segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Mãe honrada

É raro, ainda mais nos dias de hoje, uma mãe concordar publicamente com a punição de um filho, por crime que haja cometido. Ainda mais no contexto da classe média. Mas foi justamente o que fez a mãe de um dos cinco acusados de agredir barbaramente um homossexual, na Avenida Paulista, ontem.
Dou meus parabéns a ela. Não é uma posição nada fácil e imagino o seu sofrimento. Mas de acordo com a declaração prestada, entendo que ela tem em mente valores que tentou repassar ao filho e considera mais saudável que ele os rememore agora, antes de fazer coisa mais grave. Estou apenas especulando, mas preciso acreditar que muitos pais ainda são capazes de suportar as repercussões criminais dos atos de seus filhos, pelo bem deles mesmos e das pessoas que podem vir a ferir, em qualquer sentido. Mas o ponto de vista dessa mãe é isolado mesmo no contexto. O pai de outro acusado minimizou a violência: foi uma briga como outra qualquer. Aí sim vemos o brasileiro típico. A meu ver, para começar, nenhuma briga pode ser tolerada. Ou vamos voltar à época em que macho que é macho tinha que dar umas porradas, de vez em quando?
Absurda mesmo foi a versão narrada pelo advogado de um dos acusados que, naquele estilo visto-mesmo-a-camisa-do-meu-cliente-não-importa-o-que-haja-ocorrido, dá a entender que houve legítima defesa e trata o caso como "suposta agressão", "supostas vítimas". Só não diz nada acerca da desproporção de forças entre cinco agressores contra uma suposta vítima já ferida e caída.
Não diz nada, claro. Quando se chega ao limite do injustificável, melhor calar a boca.

3 comentários:

J@de disse...

Se fosse meu filho além de preso ia tomar uma surra que eu mesma ia dar!!
Eu fico muito triste quando vejo notícias assim...

Yúdice Andrade disse...

Era exatamente no que eu pensava, Jade. Não sei se surra seria a minha reação, mas com certeza haveria represálias duríssimas. Não se trata de desobediência, mas de maldade. E não consigo conviver com isso. Aliás, não é apenas maldade, mas uma forma de desrespeito pelo ser humano inconciliável com qualquer referência de tolerância que eu possa ter.

Ana Miranda disse...

Eu ia falar exatamente isso: Se fosse meu filho, além de acertar as contas com a justiça, ainda iria acertar as contas comigo.
Não há nada, absolutamente nada, que justifique uma atitude dessas.
Nada.