sexta-feira, 22 de outubro de 2010

20 anos

Ontem à noite, o Centro Universitário do Pará — CESUPA realizou sessão especial para comemorar os seus 20 anos de existência. Na oportunidade, assistimos à palestra intitulada “A educação Superior no Brasil: um salto para o futuro?", proferida pelo Prof. Paulo Barone, doutor em Física, da Universidade Federal de Juiz de Fora (ei, Ana, é teu vizinho!!). Barone integra o Conselho Nacional de Educação, do qual atualmente é vice-presidente, mas que já foi presidido por ele. Simpático e informal, apaixonado pela condição de professor, ele nos falou sobre os impactos trazidos pela tecnologia, com os desafios consequentes sobre os processos educacionais.

Após a palestra, a solenidade se tornou uma homenagem ao nosso reitor, Prof. João Paulo do Valle Mendes, doutor em Medicina e com uma década de serviços prestados ao Conselho Nacional de Educação, pelos 80 anos que completa hoje. Para quem não sabe, o CESUPA é uma instituição familiar que tem pai e filhos na administração superior e a presença constante dos demais familiares nos eventos acadêmicos. Por isso, mesmo se tratando, em princípio, de uma solenidade acadêmica, sempre existe aquele clima familiar, que torna genuínas as emoções. Estas não precisam ser declaradas, porque são vividas e compartilhadas.

Estou no CESUPA há 11 anos, 1 mês e 13 dias. Portanto, um pouco mais da metade de sua trajetória. E me sinto muito feliz por isso, porque vi a instituição crescer, sob diversas perspectivas: a física, a oferta de cursos, as linhas de atuação, os serviços à comunidade, etc. Sem perder de vista o objetivo de oferecer serviços educacionais que não cabem nas propostas mercantilistas usualmente relacionadas ao ensino privado. De longe, o CESUPA já informa: aqui é o caminho das pedras. Portanto, a estratégia para o sucesso acadêmico é aquela mesma: estudar. Não tem saída pela tangente. E não tem mesmo, como posso afiançar, na condição de professor havido por rigoroso, que sempre encontrou na instituição respaldo para as iniciativas sérias.

Sou casado com uma professora da instituição e, tendo ambos tantos amigos lá, nossa filha de certo modo nasceu na casa, uma dentre as tantas crianças nascidas de membros daquela fertilíssima instituição, que chamamos de "geração CESUPA". Assim, também nos sentimos em família lá dentro.
Registro aqui as homenagens que externei pessoalmente, ontem, ao Dr. João Paulo, cuja honorabilidade é notória em meio a todos quantos conhecem a história da educação no Pará e mesmo fora dele. E quanto à instituição que ele conduz com sabedoria e bondade, uso uma expressão recorrente entre os amigos da blogosfera: Vamos em frente!

Sobre a criminalização dos movimentos sociais

Quando um Estado não atende as necessidades de seu povo — p. ex, a respeito de saúde, moradia, emprego, etc. —, descumpre as finalidades para as quais foi constituído. Afinal, a razão por que as pessoas abdicam de seus poderes naturais em favor de um soberano é que este, dotado de poderes especiais e superiores, promova o bem comum. Um governo que se desvie desse objetivo se torna tirânico e, como tal, pode ser combatido. Isto porque existe uma reserva de direitos tão particular que permite a cada indivíduo resistir ao próprio Estado, em prol da satisfação de suas necessidades. Esta é a justificação do direito de desobediência.

Se você é um classe média típico ou fabricante de notícias sobre política e sociedade da maioria dos grandes veículos de comunicação deste país, ao ler o parágrafo anterior, deve ter esbravejado. As ideias acima pertencem a algum sem-terra comunista, vagabundo e f..., certo?

Não, este não!

Sim, este!
Errado. As ideias acima foram desenvolvidas pelo filósofo inglês John Locke (29.8.1632-28.10.1704), um dos maiores ideólogos do liberalismo, em seu Segundo Tratado sobre o Governo. E o liberalismo, como até nosso crítico hipotético deve saber, é uma das bases da Revolução Francesa, que levou ao poder a burguesia, aquela mesma que, duzentos anos mais tarde, fedia e não deixava haver poesia.

A filosofia lockeana foi o referencial teórico adotado pelo Prof. Ivanilson Raiol, ontem à tarde, durante a nossa mesa redonda sobre "Criminalização dos movimentos sociais". Fiquei feliz de ver que o Ministério Público, instituição usualmente aferrada a cânones de legalidade radicais e até obsoletos, possui em seus quadros uma alma tão libertária, devidamente respaldada em anos de muito estudo e preparação.

Depois dele, recorri ao meu guia jurídico-espiritual, Eugenio Raúl Zaffaroni, para relacionar a ideologia reinante sobre os movimentos sociais (por quem está fora deles) à teoria do Direito Penal do inimigo. E entre nós dois, minha muito querida Profa. Ana Cristina Darwich Leal, trouxe-nos enfoques sociológicos sobre a questão. Já na fase dos debates, a Profa. Bárbara Dias trouxe provocações sobre as contradições nos discursos dos críticos e sobre o papel da imprensa brasileira.

Ficamos todos muito satisfeitos com a tarde de ontem. O auditório estava cheio e o público realmente ficou para fazer perguntas. A essa altura, claro, muita gente começa a sair, mas mantivemos um grupo atento até o efetivo encerramento dos trabalhos. Pelo conteúdo e pelo retorno que nos foi dado pelos alunos, sentimo-nos altamente recompensados.

A X Semana Jurídica do CESUPA termina hoje. E esta tarde voltarei à mesa, mas como debatedor, na mesa sobre o tema "Tráfico de pessoas", com o Procurador da República Ubiratan Cazetta.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Debatendo sobre movimentos sociais

Esta tarde, às 15 horas, em meio às atividades da X Semana Jurídica do CESUPA, participarei de uma mesa redonda sob o tema "Criminalização dos movimentos sociais".

A mesa será presidida pela Profa. Ana Cristina Darwich Leal e contará com a presença, ainda, do Prof. Ivanilson Raiol, Promotor de Justiça. Será a segunda vez que terei o prazer de dividir a mesa com Raiol, após termos falado sobre segurança pública no ano passado. Já com a minha querida Ana, que também possui formação em Sociologia, será uma estreia e uma grande oportunidade para eu aprender um pouco sobre tema tão espinhoso, numa perspectiva interdisciplinar.

Em decorrência de minha preparação espiritual para o evento, não haverá mais postagens hoje.
Um abraço e até amanhã.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Hora do papai noturna

Um dos aspectos positivos de ser professor é que, dependendo da maneira como sejam dispostos os horários de aula, ficamos com algum tempo livre durante a semana. Cientes disso, há dois semestres eu e Polyana temos reservado as noites de quarta-feira, bem no meio da semana, para ficar com nossa filha, reduzindo os efeitos de nossa ausência, que ela sente e expressa através de um aborrecimento progressivo, que passa quando podemos nos dedicar a ela.
Há algum tempo, o programa das noites de quarta tem sido algo que, em princípio, não poderia esperar-se de mim, mas que acabou acontecendo por ser, Belém, uma cidade de poucas opções, notadamente para quem tem uma criança. Refiro-me ao shopping, onde se pode encontrar uma ou duas opções de lazer infantil e alimentação, com segurança e acesso a banheiros, fraldário, etc.
Hoje, uma reunião no trabalho impediu que Polyana estivesse conosco. Para não frustrar as expectativas da pequena, acabamos tendo uma hora do papai noturna, ou seja, um momento de passeio só para pai e filha. Mas esta noite, ao chegarmos ao nosso destino habitual, deparei-me com esta novidade:



Hoje foi a apresentação do Cinépolis Belém para convidados e imprensa. Este registro foi feito um pouco antes de as lonas serem descerradas. Mais tarde, na passagem do guichê de pagamento do estacionamento, quando o espaço já fora completamente descortinado e a festa corria solta, não resisti e dei uma subidinha para conferir.
Os novos cinemas de Belém são guarnecidos por um saguão muito bonito e requintado, com a predominância de uma elegante cor azul que agradará bastante os fãs daquele time sem série, sem estádio e sem onde cair morto. Só falta, claro, conhecer as salas por dentro, sobretudo a sua qualidade. Mas o público só poderá fazê-lo a partir da próxima sexta-feira. Eu, sabe Deus.
Enquanto isso, eu e Júlia permanecemos em nossa rotina de jantarzinho e, após ele, um sorvetinho.



Júlia adora sorvete de goiaba mas, por alguma razão, ele parece restrito à Cairu da Estação das Docas. Ausente o sabor predileto, encarou um de milho, que tive o prazer de dividir com ela. Depois, fomos buscar a mãe.
E assim se passou mais uma quarta-feira em nossa rotina.

Há mais homens ou mulheres no mundo?

Segundo a Organização das Nações Unidas, o sexo que vence a contagem possui 57 milhões de indivíduos a mais que o outro.
Mas na América Latina, o sexo predominante é justamente esse outro.

