terça-feira, 24 de novembro de 2009

Desencanto

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa. remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre
Deixando um acre sabor na boca.

Eu faço versos como quem morre.

Manuel Bandeira

2 comentários:

Anônimo disse...

Só uma perguntinha, meu caro amigo virtual Yúdice, por que poemas tão deprimentes?
Há algum motivo, causa, razão ou circunstância especial acontecendo???
Bem, basta abrirmos os jornais, né não?
Então, está explicado a escolha de seus poemas.
OBS.: Adoro os dois poetas.
Ana Miranda

Yúdice Andrade disse...

Não foram os jornais. Às vezes somos tomados por sentimentos sombrios.
Mas o que importa é a beleza dos poemas.