sexta-feira, 9 de julho de 2010

Mudanças nos campos

Ontem publiquei uma postagem sobre três relevantes votações ocorridas no Senado, na véspera, realmente importantes para o país. Hoje, noticio uma votação ocorrida ontem, que como as demais também promete mexer com a sua vida. Tanto que, já soube, a informação está sendo repercutida pela imprensa comum.
Após quase cinco anos de tramitação, foi aprovado o Projeto de Lei Complementar 82/2009, que intensifica a punição a torcedores, por atos de violência física e moral dentro de estádios ou em seus arredores.
Evidentemente, qualquer pessoa que não seja psicopata tem interesse em coibir a violência nos estádios. Ninguém quer sair de casa para curtir o seu lazer e correr riscos a sua integridade física ou mesmo a sua vida. O bom torcedor quer ter a garantia de levar a família ao campo, sem temer nada além da derrota de seu time. No entanto, o projeto em apreço impõe algumas medidas no mínimo questionáveis.
De acordo com ele, aqueles famosos jingles ficam proibidos, se considerados ofensivos. Palavrões e xingamentos, nem pensar! A consequência pode ser a prisão do delinquente e a sua proibição de assistir a jogos por até três anos.
Mesmo sem dar a mínima para isso, penso que os xingamentos fazem parte do universo futebolístico. Não poder chamar um jogador ou o árbitro de filho da puta um nome feio é bloquear uma demanda emocional espontânea e inevitável. E aquelas musiquinhas que as galeras inventam são até divertidas, mesmo para mim, que não gosto de futebol.
Mas caso a tal lei efetivamente entre em vigor, sabe o que eu quero ver? A briosa Polícia Militar entrando no estádio e encarando uns 20 mil torcedores, entoando uma cantiga em termos impublicáveis, e dando um sonoro "teje preso!" para os caras. Estou doido para ver!
Há algum tempo, foi proibido o consumo de bebidas alcoólicas nos estádios, para a fúria de seus frequentadores. Eu acho corretíssimo. Agora, nem cerveja, nem cantoria. Como disse uma amiga, pelo visto eles querem transformar futebol em tênis, aquela coisa chaaaaaaaaata...
Dê a sua opinião sobre a nova movimentação do Senado da República.

PS Como não entendo e nem quero entender nada de futebol, pedi orientação a terceiros acerca de uma imagem para ilustrar esta postagem. Ele me recomendou uma imagem com torcedores do Flamengo. Não sei qual a razão. Vocês que me digam.

4 comentários:

Arthur Laércio Homci disse...

Yúdice,

Coibir a cantoria é loucura, mesmo porque alguns deles já fazem parte do cotidiano das torcidas há muito tempo.

Quanto aos resultados da proibição da venda de bebida alcoólica, posso dizer que surtiram efeitos muito positivos, mas a medida está seriamente ameaçada pela realização da Copa de 2014 no Brasil, pois uma das principais patrocinadoras nacionais do evento será uma empresa do ramo.

A medida deu resultados visíveis na diminuição da violência, mesmo que tenha deixado um pouco chateado aqueles que - como eu - gostavam de tomar a sua cervejinha durante o jogo.

Foi uma restrição positiva.

Ana Miranda disse...

Eh...eh...eh...
Ainda bem que eu não gosto de futebol, se não, com certeza, eu iria presa, pois falo todos os palvrões da nossa língua e quando estou nervosa, consigo inventar mais alguns...

Yúdice Andrade disse...

Até eu acho que as medidas estão fora da realidade, Arthur. Não se pode colocar dentro de uma forma algo que é diversão. Já imaginou um código de conduta para o cinema, para a dança, para a contemplação de um por do sol?
Fala sério...

Ana, palavrão também é comigo mesmo...

Anônimo disse...

Yúdice, infelizmente essas coisas acabam sendo inevitáveis diante das atrocidades que acontecem a cada jogo. Em Campinas, por exemplo, quando tem um derby, os cidadãos ficam em apuros, têm medo de sair às ruas da cidade momentos antes, durante e um bom tempo depois dos jogos. Pois o confronto é tamanho que muitas vezes as torcidas acabam se estrepando e ferindo quem não tem nada a ver com o peixe.

Quanto à coibição dos xingamentos, talvez seja porque daí é que surgem os atritos. Pois veja bem, se o próprio derby já é por si só motivo de confrontos ilícitos, imagine se adicionado temperos extra para salgar a rivalidade?

De qualquer forma, assim como existem os excessos nas leis, também o existem nos falsos torcedores, que vão aos jogos mais pelo deleite da rivalidade (e da briga) do que para torcer pelo próprio time.

Alexandre