sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Dia do professor

Quando se mantém um blog por alguns anos, certos temas podem se tornar repetitivos. Comemorações anuais, p. ex. A certa altura, pode ser que não nos inspiremos para escrever a respeito. No caso específico do dia do professor, faço questão absoluta de deixar registrada alguma impressão. Não se trata de noticiar um fato conhecido de muita gente. Trata-se, na verdade, de firmar uma posição política, relacionada à permanente, urgente e indispensável necessidade de valorizar a figura dos educadores.
Para fundamentar o meu texto, acessei o Oráculo Supremo (mais conhecido como Google) e digitei "dia do professor" como expressão de busca, na expectativa de encontrar um texto inteligente, crítico ou emocional para me fornecer um norte. Mas não encontrei. O que havia lá era a indicação de sítios que mandam mensagens ou coletâneas de frases alusivas ao evento. Um pouco de mercantilismo, um pouco de fofura, mas nenhuma reflexão. Havia alguns links para explicações sobre a origem da data comemorativa e alguns materiais para uso em educação infantil. E havia um link de matéria dizendo que, neste dia, Dilma e Serra falam sobre educação. Como se eles estivessem preocupados com isso...
Pode ser mania de perseguição, mas fiquei frustrado. Tomei isso como um sintoma de que nossa profissão é tão desvalorizada que não merece, sequer, uma breve crônica ou modesta resenha desses tantos jornalistas, articulistas e quetais, que passam a vida falando dos políticos, das celebridades, dos criminosos, dos mineiros soterrados, mas que não se lembraram de tirar ao menos esta sexta-feira para falar desta categoria de trabalhadores.
No final das contas, o ofício do professor é matéria muito discutida, mas apenas interna corporis. E justamente por conta dessa limitação, muito do que se fala vem imbuído de preocupações imediatistas com remuneração, condições de trabalho, bullying, etc. Falta visão de longo prazo. Falta uma política centrada na educação.
Não deixarei, porém, de deixar o meu grande abraço a todos os professores, de todos os níveis da educação. Vocês merecem, meus queridos. A sociedade muito lhes deve. Mas muito, mesmo.

PS Interessante. No dia do professor ganhamos uma folga do trabalho. Do trabalho em sala de aula, bem entendido. No ano passado, eu estava corrigindo provas. Hoje, o mesmo. Com efeito, o trabalho nunca termina!

Antecedentes:

5 comentários:

Diego Ferraz disse...

Fala Professor,

É infelizmente os professores ainda não tem o reconhecimento que deveriam, mas ainda tenho fé que isso irá melhorar um dia (espero estar aqui ainda para ver isso).

A e claro deixo aqui minhas felicitações ao sr. pelo dia de hoje. Parabéns!

um abraço

Ana Miranda disse...

Yúdice, triste seu texto e mais triste ainda por ser total realidade...
Mas, quem sabe, um dia os mestres serão reconhecidos como tal e tratados como merecem?
Fica aqui meus parabéns não só pelo seu dia, mas pelo profissional que eu acho que você é.
Quero lê-lo falando sobre essa data por muitos e muitos anos....

André Coelho disse...

Nem todos os professores merecem realmente parabéns. Você merece. É um excelente professor e jamais desistiu do que há de idealista na profissão. Parabéns, meu amigo!

Liandro Faro disse...

Parabéns pra nós, TIO!..

Anônimo disse...

Prezado Yúdice,

em países nos quais o professor é valorizado, o dia do professor é comemorado na escola e com os alunos. Neste dia o professor é homenageado e se relaciona de uma outra maneira com os estudantes. No Brasil, onde temos a tendência de simplificar e banalizar tudo para o pior, tornar o dia do professor feriado apenas deprecia a significação do educador e da educação. Com respeito a esta, o Brasil está na contra mão de todos os países que lucram com ela. Nossas escolas não ensinam (Por exemplo outro idioma ou o nosso mesmo) e o vestibular banaliza todo o aprendizado, transformado-o em algo pragmático no pior sentido. Com isso somos pouco competitivos mundialmente, pois produzimos reprodutores e não criadores (algo como ler e repetir artigos da constituição e não saber os seus fundamentos teóricos, históricos etc...). Daí a nossa dependência técnica e cultural e grande parte da nossa desvantagem. Tudo isso sem falar no círculo vicioso da má qualidade do ensino: Professor mal remunerado = profissão desinteressante = concorrência de baixa qualidade = maus alunos se tornam professores, devido a baixa concorrência e assim as exceções não são suficientes. Há muita gente por aí que se diz professor, mas que apenas vê a educação como fonte de renda e não como responsabilidade social. O resultado disso é o Brasil, com milhões de ináptos. Com ou sem diploma.

Atenciosamente

Roberto Barros.