Absolvida mulher que matou o estuprador do filho

Não é a primeira vez que um caso desses acontece. Tenho notícia de um semelhante, no Município de Salinópolis. Mas aqui me refiro a um caso ocorrido no Município paulista de São Carlos.
Maria do Carmo Ghislotti soube que seu filho, então com 3 anos de idade, fora sexualmente abusado por um adolescente de 15. Então se dirigiu à Delegacia de Defesa da Mulher, onde o agressor estava, e lhe enfiou uma faca no pescoço. Apesar do socorro recebido, ele não resistiu à gravidade dos ferimentos.
Maria do Carmo foi denunciada por crime de homicídio qualificado. O Ministério Público entendia ter havido vingança. Mas cinco dos sete jurados a absolveram, entendendo que ela agira sob violenta emoção e em defesa do filho. Inconformado, o MP recorreu e conseguiu anular o julgamento. Mas eis que no segundo julgamento ela foi novamente absolvida. E dada a confirmação do veredito absolutório, não cabe mais recurso.
Maria do Carmo é uma mulher livre. Se tivesse sido julgada por um juiz de carreira, dogmático, acostumado a autos processuais olvidando os seres humanos que estão por trás deles, teria sido condenada a uma pena elevada. Mas ela foi julgada pelo tribunal do júri, a controvertida instituição que chama membros da sociedade para julgar um seu igual, como forma de humanizar o exercício da jurisdição. Há quem ame, há quem odeie.
Tribunal do júri é isso.

Fonte: http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2010/10/20/acusada-de-matar-suspeito-de-abusar-do-filho-absolvida-pela-2-vez-em-sp-922826960.asp

Do Coronel Moura

"O casamento é uma instituição moderníssima. Hoje, nada mais obriga duas pessoas a estarem juntas, a não ser o amor. E ser pai é um barato muito grande, né, cara? Não dá nem para explicar."
Wagner Moura, ator,
numa ternura muito diferente do seu mais famoso personagem

PS — Sim, Wagner: nem dá para explicar.

PS2 — Você sabia? Segundo a Wikipédia, o nome completo do rapaz é Wagner Maniçoba de Moura? Maniçoba, mano?! Que coisa mais paraense!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Desconstruindo o voto consciente

1 - À cada nova eleição vem à tona o discurso do “voto consciente”. Na mídia, não são raros os articulistas que clamam por consciência na hora do voto e se lamentam daqueles que desvalorizam um dos mais fundamentais instrumentos da democracia. De alguma forma, é sempre importante discutir parâmetros para apreciar o valor do voto, seja lá o que isso signifique. Os problemas começam quando, inconscientemente, o discurso do “voto consciente” acaba por criar duas categorias de eleitores.


2 - Não se pretende aqui defender um relativismo no que concerne aos fatores que impelem um eleitor a votar em um ou outro candidato. Mas fazer a crítica a um tipo específico de “voto consciente”, aquele que povoa o senso comum e parece, por vezes, reforçar alguns estigmas anti-democráticos da sociedade brasileira. O discurso do “voto consciente” ao qual nos referimos está geralmente associado a três fatores que o identificam 1) O voto bem informado 2) O voto em pessoas honestas 3) O voto em pessoas inteligentes, com boas propostas para o país.

3 - À primeira vista, estes parâmetros pareceriam adequados, ainda que não suficientes, para avaliar o valor do voto, não fosse pelas dificuldades implícitas na verificabilidade dessas proposições e na ambigüidade que elas carregam consigo. O que significa estar bem informado em um país onde a mídia é dominada por pequenos grupos e oligarquias francamente comprometidos com uma agenda específica para o país? Qual seria o grau de informação ou o “tipo” de informação necessária para avaliar um “voto consciente”? Quanto à honestidade, não há dúvidas de que ela deveria figurar como requisito para todo o homem público. Mas em meio a um sistema com problemas institucionais profundos, a moralidade política aparece por vezes no cenário político como um slogan de efeito catártico no eleitorado, não raro proferido por aqueles sabidamente comprometidos com interesses escusos. No entanto, para certa parcela deste mesmo eleitorado, parece valer o lema de Pompéia: “o mais importante é parecer honesto”. Sobre reforma política, nem uma palavra. Aliás, este é um tema muito complicado para o eleitor “consciente”.

4 - Talvez fruto de nossa herança tecnocrática, é corrente ainda o pensamento de que a democracia deva ser gerida por um grupo de notáveis, homens inteligentes, em contraposição aos ignorantes que nada sabem sobre os problemas do país. Não raramente, líderes sindicais, políticos oriundos de movimentos sociais ou simplesmente de origem humilde são inclusos neste último grupo, como se pessoas munidas de certos conhecimentos específicos, tivessem por si a titularidade ou a capacidade de resolver os problemas políticos melhor que os próprios interessados, a despeito dos interesses que representam e de seu comprometimento com a causa pública. Fundamentado nesta crença, para “eleitor consciente”, a consagração do apedeuta (a exemplo do Tiririca) causa mais indignação e preocupação do que a reforma agrária, o lucro dos bancos ou o trabalho infantil.

5 - A grande contribuição das revoluções burguesas do século XVIII foi eliminar, ao menos no campo formal, as diferenças entre os homens por motivo de nascimento e de classe social, sob o lema de que todos nascem iguais em direitos e deveres. Porém, até hoje, parece que não conseguimos eliminar um outro tipo de desigualdade: aquela que não é fruto do nascimento, mas das ditas desigualdades naturais entre os homens. Como se alguns, por méritos educacionais ou morais, merecessem ter mais direitos que outros.

6 - O discurso do “voto consciente” não raro tem sido utilizado para avalizar desigualdades entre os cidadãos, desqualificando o voto dos humildes, como se o “voto mal” ou a ignorância política fosse sempre associado ao eleitorado mais pobre, mesmo diante de todas as relações promíscuas que as classes dominantes sempre mantiveram com o Estado e mesmo diante das informações limitadas que condicionam o voto de todo o cidadão. A deliberação pública, por outro lado, valor garantidor e qualificador da democracia, aberto a todos, ricos ou pobres, não entra no cálculo do eleitor dito “consciente”. Ele está imerso em seu próprio mundo.

7 - Em nossa história política, confundindo o direito à educação com legitimação para hierarquização de cidadãos, confundindo formação política com informação técnica, confundindo ser honesto com parecer honesto, criamos e recriamos a nós mesmos à imagem e semelhança do Alienista, o tecnocrata de Machado de Assis. O problema é que, ao contrário do personagem, parece que não nos damos conta de nosso próprio ridículo.

David Carneiro é um jovem extremamente inteligente. Em uma breve conversa já é possível perceber que seus pensamentos transitam num nível mais sofisticado de elaboração. E somando a inteligência aos valores que nossa sociedade deveria cultivar, ele é também um humanista. Não só de discurso, mas também de ação.
Neste ensaio, covardemente afanado por mim de seu blog, Tribuna do Davi, que pede uma visita, pode-se perceber um pouco do que falo.
Como diria Chico Anysio, queria ter um filho assim!

A volta da diversão, espero

Foram anos de espera, de profundos aborrecimentos, externados através de várias postagens aqui no blog. Mas, enfim, na próxima sexta-feira Belém voltará a ter cinema.



O Cinépolis anuncia oficialmente, em sua página, a inauguração de suas salas em Belém, no Boulevard Shopping.
Segundo texto que está sendo veiculado na imprensa local (Pará Online a Ache Belém), as setes salas (sendo duas com tecnologia 3D) abrirão suas portas no dia 22 de outubro, ou seja, daqui a três dias. A mídia corporativa promete uma "nova experiência em cinema". Veremos. De minha parte, só o fato de ser reinstituída a concorrência no mercado já é um alento.
Aos interessados, eis os preços:

Salas tradicionais

Sex., sáb., dom. e fer.: R$ 17,00 (matinê) e R$ 19,00 (noite)
Seg., ter. e qui. (exceto fer.): R$ 13,00 (Matinê) e R$ 15,00 (noite)
Qua. (exceto fer.): R$ 12,00 (dia inteiro)

Salas 3D
Sex., sáb., dom. e fer.: R$ 24,00
Seg., ter. e qui. (exceto fer.): R$ 19,00
Qua. (exceto fer.): R$ 18,00

O lado ruim é a previsível perda de uma certa tranquilidade que ainda se tem naquele shopping, em alguns horários. Podem me chamar de preconceituoso o quanto quiserem, mas na minha idade já me permito uma dose maior de sinceridade. O fato é que os cinemas atrairão levas e levas de meninotes, que por razões inexplicáveis não conseguem comunicar-se em níveis humanos de decibeis e precisam gritar e rir o tempo inteiro, provocando aquele ruído de fundo que, após um certo tempo, costuma nos enlouquecer. Sem falar que estacionarão na pequena praça de alimentação e criarão raízes nas cadeiras, mesmo que nada consumam, prejudicando os lojistas e os bestas que chegarem depois, à procura de um  lugar.
Mas a hora é de comemorar a chegada do Cinépolis. O resto a gente vê como fica.

Inflação em baixa

Não, eu não me refiro aos preços ao consumidor, e sim à inflação legislativa.
Vocês já devem ter percebido que acompanho a produção legislativa brasileira, o que rende postagens de vez em quando. E devido ao meu hábito de acompanhar as publicações oficiais, posso lhes afirmar que 2010 foi um ano em que a válvula de cuspir leis esteve mais fechada do que em outros momentos. Decerto que o Congresso Nacional esteve muito mais ocupado com outros assuntos. Afinal, o year after Lula que será 2011 tem provocado muita mobilização.
A última lei publicada neste país foi a de n. 12.335 e se limita a criar cargos em comissão no Ministério da Fazenda. Isso foi em 22 de setembro. Há 27 dias nada acontece no ementário de legislação brasileira.
Normal. A eleição ainda não acabou.

