terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Parque de Ciência e Tecnologia do Guamá

Como ninguém respeita horário neste país, aposto que ainda não começou, mas estava marcada para as 18 horas de hoje a inauguração do Parque de Ciência e Tecnologia do Guamá, uma parceria entre a Universidade Federal do Pará e o governo do Estado. Aliás, aqui reside uma de minhas maiores tristezas em relação à gestão Ana Júlia.
Os parques de ciência e tecnologia — frise-se o plural: deveriam ser quatro, salvo engano, em diferentes regiões do Estado — foram anunciados logo no começo do governo petista, em 2006, e poderiam ser um divisor de águas entre a administração que começava e todas as anteriores — todas, sem exceção —, que nunca deram verdadeira importância ao desenvolvimento científico. Afinal, manter em funcionamento a Universidade do Estado do Pará não chega a ser, sequer, fazer o mínimo necessário.
Temos a biodiversidade amazônica, única no mundo e que dispensa apresentações; temos incontáveis usos industriais para ela; temos uma província mineral igualmente rara. Temos, enfim, todo o interesse em desenvolver tecnologias próprias para usufruir, como protagonistas e não como mendigos, dos benefícios de tudo que se explora aqui ou que se leva de nós. Mas é claro que ninguém jamais se preocupou com isso. Afinal, povo educado vota melhor.
A inauguração de hoje, seguindo o velho estilo brasileiro, não é de uma obra pronta. É apenas da famosa "primeira fase", que corresponde às instalações físicas, isto é, o PCT não vai entrar em operação ainda. Isso será algo a ser resolvido pela UFPA com o próximo governo, o que não é motivo de nenhum alívio ou esperança.
Quem foi convidado, que vá lá comer esse kibe. Talvez a festa acabe por aí mesmo. Deus queira que eu esteja errado.

Para saber mais sobre o PCT-Guamá, leia a notícia aqui.

2 comentários:

Alexandre José França Carvalho disse...

Caro Professor Yúdice, certamente há pessoas mais indicadas para falar sobre o Parque de Ciência e Tecnologia - Guamá. Mas como colaborei com o projeto, por trabalhar na Diretoria de Inovação e Transferência de Tecnologia da SEDECT/PA, nos últimos anos, mas precisamente na área de Direito da Propriedade Intelectual, posso prestar algumas informações complementares, para contribuir com o debate. Na verdade são três Parques de Ciência e Tecnologia, o do Guamá em Belém (atuação com foco em BIOTECNOLOGIA, ENERGIA, SISTEMAS E TECNOLOGIAS DE COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO (TIC) e MINERAÇÃO E METALURGIA); o Parque de Ciência e Tecnologia Tocantins em Marabá (atuação com foco em Tecnologia Mineral e novos materiais, Pesquisa agropecuária e tecnologia florestal); e o Parque de Ciência e Tecnologia Tapajós em Santarém (atuação em tecnologia da madeira, agricultura tropical e produtos da floresta, pesca, aqüicultura e geologia mineral. Dos três é o que está em fase mais adiantada e deve sua inauguração ontem, enquanto empreendimentos assegurados há o CEAMAZON – Centro de Excelência em Eficiência Energética da Amazônia, o laboratório de alta tensão, o laboratório de Engenharia Biológica, o laboratório de óleos vegetais e derivados, o Laboratório de Tecnologia de Informação e Comunicação – Sistemas Embarcados – TIC, o Laboratório de Referência em Fitossanidade e Manejo – FTS, o Laboratório de Instrumentação para Produtos Agroindustriais – AGROIND, o Laboratório de Qualidade do Leite, o Centro de Valorização Agroalimentar de Compostos Bioativos da Amazônia, o Laboratório de Monitoramento de Florestas - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Laboratório de Tecnologia do Alumínio – VALE e o Instituto de Tecnologia da VALE. Mais informações poderão ser obtida pelos sites http://www.pctguama.pa.gov.br/ e http://www.feiraict.pa.gov.br/ . Espero ter contribuído com as informações.
Abs,
Alexandre Carvalho

Yúdice Andrade disse...

Muito obrigado pelas informações, Alexandre. E perdão pela demora em responder. É muito importante que a sociedade paraense conheça esse projeto e que ele funcione plenamente. Precisamos disso, para termos a chance, quem sabe, de um salto qualitativo em nosso desenvolvimento, inclusive sob o aspecto ambiental.