quinta-feira, 9 de agosto de 2012

De volta aos bancos escolares

Cursei um mestrado inteiro. Inteirinho. Foi na Universidade Federal do Pará, cujo programa de pós-graduação em Direito, hoje, é um dos melhores do Brasil, com nota 5 pela CAPES. Mas circunstâncias variadas e estranhas fizeram com que eu deixasse de cumprir um requisito, digamos assim, mínimo: defender a dissertação. Só isso.
Esse é o capítulo mais esquisito da minha biografia e, confesso, não gosto de falar dele. E agora nem precisarei mais. Passada uma década (!), e sendo uma pessoa bastante diferente, retomei os meus estudos, algo de que sentia enorme dificuldade há bastante tempo. Volto, agora, em casa, no PPGD do CESUPA, cercado por amigos queridos cuja competência os precede. E cujo projeto foi gestado ao longo de 6 anos, com muito cuidado e responsabilidade.
Ontem tive a minha primeira aula, como novel estudante, após anos sendo professor. Foi muito gratificante porque, como sei desde 1992, se há um lugar onde gosto de estar é na Academia (não por acaso escrito com letra maiúscula). Realmente acho que nasci para isso e não há outra coisa que me realize tanto.
Há quem me questione sobre eventual incômodo em ocupar dois papeis na mesma instituição. Incômodo algum. Considero uma bobagem essa ideia. Primeiro porque meu conhecimento sobre o corpo docente do mestrado me faz pensar apenas no privilégio que é estar com ele. E segundo porque não incorro no erro, tão miserável quanto rotineiro, de traçar uma linha divisória entre professores e alunos. É claro que ambos desempenham funções distintas, mas são protagonistas do mesmo processo e da mesma aventura. Convém que estejam próximos e afinados, para que o processo de ensino-aprendizagem funcione.
Ontem foi apenas a aula 1. Mas serviu para bem delinear a tarefa que temos na disciplina, o proveito desta para as nossas pesquisas individuais e para mostrar que estou há milhares de quilômetros do que preciso e a anos-luz do que gostaria.
A nova empreitada provocará efeitos importantes no blog, afetando sua atualização, influenciando suas pautas mas, sobretudo, transformando o seu autor. Esta é a melhor parte.

9 comentários:

Alisson Monteiro disse...

Caro amigo,

Fico feliz por ver essa motivação "de menino" em alguém com uma trajetória já consolidada. Isso serve de exemplo para aqueles, como eu, que andam precisando de energia extra.
Felicidades pra você e conte comigo, se eu puder ajudar.
Abraço
Alisson

Ana Miranda disse...

Mudanças são sempre bem-vindas mesmo.

Agora, com toda licença da Polyana, eu já acho você "supimpa", em versão melhorada, então, hein?

Anônimo disse...

Também tenho saudades da sala de aula, Yúdice. Um dia eu volto nem que seja para ver se continuo estudando certo. Êta vício...

Fred

Yúdice Andrade disse...

Minha trajetória está longe da consolidação, Allison. E não digo isso por falsa modéstia, como pode parecer. Estou mais do que nunca convencido dessa minha meninice e por isso vou atrás desse amadurecimento.
Decerto que trocaremos figurinhas ao longo dessa nova etapa. Grato.

Espero melhorar, mesmo, Ana. Ao menos nesse campo deve dar!

Voltarás, Fred. Ainda tens anos e gás para fazer muitas coisas boas e belas.

Anônimo disse...

Obrigado pela força.

Fred

Anônimo disse...

Apenas uma correção (nem precisa aceitar como comentário, visto que não é esse o escopo): A nota máxima da CAPES não é cinco, mas sete.

Yúdice Andrade disse...

Ora, Fred, todos queremos progredir a fazer aquilo de que gostamos. Demorou muito para mim: uma década inteira! Mas enfim a hora chegou. Confio que chegará para ti, também.

Das 10h05, já suprimi do texto a informação incorreta e agradeço a sua advertência. Errei, mesmo. E na minha profissão não fica legal errar isso. Valeu.

Aline Bentes disse...

Puxa Yúdice, que legal saber disso! Muito admiro quem tem essa sede de conhecimento, e não se aquieta nunca, sempre em busca de crescimento e aperfeiçoamento. O mais legal, nessas jornadas, é que não mudamos apenas "profissionalmente", mas sobretudo como pessoas. Sabemos também que escolhas como essa são sempre acompanhadas de momentos de privações ao lado das pessoas que amamos, e esses momentos nos são preciosos. Mas sempre vale a pena! Parabéns pela decisão, pela determinação e entusiasmo. Ganhas tu e ganha o curso, pois não tenho dúvidas de que tua presença vai elevar em muito o nível das disucssões e das aulas. Abraço grande.

Yúdice Andrade disse...

Aline, profissionalmente, a titulação é vital para mim. Mas se fosse apenas uma questão formal, esse curso poderia virar um tormento em minha vida. Não se trata disso porque é, também, algo que desejo e já desejava há bastante tempo - desde a satisfação pessoal até a necessidade de aprimoramento.
Quem sabe não nos encontramos por lá mais à frente?