quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Público de qualidade

De acordo com estudo realizado nos Estados Unidos, que acabou de ser divulgado, os adolescentes estão perdendo o interesse por blogs. O motivo? Eles preferem escrever — e ler — textos curtos e, para isso, utilizam as redes sociais e os microblogs, dos quais o mais famoso é o Twitter.
O lado mau da notícia é que isso aponta para um fenômeno perceptível: a crescente imbecilização da juventude. Neste final de semana, p. ex., um garoto a caminho dos 14 anos, da minha família (aaaaaaaaaaaaaaaaaargh!!!), quase desistiu de ler uma estória para minha filha Júlia, alegando que era "muito grande". O "muito grande" em questão eram três páginas de um livro infantil, ou seja, com letras grandes e páginas dominadas por desenhos. Quase que eu o atiro do carro, em movimento, ainda mais por me lembrar de como ele gostava de ler. Mas isso na época em que ele era especialista em dinossauros, antes de substituir tal interesse pela merda do por futebol.
Naturalmente, precisamos nos perguntar se a realidade estadunidense é, nesse particular, semelhante à nossa. Por minha conta e risco, especulo que sim e, pior, que essa é uma tendência globalizada. Esta é a impressão que nos fica quando convivemos com a garotada.
O lado bom da notícia é que a blogosfera continua no foco dos maiores de 30 anos. Tomando-se tais pessoas como mais instruídas e voltadas a temas específicos já que têm tempo reduzido, trabalham, sustentam famílias, etc. , pode-se esperar um aumento qualitativo no público dos blogs. Tomara.
Da minha parte, já gosto bastante do público de meus dois blogs. Até as brincadeiras têm mais conteúdo. Mas, para isso, os blogueiros também precisam saber manter o interesse, claro.

Por oportuno:

7 comentários:

Bruno disse...

Discordo em grande parte do colocado. Estamos lidando com uma juventude cada vez mais dinâmica, pressionada por uma avalanche de informação inimaginável a poucos anos atrás.

Não é só isso. A cada geração, em média, o QI sobe em 10 pontos.

A perda de interesse em blogs da juventude nada mais é do que mais um passo (com pontos positivos e negativos) desta evolução. Quanto ao fato dos maiores de 30 anos manterem o foco na blogosfera parece-me mais inépcia a mudança, à inovação, à evolução.

Um jovem de 14 anos não quer ler três páginas de um livro infantil? Prefiro pensar que é por ser entendiante e pouquíssimo recompensador. Você bem falor que cabe aos autores de blogs captar a atenção do leitor. Nos livros não é diferente. Ele (o jovem) precisa mais do que isso para ser estimulado. Também precisa aprender melhor a expressar o desânimo. "É grande" não expressa a verdadeira razão.

Lembro do quanto, em minha juventude, os video games eram criticados, como alienadores, que contribuíam para a "imbecilização". Esta mesma geração cresceu, se tornou muito mais eficaz no mercado de trabalho e provou com estudos todos os benefícios da jogatina (excetuando-se, claro, os casos de vício e dependência comuns a diversas atividades).

Não cometamos os erros de dizer que "os desenhos animados de antigamente eram muito melhores" ou que "as músicas de antigamente eram melhores". Hoje se produz conteúdo em uma quantidade incalculável. Claro, a maioria sem valor, mas há muito de bom (e criticamos de forma generalizada por pura ignorância). O importante é perceber o valor dentro de seu respectivo tempo. E manter todo o valor merecido por aquilo que passou.

Mas, de fato, a mudança é global. O mundo em que eles vivem cada vez mais prescinde de fronteiras. E todo esse processo é inevitável, apenas devendo ser adequadamente conduzido. Não é fácil, mas considerar "imbecilização" é, na minha opinião, o receio da mudança expressado de forma tão equivocada quanto o "é grande".

Ah, e eu adoro futebol! E Pelé ainda é o Rei pelo gênio que foi em seu tempo. Se jogasse hoje como jogou em seu tempo, não seira capaz de acompanhar a velocidade e força física estabelecidos no futebol. Mas isso não diminui em nada a genialidade dele e de sua geração.

Abraços

Adelino Neto disse...

Vejo a coisa meio diferente. Acredito que os microblogs podem complementar os blogs tradicionais e vice-versa. Como numa parceria. Tanto é que coloquei um link para esta postagem no meu Twitter, veja: http://twitter.com/adelino_neto

Forte abraço, amigo!

Adelino Neto

Yúdice Andrade disse...

Bruno, sua manifestação ganhará uma postagem específica.

Carlos Barretto disse...

Ugh!

Ana Miranda disse...

Grande parte da culpa disso, eu sinto muito em dizê-lo, é dos pais que não estimulam a leitura aos seus filhos.
Como um jovem vai gostar de ler se seus pais não leem?
E quando eles leem algum livro, obrigados pelo colégio, seus pais não leram esse livro e nem se esforçam em fazê-lo para poderem juntos, sentarem e discutirem o livro lido, trocar ideias sobre o mesmo.
Eu acho impossível que alguém não goste de ler, acho que é falta de costume. É impossível não se ler.... IMPOSSÍVEL!!!

Anônimo disse...

Bom, sem querer puxar saco ou ser diplomático, Yúdice, concordo com seu texto.

Acho que esse negócio de pressão por avalanche de informações, ou "a culpa é dos pais", simplesmente não cola.

Tudo tem o seu porquê.

Por exemplo, eu gosto de escrever com poucas palavras às vezes. Não por preguiça, mas por achar um desafio. O que não se aplica ao contexto de sua postagem.

Sobre a culpa ser dos pais, também não concordo. Meus pais não gostam de ler e nunca me incentivaram a isso, entretanto eu adoro.

Bom, a verdade, na minha opinião, é que as pessoas hoje em dia são preguiçosas, sim. A não ser que seja para passar num concurso público, onde se ganha muito e se trabalha pouco. Típico de pessoas de QIs altos (QI - Quociente de Inteligência e QI - Quem Indica).

Espero que meu filho não tenha QI tão alto...

Alexandre

Anônimo disse...

Ah, me esqueci de uma coisa.

Como comparação a este fato, podemos citar problemas como este.

Ou seja? A pressão para se ter um padrão de beleza imposto pela porcaria da mídia está criando problemas e doenças que estão ficando cada vez mais comuns entre as jovens e adolescentes, como a bulimia, anorexia, dismorfofobia e outras ias da vida.

Assim como a pressão das entidades "educacionais" e do mercado de trabalho atual, que também podem causar danos às novas gerações de mentes e intelectos, como já temos visto.

Ou não?

Alexandre