segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Bom demais de ouvir

Deus foi bacana comigo hoje. Duas ex-alunas diferentes me disseram a mesma coisa, uma sem interferência da outra, uma pela manhã, outra agora à noite. Concluintes, elas se submeteram ontem à primeira etapa do exame de Ordem e me disseram que responderam bem a parte de Direito Penal, mesmo sem estudar; disseram que a lembrança de nossas aulas, dois anos atrás, serviu para que se saíssem bem.
Poucas coisas recompensam tanto um professor quanto escutar algo do tipo descobri que sei a sua matéria. Não apenas porque há um quê de gratidão no comentário do aluno, mas porque dá um sentido ao fato de você ter abraçado a docência.
'Tá, eu sei que esta postagem não disfarça uma boa dose de vaidade. Admito. Se eu não fosse vaidoso, não teria um blog de conteúdo pessoal. Escreveria sobre como criar peixes (se entendesse do assunto, claro). Mas não tenho como deixar de me regozijar com notícias tão calorosas, vindas tão espontaneamente. Vocês têm que aceitar que os frutos da docência me deixam sempre tão feliz que preciso compartilhá-los, já que não cabem aqui neste peito.

4 comentários:

André Coelho disse...

Caro Yúdice, primeiro de tudo, parabéns pelos comentários das alunas em questão, ei bem sei que são recompensas inestimáveis ao trabalho docente. Agora, de uma coisa tenho que discordar veementemente: não é vaidade! Vaidade é querer mais crédito e reconhecimento do que na verdade se merece, é não admitir erros, é não reconhecer quem lhe é superior, é acreditar que ideias e ações próprias têm sempre mais valor que as alheias etc. É um vício de má avaliação do próprio valor como pessoa ou como profissional. A ideia de que o homem, comparado a Deus, não tem valor algum e de que, nesse sentido, qualquer valorização do que ele é ou faz, mesmo quando correspondente a qualidades e ações genuinamente dignas de reconhecimento, é sempre imerecida, uma elevação falsa e sacrílega da poeira que é o homem à posição que cabe unicamente a Deus é uma invenção do Cristianismo, uma de suas piores invenções, diga-se de passagem. Saber do próprio valor, exigir ser tratado com respeito e valorização, ficar feliz quando se tem seu trabalho elogiado e reconhecido são traços de uma personalidade bem formada, saudável e adulta. Não há nada de vaidade nisso, a não ser para a mente perturbada dos que, equiparando a relação entre o homem e Deus com a relação entre um súdito amedrontado e bajulador e seu Rei prepotente, acreditam que toda exaltação do homem, mesmo quando justa, é uma ofensa ao seu Deus.

Yúdice Andrade disse...

Tua abordagem é generosa, meu amigo. Mas essa coisa de reconhecer o próprio valor é um antigo tema das minhas sessões de terapia, para as quais preciso retornar urgentemente!
Abraço.

Lilica disse...

Esses comentários de ex-alunos(as) são o que se chama de salário indireto, mas possui um conteúdo que só quem tem sensibilidade pode contabilizar: reconhecimento e afeto. Parabéns, prof. Yúdice.

Yúdice Andrade disse...

Que palavras bonitas, Lilica. Elas aumentam a minha alegria em relação a esse episódio.