terça-feira, 19 de julho de 2011

Mais um inominável

Não buscarei uma palavra que sintetize o episódio do homem de 42 anos que foi agredido, a ponto de ter decepada parte de sua orelha direita, porque abraçou o filho de 18 e, com isso, foram confundidos com um casal gay. O caso aconteceu este final de semana no Município paulista de São João da Boa Vista e revela como o ódio pode estar entranhado no âmago das pessoas, já que os agressores abordaram as vítimas, escutaram suas explicações, afastaram-se e retornaram depois, com uma arma cortante, para consumar a violência.
Além disso, mutilações costumam expressar o desejo do agressor de desconstruir a vítima. Fazer alguém perder suas características físicas pode ser interpretado como um processo de despersonalização. É preciso um nível de maldade bem desenvolvido para se chegar a tanto. No caso, especulo que a mensagem exposta nessa agressão foi que a vítima deveria deixar de ser o que se pensou que fosse.
Mundinho, este nosso...
Do episódio se extrai outra lição: o homem mutilado, ao ser entrevistado, não lamenta por si; lamenta o tempo todo pelo filho. Ele perdeu quase toda a orelha, mas o filho perdeu o lazer e isso o amargura. Ou seja, há sentimentos e sentimentos, valores e valores, pessoas e pessoas.
Mundinho, não?

Fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2011/07/nao-pode-nem-abracar-o-filho-diz-homem-que-teve-orelha-cortada.html

5 comentários:

Ana Miranda disse...

Abstenho-me de tecer qualquer comentário sobre esses idiotas dos agressores, em respeito a sua pessoa.

Mas, mesmo no meio dessa imundície, não dá para não ter orgulho e achar que esse mundo ainda tem jeito, com a belíssima atitude do pai!!!

Luiza Duarte Leão disse...

Hoje eu soube de duas histórias, além dessa, que vão me fazer ir dormir com uma única coisa em mente: o mundo é bosta.
Desculpe o palavreado, mas tem dias que não dá pra ser de eufemismos.

Luiza Duarte Leão disse...

Eu e a Ana estávamos com o espírito diferente ontem, heim? Mas, ok, depois de uma noite de sono, eu voltei a ter esperança. O mundo ainda tem jeito, Ana.

Anônimo disse...

CADEIRA ELÉTRICA É O MÍNIMO QUE ESSES DESGRAÇADOS MERECEM!!!

Ana Miranda disse...

Eh...eh...eh...

Pois é Luiza, nossas esperanças vão e vêm...

As coisas que o seres são capazes de fazer uns com os outros são tão absurdas, mas tão absurdas que, às vezes, não nos resta outra coisa, senão achar que o mundo realmente é uma bosta...