sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Depoimento sem dano

Inicialmente, publiquei uma postagem sobre um caso de vitimização secundária, produzido pelo próprio Poder Judiciário, ao tomar de forma agressiva o depoimento de uma criança, vítima de abuso sexual. Tempos depois, tomei conhecimento de um programa, desenvolvido no Rio Grande do Sul, que procura preservar essas vítimas do sofrimento provocado pelas investigações criminais, ao menos em sede judicial. Trata-se de "Depoimento sem dano".
Este programa foi objeto da monografia de conclusão de curso de duas ex-alunas, Aline Bentes e Floraci Monteiro, sendo que a primeira delas é psicóloga e, portanto, pode reunir as suas duas formações profissionais para produzir um excelente trabalho, que tive o prazer de examinar na biblioteca de nossa faculdade.
No jornal de hoje (especificamente na coluna "Repórter Diário", do Diário do Pará), deparei-me com a seguinte notícia:

Finalmente, o tema está sendo trazido à baila com a publicidade que merece. É urgente que medidas de contenção da vitimização secundária de crianças sexualmente abusadas sejam implementadas de imediato.

3 comentários:

Aline disse...

Yúdice,
Obrigada por seu carinho, como sempre. Uma honra receber um elogio seu!
Tem algum tempo que venho vestindo a camisa do Depoimento sem Dano (DSD), inclusive junto a grupo de Psicólogos do TJ, uma vez que muitos são contra (pois o Conselho Federal de Psicologia é manifestamente contrário ao projeto).
Há um tempo atrás, mantive contato pessoal com o Dr. José Antônio Daltoé (idealizador do projeto no RS), que muito gentilmente me enviou uma série de materiais sobre o DSD (desde o projeto em si, livro, DVDs, até cópias de todo o material utilizado para implementação do projeto no RS). Esse material me foi muito útil e esclarecedor, pois me permitiu ter uma idéia detalhada sobre o DSD.
Pessoalmente, acho que a maior parte das pessoas que se posicionam contrárias ao DSD são pessoas que não estão inseridas no dia-a-dia do Judiciário e, por isso mesmo, não têm idéia de como, na prática, as nossas crianças têm sido ouvidas nos processos judiciais (tanto cíveis como criminais).
Agora o grupo de Psicólogos do TJ está se mobilizando para enviar dois profissionais para o RS, para acompanhar / ver de perto como o DSD está funcionando pra prática.
Acho que é um passo importante. Quem sabe não é o início da mudança que precisamos...
Abraços, e um ótimo domingo pra você, Polyana e Julinha.
Aline Bentes.

Yúdice Andrade disse...

Aline, fiquei perplexo com tua informação de que há resistências a esse programa. Até podia imaginar que fizessem corpo mole para a sua implantação, já que dá trabalho e envolve custos, numa área em que não se gosta de investir (mármore no piso dos tribunais é prioridade...), mas daí a ser contrário à ideia vai uma distância que eu, em minha ingenuidade, não pensei que seria ultrapassada.
Tomara que essas cabeças vetustas sejam logo substituídas!
Que o DSD seja implantado entre nós o quanto antes.

Aline disse...

Verdade, Yúdice. Isso também me deixa perplexa! E mais, não só há muitos Psicólogos contrários ao DSD, como também muitos Assistentes Sociais e Pedagogos... Até entendo essa posição vinda de quem não está no Judiciário. Mas, de quem está trabalhando nele e conhece suas mazelas.... Isso muito me preocupa e assusta!
Um dia a gente mata essa galinha e te conto por onde passam as discussões a esse respeito. Inacreditável.
Abraço grande!
Aline Bentes.