segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O primeiro dia

Enfim, Júlia foi à escola hoje pela primeira vez. O primeiro dia letivo pode ser encarado sob duas perspectivas: a da equipe escolar, que planeja, executa e encara a situação em seu contexto mais global, e a de cada família. No primeiro caso, perguntei a uma das coordenadoras, quando o dia terminou, que nota ela daria para ele, de 0 a 10. Ela respondeu 1.000. Ponderou que não ocorrera nenhum incidente e que pouquíssimas crianças choraram. Verdade. Nós mesmos já havíamos percebido isso.
Já no que nos diz respeito, não ficamos exatamente satisfeitos. E a explicação exige uma contextualização.
O primeiro dia de aula de uma criança pode se tornar "um evento", como classificou uma avó, membro de um séquito que acompanhava uma simpática menina. Ela foi com os pais, a avó e uma empregada de longa data da família. Todos queriam participar. Esse fenômeno se dá, ao menos, entre pessoas que podem se dar ao luxo de sair do trabalho por algumas horas para introduzir o próprio filho na vida escolar. Esse tipo de pessoa sempre tem uma câmera fotográfica digital ou mesmo uma filmadora. E com esses artefatos, acompanhar o passo a passo da criança chega a se tornar obsessivo. A escola, ciente disso, reservou a primeira parte da manhã para a ambientação de todos.
Júlia estava feliz com a novidade. Entrou tranquila em sua sala e foi logo se familiarizando com o espaço. Arrumou umas comidinhas e ficou brincando de cozinhar. Nosso problema começou no fato de que eu e Polyana cumprimos regras. Como a recomendação aos pais era não permanecer dentro da sala, se a criança estivesse bem, aguardamos do lado de fora. O resto do povaréu se espremia na sala, inviabilizando qualquer atividade planejada. A certa altura, cumprindo o cronograma, a coordenadora geral convidou os pais a sair e deixar as crianças com as professoras e auxiliares. Daí que, de repente, Júlia olhou para os lados e viu um monte de crianças com seus pais e ela, sozinha. Veio o choro. A coordenadora pedagógica conseguiu acalmá-la e a levou para nós. Ela já chegou bem, mas a partir daí não quis mais que a mãe se afastasse para nada. Por conta da ansiedade alheia, erramos tentando acertar, porque nos afastamos sem avisar a ela.
Confesso que ficamos frustrados, mas a coordenadora considerou a reação de Júlia positiva, no geral. Preocupamo-nos com o dia de amanhã, mas não há jeito senão vivenciá-lo.

***

Os leitores habituais do blog sabem que a educação de Júlia é questão capital para nós. O marcador "escola" foi criado especificamente para esse acompanhamento. Mas ninguém se preocupe, pois não tenho a menor intenção de produzir um diário da escola de minha filha. Nem mesmo eu teria paciência para isso. O dia de hoje foi um marco, mas como todos os dias, acabou. A partir daqui, as postagens sobre o tema serão relacionadas a questões mais gerais, reflexões e dúvidas, numa tentativa de trocar experiências com outros pais, que porventura passem por aqui. Os relatos de acontecimentos particulares existirão, claro, quando for o caso. Mas não é o meu objetivo.
Agradeço àqueles que têm acompanhado meus textos sobre os temas relacionados a minha filha, reagindo e respondendo com carinho, respeito e espírito de colaboração. Essas posturas ajudam a Internet a ser um espaço capaz de construir coisas boas em nossas vidas.

4 comentários:

Luiza Duarte Leão disse...

Essas experiências são mais importantes do que imaginamos. Não lembro do meu primeiro dia de aula, mas, quando estava com 5 anos, meus pais tiveram um compromisso profissional em conjunto e não puderam me buscar na escola. Pediram para uma tia me buscar, mas, como ela própria não tinha filhos e isso não fazia parte da rotina, ela acabou esquecendo. Como naquela época não havia celular, fiquei na escola até meus pais chegarem em casa e constatarem que eu não estava lá!
Depois disso, eu passei uma semana chorando copiosamente para ficar sozinha no colégio. É engraçado que eu me lembre disso até hoje, em detalhes. Mesmo sendo tão pequena, lembro da sala, da professora e do corredor em que eu me agarrava na minha mãe.
Se serve de consolo, os traumas passam, se bem contornados.

Lafayette disse...

Por mim, o amigo SÓ escreveria sobre a Júlia! :-)

Não que os demais temas não sejam interessante, mas a Júlia é a Júlia.

Aliás, inicio uma campanha: "QUEREMOS UM BLOG SÓ PRA JÚLIA!!!" rsrsrsrs

Abraço, amigo, e um feliz 2011 pra você e toda sua família.

Ana Miranda disse...

Yúdice, você não vai acreditar, mas eu tirei foto dos meus filhos até o primeiro dia da faculdade!!!
E os dois foram à escola com 3 anos de idade, e eu lembro-me que quando ospais saíram, TODAS as crianças choraram, menos os meus filhos.
O Rodrigo, é mais velho que a Carol 6 anos, e eu, 6 anos depois saí de outra escolinha vendo todas as crianças chorando, menos meus filhos.
Eh...eh...eh... Até hoje me pergunto que raio de mãe sou eu...
A Júlia vai se dar super bem, esse episódio irritante de vocês terem feito o que regimento do colégio pedia enquanto os outros pais o ignoravam, vai passar. A pequena Júlia não conhecia ninguém, depois que ela familiarizar-se, acabam-se os problemas.
Boa sorte a vocês 3. Principalmente à Júlia!!!

Yúdice Andrade disse...

As pessoas subestimam, Luiza, mas nossas experiências nos marcam de acordo com nossas percepções do momento, não com a valoração de terceiros sobre o que é importante. Sabe-se lá porque o atraso paterno, naquele dia, te doeu tanto. Pode ser apenas pelo motivo evidente, mas pode ter havido algo mais. O que quer que seja, te marcou a ponto de pensares nisso até hoje.
Anota aí: nada de esquecer o teu futuro pimpolho.

Ahahahahahah! Lafayette, tu és demais. Vou pensar em tua sugestão. Felicidades para tua família, também.

Uma mãe que, sem dúvida, vive intensamente a experiência da maternidade, em todas as suas fases. Essa da faculdade foi ótima. Não sei se ficarei assim, mas o que importa é o que sentimos no momento.