segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Questão de caráter

Há pessoas e pessoas, artistas e artistas.
Esta imagem mostra Paul McCartney saindo do estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, após a passagem de som, no último dia 7. Está com a maior parte do corpo para fora do veículo, numa situação perigosa para a sua segurança, porque fez questão de acenar para os fãs, de reconhecer o carinho e a idolatria que vem recebendo no Brasil.
Ontem, em São Paulo, repetiu o gesto na entrada no Morumbi, extasiando quem se acotovelava há horas por ali, só para vê-lo.
Gosto dos Beatles e acho McCartney legal, mas só. Provavelmente, não iria ao show dele nem mesmo se morasse na cidade da apresentação. Nada contra; é apenas uma questão de baixa afinidade musical para me submeter a tanto atropelo. Mas tiro o meu chapéu para esse senhor de 68 anos, simpático e receptivo ao público, como todo artista deveria ser, mas não é. Afinal, artistas vivem de seu público. No mínimo, deveriam ser gratos.
Fosse um desses fulaninhos daqui mesmo do Brasil, chegaria em um comboio ultraprotegido, andaria cercado de seguranças, de cara amarrada, e se esforçaria por manter os fãs o mais longe possível. McCartney dá uma lição nessa cambada. De música, de vida, de caráter.
Salve, Paul.

6 comentários:

Francisco Rocha Junior disse...

Caro Yúdice,

A generalização que fazes sobre os "fulaninhos" do Brasil não é justa. Como toda generalização, torna regra o que vem se tornando cada vez mais exceção. Hoje em dia, os artistas (e, sim, principalmente os chamados "popstars") têm a exata noção de que efetivamente vivem daquilo que seu público compra - e isso inclui sua imagem. Por isso, cada vez menos há espaço para idiossincrasias de artistas, que compunha um padrão de comportamento de tempos passados que está há muito superado.

Quanto a Sir Paul McCartney, ele é muito mais que um artista: é um mito. E como mito moderno, comporta-se devolvendo toda a energia carinhosa que seus fãs lhe dedicam.

Abração.

Anônimo disse...

Salve também, Yúdice, pelo excelente texto :)

Alexandre

Luiza Duarte Leão disse...

É claro que arrogância não se justifica em ninguém, mas, se alguém teria algum motivo pra ser "estrela", não seriam esses "artistas" de última hora e com prazo de validade...

Ana Miranda disse...

Eu gosto muito dele, adoraria ter ido ao show e acho o maior legal ele, nessa idade, viajar para fazer shows e arrasar.
E concordo contigo, os fulaninhos bem poderiam aprender com ele sobre simpatia e consideração aos seus fãs.

Rafaela Neves disse...

Prof Yúdice,

Adorei o texto do McCartney, assim como os outros também! Sendo que um me fez voltar a estudar o crime de injúria e o outro, a lhe parabenizar pela dedicação em ser pai. O senhor realmente sabe valorizar a oportunidade que é fazer parte da humanização, Parabéns!
Quanto ao texto do "crepúsculo", ri muito de sua definição para a saga, já que compartilho da mesma idéia, mas, também respeito minhas várias amigas que gostam, hehehe. Quanto ao texto do caranqueijo, devo confessar que já sabia dessa prática, pois quando criança o meu pai, que era de origem muito humilde, trabalhou em uma lanchonete, e viu como era tirado. Mas, isso também não me incomodava, desfrutar as iguarias desse marisco tão saboroso se sobressaia sobre os rumores....
Além disso,ao ler na internet achei um texto muito bom falando sobre a Lei da Palmada, espero que o senhor goste e saborei a leitura, que por sinal é de uma autora muito querida por mim: Lya Luft, segue abaixo o link:

http://www.educacionista.org.br/jornal/index.php?option=com_content&task=view&id=6420&Itemid=43


Um grande abraço,
de sua aluna Rafaela Neves (DI4TB)

PS: Obrigada pelo "futura professora", é uma honra receber um incentivo de alguém tão admirado por mim, que é o senhor!

Yúdice Andrade disse...

Caríssimo Francisco, meu texto se refere a "um desses fulaninhos daqui mesmo do Brasil" e não pretende ser uma generalização. Não quis dizer que os artistas nacionais são fulaninhos arrogantes, mas tão somente que há gente (e muita gente) assim entre os nacionais. Portanto, tome a crítica como aplicada apenas aos que a merecem, como os artistas com "prazo de validade" a que aludiu a Luiza. Abraço.

Agradecido, Alexandre.

Luiza, de volta à net? Fazes falta.

Eu queria ter metade dessa energia, Ana.

Um apanhado geral do blog nos últimos dias, Rafaela? Sei como é aturar uma prova sendo aplicada. Realmente, dá um tédio danado e temos que nos defender de algum modo. A rede wireless foi uma grande invenção!
Lerei o texto que me recomendaste. Quanto ao "futura professora", ficarei na torcida.