quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O emocional ditando as regras

No último dia 18, escrevi sobre a intenção da escola de minha filha em progredi-la de turma, para que possa estar em ambiente mais adequado ao seu estágio de desenvolvimento. Estando claro que ela está apta à mudança, no plano cognitivo, a grande dúvida ficava por conta do impacto emocional. Hoje, dia de retorno à escola, foi o momento de testar a ideia. Antes, porém, preciso destacar que, por orientação das próprias educadoras, durante todo o mês de julho deixamos nossa menina à vontade, de férias realmente, sem falar em escola, sem pressioná-la, até mesmo sem fazer brincadeiras com cara de "atividade", exceto quando ela mesma pedia.
Esta manhã, já na entrada, Júlia foi perguntada por uma das coordenadoras sobre a sala para a qual desejava ir. Não respondeu. Ou melhor: respondeu, indiretamente, ao sair correndo, rindo, tratando como mera brincadeira algo importante. Foi direto para a sala antiga, onde se deparou com a melhor amiga. Abraços apertados e um qui qui qui ao pé do ouvido, cheio de risadas, como se fosses adolescentes. Assim também é covardia. Ficou.
Ao longo da manhã, foi levada duas vezes para a sala nova, onde aceitou sem problemas fazer as atividades de lá. Mas assim que acabava pedia para voltar. Isso não nos surpreendeu. Por várias vezes, ela relatou saudade da atual professora, com quem rapidamente desenvolveu uma relação de carinho intenso. É natural que o desapego demore.
Pelo visto, toda esta semana será de testes. Se me perguntarem qual será o desfecho, realmente não saberei dizer. Mas sei que desejo o bem estar de minha filha e, como nunca fiz questão desse salto, não seria um problema para mim se ela continuasse onde está. Com certeza, há outros meios de assegurar-lhe tarefas condizentes com suas necessidades.
Por outro lado, esta mudança precoce pode ajudá-la a entender que, às vezes, a vida pega atalhos e muda aquilo que esperávamos. Isso pode ser importante para o desenvolvimento dela como ser humano. Há poucos dias, ao ser informada de que uma de suas colegas favoritas se mudou de cidade, Júlia desabou em choro. Foi a primeira perda pessoal de sua vida. Mas é assim que as coisas são e precisamos todos compreender.
Como disse na postagem anterior, confio na escola e apoiarei a iniciativa enquanto me parecer sensata, acompanhando de perto o desenrolar dos acontecimentos.

5 comentários:

Anônimo disse...

Qual a escola da sua filha.
Grata
Cristina

Yúdice Andrade disse...

Ela estuda na Escola Santa Emília. Se você procurar no marcador "escola", encontrará várias postagens falando sobre assuntos variados ligados à escola.

Ana Miranda disse...

Yúdice, eu nunca fiz pré-esolcar, entrei diretamente na 1ª série. (isso há "trocentos" anos)

Então, comigo aconteceu a mesma coisa, quiseram "adiantar-me" de turma porque eu já sabia ler e escrever (aprendi sozinha).

Meu pai não permitiu. Não lembro muito bem dessa época, mas a impressão que tenho é que ver o que eu já sabia, desistimulou-me um pouco..

Anônimo disse...

Amigo, fuinha aluno adiantado, fiz convênio com 15anos, não acho adequadomessa solução, vc não imagina as brincadeiras e maldades que os colegas fazem, sem contar que vc e sempre tido como infantil, tolo e pouco atraente. Deixa sua filha seguir o caminho regular isso e mais saudável.

Luiz Cláudio Nunes disse...

Amigo, tenho um filho hoje com 15 anos que passou pelo mesmo dilema, depois de testes avançou pra série seguinte. Hoje me arrependo, pois vejo que foi obrigado a amadurecer talvez antes da hora. No mundo de hoje, sobra pouco tempo para nossos filhos serem crianças, levar a vida sem compromissos. abraço