Ah, moleque!

[Vez em quando, este blog faz concessões à banalidade do mundo. Ninguém é de ferro. Hoje, um impulso me obrigou a escrever esta bobagem postagem.]

50% da massa deste menino canadense
é constituída por cabelo
Tudo bem, eu admito o meu preconceito. Em minha opinião, um sujeito que usa um penteado desses merece umas boas palmadas. Sei que ele é artista e precisa ter estilo, presença, originalidade, mas esse penteado emo me provoca maus sentimentos.
O cantorzinho imberbe tem recebido frequentes menções na imprensa, por conta de aspectos, digamos, pitorescos de sua biografia. Por sinal, embora tenha apenas 16 anos, ele já lançou uma biografia! Imagino que há muito o que contar...
A mais nova é uma notícia tão pungente que chega a ser poética. Após lançar uma linha de esmalte de unhas, Bieber foi reprovado no teste teórico de direção. E chorou. Segundo a notícia da eBand, após a reprovação, o menino "se recusou a entrar no carro de sua mãe após não ter passado no teste e foi embora andando na chuva". Aqui, uma lágrima me escorre. O que escrevi acima sobre emos, mesmo? Mas vamos relevar porque, afinal, se eu ganhasse uma Range Rover e não pudesse dirigi-la, também choraria!
Peço aos eventuais comentaristas que evitem, por favor, comentários maliciosos sobre este fato. Do contrário, correm o risco de sofrer uma acusação de bullying homofóbico. Mas quem pensaria numa coisa dessas, não é, Luan?

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Anote aí

Primeiro, conheça a história de Dawn Smith.


Agora vai o meu palpite: daqui a seis meses, d. Dawn trocará Mark por Charles, o lhasa apso de quatro anos do próprio Mark.

PS — Segundo estudos sei lá se confiáveis, o lhasa apso é a raça canina menos inteligente que existe, daí a sua escolha para esta postagem. Perdoe a piada sexista.

Comemore com os alunos

Do comentarista Roberto Barros, sobre a postagem "Dia do professor" deste ano:

Em países nos quais o professor é valorizado, o dia do professor é comemorado na escola e com os alunos. Neste dia o professor é homenageado e se relaciona de uma outra maneira com os estudantes. No Brasil, onde temos a tendência de simplificar e banalizar tudo para o pior, tornar o dia do professor feriado apenas deprecia a significação do educador e da educação. Com respeito a esta, o Brasil está na contra mão de todos os países que lucram com ela. Nossas escolas não ensinam (Por exemplo outro idioma ou o nosso mesmo) e o vestibular banaliza todo o aprendizado, transformado-o em algo pragmático no pior sentido. Com isso somos pouco competitivos mundialmente, pois produzimos reprodutores e não criadores (algo como ler e repetir artigos da constituição e não saber os seus fundamentos teóricos, históricos etc...). Daí a nossa dependência técnica e cultural e grande parte da nossa desvantagem. Tudo isso sem falar no círculo vicioso da má qualidade do ensino: Professor mal remunerado = profissão desinteressante = concorrência de baixa qualidade = maus alunos se tornam professores, devido a baixa concorrência e assim as exceções não são suficientes. Há muita gente por aí que se diz professor, mas que apenas vê a educação como fonte de renda e não como responsabilidade social. O resultado disso é o Brasil, com milhões de ináptos. Com ou sem diploma.

Carta para Luiza e Eduardo

Luiza Montenegro Duarte, que agora talvez tenha um novo sobrenome, entrou em minha vida virtualmente, como tantos amigos que tenho feito através da Internet, por conta de uma postagem que escrevi sobre sua festa de formatura, onde estive como convidado de um outro formando. Intermediada ainda por uma amizade comum, começou a frequentar o blog e, tempos depois, criou o seu próprio. Hoje, nós nos fazemos visitas recíprocas.
Nesse meio tempo, pudemos identificar nossas afinidades, mas só nos encontramos uma única vez, casualmente, enquanto ela comprava um sorvete da Cairu da Estação das Docas e eu apenas passava por ali. Cumprimentei-a como se a conhecesse de longa data, tanto que nem parei para uma conversa, atitude displicente de quem considera a coisa mais normal do mundo encontrar aquela pessoa e sabe que isso acontecerá de novo. E só aconteceu no plano virtual.
Nos últimos tempos, a querida Luiza esteve envolvida em uma missão altamente grandiosa: os preparativos de seu casamento. Agora, ela é uma jovem senhora casada e responsável pelo próprio lar. E ao longo desse processo, compartilhou conosco alguns sentimentos em seu blog. Agora, quero compartilhar com ela e seu marido, também, um pouco de sentimento.
Casei-me no dia 13 de janeiro de 2005, numa cerimônia religiosa em Santarém, terra natal de minha esposa. Dois dias depois, tivemos uma cerimônia civil aqui em Belém. Por isso, quando a juíza que nos casou (minha grande amiga Ana Patrícia Fernandes) perguntou se era meu desejo formalizar a união, respondi "Sim, de novo", provocando risos na plateia.
Os cinco anos, nove meses e cinco dias que se passaram não dissiparam de minha memória os sentimentos extremados daquela época. Nem o desejo de construir uma vida ao lado de Polyana, nem a lembrança do carinho de nossos amigos, que nos cobriram com tanto amor que, nem que quiséssemos, poderíamos sentir solidão. E agora, em seus textos, Luiza se afirma, também, cercada de amor por todos os lados. Sim, isso é uma bênção, qualquer que seja o sentido que se dê a esse vocábulo.
Embora cada experiência pessoal seja única e intransferível, acredito saber, quanto possível, como o jovem casal se sente neste instante. No que tange às expectativas de futuro e ao prazer de ver consumado o projeto de união, o projeto de amor, que é sempre um precipitar-se no vazio, no segundo mais arrojado bungee jump que podemos realizar (o primeiro é a paternidade).
Virá a rotina, virão os problemas, as preocupações, mas é impressionante como se pode atravessar tudo isso com uma tranquilidade imensa, se nos sentimos amparados pelo parceiro. E se assim é, a tranquilidade é tão espontânea que não nos falta a fé e a disposição para cuidar do lar, desde as torneiras gotejantes até às grandes reviravoltas. E quando as tensões nos fragilizam, porque o próprio casal se sente pequeno para o tamanho do que tem a enfrentar, aí entram a família e os amigos, o suporte sem o qual a vida não vale a pena. E de novo somos conduzidos para o rumo que precisa ser tomado.
Eu lhes desejo que, daqui a cinco anos, quando suas vidas já estejam substituindo as urgências da paixão pela serenidade do conhecimento recíproco, vocês estejam em paz para externar votos de felicidades para os amigos que estejam se casando nesse momento. E que possam dizer "sejam felizes como temos sido e ainda mais". Porque felicidade demais não enjoa.
Deus os abençoe.

Direito Penal na prática

Esta postagem é direcionada a estudiosos do Direito Penal e só faz sentido se, antes, você ler esta matéria.
Sucintamente:

1. A tese sustentada pelo atirador é de legítima defesa putativa. Face a motivos concretos (vários assaltos anteriores no local), ele supôs que haveria mais um e precisou reagir, ou melhor, antecipar-se. O art. 25 do Código Penal admite repulsa a agressão iminente.

2. Contra a tese, temos a ausência de confirmação mínima acerca do possível roubo. O atirador agiu sem se acercar das mínimas cautelas sobre a situação que pretendia arrostar e era exigível que o fizesse. Afinal, mesmo que se tratasse mesmo de um ou mais de um assaltante, ainda seria necessário verificar a presença de um inocente, antes de atirar. Houve excesso e este é punível.

3. Entendo que o excesso é culposo. Não me parece, no contexto, que o atirador tivesse, ao menos indiretamente, a intenção de lesionar pessoas inocentes. O excesso é culposo porque o agente, nas circunstâncias em que se encontrava, com um pouco mais de diligência, poderia evitar o dano. Em consequência, deve o atirador responder pelo crime de lesão corporal culposa, mas não me surpreenderei se lhe imputarem tentativa de homicídio. Afinal, raciocínios de força são corriqueiros, ainda mais em se tratando de vítima criança.

Quem tiver uma segunda opinião, por favor compartilhe conosco.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Sub-liminar e espontâneo

Esta eu presenciei.
Ao ver na Internet a notícia do confronto entre um pai e uma mãe de estudantes que estariam envolvidos em um processo de bullying, sendo que o homem espancou covardemente a mulher, em público, o rapaz soltou esta:

"Égua, ele bateu numa mulher que nem era a dele!"

A estupefação tomou conta da sala. Começamos a ponderar que a frase não tinha sido lá muito feliz. Perguntei se bater na mulher dele não seria um problema, então. Para se defender, o rapaz emendou assim:

"Não sendo mulher dele, é pior, né?"

Cai o pano.

Curta a Cena

Nos dias 15, 16 e 17 de outubro, sempre às 20 horas, A Casa da Atriz promove o Curta a Cena III, um festival de performances que variam de cinco a dez minutos em diversas linguagens teatrais.

Em cena artistas de diferentes grupos interpretam textos de Shakespeare, Chico Buarque e Ruy Guerra, Marton Maués, Hudson Andrade, Caio Fernando Abreu, Gero Camilo, Hilda Hilst, entre outros.


