quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Eu

Respondendo a pergunta do senhor governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral: eu.
Aliás, gostaria de saber o que as mulheres acham da sugestão.

4 comentários:

Luiza Duarte Leão disse...

Na verdade, apesar de ter sido uma declaração obviamente desastrada, eu gostei.
Pesquisas mostram que uma em cada cinco mulheres brasileiras já fizeram aborto, então, muitas namoradinhas abortaram por aí. Eu conheço algumas histórias.
As mesmas pesquisas mostram que são as religiosas as que mais fazem, porque, afinal, a carne é fraca pra todo mundo, mas as consequências, no meio em que elas vivem, são maiores.
Mas essa não foi a melhor declaração do Cabral sobre o assunto. Foi só a mais interessante para a mídia. Na mesma ocasião ele disse que ninguém é a favor do aborto, mas sim "a favor do direito à mulher de recorrer a um serviço público de saúde para interromper uma gravidez, seja por alguma necessidade física, psicológica, psiquiátrica, ou orgânica".
Este comentário, ao meu ver, foi irretocável. Dizer que a legalização do aborto seria o fim da família brasileira é confundir tudo.
Há uma grande diferença entre "permitir" e "obrigar". Parece que, se for legalizado, todo mundo vai sair por aí tirando filho! Como se a ilegalidade fosse um empecilho.
Os números mostram que quem quer faz. Dinheiro não é problema, já que uma curetagem custa menos do que um mês de fraldas. Quem não faz, é por motivos íntimos.
Legal ou não, a decisão de abortar é muito difícil para a mulher e continuará sendo, independente da lei.
Assim, achei a sugestão do Cabral muito, mas muito corajosa.

Ana Miranda disse...

Eu, como defensora do direito de abortamento, gostei da atitude corajosa dele de vir a público posicionando-se a favor do aborto. Agora, era de se esperar que o Cabral fizesse isso de uma meneira "a la Cabral", né?
Ele fala sem pensar.
Mas, acho que ele quis dizer foi dos problemas que os namorados passaram pela dificuldade de levar suas namoradas às clínicas clandestinas...
E aí, deixou claro que ele passou pela situação...

Anônimo disse...

Yúdice, se formos ver, ele tem razão. Os brasileiros adoram mascarar os fatos. Dizer que chamar alguém de negro é crime, pois o termo correto é afrodescendente. Sinceramente, então se você gosta de chamar sua mulher de “minha nega” você será preso? Com outros casos acontecem a mesma coisa. Proibindo ou não, muita gente ainda vai continuar fazendo, direta ou indiretamente.

Alexandre

Yúdice Andrade disse...

Vocês não estão errados no mérito, meus caros. É preciso, de fato, colocar a questão do abortamento em termos neste país, inclusive dizendo aos religiosos que eles podem fazer suas pregações apenas na cabeça dos próprios fieis, sem se imiscuir na vida civil da nação.
Mas daí a banalizar o debate, pior para todos.
Ao pronunciar-se como se pronunciou, Cabral dá a entender que o abortamento deve ser legalizado porque meio mundo o pratica. Se o argumento for esse, poderíamos revogar a "Lei Maria da Penha" e estimular que o homem meta a porrada na mulher, porque isso também é uma realidade cotidiana.
Pessoalmente, como homem que sempre quis ter um filho direitinho, educá-lo, cuidar dele, senti-me ofendido com o deboche do governador.