domingo, 23 de janeiro de 2011

A longa e interminável marcha das mulheres pelo mundo

Menina é eletrocutada no Paquistão por amar homem "errado"
Com 17 anos, jovem foi condenada à morte por líderes locais e familiares

Parentes de uma adolescente paquistanesa parecem tê-la eletrocutado porque ela se apaixonou por um homem que a família não aprovava, disse a polícia neste domingo.

Líderes locais e a família de Saima Bibi, de 17 anos, decidiram após um conselho de aldeia (chamado de "panchayat") que a punição por envergonhar a família deveria ser a morte.
- Há sinais de tortura e queimaduras em seu pescoço, suas costas e suas mãos, provavelmente causadas por eletrocussão - disse Zahoor Rabbani, policial do distrito de Bahawalpur, no leste do Paquistão, onde a menina teria sido morta.

O primeiro-ministro Yusuf Raza Gilani tomou conhecimento do "triste incidente da morte de uma menina por corrente elétrica às ordens do panchayat", e ordenou que a polícia submeta um relatório imediatamente, disse o gabinete paquistanês.
A morte de Saima parece ser o que é conhecido como "morte por honra", comum em áreas rurais onde, sob costumes tribais centenários, casar sem permissão dos parentes homens é considerado uma ofensa grave à honra da família.
Centenas de pessoas, especialmente mulheres, são mortas todo ano no Paquistão em nome da "honra", com a maioria das vítimas sendo de famílias pobres e rurais.
A Comissão de Direitos Humanos independente do Paquistão informou, em relatório recente, que ao menos 650 mulheres foram mortas dessa forma em 2009.
Copyright Thomson Reuters 2011

O caso de Sakineh Ashtiani mobilizou o mundo e, até hoje, é acompanhado com vivo interesse por toda parte. Mas quantos casos chegam à mídia como este, com tão pouca repercussão? E quantos mais — estes sim a esmagadora maioria, não duvide — sequer chegam ao conhecimento de quem não está no seu entorno imediato?
Dogmas de honra incompreensíveis para quem está de fora; confusão entre a esfera pública e a privada; desconsideração da autonomia da vontade; inferioridade sexual... Há lugares em que o mundo parece que não girou para as mulheres.

2 comentários:

Luiza Duarte Leão disse...

Creio que esse seja um dos assuntos mais sérios em Direito Internacional: até que ponto a soberania e a cultura dos países impede uma intervenção em violações de direitos básicos de seus cidadãos, como a dignidade da pessoa humana? Como garantir a universalidade dos Direitos Humanos sem desrespeitar costumes? Alguma tem que ser feita, é é urgente!

Yúdice Andrade disse...

Exatamente, Luiza. Porque essas práticas são entranhadas na mentalidade de muitos povos e não adianta chamar a isso de barbárie, porque para eles nós é que somos degenerados.
Como resolver isso?