No programa:

DEPOIS DA TEMPESTADE, A BONANÇA, com Adriano Furtado
A MORTE DE OFÉLIA, com Andréia Resende
MOTIVO?, com Hudson Andrade
A CRISE DAS AMEBAS, com Mariana Barroso
CLEIDE, com Leoci Medeiros
JÁ TENS ÁGUA DEMAIS, com Belle Paiva
DO DESEJO, com Luciana Porto e Juliana Porto
ARTISTAS DA FÉ, com Alessandra Nogueira

A Casa da Atriz fica na Rua Oliveira Belo, 95, entre Generalíssimo e D. Romualdo de Seixas. Lá, além da cultura, você também pode degustar tacacá, bolo de macaxeira e outras iguarias.
O ingresso é livre. O público assiste ao espetáculo e decide quanto quer pagar.

Pela ressocialização

Presas deixam contêineres e ganham celas coloridas
Cerca de 300 mulheres deixaram o convívio com os ratos em vagões de metal por carceragens mais dignas
ERCÍLIA WANZELER

Daqui a pouco mais de um ano, Roberta Monteiro, 26 anos, vai ganhar a liberdade. E já faz planos para quando sair do Centro de Reeducação Feminino (CRF), onde está presa há quatro anos e onze meses. “Estou terminando meus estudos e tenho planos de fazer faculdade de direito”, conta.


Até ontem, Roberta era uma das 307 internas que viviam presas em contêineres. A realidade do lugar assusta. Pequenas celas, ambiente escuro. “Mostra aqui que tem muito rato”, pediam as detentas, apontando os espaços próximos às celas. “Lá é um lugar muito quente e sujo. Não dá pra viver. A gente sobrevive mesmo, é como se estivéssemos em uma selva, perdida, não sabendo pra onde ir”, afirma Roberta.
Justiniano Neto, superintendente do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe), anunciou ontem que o espaço “condenado por todos” seria desativado. “Estamos pondo fim ao contêiner feminino”, disse. Para isso, as internas começaram a ser transferidas para um novo espaço, batizado de “Primavera”. O local tem capacidade para 480 internas. “É uma maneira mais humanizada de cumprir pena, ter outra opção de vida”.
As oito unidades prisionais com contêineres serão desativadas. De acordo com o superintendente, os contêineres serão destruídos e o ferro será doado para ações de instituições de caridade. Um sistema de vídeo-audiência também foi inaugurado, que possibilitará a realização de audiências judiciais virtuais. O processo é possível por meio de um link diretamente ligado a uma sala no Tribunal de Justiça do Estado (TJE).
Esse sistema de vídeo possibilita uma maior agilidade nos processos, já que as detentas não precisarão se deslocar para o julgamento. “Por que não utilizar a tecnologia? Assim o Judiciário pode ser atendido na urgência que merece”, afirmou Geraldo Araújo, secretário de Segurança Pública do Estado.


PRIMAVERA
O novo espaço tem uma área de 2.340 m² e custou R$ 1.494.760,96. O local é dividido em dois módulos com quatro blocos carcerários. Cada um possui capacidade para 120 internas. Cada bloco possui dez celas com doze lugares e todas possuem lavatório.


CORES
O espaço foi pintado de lilás, rosa e verde, cores escolhidas pelas próprias detentas. “Optamos por essas cores por ser mais feminino, deixa o lugar mais decente e arejado”, conta Roberta.
Enquanto a liberdade não vem, ela diz que tenta aproveitar as oportunidades que surgem. “Tenho consciência que preciso cumprir a minha pena e sei que tudo na vida tem um tempo determinado. Faço parte do grupo de dança e de violão e quero sair daqui bem encaminhada, vendo a vida de outro jeito”.

Reportagem do "Diário do Pará" de hoje (caderno A8). Fotografia de Anderson Coelho.

Observação minha:
Pequenas coisas, algumas aparentemente insignificantes, como a cor das paredes, podem exercer um efeito altamente benéfico sobre a autoestima de detentos, reforçando o propósito de retomar uma vida honesta quando retornarem ao convívio social.
As detestáveis celas improvisadas em contêineres já vão tarde. Não podemos nos esquecer que o governo do Estado só fez esse investimento porque formalmente enquadrado pelo Ministério Público e Judiciário. Finalmente, essas 307 mulheres ganharão um pouco mais de dignidade. Agora só falta todo o resto da população carcerária.

Dia do professor

Quando se mantém um blog por alguns anos, certos temas podem se tornar repetitivos. Comemorações anuais, p. ex. A certa altura, pode ser que não nos inspiremos para escrever a respeito. No caso específico do dia do professor, faço questão absoluta de deixar registrada alguma impressão. Não se trata de noticiar um fato conhecido de muita gente. Trata-se, na verdade, de firmar uma posição política, relacionada à permanente, urgente e indispensável necessidade de valorizar a figura dos educadores.
Para fundamentar o meu texto, acessei o Oráculo Supremo (mais conhecido como Google) e digitei "dia do professor" como expressão de busca, na expectativa de encontrar um texto inteligente, crítico ou emocional para me fornecer um norte. Mas não encontrei. O que havia lá era a indicação de sítios que mandam mensagens ou coletâneas de frases alusivas ao evento. Um pouco de mercantilismo, um pouco de fofura, mas nenhuma reflexão. Havia alguns links para explicações sobre a origem da data comemorativa e alguns materiais para uso em educação infantil. E havia um link de matéria dizendo que, neste dia, Dilma e Serra falam sobre educação. Como se eles estivessem preocupados com isso...
Pode ser mania de perseguição, mas fiquei frustrado. Tomei isso como um sintoma de que nossa profissão é tão desvalorizada que não merece, sequer, uma breve crônica ou modesta resenha desses tantos jornalistas, articulistas e quetais, que passam a vida falando dos políticos, das celebridades, dos criminosos, dos mineiros soterrados, mas que não se lembraram de tirar ao menos esta sexta-feira para falar desta categoria de trabalhadores.
No final das contas, o ofício do professor é matéria muito discutida, mas apenas interna corporis. E justamente por conta dessa limitação, muito do que se fala vem imbuído de preocupações imediatistas com remuneração, condições de trabalho, bullying, etc. Falta visão de longo prazo. Falta uma política centrada na educação.
Não deixarei, porém, de deixar o meu grande abraço a todos os professores, de todos os níveis da educação. Vocês merecem, meus queridos. A sociedade muito lhes deve. Mas muito, mesmo.

PS — Interessante. No dia do professor ganhamos uma folga do trabalho. Do trabalho em sala de aula, bem entendido. No ano passado, eu estava corrigindo provas. Hoje, o mesmo. Com efeito, o trabalho nunca termina!

Antecedentes:

Frase do dia

"A desgraça quer companhia."

PS — Não me aconteceu nada de ruim. Apenas vi, ontem, um personagem de seriado soltar esta e registrei, para não esquecer. Quem sabe quando poderá ser útil?

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Um aspecto até óbvio e bastante delicado

Há dois dias, escrevi uma postagem sobre o filme Julgamento de Nuremberg, de 1961. Não destaquei isso em meu texto, mas uma faceta muito importante para o desenvolvimento do roteiro é a discussão sobre o quanto certos setores da sociedade apoiaram o regime nazista. O tema é trazido ao centro da discussão, eis que os quatro réus são juízes que, em sua defesa, alegam ter-se limitado a cumprir as leis então vigentes no país, ainda que isso envolvesse mandar esterilizar pessoas. Numa importante cena, vê-se o esforço do advogado de defesa, Hans Rolfe (Maximilian Schell), em demonstrar que a testemunha, esterilizada por ordem judicial, não sofrera tal medida como represália por se opor ao regime, e sim por ser débil mental ou filho de uma débil mental. Ou seja, perseguir adversários não pode, mas impedir a reprodução de pessoas mentalmente inferiores pode.
A cena é excelente e Montgomery Clift dá um show ao interpretar um sofrido e humilhado Rudolph Petersen, que exibe a todos uma foto da mãe e pergunta, aos gritos: "Vocês podem me dizer se ela era débil mental?!"
Outra cena, mais delicada porém até mais eloquente, mostra uma conversa entre o juiz Haywood (Spencer Tracy), presidente do tribunal, e seus dois serviçais, o casal Halbestadt (Virginia Christine e Ben Wright). Claramente temerosa da interpretação que poderia ser dada a suas palavras, a mulher se sente pressionada pelo juiz e acaba admitindo que nem tudo que Hitler fez foi ruim. Cita a estrada, que gerou muitos empregos. Mas faz questão de destacar que ela e o marido são gente simples, que não sabia do que se passava nos campos de concentração e que jamais aprovaria tais atrocidades. Enquanto ela fala, o marido fica visivelmente amedrontado.
O medo do casal Halbestadt expressa um sentimento que ainda não morreu. E sugere o reconhecimento de um fato que, a esta altura, já é óbvio: Hitler não chegaria onde chegou sem o amplo apoio da sociedade alemã. Líder carismático e populista, lutou contra a fome e a humilhação do povo alemão e lhes prometeu um futuro glorioso, tendo dado alguns passos concretos nesse rumo. Como poderia o alemão comum não o apoiar?
Esse é o foco da exposição "Hitler and the germans — Nation and crime", que será aberta amanhã em Berlim, permanecendo até 6 de fevereiro. Como tudo que envolve o nazismo e o Holocausto, a polêmica está fervendo. A comprovar que as feridas permanecem abertas, os responsáveis pela mostra são acusados de não criticar explicitamente a política do Führer. Ou seja, só se pode tocar no assunto se ficar claro, desde logo, que somos frontalmente contrários ao nazismo. Em vez disso, os curadores insistem que não pretendem ofender ninguém, mas apenas favorecer uma reflexão sobre o comportamento da sociedade à época e que, como organizadores, mantiveram um "distanciamento crítico". Tal atitude, por sinal, bastante correta.
O fato é que existe o medo de grupos neonazistas transformarem a exposição em centro de peregrinação e culto a Hitler e ao nazismo. Engraçado os curadores lembrarem que neonazistas não constituem público de museus. Verdade, não é o nível deles. Mas se houver um pretexto... Quem disse que a intenção seria refletir sobre alguma coisa?

