quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Perdido em símbolos

Esta postagem é destinada apenas àqueles que acompanharam o seriado Lost e reconhecem nele uma experiência única, questionável sob diversos aspectos (os próprios produtores admitiram vários defeitos, como a perda da subtrama relacionada ao garoto Walt e o fracasso do personagem de Rodrigo Santoro), mas sem precedentes ou paralelo na história da televisão mundial. No mínimo, pela primeira vez uma estória — uma autêntica mitologia — foi construída com tantos detalhes que assistir a 100% dos episódios não lhe dá a correta dimensão da misteriosa ilha. Era preciso ler os livros, zerar os jogos (não conte comigo para isso) e acompanhar os episódios especialmente feitos para a internet, apelidados de websódios.

Em suma, esta é uma postagem para fãs. Não para meros simpatizantes, e sim para verdadeiros fãs.

No final do mês passado, aproveitando uma promoção da semana da black friday, que chegou à internet, minha esposa comprou através da Amazon um kit definitivo para os fãs da série. Chamado de Lost — The complete collection, em blu-ray, envolve tantos itens que, tal qual o produto televisivo, será preciso tempo para usufruir dele à altura.


Eis a embalagem mais externa, uma caixa preta com uma sobrecapa em papel percalux. Uma vez aberta, revela uma segunda caixa, em formato piramidal e decorada com os famosos símbolos egípcios da fase final da série. Como os americanos levam muito a sério o entretenimento, a arte e produtos derivados, tudo é feito com absoluto capricho. Notem o Ankh (símbolo da imortalidade) no fundo da caixa externa.


Ao se retirar a tampa da caixa interna, descobre-se do outro lado uma réplica da mais famosa ilha de todos os tempos (literalmente, todos os tempos). É quando se revela, finalmente, a terceira caixa, onde estão guardados os discos e alguns mimos.


Ao centro, você vê um caprichoso guia de episódios, cuja capa está lindamente gravada com uma imagem de todos os personagens relevantes, no layout próprio da fase final. Abaixo dela, há uma outra tampa e, removida esta, você encontra... uma quarta caixa! Mas esta, de papelão e reproduzindo uma parede de pedra como a do Templo, é o repositório dos discos. No entanto, nada ali está sem função. Antes de falar disso, peço que repare nas faixas horizontais escuras, que são na verdade tampas de pequenos recipientes onde estão guardados os mimos de colecionador.


Nesses pequenos compartimentos, foram postos itens capazes de fazer a festa de um verdadeiro fã. Abaixo, uma imagem de todos eles reunidos, mas em seguida vou detalhar do que se tratam, pedindo desde logo desculpas porque a necessidade de reduzir o tamanho das fotografias, para viabilizar a postagem, sem dúvida comprometerá a percepção da beleza dos detalhes.


Presa sob a tampa da caixa piramidal, você vê uma folha de papel envelhecido. Trata-se da última página do diário de bordo do navio Black Rock, contendo as breves e apavoradas anotações sobre os eventos de seus últimos dias. Está à mostra a derradeira anotação, talvez do dia 22 do mês de dezembro, que termina com "God save us all", como os fãs devem lembrar. Afinal, estamos falando de um dos melhores episódios de todo o seriado, o oitavo da temporada final, que abandona a trama sobre nossos personagens para se concentrar apenas em explicar a trajetória de Richard Alpert.


Em cima da página, vemos um Ankh, que ainda guarda um detalhe. E sobre a tampa, vemos um dispositivo com luz negra, gravado com o símbolo da Iniciativa Dharma. Como nada em Lost era por acaso, logo nos perguntamos o que estaria oculto, à espera de ser descoberto com a ajuda desse equipamento. Saímos jogando luz negra em quase tudo, mas somente hoje encontramos. Está no verso da faixa de papelão, imitando pedra, que fica no fundo da caixa e precisamos puxar para remover o receptáculo dos discos. Ao focar a luz negra, somos levados de volta à segunda temporada, quando Locke tem sua perna presa por uma pesada porta de segurança dentro da escotilha onde Desmond Hume passou anos apertando um botão.

