sexta-feira, 31 de maio de 2013

Os 12 defeitos insuportáveis dos brasileiros

Acabei de conhecer o blog Ah duvido!!, que publicou uma postagem sob o título acima. Naturalmente, quem tiver interesse deve ir até lá e ler a postagem original. De minha parte, devo dizer que não ratifico inteiramente as afirmações do autor, a começar que estou mais do que convencido de que o brasileiro não é o melhor povo do mundo. Prefiro não dar as costas para eles.

Quanto aos 12 defeitos, apresentados fora de qualquer ordem de preferência, tenho a dizer o seguinte:


  • Brasileiro reclama de tudo e não resolve nada. Verdade. Mas, neste quesito, melhor eu ficar quietinho, porque não sou lá um grande exemplo...
  • Brasileiros são um bando de marias-vai-com-as-outras. Verdade. Muito interessante a explicação sobre "ignorância pluralística".
  • Brasileiro acha que a vida é resumida em futebol, fofoca, carnaval, cerveja e putaria. Verdade. Paixões que "comprometem o intelecto humano"...
  • Brasileiro gosta da hipocrisia. Verdade. E as redes sociais estão aí para provar isso a todo momento.
  • Brasileiro não sabe lidar com o politicamente correto e politicamente incorreto. Verdade. Viver está um saco. Não posso mais nem contar piadas sobre doenças fatais...
  • Brasileiro tem o pé no extremismo para babaquices. Verdade. Quanto mais idiota a causa, maior a mobilização e a fúria quanto a sua defesa.
  • Brasileiro não admite a própria culpa. Verdade. E eu, pessoalmente, tenho que conviver com muita gente dizendo frases repletas de "tu" e "vós", mas sem nenhum "eu"...
  • Brasileiro não sabe resolver um problema de cada vez. Não sei, mas a argumentação do rapaz é plausível.
  • Brasileiro acha que os Estados Unidos são o melhor em tudo. Acho que isso já foi uma realidade da classe média, mas acredito que já mudou, embora ainda sejamos uma nação de deslumbrados. Miami e Dubai estão aí para provar.
  • Brasileiro é o câncer da internet. Não tenho informações para aferir o que o autor afirma, mas se houver fundamento de fato, ele tem razão.
  • Brasileiro não sabe a própria língua. Verdade! Insuportável verdade!
  • Brasileiro adora dar reconhecimento para quem não merece. Verdade absoluta. E os dois merdas que aparecem na foto que ilustra a postagem são apenas uma breve e contundente demonstração disso. Pelé, maior brasileiro de todos os tempos? Só um país muito merda para aceitar isso.
Existe vida inteligente na Internet. Podemos não concordar com tudo, mas um texto como este cuja leitura sugiro nos bota a refletir.

5 comentários:

André Coelho disse...

Li a postagem original e os seus comentários no Blog. De modo geral, gostei da postagem, embora alguns defeitos, como hipocrisia e dar reconhecimento a quem não merece, me pareçam mais universais do que especificamente brasileiros. Uma coisa que me incomodou foi a insistência na ideia de que esporte, entretenimento e arte não servem para nada, não têm real valor e não fazem nenhum bem real pelas pessoas. Isso para mim deriva de uma visão muito estreita (concentrada em política, ciência e assistência) do que tem valor. Outra coisa que me incomodou foi a postagem passar a impressão de que, se sentássemos num bar em Paris, Amsterdã ou Berlim, teríamos uma conversa significativa, instrutiva, educada, gramaticalmente correta e despida de fanatismos com nosso interlocutor, não importa o assunto ou o nível social do sujeito. Em vários casos, ele pega elementos de pobreza cultural que são típicos de todas as sociedades de massa e os trata como se fossem exclusivos ou mais acentuados no Brasil.

Mira Santini disse...

também li o texto original e acho que alguns defeitos como hipocrisia, deslumbramento com os Estados Unidos são fenômenos observados em várias sociedades, como pude observar em minhas andanças por 7 distintos países nos ultimos 10 anos. Acho que o problema é o nível educacional baixíssimo, que pode ser causa do exercício mínimo da cidadaniae da brutalidade. Não acho que devemos nos considerar o pior povo do mundo, afinal não temos genocídios, eugenia racial e guerras fatricidas como os educados e desenvolvidos europeus e asiáticos. Nem melhor nem pior, apenas seres humanos,feitos de carne e sangue.

Yúdice Andrade disse...

André, meu querido, eu não entendi do mesmo modo que você.

Em relação a localizar nos brasileiros defeitos que também são atribuíveis a outros povos, ou até mesmo generalizáveis, como também ponderou Mira Santini, acho que está certo. Talvez o autor acredite essas características são especialmente fortes nos brasileiros. Não sendo eu um sujeito cosmopolita, não tenho condições de comentar a respeito.