A Rede CELPA é um lixo (todo dia)

Havia prometido não tornar a este assunto, mas abro uma exceção diante do excesso que o problema da vez representa.
Ontem, por volta das 16 horas, tivemos no bairro uma interrupção parcial do fornecimento de energia elétrica. Minha residência tem instalação trifásica e percebemos o problema porque parte da casa parou de funcionar. Mais do que algumas tomadas e lâmpadas que não funcionam, o que é um aborrecimento menor, a grande questão é que a parte da casa afetada me deixa sem telefone no andar superior, sem acesso à internet e — problema superlativo — com a cozinha inoperante. A esta altura, minha geladeira está desligada há nada menos do que 17 horas. Quando amanheceu o dia e constatei que a pane persistia (claro!), recomendei a quem ficou em casa que a ligasse em uma tomada que funcionasse. Mas eis que a energia acabou de vez. Supostamente, isso é necessário para que o fornecimento seja restabelecido de vez. A má notícia é que isso pode durar dez minutos, três horas, dois dias...
Ontem à noite, aborrecimentos para conseguir uma ligação para o nefando 0800 091 0196, da Rede CELPA. Quando consegui, registrei minhas reclamação e soube que havia vários pedidos da mesma área. A equipe técnica estaria na rua, tentando resolver (diz que).
Esta manhã, nova tentativa de ligar. Foram sete tentativas, durante quase uma hora, até conseguir contato. Uma atendente bem mais cretina do que a de ontem me informou que havia vários pedidos da mesma área e que a equipe técnica estaria na rua, tentando resolver. Contabilizei as horas de prejuízo e ela, claro, do alto de sua superioridade, respondeu que a "rede estava congestionada" na cidade toda e que havia outras pessoas sem energia há tanto tempo quanto eu. Ou seja, eu que sou um bosta por não entender o problema dos outros.
Claro, o errado sou eu. Por muito pouco não errei mais ainda, dizendo à moça o que ela deveria fazer com o "bom dia" que me deu.
Irrita-me profundamente que o povo brasileiro, babaquara que só ele, só saiba se mobilizar em torno de futebol. Fôssemos franceses, estaríamos na rua queimando contas de energia. Aliás, queimando carros. Sempre fui contra esse tipo de barbaridade, mas confesso que ando meio bolchevista ultimamente. Afinal, não há quem aguente ser sacaneado pela companhia de energia elétrica, pela de água, pela de telefone, pela de internet, além de já ser sacaneado por todos os níveis de governo, serviços públicos, etc. Ser brasileiro é exaustivo.

Acréscimo em 15.10.2010:
Ontem, pouco antes da meia noite, adivinhem o que aconteceu? Isso mesmo, faltou energia novamente, na mesma fase!
Peguei o celular (o telefone fixo para de funcionar) e liguei para o maldito 0800. Para meu espanto, consegui atendimento logo na primeira ligação. Registrei o meu queixume e ouvi o blá blá blá de sempre. Ao acordar esta manhã, contudo, a pane persistia, claro. Duvido que alguma equipe técnica atue de madrugada, se não for um caso de interrupção total do fornecimento. E suspeito que o bairro afetado também influencie.
Liguei novamente para o 0800 e consegui atendimento (dá para acreditar?). A cidadã, burocrática e seca, porém mais elucidativa que as colegas, informou que o sistema estava sobrecarregado em vários pontos da cidade (isso eu já sabia); que havia mais de 600 pedidos de reparo e, por isso, as equipes tinham dificuldade em resolver. Prometeu que hoje (que tal?) o problema será resolvido, mas disse ser impossível precisar a hora (esta parte eu também já sabia).
Mais informações, a mesma falta de soluções. Felizmente, uma extensão resolveu o problema da geladeira desligada.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Os 33

"Este inferno está me matando. Tento ser forte mas, quando durmo, de repente sonho que estou em um forno e quando acordo me encontro nesta escuridão eterna."
Victor Segovia, um dos 33, em carta à família

O mundo acompanha com grande interesse o drama cinematográfico dos 33 mineiros presos a 622 metros de profundidade, no Chile. Os motivos do interesse, decerto, são os mais variados. Muitos devem motivar-se apenas na morbidez, mas quero crer que a maioria se vê enredada numa teia de solidariedade. Afinal, ser enterrado vivo é um terror clássico no imaginário humano. Para mim, o atrativo é uma curiosa empatia, pois tenho lá a minha claustrofobia e, de me imaginar vivendo situação semelhante, sinto a mudança do ritmo cardíaco. Não sei se o pânico me permitiria sobreviver a isso. Daí que tenho me comovido com sinceridade desde que soube do caso.
Para a imprensa, o filão é tão bom que várias emissoras estão trasmitindo o resgate ao vivo, sem parar. São mais de mil jornalistas no entorno da mina San José.
Tragédias já renderam diversos filmes. Nem todos com a projeção do ótimo Mar em fúria (The perfect storm, dir. Wolfgang Petersen, EUA, 2000), p. ex. Alguns só servem mesmo para sessão da tarde e olhe lá. Mas o acidente da mina San José, pelo número de vítimas, duração e complexidade do resgate, além do fato de atrair a atenção do mundo inteiro com as facilidades trazidas pelas tecnologias de comunicação, tem potencial de gerar uma boa representação cinematográfica. Claro que isso já foi cogitado. Suspeito que o projeto já tem até título: "Os 33".
Só espero que os abutres da notícia deem tempo aos mineiros de respirar e de estar com suas famílias. Que se lhes respeite o momento. Há tempo para ganhar dinheiro depois.
Neste instante, anuncia-se que o 16º homem chegou à superfície. Quase a metade do trabalho foi feita. Felizmente, tudo transcorre bem, sem nenhum dos incidentes cogitados. Já se especula sobre a possibilidade de concluir o resgate ainda hoje. Tomara. Já prendi demais a respiração pensando nisso. Eles, então, nem se compara.

Ver: http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/10/13/para-psicologos-mineiros-terao-dificuldades-de-se-readaptar-vida-normal-922771540.asp

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Menina mutilada

Se é verdade que a vida imita a arte, isso tanto pode implicar em imitações belas quanto terríveis. Frequentemente, quando navego pelos portais de notícias, fico com a sensação de que todo o mundo é um teatro onde dramaturgos grotescos encenam, sem cessar, versões de carne e osso de O poço e o pêndulo, celebérrimo conto de Edgar Allan Poe.

Veja-se este caso da jovem Aisha, agora com 18 anos. Vendida pelo pai aos 12, como quitação de uma dívida, tornou-se escrava de um talebã. Bem se pode imaginar a rotina de torturas físicas e sexuais, além da exploração do trabalho. A reificação absoluta de um ser humano, a quem não se reconhece sequer o direito de fugir.

No final das contas, terminou severamente mutilada e abandonada. Tremo em pensar que ela teve "sorte", porque sobreviveu e pode encontrar pessoas que, agora, trabalham pela reconstrução de seu rosto e de sua autoestima.

E como somos todos sensíveis à beleza, não nos passa despercebido o quanto essa menina é bela.
Folgo em saber que ela está tendo a sua segunda chance. Boa parte das vítimas não tem sequer a primeira, ainda mais no contexto de guerras que não terminam jamais.

Pedro enraivecido

Temos visto que este ano de 2010 não tem sido de muitas chuvas. Ao contrário, o serviço de meteorologia falou em uma tal onda de calor, recentemente. Sem dúvida que eles, como especialistas, devem saber o que estão falando. Mas eu, como leigo, acho que essa onda de calor sempre existiu por estas bandas. Há dias em que sofremos um tanto mais; dá um certo desespero de tanto calor, mas isso sempre existiu. Há os dias ruins e os piores.
De onde para hoje, contudo, voltamos aos velhos tempos. Ontem, uma tarde chuvosa, com quatro pancadas diferentes, chegou a me surpreender. Foi uma borrasca digna de Belém do Pará. E hoje veio água de novo, por menos tempo, porém com uma impressionante quantidade de trovões. A certa altura, comecei a me preocupar com a possibilidade de acidentes.
Agora, contudo, a tarde declina suavemente. Daqui de onde digito, escuto os passarinhos, o que é sempre reconfortante. E penso que, segundo anunciado, as chuvas começarão para valer em dezembro. Será?

