quinta-feira, 18 de março de 2010

Castração química na Argentina

Em 23 de novembro do ano passado, tratei deste assunto como proposta. Agora ele é uma realidade na Argentina. Por enquanto, limito-me a transcrever a matéria. Comentários adiante.

Província argentina fará castração química de estupradoresMendoza anunciou medida ao concluir que mais de 70% de condenados são reincidentes

As autoridades da província de Mendoza, no oeste da Argentina, anunciaram que em dois meses adotarão a castração química para prisioneiros condenados por estupro.
O governo da província tomou a decisão depois de constatar que 70% dos condenados por ataques sexuais são reincidentes.
Organizações de defesa das vítimas de estupro afirmam que o número é maior e chega a 90% dos estupradores.
A decisão do governador do Estado, Celso Jacque, causou grande comoção no país e alinhou a Argentina a países como a França, Suíça e Espanha, onde também se permite a castração química.
O método consiste em administrar medicamentos para diminuir o desejo sexual dos criminosos e seria aplicado de forma voluntária.
Segundo o jornal El Clarín, os condenados que se submeterem ao tratamento receberão acompanhamento quando saírem da cadeia.


Método polêmico
Segundo estudos realizados nos Estados Unidos, França e Espanha, a castração química poderia diminuir em quase 60% a reincidência em estupradores.
Mesmo assim, sua aplicação é questionada por diversos setores.
Especialistas em direito advertem que a medida é inconstitucional e viola a convenção interamericana sobre direitos humanos.
Alguns psicólogos questionam a efetividade da castração química.
"Reduzir a libido de um estuprador não resolve outras questões que formam o perfil de alguém que abusa os outros, como seu desejo de ameaçar o outro", disse à BBC Mundo a psicóloga argentina Angélica Alfaro Lio.
Por outro lado, Maria Elena Leuzzi, mãe de uma vítima de estupro e integrante da ONG Ajuda a Vítimas de Estupro (Avivi, na sigla em espanhol), se mostrou totalmente contrária à castração química.
"Enquanto não demonstrarem que (ela) é 100% efetiva para evitar novos estupros, a única solução é deixar os criminosos presos, nas melhores condições possíveis", disse ela à BBC Mundo.

Castração
Há dois métodos de castração que serão usados em Mendoza: um consiste em aplicar uma injeção mensal no paciente de um hormônio que atua sobre os neurotransmissores que controlam a produção de esperma e testosterona; a outra inclui o consumo diário de uma pílula de acetato de ciproterona, uma substância que também inibe o desejo sexual.
Ambos os métodos provocam efeitos colaterais, que em alguns casos podem ser graves.
Apesar de questionada, muitos acreditam que a castração química é a solução mais factível para o problema de reincidência na maioria dos estupradores.
"É uma meia solução, mas é melhor do que nada", afirmou a psicóloga Angélica Alfaro Lio, que explicou que não existe tratamento psicológico para reverter a conduta de estupradores.
As autoridades informaram que, até agora, 11 prisioneiros condenados por abuso sexual já se apresentaram como voluntários para o programa de castração química, que começará a ser implementado na província entre maio e junho deste ano.


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3 comentários:

Ana Miranda disse...

Meu medo é que iniba-se o desejo sexual, mas deixe esses estupradores mais violentos...

Pacheco disse...

Eu queira que castração química fosse com ácido muriático ou sulfúrico jogado no pinto desses bandidos até derreter! Aí sim, não teria reincidências...

Yúdice Andrade disse...

E é exatamente o que aconteceria, Ana. Por isso, Pacheco, nada de comemorar. A reincidência no estupro não aconteceria. Mas sempre se pode matar a vítima.