sexta-feira, 28 de maio de 2010

Ode ao bigode

Já que este blog faz a linha eu-sei-de-quase-tudo-um-pouco-e-quase-tudo-mal, hoje falarei sobre barba, cabelo e bigode. Aliás, para ser honesto, falarei apenas sobre bigode. Qualquer hora dessas escrevo alguma coisa sobre cavanhaque e barba — essas questões tão importantes para nós, homens.
O bigode já foi um símbolo de elegância, sofisticação e até mesmo de poder, porque associado à masculinidade, mais do que uma barba farta, que geralmente dava ao indivíduo um respeitável ar de pai de família.
O bigode já arrasou no cinema...



...já arrasou na música...


...já arrasou na televisão...


...já arrasou nas artes plásticas...


...já arrasou meio mundo...


...arrasa com o Brasil até hoje...


...e já arrasou até onde não devia...



Mas o poderoso bigode caiu em desgraça. Da década de 1990 para cá, os pelos entre o nariz e a boca perderam o glamour. Pior do que isso, tornaram-se um elemento cafona, associado ao mau gosto, uma coisa assim meio pós-new-up-over-pré-dark-light. Basta ver que, se no passado os galãs globais desfilavam com pujantes bigodes (Tarcísio Meira e Antônio Fagundes, p. ex.), há muitas e muitas novelas que o adereço sumiu das caras. O mesmo se pode dizer do cinema.
Pense bem: quantos bigodudos você conhece? Quem ainda usa bigode? Normalmente, senhores de certa idade, movidos provavelmente pelo saudosismo. Muitas e muitas vezes escutei mulheres dizendo que bigode dá ao homem cara de cafajeste. Tem que goste.
Hoje em dia, o negócio é mesmo a cara lisa, polida com muitos creminhos, sobretudo após inventarem esse papo furado de metrossexual, que deixa o sujeito com essa carinha imberbe e cândida...
...ou no máximo com uma sujeirinha de quem poderia ter barba, fosse o caso...


Uma coisa, contudo, é certa: se os pelos já não fazem sucesso no meio da cara, no alto da cabeça com certeza eles arrebentam, já que algum débil mental inventou que bonito, agora, é andar com uma cabeleira escandalosa, o que nos tempos dos meus pais seria interpretado como coisa de gente que não toma banho — opinião que eu, admito, continuo tendo, mesmo correndo o risco de ser acusado de despeito, já que as madeixas me abandonam a larga velocidade. Mas isto é assunto para uma outra postagem.
Por ora, digo que, como a sociedade funciona em ciclos, segundo penso, pelo visto estamos passando por uma fase de progressiva androginização da aparência. No futuro, talvez, só gente com cara de Boy George vá ser considerada bonita.
Vai uma maquiagem aí?

7 comentários:

Frederico Guerreiro disse...

Mas Yúdice, tu também usavas cabelo comprido, com rabo-de-cavalo, antes de a testa começar a crescer. O que aconteceu? Te sentiste mal com aquilo amarrado para trás? Eu usei cabelos compridos durante uns sete anos e me sentia muito bem, até mesmo porque a minha testa cresce bem devagarinho. Mudei porque comecei a achar que o estilo já não combinava mais comigo.
Em relação ao cabelo na cara, prefiro continuar lobisomem. Já pensou eu com a cara do Boy George? Fala sério!
Definitivamente, esse negócio de "metenosexual" não é comigo. As mulheres gostam mesmo é de uma cosquinha...

Polyana disse...

Bem, você já sabe que eu não gosto de você só com bigode, mas adooooro a barba! :)

Ana Miranda disse...

Eu não gosto de barba e acho muito pior somente o bigode, mas a minha filha a-do-ra homem de barba, mas barba ralinha, não sei o que ela vê de bonito nisso.

Anônimo disse...

http://culturadigital.br/marcocivil/

Professor, o senhor viu isto?

Cordialmente,

Marina Moreira.

Yúdice Andrade disse...

Ih... uma das imagens simplesmente desapareceu!

Fred, não tenho nada contra cabelo comprido. O que me irrita é cabelo na cara - essa maçaroca ridícula que usam hoje em dia, como se os caras tentassem virar o primo It, da Família Addams. Usei cabelo comprido, porque o desejava desde a adolescência. Cumpriu a sua finalidade. Agora não usaria mais, porque careca de madeixas compridas atrás não dá...

Graças a Deus, Polyana!

Putz, Ana: estou usando barba há alguns meses. Espero não ter ficado muito repugnante...

Saia apenas do marco civil, mas nunca me detive no assunto. Agradeço a indicação, porque assim poderei acompanhar o desenrolar dos acontecimentos.

Luiza Duarte disse...

Mulheres gostam de barba. Quem não gosta são as meninas que leem a Capricho ou outras revistas de adolescentes, onde as fotos dos garotinhos aí reinam. Passando dos 20 anos, todas as mulheres acham o Fiuk e o Zac Afron "bonitinhos", mas criancinhas.

Yúdice Andrade disse...

Teu comentário, Luiza, dá algum alento aos rapazes de bem!

Anônimo cosmopolita: estou neste exato momento prestes a disparar um tiro na própria boca, em reação a sua crítica. Não posso mais viver! Ó dor, o morte!!!