Julgamento de Nuremberg versão 1961

Acabei de ver, com um retardamento de um ano, nove meses e nove dias em relação ao que já era atraso1, Julgamento de Nuremberg, Oscar de melhor filme de 1961, dirigido por Stanley Kramer.
Existe uma tendência, que poderia classificar simplesmente como mania, de classificar obras antigas como superiores aos remakes ou releituras posteriores, como se em nossos dias não se fizesse mais nada bom ou, pelo menos, nada à altura do passado. As afirmações de que este filme de Kramer seria superior à versão de 2000 é no mínimo ingênua, a começar pelo fato de que as duas obras não são versões de um mesmo roteiro, apresentando-se como projetos absolutamente distintos entre si.
Para entender a diferença, é preciso saber que não houve um julgamento de Nuremberg, como uma leitura apressada do título pode sugerir (aliás, perceba-se como o título original é mais eficiente do que o nacional: o julgamento aconteceu na cidade de Nuremberg; em português, parece que a cidade foi submetida a julgamento!). Na verdade, houve uma série de julgamentos, separados não apenas por réus nominalmente individualizados, nem mesmo por categorias de criminosos. A distinção mais importante tem relação com a própria constituição do órgão jurisdicional que realizou o polêmico acontecimento histórico.
Num primeiro momento, o Tribunal Militar Internacional foi constituído para julgar 24 militares alemães que, por sua proeminência entre os nazistas, foram apontados como os maiores criminosos de guerra daquele período, que seriam executores ou mandantes diretos das maiores atrocidades registradas pela História recente. Entre eles o maior destaque era Hermann Göring, nada menos que o n. 2 na hierarquia do III Reich, abaixo apenas do Führer. Esta fase durou de 20.11.1945 a 1º.10.1946. O telefilme de 2000 reconstitui o primeiro julgamento, com cinco réus, à frente Göring.
Posteriormente, houve a fase dos "processos de guerra de Nuremberg", a cargo do Tribunal Militar Americano (a supremacia dos vencedores!), abrangendo não somente militares, como também cidadãos comuns que, no exercício de suas funções ou profissões, teriam dado apoio ao regime genocida dos nazistas. Médicos, por exemplo (caso 1, de 9.12.1946 a 20.8.1947). E juízes (caso 3, de 17 de fevereiro a 14 de dezembro de 1947). É este o evento histórico retratado pelo filme de Kramer.
Neste, havia quatro réus. Da esquerda para a direita, na imagem: Werner Lampe (Torben Meyer), Emil Hahn (Werner Klemperer), Friedrich Hoffstetter (Martin Brandt) e Ernst Janning (Burt Lancaster), este último um dos maiores luminares do Direito alemão da época, professor universitário, autor de vários livros e até então reconhecido, segundo percebo, como um humanista. Isso fica claro na passagem em que uma testemunha menciona que ao defender, como advogado, um judeu acusado de manter relações sexuais com uma ariana, acreditou na absolvição do réu porque o juiz era Janning. Mas no final sobreveio a condenação.
Tais condenações envolviam esterilizações compulsórias e envio para os campos de concentração, barbaridades que, consoante o entendimento do tribunal, não teriam respaldo nem mesmo no sistema legal então vigente na Alemanha. Entendimento que, claro, desperta intermináveis controvérsias. Depois de ver o filme e matutar a respeito, e considerando não ter nenhum conhecimento decente sobre aquele momento histórico ou sobre o processo, cheguei à conclusão de que absolveria os réus, como por sinal entendeu um dos três juízes, que acabou vencido, mas fez questão de fundamentar a sua divergência. A meu ver, os réus, sendo juízes e não legisladores, cumpriram as leis vigentes num regime ditatorial. Seu maior crime, talvez, tenha sido decidir horrores contra a própria consciência, mas isso a depender de se resolver se, no final das contas, eles estavam mesmo contra a política de Hitler. Janning estava, ou passou a estar, e sua alma torturada é um dos aspectos mais bonitos do filme. Ele admite a culpa e, na última oportunidade de conversar com o juiz que o condenara, Dan Haywood (Spencer Tracy), reconhece que seu veredito foi justo.
Tenho razões para preferir o telefilme de 2000. A meu ver, ele é bem mais didático para quem, como eu, lança um olhar jurídico sobre o tema. As razões estão enunciadas na postagem anterior, cujo link já coloquei acima. Aqui, fiquei com a sensação de que o enfoque dado ao julgamento e as diversas passagens em que se mostrava a vida dos personagens (com ênfase para Frau Bertholt, interpretada por Marlene Dietrich) serviram para criar um clima algo romanceado, mais favorável ao tom moralista dado ao roteiro, que assume contornos nítidos durante o discurso do juiz Haywood, que culmina com o anúncio da condenação dos réus à prisão perpétua (não reclame de spoilers: são fatos históricos!). Tenho por justa a crítica porque o filme é de 1961, apenas 16 anos após o final da guerra, quando as feridas ainda eram muito mais sangrantes do que em fins do século XX. E também porque a Guerra Fria atormentava o mundo com todo o vigor, dando a receita para que um elenco estelar hollywoodiano contribuísse com a ideologia do governo daquele país.
O filme, sem dúvida, é muito bom, devendo-se tributar às limitações técnicas da época os efeitos sonoros esquisitos e as horríveis montagens sempre que aparecia alguém dirigindo. Quanto à linguagem arrastada, o interesse em destacar amenidades e a descrição pontual de aspectos factuais secundários do julgamento (testes de fones de ouvido, p. ex.), tributa-se a um temperamento mais sereno dos cineastas daquele tempo, cientes de que o seu público não tinha a urgência que hoje nos domina, obrigando-nos a objetivar, resumir, priorizar tudo, porque não há tempo nem vontade de pensar em detalhes. Quanto mais em causas e consequências.

1 A contagem se refere ao tempo que levei para ver o filme de 1961, após ter visto o telefilme de 2000.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Cheia e molhada

Para distribuir uns parentes em suas residências, precisei cruzar uns tantos bairros da cidade no final desta tarde. A constatação: Belém está um horror. Há vários engarrafamentos e, com a chuva que, hoje, decidiu cair como nos velhos tempos, sem parar, a necessidade de atenção é redobrada. Mas nada como reafirmar o já sabido: a grande desgraça do trânsito desta cidade são os seus motoristas. Aqui, a técnica de se-há-um-espacinho-me-enfio-nele é o que explica o dirigir em zigue-zague, em vez de se manter numa só faixa de rolagem, as cortadas, os sustos dados pelos motociclistas e os fechamentos de cruzamentos.
Um caos absolutamente evitável, com um mínimo de educação.
Ah, sim, eu vi um agente da CTBel. Um só, atravessando a Almirante Barroso, na esquina com a Lomas. Estava todo paramentado, mas não sei se trabalhava. E se trabalhasse, de nada adiantaria, já que a função da CTBel não é disciplinar o trânsito. E ainda que, por milagre, aquele fosse o último bastião de idoneidade do órgão gestor do trânsito da cidade, sozinho ele nada poderia fazer.
Assunto cansativo, não?

Ah, o poder!

Eu me pergunto quando é que o poder público instituirá, em caráter definitivo e eliminatório, uma avaliação psicológica como requisito para ingressar no serviço público. Enquanto isso não se faz — decerto porque aumentaria custos e retardaria processos já longos, mas temo que também por desmerecer o valor da medida —, continuaremos a ver demonstrações de arrogância, quando não de verdadeiro transtorno de personalidade antissocial, em pessoas que deveriam dignificar funções remuneradas pelo contribuinte.
O episódio a que me refiro, neste momento, é isolado e de menores dimensões. Alude a cinco moleques — e entendo que o termo é esse mesmo, com a acepção de jovens sem responsabilidade e senso de cidadania, embora não necessariamente pessoas ruins, e que provavelmente ainda podem ser recuperados — que passaram horas bebendo junto a um carro, em via pública, com o som ligado às alturas, e que destrataram um sargento da Polícia Militar que foi ao local ver o que se passava e pedir que reduzissem o barulho. Alegando serem "militares federais" (ai, que meda!), simplesmente porque são recrutas da Aeronática (nada além de recrutas!), não apenas desacataram como ameaçaram o castrense. Não apenas ele, mas os demais policiais que ele chamou em reforço.
Finalmente, tomo conhecimento de um caso de detenção por desacato verdadeiramente merecida. Os moleques acabaram na seccional e devem responder criminalmente por seus atos. Espero que a Aeronáutica honre os seus princípios e regras escritas, aplicando-lhes também alguma punição. Nada de exemplaridade, porque não cedo fácil a esses discursos neurastênicos. Mas que seja uma punição pedagógica. Se o cara nem bem chegou à Aeronáutica já usa o nome da Força para menosprezar a autoridade pública, que estava no lídimo exercício da sua função, o que se deve esperar dele?
E como as pequenas coisas denunciam a probabilidade das maiores, vale a pena destacar acontecimentos módicos como esse, para advertência dos vivos: o mal deve ser cortado no nascedouro.

Fonte: http://www.diarioonline.com.br/noticias-interna.php?nIdNoticia=111906

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

É sempre impressionante

Acabei de ver a passagem da imagem de N. Sra. de Nazaré pela Almirante Barroso. Não tem jeito, sempre me impressiono profundamente com a emoção das pessoas, com suas demonstrações de fé. São pessoas comuns, externando um sentimento espontâneo que se traduz não apenas em devoção religiosa, mas em confraternização com as pessoas em redor. Esse maravilhoso clima de congraçamento é um privilégio para quem mora nesta cidade.
Comungando ou não da fé que move o Círio, é um enorme alento, para todos nós, estar em meio a este oceano de boas vibrações.

