) é definido, de acordo com informações da Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Belém, como "um sistema de ônibus sobre trilhos de alta capacidade que prevê um serviço rápido, confortável, eficiente e de qualidade, concebido para servir pelo menos 45 mil passageiros por hora". E qual é o problema com o projeto de BRT para Belém? Até onde sei, nenhum. Seria uma medida importantíssima para nossa cidade, congestionada e com um sistema de transporte público de baixíssima qualidade.

Ocorre que a iniciativa é da Prefeitura de Belém e, portanto, somos naturalmente levados a desconfiar. Afinal, falamos da pior gestão de todos os tempos por estas bandas, que desde o primeiro instante esteve às voltas com inúmeras acusações de improbidade, tanto é que nunca antes na história da cidade houve tantas ações judiciais contra atos do governo municipal, inclusive ações criminais contra o seu titular.

O problema agora tem a ver com o nebuloso edital de licitação lançado para que empresas se habilitem a oferecer o serviço de BRT para nós, uma concorrência internacional avaliada em 430 milhões de reais. A Estacon Engenharia — empresa paraense de largo currículo, com obras em vários cantos do país — ingressou em juízo e obteve uma liminar suspendendo o processo licitatório, alegando diversas irregularidades no edital. O pedido foi acolhido pelo reconhecimento preliminar de que não foram indicados, no edital, a fonte e o montante dos recursos orçamentários para assegurar a obra, bem como a exigência de prova de capacidade técnica dos interessados, dentre outros vícios.

A prefeitura, claro, nega tudo. Considera-se uma vestal em termos de seriedade em licitações e portanto não existe qualquer irregularidade a ser sanada. Tributa o episódio a "interesses privados". Vai recorrer, claro. Precisaremos aguardar os próximos capítulos. Mas o que até pessoas bem lesinhas sabem é que, neste país, não há nada que não possa ser utilizado para locupletamento dos canalhas. Existe uma lei, imensa e ultradetalhada, para regulamentar as licitações no Brasil. Mas burlá-la continua sendo fácil. E o caminho para isso é justamente o edital. Da forma como este é redigido se pode determinar o resultado da concorrência, mesmo desconhecendo quais serão os candidatos.

***

Não sei se as pessoas estão reparando, mas o último ano do governo daquele senhor que me enoja até no nome já começou. A mais matreira tática dos políticos medíocres está sendo aplicada: passa-se quase todo um mandato (neste caso, dois) deixando a cidade à míngua ou fazendo obras de perfumaria — aqui e ali uma obra útil, mas lenta e cara —, para no momento final apelar para as obras grandiosas e para o pão e circo.

Consultando postagens antigas do blog, você encontrará reclamações sobre a falta de decoração natalina. A cidade estava escura, soturna, detestável. Mas este ano havia luzes para todos os lados. Além daquele desbunde brega que os empresários (e não a prefeitura) fizeram em Batista Campos — e que quase provoca ataques epiléticos de tão exagerado —, outros locais foram iluminados e havia programação natalina gratuita. Que diferença, não?

Daqui a alguns dias, o aniversário da cidade será comemorado com um show gratuito da mais querida artista popularesca e pé-no-saco do país: Ivete Sangalo. Um evento desses no aniversário da cidade? Fato inédito. E com objetivo certo.

Em março, supostamente, será inaugurado mais um pedaço da orla, no trecho do bairro do Guamá. Aqui vemos um empreendimento de impacto, mas também questionado na justiça, desta feita pelo Ministério Público.

Essa estratégia precisa ser usada para que o nefasto possa seduzir o eleitorado para o seu sucessor, alguém que lhe permita manter os contatos e os contratos firmados ao longo destes sete anos. Por isso, aqueles que tiverem olhos de ver e ouvidos de escutar que se acautelem e previnam os demais: a única chance de Belém,  a única, é varrer do Poder Executivo a fauna que nela se encontra instalada. Sei que o cenário de candidatos é feio e depressivo, mas se mantivermos a mesma "equipe", o caos poderá surpreender aqueles que pensam que o ruim não pode piorar.

3 comentários:

Victor Picanço disse...

Aliás, será que só eu acho um profundo desperdício de dinheiro público o gasto com esses shows pitorescos de artistas contratados a peso de ouro?

Porque não gastar esse dinheiro com uma programação cultural que preste durante todo o dia da comemoração e em vários pontos da cidade? Aposto que sairia mais barato e seria mais adequado à nossa realidade.

Anônimo disse...

Prezado Mestre, assisti essa entrevista do Lúcio Flávio Pinto, leio o seu Blog e vejo que ainda existe salvação para essa terra de comportamentos medíocres e ultrapassados.
Cada povo tem o governante que merece, eles nada mais são do que a foto 3x4 do governante, por isso, pouco importa o partido, sempre a estupidez e o pensamento retrogrado vai ser o mesmo.

Com este governo Estadual estou me perguntando até agora como vai ficar o caso da Funtelpa, que o ex-diretor, agora Secretário, fez aquele contrato no minimo malicioso pra alugar os equipamentos estaduais pra empresa priva, e ainda ter q pagar por isso.

Povo fraco e desinformado merece as mazelas que o atinge.

Veja o Vídeo.

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/videos/view/jornalismo_a_servico_da_cidadania/1

Yúdice Andrade disse...

Victor, eu não sou contrário ao show em si, porque podemos considerar isso como promoção da cultura. Trazer para a cidade um artista de interesse das massas é algo que, em tese, se justifica, sem adentrar na questão de eu gostar ou não do artista. Mas o ponto é: um gasto desses se justifica, à luz das necessidades reais da população? Pois se tivéssemos atendidas todas as nossas necessidades básicas, eu não veria problemas em contratar um artista de renome internacional para se apresentar aqui. O problema é gastar uma fortuna num show enquanto pessoas morrem sem atendimento médico no PSM.

Das 18h40, muito obrigado pela contribuição e pela gentileza com o blog. Verei o material que você sugeriu. Volte sempre.