sábado, 10 de setembro de 2011

Capital dos processos

Desde que Duciomar Costa conspurcou a prefeitura de Belém, nossa cidade não para de ver seu nome associado a ações cíveis de improbidade e criminais. Acabou de sair mais uma do forno relacionada à aplicação de recursos da saúde e, desta vez, sobrou até para Edmilson Rodrigues. Com a palavra, o Ministério Público Federal, em sua página institucional:


Atuação de Duciomar Costa, Edmilson Rodrigues e secretários de Saúde apresentou graves falhas no gerenciamento de repasses federais; em outro processo, Justiça cancela em definitivo compra do hospital Sírio-Libanês pela prefeitura
Já está no gabinete do juiz federal Alexandre Buck Medrado Sampaio, da 1ª Vara Federal em Belém, mais uma ação judicial do Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA) por irregularidades no gerenciamento de recursos da saúde na capital do Estado. O procurador da República Bruno Araújo Soares Valente acusa o prefeito Duciomar Costa, o secretário de Saúde, Manoel Dias Pantoja, o ex-prefeito Edmilson Rodrigues e o ex-titular da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) Amaury Braga Dantas por improbidade administrativa na utilização dos recursos federais destinados à saúde entre 2002 e 2007.

O processo foi encaminhado para despacho do juiz federal nesta quinta-feira, 8 de setembro. Segundo o MPF/PA, o Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus) constatou diversas irregularidades, como, por exemplo, a inexistência de dirigente responsável direto pelas unidades de saúde da família e pelas casas de saúde bucal, as equipes de saúde bucal e do Programa Saúde da Família (PSF) não estavam completas em algumas unidades de saúde, havia falta de atendimento à demanda em saúde bucal em todas as unidades de saúde da família visitadas, além de baixa produtividade e falta de condições estruturais das unidades de saúde da família.

E os problemas não param aí: em 2002, 2003 e 2007 não foram apresentados os planos de assistência farmacêutica com a devida aprovação pelo Conselho Municipal de Saúde, medicamentos foram entregues sem que fossem obedecidos os prazos estabelecidos na compra, a seleção de medicamentos adquiridos foi feita em desacordo com o perfil epidemiológico local, a central de abastecimento farmacêutico apresentava condições físicas e ambientais inadequadas de temperatura, ventilação, luminosidade, umidade, instalações físicas precárias e higienização comprometida, a demanda por medicamentos não foi atendida e foi constatada fragilidade no sistema de estocagem e controles internos de medicamentos na Sesma. Não foi comprovada a aplicação de um total de R$ 1 milhão em recursos do programa de assistência farmacêutica.

"Faltou aos requeridos a observância da transparência devida na gestão de recursos públicos. Ademais, ante a não prestação de contas e a insuficiência dos serviços públicos prestados, pode-se mascarar a subtração ou o desvio das verbas repassadas, ficando o responsável omisso equiparado àquele que desvia ou desfalca", acusa o MPF/PA na ação.

Sírio-Libanês - Em outro processo relativo a irregularidades com recursos da saúde, a Justiça Federal decidiu anular, em caráter definitivo, a compra do hospital Sírio-Libanês pela prefeitura de Belém. A sentença, que confirma decisão liminar (urgente e provisória) de 2005, é assinada pelo juiz federal Rafael Araújo Torres.

A Justiça Federal concordou com o MPF/PA em relação ao fato de que houve dispensa irregular da licitação exigida pelo Conselho Municipal da Saúde para a compra do prédio, além de tentativa de burlar restrições legais que impedem o poder público de fazer contratos com entidades privadas endividadas com o Estado. Era o caso da empresa Clínica Zoghbi Ltda, proprietária do hospital. A clínica tinha uma dívida de R$ 8 milhões com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Mesmo com a proibição, a prefeitura ignorou a legislação, assinou o contrato diretamente com os dois médicos proprietários da clínica e depositou em favor deles R$ 1,6 milhão.

"Verifico que houve flagrante ilegalidade e insanáveis irregularidades tanto no procedimento de dispensa de licitação quanto na aquisição propriamente dita do hospital Sírio-Libanês, afirma o juiz federal.

Devido a essa mesma negociação, em 2008 o MPF/PA entrou na Justiça com ação de improbidade administrativa contra o prefeito Duciomar Costa, a ex-secretária de saúde Cleide Mara Ferreira da Fonseca e os médicos Orlando Salomão Zoghbi e Maria José Bastos Zoghbi. O caso aguarda decisão.

Se condenados, o prefeito, a ex-secretária e os dois médicos terão que ressarcir integralmente os cofres públicos pelos danos causados, poderão perder as funções públicas e ter os direitos políticos suspensos por cinco anos, além de ficarem sujeitos a multa de até duas vezes o valor do dano.

Segundo o blog Espaço Aberto, a assessoria de Edmilson Rodrigues, atualmente deputado estadual, disse que ele aguardará a ciência da acusação para se pronunciar, mas ressaltou desde logo o seu convencimento de que não houve irregularidades em sua gestão.
Já quanto ao malsinado, provavelmente ele fará o que sempre faz: agir como se nada estivesse acontecendo. Se alguém lhe perguntar a respeito, fingirá que não escutou e emendará, de imediato, aqueles seus discursos prontos, ridículos, sobre a revolução que está operando na cidade ("operando", sem trocadilhos!).
Seja como for, uma coisa pode ser dita desde logo: se alguém procurar saber sobre o funcionamento do Conselho Municipal de Saúde, constatará que o Ministério Público Federal não exagerou. Não é de hoje que gente do ramo critica a postura do prefeito, que simplesmente desmantelou o conselho, porque não lhe interessa gestão participativa nem controle social sobre os seus atos.
Outro fato que precisa ser constatado é para se lastimar: anos e anos, muitas vidas de homens se passarão e a Justiça Federal não julgará esse processo. Se nem o do Hospital Sírio-Libanês se resolveu até hoje (a patifaria ocorreu em 2005), imagine este. Absurdo. Era para esse sujeito estar condenado e inelegível faz tempo.

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