Quanto ao suposto desvalor de nomes relacionados a esporte, entretenimento e arte, eu, pelo menos, entendi de modo diverso. Não me pareceu que fosse a intenção do autor - e se foi, não era a minha - desmerecer expoentes dessas áreas. No meu caso, tal atitude seria particularmente inadequada, já que tenho um irmão dedicado ao teatro - ator, dramaturgo, encenador -, que luta todos os dias para colocar seus espetáculos em cena, sem patrocínio, sem apoio, sem publicidade, sem sequer respeito. Naturalmente, a minha empatia com ele não me conduziria a menosprezar essas áreas.

Caso não tenha sido esse o foco do autor do texto, deixa eu dizer o meu: o problema não é valorizar o esportista, mas essa obsessão abjeta pelo futebolista, em detrimento de todas as outras modalidades, que também lutam sem patrocínio e reconhecimento, exceto o vôlei e talvez o basquete, agora inserido nessa proposta midiática ridiculamente batizada de "NBB".

Também não há problema algum em valorizar o cara do entretenimento. Mas o brasileiro sustenta programas como "Pânico na TV" e BBB, com prejuízo de qualquer programa de maior nível. Pensemos nas novelas, produto-mor da indústria televisiva nacional. Elas estão cada vez mais centradas nos elementos baixaria, humor fácil e porrada, porque é nessas horas que a audiência sobre. Se exibida hoje, "Roque Santeiro" talvez fosse um fracasso.

Por fim, idêntico raciocínio pode ser aplicado em relação às artes, notadamente à música, que hipervaloriza apenas os estilos que estão na crista da onda dos empreendedores do momento (hoje, a moda é o sertanejo "universitário"), que promovem artistas sem raízes mas rentáveis.

Em suma o problema não é a área envolvida, mas as escolhas feitas dentro delas.

Yúdice Andrade disse...

Mira, preciso fazer uma ponderação sobre a parte final de seu comentário.

No Brasil não há genocídios oficiais, como alguns casos que entraram para a história, como o nazismo e as guerras dos Bálcãs, e situações ainda presentes, como as guerrilhas civis na África.
Contudo, muitas vozes se erguem para dizer que o tratamento dado aos indígenas é genocida, para eliminação gradativa. Outro tema que tem ganhado força é o do absurdo crescimento entre os jovens, dos quais as vítimas predominantes são negras. Fala-se em extermínio racial. E, entre as feministas, cresce o uso do neologismo "feminicídio".

Como práticas não oficiais, naturalmente que tais fenômenos chamam menos atenção, porém seus números são tão alarmantes que não se pode negar que, ao menos por omissão, somos também um país genocida.

Também praticamos eugenia racial. Há muito tempo a Criminologia Crítica estuda o tema da criminalização como prática de higienização social. Tratando como criminoso, desviante ou marginal, retiram-se da sociedade aqueles considerados inconvenientes para a ordem reinante.

No Brasil, essa prática começou com os negros. Vale lembrar, particularmente, as medidas oficiais contra a prática de capoeira e a perseguição aos cultos afrobrasileiros. Em outra intensidade e com outras roupagens, tais práticas subsistem.

Não bastasse isso, temos a eugenia violentíssima contra os pobres e, mais recentemente, contra os homossexuais.

Por fim, não damos guerra contra ninguém. Mas permitimos que o trânsito mate mais do que guerras de verdade, porque não conseguimos ser civilizados, prudentes, responsáveis. E porque não podemos parar de beber antes de dirigir.

Também não nos importamos com os que morrem nos hospitais, seja porque os planos de saúde têm cada vez menos interesse em nossas vidas e muitos médicos, desgraçadamente, idem.

Por tudo isso, não somos o pior povo do mundo, mas não acho que sejamos apenas um exemplo de um fenômeno generalizado de perversidade. Há povos bem mais generosos, mesmo sendo mais pobres.

O brasileiro acreditou tanto naquele papo de ser generoso, acolhedor, hospitaleiro, solidário, etc., que deixou de se enxergar com maior senso crítico.

Anônimo disse...

Prezado Yudice, concordo com você quando se refere a irritante omissão da sociedade brasileira quanto aos temas referentes aos genocídio de jovens negros e pobres e de mulheres. Nossa maior chaga é a escravidão, trazida pelos europeus e mantida pela "elite" nacional. Ainda acho que os maiores defeitos apontados pelo texto original é resultado da educação de baixissimo nível, que não é só saber ler e escrever, mas de humanidades em geral e este descaso é da elite, da classe média e chega aos mais pobres, forçando ao senso comum do "cada um por si". Mas, mantenho a posição quanto aos europeus e aposto contigo um garrafa de vinho se eles conseguem passar mais de 50 anos sem uma guerra.