segunda-feira, 17 de maio de 2010

Nós

Ela é alucinada por videogame. Eu detesto — por causa dela, diga-se de passagem.
Eu escuto um monte de tipos de música. Ela quase não se interessa, mesmo vindo de uma família de músicos.
Ela é alucinada por sushi. Eu penso que peixe bom é assado, cozido ou frito; jamais cru.
Eu adoro dirigir. Ela não quer aprender.
Ela toma banho quente. Eu acho inadmissível banho quente no calor de Belém.
Eu tenho aversão absoluta a comédias americanas. Ela assiste.
Ela fala enquanto dorme. Eu acordo por causa disso.
Eu acredito na palmadinha evangélica. Ela considera um escândalo.
Ela toma sorvete de chocolate. Eu só aceito de frutas e, no máximo, um romeu e julieta.
Eu gosto de bolonhesa. Ela, de molho branco.
Ela lê os manuais. Eu peço para ela fazer os eletrônicos funcionarem.
Eu quero ver o mar, as montanhas, a imensidão. Ela aceita passar o dia na frente da TV a cabo.
Ela tende a ser impulsiva. Eu, hesitante demais.
Eu sou professor. Ela também.
Ela cata os camarões e me dá. Eu deixo de descansar para levá-la ao trabalho.
Eu me aborreço quando ela não presta atenção. Ela se aborrece quando mudo repentinamente de assunto.
Ela adora o Harry Potter. Eu me irrito com esse cara.
Eu tenho acessos de raiva. Ela me apazigua.
Ela quer que eu fale menos palavrão. Eu acho que lhe faria bem mandar certas pessoas à merda, de vez em quando.

E com todas essas diferenças, além das tantas outras de que não me recordei neste momento, dividimos a mesma cama há mais de cinco anos, dividimos vários gostos e, há quase dois anos, a mesma filha. Vamos levando cada dia, um por vez. E, a partir de agora, dividimos também um blog.
Como diria o Lulu Santos, a gente vive junto e a gente se dá bem; não desejamos mal a quase ninguém.
Não sei se ela deseja o mal de alguém. Mas eu desejo o suficiente por nós dois. Sinceramente, não sei como ela me aguenta. Mas se soubesse, talvez não tivesse a mesma graça.
Bem vinda, Polyana.

Família reunida no último Natal. Júlia com cara de sono.
É engraçado, mas não havia uma foto recente do casal em que ela não aparecesse.


9 comentários:

Tanto disse...

Lindo. Não tenho outra coisa a dizer deste texto, somente que é lindo.

Yúdice Andrade disse...

Agradeço, meu amigo. Há uma formulazinha para isso...

Adelino Neto disse...

Texto deliciosamente inspirado, com um quê de poesia. Lembrou a música "Eduardo & Mônica", da Legião Urbana :-D

Como leitor assíduo do blog, também faço questão de dar boas-vindas à Polyana!

Adelino Neto

Frederico Guerreiro disse...

Todos lindos-lindões...

Ah, a fórmula eu já conheço. Só não não vale cantar aquela música do Zezé Di Camargo e Mariano (?) que também é covardia. Apenas é o amor.



p.s.: tua testa está crescendo ou é impressão minha, mano...?
rsss...
Num me ralha, tá?

Ana Miranda disse...

Yúúúúúúúúúúúúúdice,a história de vocês é parecidíssima com a nossa!!!
Só que o Bem é estilo Polyana e eu sou mais estourada, falo todos os palavrões, sou briguenta, assim, mais parecida com você.
E nossas diferenças são infinitas, nem nossos quase 30 anos de casados mudou isso, continuamos sendo na individualidade exatamente o que éramos quando nos apaixonamos, por isso estamos juntos e felizes até hoje!!!
Vida longa a vocês dois!!!
E viva as diferenças!!!

Polyana disse...

Adorei o post também! E, realmente, temos que tirar mais fotos nossas... :0

Luiza Duarte disse...

Adorei o post! Como sempre, de uma sensibilidade incrível.

Acho interessante isso sobre os casais. Também tenho muitas diferenças assim em relação ao Eduardo, mas, quando paramos pra pensar, vemos que isso é tão superficial. O amor que dura tem que ter semelhanças nos projetos, sonhos, valores e princípios. O resto vai se ajustando.

Parabéns aos dois pela família linda.

P.S.: O topo não vai ser mudado? Arbítrio do Yúdice (e da Polyana)? :)

Yúdice Andrade disse...

Valeu, Adelino. A poesia vem da inspiração que Polyana representa para mim.

É o amor, mesmo, Fred. Mas sem sertanejo!
O movimento aparente de minha testa se explica pelo previsível motivo da escassez de recursos capilares no extremo norte do corpo.

Engraçado, Ana, mas volta e meia falamos sobre pontos em comum. Só mesmo a Internet para juntar gente desconhecida, separada por milhares de quilômetros de distância.

A afinidade que demonstras com o teu noivo, Luiza, com o tempo será aperfeiçoada. Estou certo de que o casamento lhes proporcionará muito mais felicidade do que já sentem por estarem juntos.
Quanto ao título do blog, convidei a Polyana para ser uma colaboradora. Não pensei em mudanças. Não digo que sim, nem que não. E quem sabe ela toma gosto e decide fazer carreira solo?

Hellen Rêgo disse...

Lindo post! Linda Foto!
Otima notícia.