sexta-feira, 9 de abril de 2010

Homem não chora

Enquanto segue a minha prova, fico aqui ruminando os mais variados pensamentos, alguns bastante banais. Subitamente, veio-me uma lembrança da infância. Não um fato específico, mas uma frase, que escutei em diversas ocasiões:

"Homem não chora. Só quando a mulher vai embora."

Eram os adultos (des)educando os meninos lá pelo final dos anos 1970 e começo dos 1980. O velho estereótipo de macho forte, sempre altivo, sempre no comando, sempre pronto a enfrentar todos os desafios, na porrada se preciso. Um indivíduo imune a fraquezas e dúvidas. Permanentemente pronto a guiar os filhos, os pais idosos e, especialmente, as mulheres, frágeis por natureza e condição indissociável. Uma criatura improvável e inexistente. Portanto, uma das mais rematadas falácias de todos os tempos.
Mesmo criança, intrigava-me que uma regra tão peremptória ("homem não chora") pudesse ter uma exceção. E mais ainda que a exceção fosse, justamente, uma fraqueza diante da mulher. O que me pus a pensar, hoje, seriam duas interpretações para a máxima acima:

1ª) O homem só chora quando a mulher vai embora é uma ironia, porque a mulher nunca vai embora, já que dele depende para tudo. No máximo, ele toma a iniciativa de despachá-la e, assim, não teria motivo nenhum para chorar. Em suma, confirma-se que o macho não chora nunca e se revalida o mito do super-homem.

2ª) O homem está de fato autorizado a chorar quando sua mulher vai embora fato que pode ser improvável, mas que acontece. E se acontecer, será a única hipótese em que a sociedade perdoará a fraqueza do macho. Uma visão curiosa e até romântica do sentimento humano. Entre as duas interpretações, esta seria bem melhor, porque mais humana e alentadora.

Poucas coisas são tão falsas e ridículas quanto o machismo. Não à toa, o deboche quanto a esse tipo de comportamento sempre esteve na moda. Imagino que seja um dos fatores para as onipresentes piadas homofóbicas.
A propósito, se você me permite escapar um pouco do verniz social que procuro imprimir a este blog, compartilho uma anedota que escutei no começo da década de 1990, construída sobre os grandes acontecimentos históricos daquele período. Usava como vítima Jece Valadão, ator fluminense falecido em 2006, que se notabilizou como ícone do machismo, adotando voluntariamente a condição de cafajeste. Com um pouco de cultura geral você pode entender qual era a graça. Ei-la:

Jece Valadão, durante uma entrevista, dispara um de seus petardos:
Só dou a bunda no dia em que o comunismo acabar, o muro de Berlim cair e Mike Tyson beijar a lona.
Meses depois, em nova entrevista, ele esclarece:
Foi gratificante.

3 comentários:

Francisco Rocha Junior disse...

Yúdice,
Conheço uma frase sobre o Jece Valadão, que denota a escrotice do cabra:
"Deus disse 'Faça-se a luz'; Chuck Norris disse 'Peça por favor'; Jece Valadão disse 'Calem a boca, vocês dois' ".
Abraço.

Ana Miranda disse...

Eh...eh...eh...
Mais uminha só pra descontrair. Feminista é claaaaaaaaaaaaro...

3 amigos acham uma lâmpada mágico e o gênio concede um desejo a cada um deles.
O primeiro pede para ser a pessoa mais linda do mundo. O gênio manda-o olhar-se no espelho. Ele agradece e vai embora.
O segundo pede para ser a pessoa mais rica do mundo. O gênio manda-o olhar sua conta bancária. Ele agradece e vai embora.
O terceiro pede para ser a pessoa mais inteligente do mundo. O gênio vira para ele e pergunta:
- Você não se importa de menstruar todo mês???

Yúdice Andrade disse...

Mas no final das contas, Francisco, ele mesmo admitiu que a coisa era, acima de tudo, gênero.

E qual a relação de uma coisa com a outra, Ana?
Brincadeirinha!!!