domingo, 7 de fevereiro de 2010

Interesse pela monitoria

Em meio aos meus trabalhos de preparação do semestre letivo que se inicia amanhã, parei a fim de observar as listagens relacionadas ao processo seletivo de monitoria para o ano de 2010.
Na instituição onde leciono, o processo seletivo é rigoroso, uma espécie de vestibular em miniatura. Até a apresentação das provas e o cuidado com a lisura do processo se assemelha. Existe um edital, critérios de inscrição, provas elaboradas especificamente para o evento e uma correção sujeita aos controles institucionais. O processo começa com uma análise de histórico e termina em uma entrevista.
Vi, com alegria, que no curso de Direito (o único sobre o qual posso falar) a procura aumentou nos últimos anos. O alunado está se interessando mais. Seria leviandade dizer que a bolsa é o fator determinante disso. Que seja em um ou outro caso, mas não no geral. Minha satisfação aumenta quando vejo que alunos que, em conversas comigo, não pareceram interessados em ser monitores antes e agora estão se inscrevendo. Outro dado interessante pode ser extraído, curiosamente, da relação de inscrições indeferidas. Não há informação do motivo do indeferimento, mas observei que foi grande a quantidade de recusas para a minha disciplina e, conhecendo vários nomes, deduzo que o motivo foi não terem, tais alunos, concluído o estudo do Direito Penal, que se divide em quatro semestres. Ou seja, ainda nem terminaram a disciplina, mas já desejam trabalhar com ela, ao menos no plano acadêmico. Isso, para mim, é um sinal bastante auspicioso.
Terei o cuidado de estimular esses alunos, que agora não puderam prosseguir em seu plano, para que no próximo ano se inscrevam de novo, já com plenas condições de disputar a vaga e, pelo que sei, de fazer um belo trabalho, como fez o meu monitor do ano passado.
Tenho grande respeito pela monitoria. É óbvio: ela foi o começo da minha própria trajetória docente. Foram dois anos, já na disciplina Direito Penal, auxiliando o dileto Prof. Hugo de Oliveira Rocha. Bons tempos! Aprendi bastante e isso me ajudou para a carreira que eu já ansiava por abraçar. Tenho a satisfação, ainda, de ver que dois ex-monitores meus hoje são meus colegas de docência. E não duvido nada que a lista aumentará.
Sem dúvida alguma, a monitoria é uma atividade que rende excelentes efeitos sobre a formação do aluno uma oportunidade que não se deve desperdiçar.

5 comentários:

Luiza Duarte disse...

Nossa, Hugo Rocha? Ele foi meu professor, pelos quatro semestres! Um bom professor, sem dúvida! De certa forma, era uma espécie rara na UFPA: nunca faltava, nunca chegava atrasado e sempre passava as três provas (ao contrário de alguns outros, que inventavam trabalhos que não liam ou repetiam a melhor nota das duas avaliações que já tinham feito).

No meu tempo, não escondia de ninguém que já estava ansioso pela aposentadoria, que saiu logo após concluirmos o curso de Direito Penal. Não sei se ele era ranzinza desde sempre ou já estava cansado, mas fico com a primeira opção, o que não diminui em nada a estima da nossa turma por ele, que o elegeu como nome da turma! "Turma Professor Hugo Rocha". No fundo, achávamos a rabugice engraçada!

Outra coisa que eu gostava era que ele sabia o nome de cada aluno, mesmo os mais calados. Sempre achei isso interessante, pois mostra interesse e atenção. É um grande nome, um ótimo professor e uma pessoa com o coração imenso!

Tônia disse...

Caro Yudice, concordo plenamente com você, o que não é nenhuma novidade, mas que não me faz ter menos vontade de comentar.
Como você sabe, fui monitora da professora Mônica Toscano por dois anos no Cesupa. E a experiência foi maravilhosa. Pude vivenciar um pouco do magistério e perceber o quão difícil é ser professor universitário no Brasil.
Sinto que aqui infelizmente a graduação é uma espécie de continuação necessária da escola e o comportamento dos alunos segue essa mesma lógica. Falta um pouco de comprometimento. A prática de estudar na véspera e deixar a seriedade para depois de graduado é a regra, e quem destoa é visto com olhos desconfiados.
Quando participei da seleção o processo já era super sério, mas a procura não era tão grande.
Por isso fico bastante entusiasmada com a tua postagem. Ver que isso está mudando é muito bom.
Saiba, caro amigo, que mais do que a vontade de abraçar a academia, os alunos procuram a monitoria embalados por exemplos como o teu e como o da Mônica, dentre outros vários que o Pará graças a Deus dispõe.
Ver um grande mestre em ação é um privilégio. Que bom que os alunos estão percebendo cada vez mais essa oportunidade de aprendizado. Pois aprenderão não só como conduzir uma embrionária carreira docente, mas acredito que passarão a ver com novos olhos o seu próprio comportamento como discentes. E isso é fantástico.
É a partir daí que novos pensadores, responsáveis e comprometidos, nascem.
Tudo isso, claro, obra de gênios como tu.
Um beijo imenso na família linda.

avéiacachimbeira disse...

Caro Yudice,
Na sexta feira passada, tive a alegria de parabenizar dois novos monitores na Universidade onde leciono, uma para a minha disciplina em fotografia e o outro para computação. É importantissimo a monitoria.
abraços

Yúdice Andrade disse...

Luiza, creio que a característica mais forte do Hugo Rocha era a sua seriedade, a sua honestidade como docente. Trata-se de uma das pessoas mais corretas que já conheci.
Logo que minha turma o conheceu, não houve grande simpatia. Sim, ele sempre foi excessivamente ranzinza e turrão. Eu o detestava! Mas logo aprendemos que por trás dessa capa havia uma espécie de pai, disciplinador, exigente, mas profundamente preocupado conosco. Era uma espécie de pai. Tive grande honra de ser aluno e monitor depois e o coloco como uma das maiores razões daquilo que aprendi de Direito Penal. Ele foi e sempre será meu grande mestre.

Olha só, Tônia: estás logo depois de tua grande amiga.
Também fiquei bastante entusiasmado com o que vi. Espero que essa seja uma tendência a melhorar ainda mais, doravante.
Quanto ao "gênio", considero um evidente exagero teu. Mas aceito de bom grado o adjetivo "compromissado", porque a docência, para mim, é tudo, em termos profissionais.

Grande Abdias, não sabia que eras professor também. Maravilha. Precisamos trocar ideais sobre nossas experiências docentes.

Arthur Laércio Homci disse...

A monitoria é fundamental. Como tu, devo muito da minha engatinhante carreira docente à monitoria, onde estive por 2 anos.

Nesse período, percebi quão sério era o processo seletivo aplicado pelo CESUPA, e mais ainda o acompanhamento que é feito com os monitores, com a obrigatoriedade de frenquentar cursos de didática e tudo mais.

Foi uma experiência fantástica, que deve ser estimulada sempre.