Você se lembra do que Locke viu? Desenhos representando todas as estações da Iniciativa Dharma, destacando-se a anotação manuscrita "I am here", que atribuímos a Desmond.


Acima, os fãs reconhecerão o jogo Senet, que entretinha os egípcios na Antiguidade. Não me peça explicações sobre como funciona esse obscuro jogo, que permeia a tensa relação entre Jacob e seu irmão do mal. Eles aparecem jogando nas semanas finais do seriado. Sei apenas que ele envolve cinco pedras brancas e cinco pretas e, em vez de dados, utilizam-se bastõezinhos de madeira entalhada, que em nosso kit são feitos de plástico. Perde-se o requinte, mas se evita a decomposição do material.


E aí está a última gracinha: dentro do Ankh, existe um pequeno pergaminho. Os símbolos egípcios parecem se relacionar a comandos do controle remoto. Quando tivermos a oportunidade de degustar o programa, tentaremos descobrir o significado da mensagem, se houver uma, como parece.

***

Talvez você esteja se perguntando se, depois de tanta papagaiada, sobrou tempo para o que realmente interessa: os discos contendo a série?


Pois aí estão eles. Ao todo, 36. A 6ª temporada ganhou o episódio "The new man in charge", que mostra Hugo "Hurley" Reyes como protetor da ilha, auxiliado por Benjamin Linus, em substituição a Jack Shephard (disponível na internet). São oferecidas mais de 32 horas de bônus, mais de 3 delas para material totalmente inédito.

As férias estão aí para isso, mesmo: para nos deliciarmos com nossa série favorita, passível de ser vista agora de uma vez só e em alta definição.

Uma palavra final: a compra foi realizada em um site internacional, por isso o preço estava em dólar. Convertido para reais, pagamos pela coleção R$ 302,05. A desgraça do governo, através da odiosa Receita Federal, mordeu um imposto com alíquota de 60%. Ou seja, só de imposto, pagamos R$ 181,23. Porque o governo está aí para isso, mesmo: ferrar conosco em todas as oportunidades que tenha.

4 comentários:

André Coelho disse...

Preciso ter uma dessas. Quando acabar meu período de bolsista da capes, compro um com toda certeza. Fiquei super contente e excitado de ver tantos mimos e novidades e agradeço por você ter compartilhado conosco dos conteúdos e easter eggs da sua nova aquisição.

Obrigado!

Yúdice Andrade disse...

Se eu souber de uma próxima promoção, te aviso, André. Vale a pena assistir de novo à série a todos os extras para, quem sabe, debater depois os incontáveis aspectos que essa experiência nos proporciona.

Anônimo disse...

Professor, desculpe se não é exatamente o tema da postagem, mas como se deu a entrega do produto, tendo em vista que o senhor comprou na amazon? Houve atraso?
Como se calculou o tributo devido, direto no carrinho de compras do site?
Obrigado pelas respostas e desculpe qualquer transtorno.

Yúdice Andrade disse...

Nenhum problema, meu caro. Quem indica algo já imagina receber pedidos de esclarecimentos de ordem prática.
O site da Amazon apresentava um prazo longo para a entrega, mas ele foi cumprido. Tenho muito mais medo das empresas brasileiras, nesse particular. E olha que o nosso produto veio da Alemanha!
A entrega foi feita pelos Correios. A mercadoria foi mandada para uma agência perto de nossa casa e, junto com ela, estava a documentação da Receita Federal. Pagamos, então, o valor do tributo (detalhe: teve que ser em dinheiro) e retiramos a caixa. Portanto, é isso: botar a mão na mercadoria só pagando o imposto, mas pelo menos a operação é simplificada (exceto pela exigência de pagamento em espécie).
À disposição para outros esclarecimentos.