sábado, 17 de abril de 2010

Terpsicórico

Um pouco mais cedo, esta noite, eu assistia com minha esposa ao 19º episódio da 2ª temporada do ótimo seriado Numb3rs ("Matéria escura"), quando vimos uma cena em que o personagem Larry Fleinhardt convida a agente do FBI Megan Reeves para um encontro.
A questão é que Fleinhardt é um gênio da Matemática e passou toda a sua vida concentrado na ciência. Era o típico nerd, na escola, que não possuía o direito, sequer, a uma mesa no refeitório. Aqueles clichês da cruel sociedade norteamericana. Hoje, é um adulto preso ao estereótipo do gênio, que trata com naturalidade dos assuntos mais complexos do universo, fala com uma linguagem empolada que me parece altamente divertida e tem enorme dificuldade em interação social. E Reeves é uma loiraça boa de briga, com uma pistola por baixo do blazer. Ou seja, um improvável casal.
No episódio em questão, vemos o começo do relacionamento amoroso entre os dois. É o dia em que Fleinhardt toma a iniciativa do primeiro convite. E o que ele propõe? Um jantar, um show ou um espetáculo terpsicórico. Isso mesmo: um espetáculo terpsicórico. Reeves sorri, diz não saber o que é a terceira coisa, mas aceita o jantar.
Sem saber o que era terpsicórico  e apaixonado pela Língua Portuguesa , fui obrigado a pausar o programa e correr para a Internet. Sob o temor de esquecer a palavra, fiz a busca imediatamente. Não dormiria com essa dúvida me corroendo. Felizmente, tais consultas hoje em dia são muito fáceis. A boa e velha Wikipedia está aí para quebrar o nosso galho. Graças a ela, supri a minha ignorância no campo da mitologia grega e soube que Terpsícore foi uma das nove musas, filhas de Zeus e Mnemósine. Eu já ouvira falar delas, notadamente de Eutherpe, da música. Mas não conhecia Terpsícore, musa da dança, arte da qual não sou lá o maior entusiasta.
Em suma, o tal "espetáculo terpsicórico" era tão somente um espetáculo de dança, em linguagem de gente. A palavra sofisticada me levou a acreditar que era alguma coisa do arco da velha, bem ao gosto de um gênio da Matemática.
Portanto, a palavra de hoje é terpsicórico. Acabamos de aumentar o nosso vocabulário e a nossa cultura geral. Há outras palavras muito interessantes para se compartilhar. Que o diga o Tanto.



Terpsícore
no óleo sobre tela de Jean-Marc Nattier (1739)

3 comentários:

André Coelho disse...

Puxa, pior que eu sabia o que era terpsicórico... E comigo nunca acontece de nos episódios que eu vejo usarem uma expressão desse calibre... Que azar!

Ana Miranda disse...

E eu, com Sky em casa, perdendo isso??? Não acredito...
Eh...eh...eh...

Yúdice Andrade disse...

André, o bom desses seriados é que, embora na maior parte dos casos sejam apenas entretenimento, volta e meia aprendemos alguma coisa interessante. Mas é preciso acompanhar bons seriados episódio a episódio. Ou então dar sorte.

Pela palavra ou pela dança, Ana?