A tal verdade processual

Ao longo de mais de sete anos trabalhando junto às Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, pude constatar uma coisa em relação ao processo penal: recurso é, basicamente, coisa da defesa. Seja porque se persegue um objetivo verdadeiramente justo (a absolvição de um inocente, o reconhecimento de uma escusa ou a imposição de uma pena menos dura e mais proporcional), seja pelo mais deslavado intuito procrastinatório, os advogados sempre estão a postos para recorrer. Mas e o Ministério Público?
Estagiei no Parquet em 1995, menos de sete anos após a promulgação da Constituição vigente e pude conferir o esforço que a instituição fazia para honrar as suas novas e maiores atribuições. Imagino que essa preocupação continua existindo, o que se pode conferir através da expansão do organograma, investimentos estruturais, consolidação de objetivos, etc. No entanto, alguns problemas crônicos subsistem, p. ex. o ranço do serviço público, notadamente o ligado ao sistema judicial, que adora esconder-se atrás da desculpa de que há muito trabalho e por isso somos ineficientes. Daí resultaria uma boa explicação para o fato de o MP recorrer pouco.
Com efeito, pelo que tenho visto, se há condenação, o MP costuma dar-se por satisfeito e deixa o processo correr. Com isso, perde a oportunidade de sanar nulidades, de corrigir ilegalidades que, muitas vezes, põem a perder até mesmo a punibilidade de alguém que a merecia. Deixando a sentença transitar em julgado para a acusação, ficam livres os advogados para apontar os erros cometidos pelo juiz. E, creiam-me, não se trata de inventar erros: eles existem mesmo! Por isso, uma atuação mais comprometida do promotor de justiça poderia assegurar uma condenação tecnicamente mais correta e, portanto, menos suscetível de reforma.
Já vi um caso em que o réu era processado por estuprar uma menina de 14 anos e depois estrangulá-a e atirar seu corpo a um rio. O tribunal do júri tomou uma decisão estapafúrdia: condenou-o pelo estupro, mas absolveu quanto ao homicídio. E absolveu de um jeito que tornou clara a desinteligência dos jurados sobre os fatos e suas implicações. Apreciando os quesitos, eles afirmaram que o réu atirou a vítima no rio, produzindo as lesões descritas no laudo cadavérico, mas votaram "não" no quesito sobre essas lesões serem a causa da morte. Por outras palavras, a morte da vítima não teve uma causa! E o Ministério Público simplesmente não recorreu.
Só para caracterizar melhor o caso, o personagem em questão já fora processado antes pelo estupro de outra adolescente, sendo absolvido por insuficiência de provas. E anos mais tarde, porque respondia em liberdade ao processo acima, foi acusado de estuprar e matar um menino de quatro anos, pelo que está sendo novamente processado, desta vez preso.
Em suma, o MP costuma recorrer apenas na hipótese em que o réu é absolvido. Às vezes, recorre para aumentar a pena ou o regime penitenciário imposto, mas em geral isso ocorre em delitos específicos, tais como tráfico de entorpecentes e, quase sempre, mediante argumentos moralistas e não técnicos. A terceira hipótese em que o MP costuma recorrer, inclusive sem necessidade, é em casos de repercussão midiática.
Sintomas, pelo que entendo, de que a missão institucional do Ministério Público precisa ser entendida com mais clareza e serenidade por quem faz parte dela.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

No centro das atenções

Nem a Wikipédia sabe informar como são a bandeira, o brasão e o adjetivo gentílico do Município gaúcho de Fontoura Xavier. Sabe dizer, apenas, que o Município foi fundado em 9 de julho de 1969, por emancipação de Soledade. Possui 583.465 Km2 e pouco mais de 11 mil habitantes, segundo dados do IBGE de 2009.
A exígua página foi editada para incluir uma informação, sob o tópico "Curiosidade":

No dia 6 de outubro de 2010 o município ficou conhecido no Brasil após uma aposta feita na loteria, o prêmio do concurso 1220 da Megasena, de R$ 119.142.144,27, segundo maior prêmio da história desta loteria e o maior já pago individualmente para um apostador. O valor representa praticamente o dobro do PIB de todo o município.

Mas a discreta e até então desconhecida cidadezinha brasileira possui um site oficial e, nele, podemos saber um pouco mais sobre a bela região onde vive o cara que levou o meu dinheiro (como se eu tivesse jogado...). O fato é destacado no site, que resolve um dos problemas da Wikipédia: quem nasce em Fontoura Xavier é fontourense. E lá você pode conhecer o brasão, a bandeira e o hino da cidade.
A notícia afirma que há suposições sobre o vencedor, mas "não se tem um nome". Aposto que, numa cidade tão pequena, o novo milionário da Mega-Sena não ficará incógnito. Ou ele sumirá sem deixar rastros ou comprará a cidade!
Enquanto subsiste o mistério que nos atormenta, fique aí com uma imagem desse aprazível recanto sulista:


PS — Será que o vencedor acatará a sugestão do prefeito?

Geografia do Google

Eu olhava a página de notícias do Google e cliquei no link "Brasil". A primeira notícia me chamou a atenção:



Eu gostava muito das aulas de Geografia e, nelas, juro por Deus ter aprendido que Hungria era um outro país. Mas a geopolítica mundial muda tanto que talvez eu esteja desatualizado...

Sinal dos tempos

Há quem defenda a necessidade de preservar as crianças da brutalidade do mundo, resguardando-lhes a inocência ao menos na primeira década da vida ("década" é por minha conta e risco). Outros, em sentido oposto, entendem que as crianças devem ser advertidas sobre as misérias humanas, condição essencial para que aprendam a se defender. No final das contas, a arte de viver reside em encontrar um ponto de equilíbrio entre as duas necessidades.

A produção televisiva para crianças é a bola da vez. Aí ao lado, você vê a imagem dos personagens de Vila Sésamo, um programa a que meu irmão assistia diariamente em sua infância, mas que acabou antes de eu chegar na fase TV. Com  surpresa, soube que o programa ja é exibido há mais de quarenta anos.

A novidade é que a Vila Sésamo a ser exibida na Nigéria ganhará novos personagens, um deles uma menina com AIDS; outro, um sujeito que vive aprontando e sofrendo as consequências de suas más escolhas.

A iniciativa responde às duras condições sociais daquele país africano, assolado pela pobreza, condições primitivas de higiene e por uma dramática epidemia de AIDS. Os produtores pretendem cumprir uma função claramente educativa, pelo que merecem elogios. O que devemos lastimar é a realidade do mundo.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O caro saiu mais caro ainda

Talvez o ministro Carlos Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, tenha ideias parecidas com as minhas. Quando estourou o escândalo do advogado Adriano José Borges Silva, seu genro, que negociou com Joaquim Roriz uma intervenção que forçasse o sogro a declarar-se impedido, eliminando um voto a favor da aplicação da "Lei da Ficha Limpa", pensei comigo que, fosse meu genro, eu daria uma enquadrada nele de nível supremo.
Pois parece que o ministro fez isso, mesmo. Afinal, qual seria a explicação para que o genro sapequinha renunciasse ao mandato em 68 processos no TSE e 11 no STF, supostamente para não criar constrangimento ao sogro e evitar prejuízos aos clientes? Imagine o dinheiro que o camarada está perdendo! Os clientes do advogado são gente graúda, claro.
O caso é que Adriano Silva quis dar uma de esperto e se deu mal. Não apenas marido, mas também sócio da filha de Ayres Britto, ele expôs o nome do sogro à suspeita de corrupção, embora até aqui a respeitabilidade do ministro fosse enorme. Todos temos Carlos Ayres Britto na conta de um homem sério, probo e dedicado e, da noite para o dia, uma molecagem dessas comprometeu a honorabilidade que todo agente público deveria ter.
Como eu disse, fosse meu genro, ele levaria pelo menos duas bordoadas: uma, por me expor; outra, por se achar esperto o bastante para tratar de negociatas com gente do porte de Roriz.

Fonte: http://www.conjur.com.br/2010-out-05/genro-ayres-britto-renuncia-70-processos-tse-stf

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Jliii

Júlia anda muito interessada em desenhar e escrever, a seu modo, obviamente. Há mais ou menos duas semanas, contudo, ela nos deixou encantados com isto:


A imagem mostra o canto de uma folha de papel que ela rabiscou ao meu lado, usando um pincel atômico. Para começar, fez um grande traço diagonal. Parou, pensou um pouco e puxou uma perninha para a esquerda. A seta roxa mostra o ponto feito pela ponta do pincel, nesse momento de decisão. Depois, disse: "jota".

Em seguida, traçou outras quatro diagonais sucessivas e, a cada uma que riscava, anunciava: "u", "l", "i", "a". Devo lhes esclarecer que ela, há alguns meses, já está bastante familiarizada com o próprio nome, a ponto de soletrá-lo habitualmente. Graças ao laptop infantil da Fisher-Price (não é jabá: é que esta marca oferece o melhor laptop infantil disponível no mercado), já conhece todas as letras do alfabeto.

Por fim, colocou o pontinho verde indicado pela seta vermelha inferior. Mas pareceu não se conformar e fez outro, indicado pela seta vermelha superior. E concluiu: "acento". Ela sabe que o seu nome leva um acento acima do "u". Os outros pontinhos verdes e azuis são apenas as pipoquinhas com que ela adora decorar tudo o que faz. E o único traço diagonal em sentido oposto não tem função; foi feito no curso dos demais desenhos que ela pôs no papel.

Adoramos ver a desenvoltura com que ela começa a dar os primeiros sinais de consciência da escrita.

