sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Só uma perguntinha

Todo mundo está protestando contra o episódio de agressão de dois seguranças do Ver-o-Peso contra uma mulher com doença mental. Vários feirantes já foram ouvidos, pela imprensa escrita e televisionada e se mostraram indignados. Cobram-se atitudes do poder público. Interessante. Mas até o presente momento, não escutei absolutamente nada sobre os tais seguranças serem dispensados do emprego, poder que seus empregadores possuem, mas ainda não utilizaram.
O que está faltando, pode-se saber?

2 comentários:

Anônimo disse...

Não causa espécie a vocês o fato de que hoje em dia as pessoas se preocupam mais em "filmar" as cenas do que em tentar ajudar os agredidos?

Não há dúvida de que hoje estamos em um perfeito e completo Big Brother, não aquele programinha de merda, mas num complexo sistema de informações onde todos somos filmados em torno de 60 vezes ao dia(pesquisa feita em Brasília).

Reconheço que as imagens feitas hoje em dia, seja por câmeras ou por celulares, têm contribuído muito para resolver inúmeros crimes ou problemas. Ser filmado ou não não é o problema central.

O problema, a meu sentir, é que a maioria das pessoas quer "participar" desse Big Brother, não se ligando nas questões da solidariedade ou até na obrigação e dever de ajudar a evitar fatos absurdos como o que ocorreu no Ver-O-Peso. O que importa é "gravar" a cena. Vejam a quantidade de pessoas "fotografando" os cadáveres diários estendidos ao longo da nossa Belém. Pra que?

Em tempo, esses imbecis travestidos de seguranças também poderiam baixar o relho naqueles péssimos comerciantes - que os contratam - que adulteram suas balanças e/ou enganam os clientes trocando rapidamente as notas recebidas por outras de menor valor, em golpe mais do que vovô e que não recebe das autoridades a mínima pena.

Por que não cancelar a permissão de uso do espaço daqueles "comerciantes/golpistas" que enganam os clientes na maior cara dura ?

Kenneth Fleming

Yúdice Andrade disse...

Caríssimo Kenneth, a questão que levantas vem sendo discutida nos últimos anos, por conta de episódios que se tornaram polêmicos na grande imprensa. Jornalistas se concentravam em registrar o episódio, em vez de socorrer os necessitados. Aqui no Brasil, ficaram famosas as imagens registradas por um fotógrafo, de uma mulher que se atira num reservatório de água para salvar o filho, mesmo sem saber. Ele foi muito criticado (v. p. ex. http://pontodeanalises.blogspot.com/2007/01/me-pula-no-poo-e-salva-filho-de.html), mas a associação da categoria disse que ele estava correto.
Não analisarei o ponto de vista deles.
Pessoalmente, penso que o mais importante é ajudar a resolver o problema no mérito. Logo, acho que faria o que achas correto. Neste caso em particular, li em algum blog que havia três pessoas agindo, justamente as que estiveram na delegacia para registrar a ocorrência policial. Sem elas, o caso simplesmente não seria conhecido. Uma dessas pessoas foi o autor das imagens, cuja ação, a meu ver, foi relevantíssima: ele produziu a prova do crime.
Penso que se há outras pessoas disponíveis para o salvamento, não há problema em alguém se concentrar apenas em registrar o fato. Isto não deve ser tomado aprioristicamente como falta de solidariedade, pois talvez a solidariedade esteja na utilização que será dada posteriormente aos registros.
Quanto ao mais, a crítica que fazes às pessoas que preferem o "Big "Brother" ao ser humano é justa. Escrevi sobre isso numa postagem que relatava minha passagem por um rapaz que caiu de paraquedas no meio da rua e se feriu bastante. Formou-se uma aglomeração horrível em torno e um palhaço ficava fotografando ou filmando a vítima a centímetros de seu rosto ensanguentado. Eu queria bater no cara!
Por fim, quanto às punições aos agressores e à empresa que servem (se é que existe uma), de pleno acordo.