sábado, 27 de novembro de 2010

"Mobilização da esfera pública em prol da emancipação do mundo da vida"

O professor André Coelho, filósofo, colega de CESUPA atualmente licenciado para cursar seu mestrado nas maravilhosas terras catarinenses, já foi elogiado diversas e merecidíssimas vezes aqui no Arbítrio. Com uma capacidade aguda de aplicar as lentes da Filosofia sobre os fatos da vida, ainda quando pareçam banais, já produziu vários textos em seu próprio blog o altamente recomendado Filósofo Grego a respeito de considerações que eu tecera aqui, neste espaço de amenidades cotidianas. Desta vez, porém, ele se superou.
A partir de uma postagem rapidíssima que escrevi após me aborrecer consultando a programação de cinema, ele produziu uma alentada análise sobre o que o sociólogo e filósofo alemão Jürgen Habermas chama de colonização do mundo da vida. O texto aplica a teoria habermasiana aos modos como a indústria cinematográfica, os exibidores, o poder público, os artistas e o próprio público agem hoje e como poderiam agir se quiséssemos mudar a situação vigente. Fantástico.
Recomendo enfaticamente a leitura do texto, cujo link se encontra acima. Meu amigo Edyr Proença provavelmente se interessará de modo especial, embora a sua praia seja o teatro.
Previno os leitores típicos de Internet apressados e aflitos que o texto é longo e, embora redigido numa linguagem totalmente acessível, exige atenção. Vale a pena degustar até o final.

5 comentários:

André Coelho disse...

Obrigado pela homenagem, pelos elogios, pela referência à minha postagem e pela propaganda do blog. Tenho certeza que, nesses seis anos de Filósofo Grego, meu número de seguidores e de visitas deve muito à tua generosidade comigo. Abraço, amigo!

caio disse...

Hum. Esse blog vai ganhar mais um leitor. Me deu ânimo para fazer as pazes com Habermas...

Tenho um livro que conta em quadrinhos a trajetória do ensinamento filosófico, muito interessante. Poderia ser uma introdução para a sua filha, professor, quando o senhor julgar ser a hora.

Abraços!

Frederico Guerreiro disse...

Excelente!

É uma pena que a própria "colonização do mundo da vida" traga em si o verme que desestimula cada vez mais a mobilização no sentido contrário. A lógica do sistema é ocupar todos os espaços mercantilizáveis.
O lucro é o fim último de toda atividade humana, seja o lucro em dividendos econômicos ou políticos. Fazer diferente é segregar-se ainda mais, tornando-se cada vez mais seletivo, com poder mais restrito. Assim, as possibilidades de sobrevivência são reduzidas, implicando ainda em impopularidade, por verticalização do conhecimento acerca da arte. Enfim, o refinamento leva ao confinamento.

Um forte abraço aos dois

Grato pela reflexão

Nelson Bedin disse...

Li seu artigo e fiquei impressionado com sua clareza. Usei os escritos de Habermas para minha tese de doutorado (sobre agentes comunitários de saúde) e, no início, tive alguma dificuldade de compreendê-lo. Sua exposição, no entanto, consegue traduzir tão bem o que ele disse, que se torna fácil entender a mensagem de Habermas. Sou presidente do CBESC (Centro Brasileiro de Estudos em Saúde Coletiva) e continuo usando muito os textos de Habermas, em especial a questão da colonização do mundo da vida, pois não vejo como fazer promoção da saúde sem descolonizar o mundo da vida. Abs, Nelson Bedin
(bedinnelson@gmail.com)

Yúdice Andrade disse...

Caro Nelson, o nosso André merece mesmo todos os elogios. Ele ficará feliz de saber que ajudou de alguma forma o seu trabalho.
Grato pela participação. Um abraço.