Sobre as primeiras voltarei a escrever, mas o sentimento a que me refiro diz respeito ao modo como os juristas lidam com a missão de publicar trabalhos científicos. Alguém disse aos juristas, há mais de um século, que eles deveriam escrever tratados. E eles acreditaram. Alguns dos maiores nomes das letras jurídicas produziram caudalosas obras e, em alguns casos, versando sobre distintas áreas do Direito. O tempo passou, os conhecimentos se especializaram e as influências de várias outras áreas do conhecimento não permitem mais o surgimento de um novo Pontes de Miranda. Ou, pelo menos, tornariam bastante duvidosas as credenciais de quem pretendesse galgar uma tal posição.
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Precisamos superar a mania tosca de encarar artigos como produções menos valiosas, como se somente livros tivessem valor e, mesmo assim, apenas quando produções individuais. No Brasil, artigos jurídicos são publicados em sites interessantes e úteis, mas cujos critérios de publicação são incipientes, o que os torna frágeis para fundamentar trabalhos científicos (são justamente esses documentos que infernizam a vida dos orientadores de TC, pois os alunos atuais vão direto à Internet, antes de procurar livros); ou então em revistas especializadas, muito bem intencionadas, mas nem de longe com o prestígio de uma Nature (ciências naturais) ou de uma IEEE (tecnologia). Nestas áreas, por sinal, muitas instituições acadêmicas promovem uma política de publique-ou-morra. Conseguir que uma revista desse nível publique um trabalho não é nada simples. E conseguir o feito é muito bom para o currículo.
Por fim, se quisermos por o dedo na ferida, também podemos dizer que alguns livros supostamente individuais são, na verdade, o produto do engenho de várias cabeças, que pesquisam, fundamentam, escrevem, mas cedem todos os créditos ao dono do projeto — cujo nome fulgurará na capa. No máximo, haverá alguns agradecimentos, mas não o reconhecimento público de coautoria.
Publicar artigos científicos de alta qualidade no Direito, no Brasil. Este é um paradigma a ser mudado, com todos os ares de desafio.
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