segunda-feira, 21 de junho de 2010

Camisinha assassina

Inventora distribui camisinha antiestupro na África do Sul durante a Copa

Não é a primeira vez que ouço falar do assunto e continuo com a mesma opinião: camisinhas destinadas a inviabilizar o coito podem ser úteis para impedir o proveito sexual perseguido pelo agressor, mas elas não impedem a violência. Afinal, o sujeito só terá o pênis aprisionado na peça após penetrar a vagina da vítima. Vale dizer: o crime aconteceu. A violência aconteceu. O trauma aconteceu. Apenas se tem a sensação de que o crime não compensará.
Minha maior preocupação é que o agressor, frustrado pela inviabilização de seu propósito nefando, e acima de tudo sentindo a dor e a humilhação das lesões provocadas, tenderá a canalizar sua violência para uma agressão não sexual, porém violenta, podendo mesmo chegar ao homicídio. As consequências do uso desse invento podem não ser nada boas. A expectativa de efeito preventivo é, a meu ver, mera especulação. E nada impedirá que uma arma apontada para a cabeça convença a mulher a despojar-se do artefato.
Enfim, não me convence. A interminável luta contra o estupro só faz sentido na perspectiva de valorizar a mulher, na sociedade, em casa, em nossas relações pessoais.

3 comentários:

Ana Miranda disse...

Que raio de camisinha "antiestupro" é essa?
Nunca ouvi falar...
Eu, hein?!
E pelo o que eu li aqui, é algo inútil.

Yúdice Andrade disse...

Inútil e perigoso, Ana. Aliás, a própria castração química, que muita gente defende cheia de entusiasmo, poderia ser encarada de modo semelhante.

Luiza Duarte disse...

Só em se falar de estupro eu já fico nervosa. Acho que é a violência que eu mais temo, até mais do que o homicídio. Observo isso em grande parte das mulheres, na verdade, mas daí a andar o tempo todo com uma coisa dessas dentro de si, já é um pouco de exagero. Parece-me inútil também.