Outro dia ela rabiscou um "ju", do nome, e um "vo", de "vovó". Aos pouquinhos, ganha compreensão das sílabas. É simplesmente uma delícia vê-la se desenvolver.

Gente que só executa

Uma resolução do TSE proíbe a presença de crianças na cabina de votação. Não sei exatamente o motivo. Duvido que uma criança, ainda que faladora e cheia de comentários desconcertantes, ou mesmo danada, possa comprometer a segurança ou a lisura do processo eleitoral. Será que a molecada, em 2010, já pode fazer proselitismo partidário ou sabotar urnas? Fraudá-las, talvez?
Mas ontem, como sempre acontece, crianças fizeram a festa nas seções por aí afora. A enteada de um amigo, de nove anos, confirmou todos os votos da mãe. Esse mesmo amigo bateu o maior papo com um menino de quatro anos, que entrou na cabina com a mãe. Um dos candidatos mais bem sucedidos do país, o governador reeleito do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, apareceu votando em companhia de seu neto. Não me consta que esses ilícitos tenham prejudicado o  processo eleitoral em alguma medida.
Justamente comigo tinha que ser diferente.
Júlia foi conosco para a seção eleitoral apenas porque nos deslocávamos para almoçar com a família, logo em seguida. Eu e Polyana entramos juntos na seção. Enquanto eu aguardava ser autorizado a votar, Polyana estava sentada do outro lado da sala, preenchendo o formulário de justificativa. Mas explicou a Júlia que eu votaria num computadorzinho onde apareceriam as fotos dos candidatos. Claro que ela quis ver. Quando entrei na cabina, ela correu na minha direção, mas a presidente da seção disse, bruscamente, que era proibido. A menina estacou e ficou um tempo sem saber o que fazer, para em seguida desatar num choro intenso. Como votei rápido, nem insisti pela presença dela. Preocupei-me em terminar logo para acalentá-la, mas mesmo fora da seção a criança continuava dizendo que queria ver "o computadorzinho". Aí o sangue me subiu. Saí protestando contra as pessoas que não pensam, como a obtusa e limitada presidente da minha seção.
Para gente como ela criei a categoria de pessoas que somente executam.

domingo, 3 de outubro de 2010

Aquela esperada notícia

Nos últimos dias, escutei algumas pessoas reclamando que haviam acessado o site da Azul Linhas Áereas Brasileiras sem conseguir comprar passagens aqui para Belém, embora o começo de operações em nossa cidade já esteja anunciado. Eu sempre acessava o site, para ver se o nome de nossa cidade aparecia entre as novidades. E hoje, enfim, apareceu.



Os preços estão bons. Só não confirmei a data de efetiva operação. A julgar pela simulação que fiz no site, só no dia 4 de novembro. Quem souber, avise. Não acredito em certas colunas de jornal.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Cinto de segurança para os passageiros do assento traseiro

Estão ocorrendo diligências na cidade, para verificar se as crianças estão mesmo sendo transportadas nos equipamentos de retenção. O detalhe é que, com o novo hábito de procurar saber o que se passa dentro dos veículos, os agentes de trânsito desencavaram uma regra que sempre foi exigível, mas para a qual ninguém dava bola: o uso do cinto de segurança pelos passageiros do assento traseiro. Atualmente, há uma campanha educativa sendo veiculada nos meios de comunicação de massa.
O art. 65 do Código de Trânsito Brasileiro determina ser "obrigatório o uso do cinto de segurança para condutor e passageiros em todas as vias do território nacional, salvo em situações regulamentadas pelo CONTRAN". O art. 167, por sua vez, prevê como infração grave, passível de multa e de medida administrativa (retenção do veículo até a colocação do cinto), "deixar o condutor ou passageiro de usar o cinto de segurança". Estas são as redações originais dos dispositivos, portanto estão em vigor desde janeiro de 1998. Portanto, apesar de ser praxe disseminada ignorar a obrigatoriedade, nenhum reproche se pode lançar contra o agente de trânsito que resolva exigir a providência ou, até mesmo, impor multa.
Admito que, por hábito e despreocupação, colocar o cinto de segurança, quando ocorre de eu viajar no banco traseiro, é cuidado que omito. Mas não me sinto nada incomodado em me afivelar. Esta semana mesmo aconteceu de eu estar de carona e tomar essa providência. O que não entendo é a ojeriza que as pessoas sentem (e declaram) em usar o cinto. Não custa nada, não incomoda; é algo de que você logo se esquece. Na década passada, houve uma grita geral quando lei tornou obrigatório o uso do cinto, antes mesmo do Código de Trânsito. Gritaram, mas se acostumaram. Agora o problema pode se repetir, sem qualquer razão plausível. Fica parecendo desejo de não evoluir.

Não adianta, eu não entendo

Nos primeiros anos do curso de Direito, o aluno prioriza a balada. Lá pelas tantas, prioriza o estágio. No último semestre letivo, prioriza o exame de Ordem.
Afinal de contas, quando é que o cidadão se dá conta de que mais importante é o curso em si? Que tempo resta para colocar a sua formação acadêmico-profissional acima das demais atividades?
Desnecessário dizer que os que sabem focar o objetivo certo se destacam a olhos vistos.

De novo os trajes forenses

O Juizado Especial Federal Cível de Juiz de Fora, Minas Gerais — terra de nossa querida habitué Ana Miranda —, condenou a União a pagar cinco mil reais, a título de indenização por danos morais, em favor do advogado Fábio de Oliveira Vargas, que foi impedido de exercer a advocacia, na sala de audiência, porque não usava gravata no momento, embora estivesse de terno. A arbitrariedade foi cometida por uma juíza do trabalho.
Numa decisão tecnicamente correta e sensata, o juiz federal substituto Leonardo Augusto de Almeida Aguiar destacou que não existe lei impondo vestimentas específicas para o advogado exercer a sua profissão, sequer norma a respeito no regimento do tribunal ao qual está vinculada a magistrada ofensora. Destacou, apenas, que o profissional deve vestir-se de modo condigno, como qualquer ameba é capaz de concluir.
O advogado alega não ter agido com propósito ofensivo. Estava de terno, mas a pressa o impediu de colocar a gravata. Não achou justa a ordem para se retirar da sala somente por isso (nem o juiz federal, que considerou a medida desproporcional). O advogado ainda tentou todas as vias administrativas antes de ingressar em juízo. Claro que não teve sucesso. Sabe como é o corporativismo...
Vale a pena ler a notícia, ilustrada com uma bonita lição de Mahatma Gandhi.

Novidade no espaço urbano

Ontem foi inaugurada a segunda etapa do "Ação Metrópole", com a abertura ao público da Avenida Dalcídio Jurandir (a Câmara Municipal já aprovou este nome?), prolongamento da Avenida Independência, e do elevado unindo a nova via à Júlio César, que em mais uma tola concessão do governo do Estado à bancada evangélica, foi batizado de Gunnar Vingren, um dos fundadores da Igreja Assembleia de Deus no Pará, o que nem por isso o torna merecedor da homenagem, não fosse a politicagem.
Às dezoito horas de ontem, o trânsito estava lento nos dois sentidos da Júlio César, no entorno imediato do elevado. O responsável pela obra declarou que ela foi aberta sem estar completamente acabada para favorecer o escoamento do tráfego (na verdade, para surtir efeitos eleitorais). Que não está pronta, fica claro no primeiro olhar. Falta sinalização vertical e horizontal, assim como os dispositivos luminescentes cuja ausência se sente sobretudo na sinalização da ciclofaixa, estreita e insegura.
Ao todo são cinco quilômetros, em duas pistas de sentidos opostos, cada uma com três faixas de rolagem e a modesta ciclofaixa. Haverá radares para controle de velocidade, mas eles ainda não estão lá, o que torna a via ainda mais perigosa para os desavisados: pista nova, larga, bem asfaltada, sem nenhum impedimento e quase sem retornos.
Na confluência com a Rodovia dos Trabalhadores (às proximidades de dois condomínios de luxo e onde será erguido o Shopping Bosque Belém, com previsão de inauguração em 2012), uma surpresa para mim: estão sendo construídas duas passagens de nível, coisa incomum por estas bandas.
O apelo eleitoral aparece também nos duvidosos enfeites instalados nos postes: plaquinhas com uma bandeira do Pará estilizada. É preciso, urgentemente, padronizar por lei a aparência dos equipamentos públicos, a fim de evitar que cada picareta da vez coloque nas obras públicas penduricalhos que remetam ao seu governo, como os postes em cor laranja, com a logomarca da pseudogestão daquele um no Município de Belém. Palhaçada pura.
O elevado é um capítulo à parte. Ao me aproximar dele no sentido de quem vai para o aeroporto, a impressão é de uma desagradável poluição visual. Ele é mais baixo do que o da Dr. Freitas e, como a Júlio César é mais estreita que a Almirante Barroso, a impressão que se tem é que a feiosa estrutura de concreto domina toda a paisagem. Passando por cima dele, observei que os guardacorpos são baixos, o que dá uma grande sensação de insegurança. Aparentemente, veículos altos poderiam despencar de lá, rolando por cima das muretas. Corrijam-me se eu estiver errado.
Por fim, observei uma faixa pendurada por moradores do Conjunto Marex. Dizia que eles não são contrários ao progresso, mas o querem com respeito aos seus direitos. É justo. O motivo do protesto pode ser lido aqui e aqui.
Agora vamos ver o quanto a nova obra beneficiará a cidade.